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05/11/12

Rush - “Clockwork Angels”





Vigésimo álbum da banda “Clockwork Angels”("Anjos mecânicos", em tradução literal) uma obra conceitual como nos anos 70, foi concebido em três anos, com gravações e ensaios dividindo espaço com uma grande turnê que manteve o trio na estrada por quase um ano, em comemoração aos 30 anos de outra obra prima, o disco “Moving Pictures”, considerado o mais técnico da banda.

Para muitos uma surpresa, para delírio dos fãs, um reencontro com o passado, mostrando que a fórmula para outros clássicos, (donos de uma discografia impressionante), como do visionário "2112", "Fly by Night", "Caress of Steel", "Moving Pictures" e "Hemispheres", entre outros, ainda é um caminho muito bacana para se seguir.

Apenas para ilustrar, àqueles que não conhecem um pouco da história da banda, os músicos do Rush foram laureados Oficiais da Ordem do Canadá (nomeados em 1996, a única banda com a mais alta condecoração civil dentro do sistema canadense de honras.). E entre outras distinções, a banda já ganhou oito prêmios Juno e foram indicados para 7 prêmios Grammy, sendo também incluídos no Hall da Fama da música canadense (1994), no Hall da Fama da indústria canadense (2003), de compositores canadenses (2010), e ainda receberam uma estrela na Calçada da Fama tanto no Canadá (1999) e na de Hollywood (2010). Outro marco importante, foi o documentário do Rush: "Beyond the Lighted Stage", que ganhou o cobiçado Prêmio de Público Tribeca Film Festival, realizado em Nova York (2010), tendo sido o DVD premiado com o Juno Awards, como melhor DVD musical do ano. Eles lançaram 39 álbuns e mais de 70 singles, venderam mais de 40 milhões de álbuns em todo o mundo, ganhando 24 discos de ouro e 14 de platina, além de performances suas terem levantado mais de US $ 1 milhão para instituições de caridade canadenses.

Neste álbum, Alex Lifeson, Geddy Lee e Neil Peart, conseguiram montar com o produtor vencedor do Grammy, Nick Raskulinecz, uma sonoridade tão forte quanto as letras criadas pelo baterista Neil Peart. Nick também trabalhou com a banda no penúltimo álbum de estúdio, o "Snakes & Arrows", de 2007.

O Rush co-produziu os dois discos. As gravações de "Clockwork Angels" tiveram início em abril de 2010, e as duas primeiras canções, Caravan e BU2B, foram concluídas durante a primeira sessão no Blackbird Studio em Nashville e executadas durante todas as noites na bem-sucedida turnê Time Machine, que decorreu entre junho de 2010 a junho de 2011.

Os trabalhos dedicados a "Clockwork Angels" foram retomados na primavera de 2011 no Revolution Recording em Toronto, após o fim da turnê, com cordas adicionais (arranjadas por David Campbell) gravadas no Ocean Way Studio em Hollywood no começo deste ano. Liricamente, o álbum narra a busca  de um jovem por seus sonhos, estando preso entre forças poderosas da ordem e do caos. Ele viaja por um mundo exuberante e cheio de cores do steampunk e alquimia, com cidades perdidas, piratas, anarquistas, festas exóticas e um rígido relojoeiro que impõe precisão sobre cada aspecto de sua vida cotidiana. A novelização de "Clockwork Angels" está sendo escrita pelo autor de ficção científica Kevin J. Anderson, em colaboração com o baterista e letrista do Rush, Neil Peart.

Sem dúvida, uma visita ao passado do Rush: um baixo marcante, acompanhado de samplers usados na hora certa; assim como os solos de guitarra de Lifeson (3º melhor guitarrista, pela Guitar World) e a bateria destruidora de Peart, considerado o melhor do mundo (Drum Magazine/2010). "Sem dúvida, nesse momento, depois de estarmos juntos há quase 38 anos, alcançamos nossos 'anos maduros'. Chegamos quentes e suados de trabalho", afirma Neil Peart, no encarte oficial do disco.


