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21/08/2019

Review: Pink Floyd – A Momentary Lapse of Reason (1987) c/vídeo



Uma análise de todo o contexto que gerou A Momentary Lapse of Reason, álbum que o PINK FLOYD lançou em 1987 e que veio ao mundo em meio a uma batalha judicial entre David Gilmour e Roger Waters pelos direitos sobre o nome da banda.


Por Collectors Room
Agosto 19, 2019



Décimo-terceiro álbum do Pink Floyd, A Momentary Lapse of Reason marca o início da fase em que David Gilmour assumiu o controle criativo total da lendária banda inglesa e é também o primeiro disco do grupo a não contar com Roger Waters. Mas, antes de falarmos sobre o álbum é preciso contextualizar tudo que envolveu o Pink Floyd na primeira metade dos anos 1980.

Ao longo dos anos, Roger Waters foi gradativamente assumindo cada vez mais o protagonismo dentro do grupo. Isso se refletiu em um controle sobre o direcionamento criativo da banda, levando a uma obra-prima como The Wall (1979) – onde ele compôs praticamente todo o material, dividindo a parceria com Gilmour em apenas três músicas: “Young Lust”, “Comfortably Numb” e “Run Like Hell” – e a um trabalho para alguns não tão bem sucedido assim, o controverso The Final Cut (1983). Controverso porque, na verdade, The Final Cut foi concebido como um álbum solo de Waters, tanto que traz no encarte a frase “A requiem for the post war dream by Roger Waters, performed by Pink Floyd”. O disco é inspirado na história do pai de Waters, que lutou na Segunda Guerra Mundial, e é dedicado a todos que perderam a vida no conflito.  

O conflito entre Waters e Gilmour então se intensificou e a banda entrou em uma pausa, com o baixista e o guitarrista lançando novos álbuns solos. Em 5 de março de 1984 chegou às lojas o segundo disco de David Gilmour, About Face, e em 30 de abril foi a vez de Roger Waters lançar The Pros and Cons of Hitch Hiking. As turnês que promoveram ambos os discos tiveram baixa venda de ingressos, e a gravadora da banda, a CBS, sugeriu que os músicos se reunissem e gravassem um novo álbum do Pink Floyd, o que o baixista não aceitou. Em dezembro de 1985 Roger anunciou oficialmente a sua saída da banda, que ele definiu como “uma força criativamente já gasta”. A CBS se uniu então com Gilmour e Nick Mason e tentou forçar Waters a gravar um novo trabalho com o grupo, ameaçando-o de processo se ele não fizesse isso. Logicamente o baixista não aceitou a pressão, e então foi confrontado por David: “Eu disse para Waters antes de ele sair: cara, se você sair, nós vamos seguir em frente. Não faça nada sobre isso, porque nós iremos continuar com a banda”. A resposta do baixista foi um categórico “você nunca faria isso”. Paralelamente a todos esses fatos, Roger Waters também dispensou os serviços do então manager do Pink Floyd, Steve O’Rourke, e assinou um contrato com Peter Rudge, que passou a gerenciar a sua carreira. Isso foi visto por Gilmour e Mason como um sinal de que eles estavam livres para seguir em frente com o nome da banda.



Como a batalha pelos direitos de uso do nome Pink Floyd foram parar em uma disputa legal, David Gilmour começou a trabalhar em músicas que pretendia utilizar em seu terceiro disco solo. O produtor Bob Ezrin e o tecladista Jon Carin ajudaram nesse processo, e “Learning to Fly” surgiu de uma jam entre Gilmour e Carin. A CBS soube que o guitarrista estava trabalhando em novas músicas junto com Ezrin e enviou o executivo Stephen Ralbovsky para tentar convencer Gilmour a lançar o material não como um álbum solo, mas sim como um novo disco do Pink Floyd. Ralbovsky se encontrou com Gilmour e Ezrin em novembro de 1986 para ouvir as novas músicas e afirmou para ambos, sem meias palavras, que “elas não parecem em nada com o Pink Floyd”. Mais tarde, o próprio David Gilmour admitiu que o processo de composição foi especialmente trabalhoso porque ele não conseguiu encontrar novos parceiros com quem tivesse uma afinidade tão profunda quanto a que tinha com Waters.

A Momentary Lapse of Reason foi gravado em diversos estúdios, sendo o principal o Astoria, estúdio que o guitarrista montou dentro de um barco e utiliza até hoje. Os bateristas Jim Keltner e Carmine Appice foram contratados, já que Nick Mason não se sentia à vontade para gravar devido ao longo período que estava sem praticar o instrumento. A bateria eletrônica também foi bastante utilizada no disco. O tecladista Richard Wright, que havia deixado o Pink Floyd em 1979 devido a desentendimentos com Waters, também participa do disco, além de uma seleção de instrumentistas excepcionais onde se destaca o baixista Tony Levin, do King Crimson.