Ainda em janeiro, Neil Peart descreveu os trabalhos durante as gravações de "Clockwork Angels" em seu site oficial:

"Estive gravando em Toronto com meus colegas de banda desde meados de outubro até o início de dezembro. Completamos as composições e arranjos para o álbum "Clockwork Angels". Começamos no fim de 2009, antes de fazer a pausa para a turnê Time Machine e de fazer 81 shows na América do Norte, América do Sul e Europa (grande pausa). Enquanto Alex e Geddy estavam terminando as composições e arranjos num recinto menor do estúdio, eu trabalhava na sala maior com o 'The Mighty Booujzhe', gravando minhas partes da bateria. Como nos preparamos para começar a mixagem no ano novo, ainda é cedo demais para dizer qualquer coisa sobre os resultados. Uma vez descrevi a mixagem como 'o fim da espera', enquanto Geddy chama de 'a morte da esperança'. A respeito do processo, entretanto, não consigo resistir em falar um pouco.

É a segunda vez que trabalhamos com a equipe de produção de Nick 'Booujzhe' Raskulinecz e o engenheiro Rich 'Tweak' Chycki. Começar o trabalho com este nível de confiança nos permite atingir altos patamares, e eu gravei minhas partes de bateria de uma maneira que nunca tinha feito antes. Até nosso álbum anterior, Snakes & Arrows (2007), meu método foi pegar uma versão demo que Alex e Geddy fizeram de cada música e tocava junto muitas, muitas vezes. Eu experimentava com ritmos possíveis e decorações e gradualmente os organizava em um arranjo. Nesse ponto, eu começava a gravar minhas demos – geralmente com o Alex como engenheiro – e as melhorava com o tempo, com a opinião dos meus colegas de banda e do co-produtor (Booujzhe, no caso).

Atualmente, eu tenho trabalhando deliberadamente para me tornar mais improvisativo na bateria, e essas sessões foram uma oportunidade de tentar essa abordagem no estúdio. Eu toquei cada música umas poucas vezes sozinho, checando padrões e preenchimentos que funcionassem, então chamava o Booujzhe. Ele ficava no recinto comigo, encarando minha bateria, com uma partitura e uma baqueta – ele era meu maestro e eu era a orquestra dele. (Posteriormente eu substituí a baqueta por uma batuta de verdade).

As músicas do Rush tendem a ter arranjos complexos, com batidas ímpares, por todos lados, e nossas últimas músicas não são diferentes (talvez piores – ou melhores, dependendo). Antes, muito do meu tempo de preparação eu passava simplesmente aprendendo tudo isso. Eu não gosto de contar essas partes, mas prefiro tocá-las o suficiente até que eu comece a sentir as mudanças de uma forma musical. Tocando uma vez após outra, esses elementos se tornavam a música.

Dessa vez eu passei essa tarefa ao Booujzhe. (E ele adorou!) Eu atacava a bateria, reagindo ao entusiasmo dele, e as sugestões dele entre as tomadas, e juntos construíamos a arquitetura básica daquela parte. A batuta dele me conduzia aos refrões, pontes intermediárias e por aí vai – então eu não tinha de me preocupar com as suas durações. Sem contar e sem infinitas repetições."

Início da tour se deu em setembro

As músicas, inspiradas em histórias de escritores como Júlio Verne e H.G. Wells, contam a história de um homem jovem, viajando por um mundo de sonhos, alquimias e ficção científica. Mas tudo tem seu tempo, sua hora, dentro de uma disciplina, como retrata a própria capa do disco: um relógio com as horas trocadas por símbolos da alquimia, complementado pelo vermelho profundo. "Falei com os rapazes sobre a ideia de um mundo imaginário, pelo qual havia me interessado recentemente, pensando em fazer um grande cenário para uma suíte de canções que contariam uma história", continua Pearl.

Para contar essa história, uma mistura de climas e ritmos foi elaborada nas 12 faixas, uma para cada passagem desse "relógio". Já na abertura, com "Caravan", uma batida marcante e uma linha de baixo bem cadenciado.

Abaixo, a interpretação das canções do álbum:

1. Caravan (5:40)

Caravan foi lançada em versão digital no mês de junho de 2010 ao lado de BU2B, e o CD com as duas canções foi disponibilizado um mês depois. A canção foi gravada em abril de 2010 no Blackbird Studios, localizado em Nashville, Tennessee (EUA).