As gravações foram interrompidas devido à intensa batalha jurídica entre Waters e Gilmour pelo direito de uso do nome Pink Floyd. Waters visitou duas vezes as sessões de gravação no Astoria, já que ainda era acionista da Pink Floyd Music, e conseguiu bloquear os trabalhos. A banda então foi para Los Angeles e retomou a gravação no A&M Studios. O longo conflito entre David Gilmour e Roger Waters só foi enfim resolvido no final de 1987, fora dos tribunais. O guitarrista ficou com o direito do nome Pink Floyd e o baixista ficou com a propriedade de The Wall e do icônico porco da banda.



A Momentary Lapse of Reason foi lançado em 7 de setembro de 1987, antes da conclusão da disputa entre os músicos, em uma jogada arriscada da gravadora CBS. A capa foi criada por Storm Thorgerson, que possuía longa associação com a banda e é o autor das capas icônicas de clássicos como The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e Animals (1977). A imagem traz 700 camas de hospital dispostas em uma praia de Los Angeles, mesma locação das cenas de guerra presentes na adaptação cinematográfica de The Wall lançada em 1982 e dirigida por Alan Parker, e custou cerca de 500 mil dólares para ser produzida, transformando-se em uma das imagens mais icônicos da banda.

O disco traz onze músicas e possui uma produção bastante carregada, com timbres típicos daquela metade da década de 1980. Entre as faixas há bons momentos como o single “Learning to Fly”, a climática “The Dogs of War”, e cabe destacar a obra prima “On the Turning Away”, enorme sucesso, o excelente trabalho de guitarra em "Yet Another Movie", e “Sorrow” uma bela mensagem de conscientização, que fecha o álbum. O  trabalho de composição abaixo do que a banda sempre fez, foi em parte percebido pela crítica, que recebeu o LP com avaliações medianas. Mesmo assim é um disco que reserva bons momentos, como as faixas citadas acima. O público, no entanto, estava sedento por material inédito do Pink Floyd e conduziu A Momentary Lapse of Reason para o terceiro posto nos Estados Unidos e na Inglaterra, com o disco vendendo mais de 5 milhões de cópias em todo o planeta. 



A turnê gerou o duplo Delicate Sound of Thunder, primeiro álbum totalmente ao vivo do Pink Floyd – Ummagumma, de 1969, possui apenas um de seus dois LPs com gravações ao vivo. Lançado em 22 de novembro de 1988, se tornou um sucesso de vendas e audição obrigatória nos toca-discos da época, com performances primorosas de David Gilmour, Nick Mason, Richard Wright e a banda ao vivo.

A Momentary Lapse of Reason foi remasterizado em 2011 e incluído no box Discovery, além de poder ser adquirido separadamente. Com ele, o Pink Floyd teve a sua terceira troca de comando. Os tempos sob o crivo de Syd Barrett ficarem distantes, a epopeia criativa de Roger Waters transformou a banda em uma lenda e a condução de David Gilmour manteve essa lenda viva e pulsante para uma nova geração de ouvintes.

18/08/2019

The Wall completará 40 anos em novembro


resenha do álbum


Existem muros, reais e fictícios, que separam a humanidade. Alguns de concreto — como os de Berlim ou o que pretende criar o presidente Donald Trump na fronteira dos EUA com o México. Outros como autodefesa, uma barreira ilusória para afastar o indesejado. Esses serviram até de inspiração para o universo das artes, como é o caso do clássico The Wall, do Pink Floyd que este ano completa 40 anos. O álbum narra a trajetória de Pink, um rockstar fatigado que se impõe um isolamento da sociedade simbolizado pela expressão que dá nome ao trabalho. São desse registro as emblemáticas composições ‘Another Brick in the Wall’ (partes 1, 2 e 3), ‘Mother’, ‘Hey You’ e ‘Comfortably Numb’.

The Wall é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda britânica. Lançado como álbum duplo em 30 de novembro de 1979 foi, posteriormente, tocado ao vivo com efeitos teatrais, além de ter sido adaptado para o cinema e a distribuição fonográfica se deu pela Harvest Records no Reino Unido e pela Columbia Records nos Estados Unidos.

Seguindo a tendência dos três álbuns de estúdio anteriores da banda, The Wall é um álbum conceitual, tratando de temas como abandono e isolamento pessoal. Foi concebido, inicialmente, durante a turnê In the Flesh, em 1977, quando a frustração do baixista e letrista Roger Waters para com seus espectadores tornou-se tão aguda que ele se imaginou construindo um muro entre o palco e o público. The Wall é uma ópera rock centrada em Pink, um personagem fictício baseado em Waters. As experiências de vida de Pink começam com a perda de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, e continuam com a ridicularização e o abuso de seus professores, com sua mãe superprotetora e, finalmente, com o fim de seu casamento. Tudo isso contribui para uma autoimposta isolação da sociedade, representada por uma parede metafórica.

O álbum contém um estilo mais duro e teatral do que os lançamentos anteriores do Pink Floyd. O tecladista Richard Wright deixou a banda durante a produção do álbum, embora tenha continuado no processo de gravação como um músico pago, apresentando-se com o grupo na turnê The Wall.

Comercialmente bem-sucedido desde o seu lançamento, o álbum foi um dos mais vendidos de 1980 e vendeu mais de 11,5 milhões de unidades nos Estados Unidos, atingindo a primeira posição da Billboard. Um dos singles lançados, “Another Brick in the Wall, Part 2”, esteve em várias paradas ao redor do mundo. Em 2003, a revista Rolling Stone listou The Wall na octogésima sétima posição em sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

The Wall segundo o site Discogs tem 551 versões, pode ser considerado um dos discos mais lançados no mundo. Sua prensagem original é de 1979 e é inglesa pelo selo Havest , nos EUA pela Columbia e no Brasil pela CBS Discos e no mesmo ano.

Da Iugoslávia à antiga Alemanha Oriental, de Portugal a Hong Kong, da Malásia á Colômbia e Equador, o The Wall rodou o mundo em várias versões, inicialmente em vinil e k7 e depois em CD e hoje está também nas principais plataformas de streaming.

Os vinis de prensagem originais são muito procurados e a brasileira de 1979 da CBS sobre os números 138.170 e 138.171 podem, se encontrados no mercado de usados e em bom estado, valer cerca de 100 dólares! É um disco para colecionador nenhum botar defeito!

Uma peculiaridade da edição inaugural brasileira é que ela é muito elogiada pelos seus aspectos técnicos na construção do disco e dizem os entendidos que não deixa nada a desejar em comparação com os vinis importados da época.

Em 2016, The Wall, foi reeditado em vinil nos EUA, Japão e Europa pelo selo Pink Floyd Records e no Brasil também em 2016 em CD pela Sony Music e Pink Floyd Records, porém aguarda-se a nova edição brasileira em vinil, visto que os discos do Pink Floyd estão aos poucos sendo relançados em vinil nacional pela referida gravadora.

The Wall é um álbum tão importante que ficou no topo das paradas da Billboard por quinze semanas e em 1999 foi certificado de platina 23x. Continua sendo um dos álbuns mais vendidos nos Estados Unidos e tem vendagem expressiva até os dias de hoje em todo o mundo.

Entre 1979 e 1990 vendeu mais de dezenove milhões de cópias mundialmente. É o segundo álbum mais vendido do Pink Floyd, apenas atrás de The Dark Side of the Moon (1973). O trabalho do engenheiro James Guthrie foi recompensado em 1980 com um Grammy de Melhor Gravação (não clássica) e The Wall está na 87.ª posição na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, publicada pela revista Rolling Stone no ano de 2003.

A formação do Pink Floyd para este disco era com: 
Roger Waters no vocal, baixo, guitarra rítmica, sintetizadores e efeitos sonoros
David Gilmour na guitarra solo, guitarra rítmica, vocal, baixo, sintetizadores
Nick Mason na bateria e na percussão e
Richard Wright no piano, órgão Hammond, piano elétrico, sintetizadores, e pedais

Não podemos deixar de mencionar o sucesso que o álbum fez nos cinemas.

Em 1982 o diretor britânico Alan Parker, fez o filme Pink Floy The Wall onde o roteiro foi escrito pelo vocalista e baixista da banda, Roger Waters,

Possuindo poucos diálogos e mais metafórico e movido pelas músicas como fundo para as interpretações e sequências de animação, dirigidas pelo cartunista político Gerald Scarfe, o músico e ator Bob Geldof, da banda punk The Boomtown Rats, fez o papel do roqueiro Pink.

E em 2009 Roger Waters iniciou uma turnê mundial com The Wall de Rogers Waters e que foi apresentada no Brasil em 2012. Foram apresentações apoteóticas que inclusive deram origem a um novo filme homônimo.


Texto oriundo do site Universo do Vinil

17/07/2019

Roger Waters lança trailer da turnê Us + Them




A impressionante turnê Us + Them do Roger Waters chegará aos cinemas do todo o mundo no próximo semestre, em outubro.

"Todo o amor que está aqui precisa se espalhar pelo resto deste planeta frágil", diz Waters. 

O lendário músico co-dirigiu o filme ao lado de Sean Evans, com quem ele colaborou anteriormente em 2014 no The Wall.

"Estou tão ansioso para o lançamento do filme em outubro", disse Waters em um comunicado.

"Us + Them não é algo normal do rock & roll, alguns na plateia podem 'yee haaaa !!!' O que é bom, mas muitos vão chorar. Isso é o que eu espero. Us + Them é um chamado à ação. O Homo Sapiens está em uma encruzilhada: podemos unir nosso amor, desenvolver nossa capacidade de simpatizar com os outros e agir coletivamente pelo bem de nosso planeta, ou podemos permanecer "confortavelmente entorpecidos" e continuar, como cegos em nossa própria vida em direção à extinção. Us + Them é um voto de amor e vida." 
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David Gilmour


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