De acordo com Neil Peart, Caravan é a primeira parte da história intitulada "Clockwork Angels", sendo recebida com muita euforia pelos fãs e admiradores do Rush na ocasião de seu lançamento. A partir de sons que representam a aproximação de um trem ou locomotiva numa estação, a nova canção da banda tem início através de uma orquestração sinistra, que prepara o campo para uma explosão como há muito não se via na carreira do fantástico grupo do Canadá. Um riff memorável e corajoso de Alex Lifeson mostra ao ouvinte que toda a energia e disposição dos três senhores ainda está lá, mais pujante do que nunca.

A canção segue numa jornada progressiva bastante interessante e, como de costume na carreira deles, incomum e inesperada. Sincronismo, técnica e ousadia fazem de Caravan um retomo definitivo do Rush às suas raízes, porém com um olhar certeiro para o futuro, conforme afirmado pelo próprio Neil Peart no tourbook da turnê Time Machine.

Como dito anteriormente, Lifeson traz um riff empolgante para a canção e um solo indisciplinado incrivelmente genial. O refrão é muito cativante, onde Geddy não nos deixa esquecer de que devemos sempre "pensar grande", algo retratado claramente em suas ótimas linhas de baixo associadas às percussões poderosas de Peart, talvez uma das performances mais fortes e ousadas criadas pelo baterista nos últimos tempos. Caravan traz também um grande intervalo instrumental em torno dos 3:30, onde os integrantes simplesmente arrasam em suas funções.

Sobre sua temática (apesar de ainda não termos declarações oficiais vindas dos membros do Rush), podemos entendê-la de forma bem simples, mesmo com seu cenário obscuro e intrigante: otimismo e auto confiança são o seu cerne. Em termos gerais, a banda sempre ergueu a cabeça e continuou seu caminho, mesmo dividindo críticas ao longo da carreira, além dos acontecimentos trágicos ocorridos na vida pessoal de Neil Peart. O Rush nunca deixou de pensar e agir de maneira grandiosa. Desde a época em que eram simples garotos sonhadores dos subúrbios de Toronto. A banda sempre fez "o que quis fazer, ao invés de fazer o que comercialmente deveria". E com Caravan eles buscam externar essa filosofia também para os seus fãs. Sobre onde você quer chegar, levando sua caravana "trovejando adiante", sem deter-se por nada, determinados a pensar grande.

2. BU2B (5:10)

BU2B (abreviação para Brought Up To Believe) também foi lançada como single em 01 de junho de 2010. De acordo com Neil Peart no tourbook Time Machine, a canção foi abreviada para BU2B após Geddy e Alex acharem que o título original soava muito pesado. Dessa forma, o letrista achou apropriado abreviá-lo "conforme ocorre em redes sociais modernas".

BU2B traz um começo bastante sombrio, talvez um dos inícios mais pesados tem termos instrumentais realizados pelo Rush nos últimos tempos. A canção mostra inicialmente um riff agressivo e moderno de Lifeson, acompanhado de uma percussão feroz oferecida por Peart e vocais grandiosos de Lee. Em apenas quatro minutos e meio a banda consegue destilar mais uma grande canção em sua grande carreira, onde os momentos obscuros iniciais acabam dando lugar a uma atmosfera bastante empolgante que lembra em muito os velhos tempos do Rush, especialmente nos anos 80 - sintetizadores de volta, guitarras certeiras e precisão estonteante nas percussões.

Peart propõe na letra de BU2B uma crítica clara à conformidade cega. O baterista trata sobre convicções adquiridas através de influências externas ao longo da vida, estas em sua grande maioria repassadas por tradições que nos fazem deixar de lado uma análise verdadeiramente pessoal. Passamos a entender as grandes questões sobre a existência negando nossa natureza lógica, satisfazendo sem questionamentos nosso entendimento sobre o cenário que nos cerca.

BU2B refere-se de certa forma à "Analogia do Relojoeiro", argumento teológico sobe a existência de Deus que afirma que um projeto implica a existência de um arquiteto. Esse argumento foi incialmente proposto pelo orador romano Cícero (106 - 43 a.C.) em seu diálogo filosófico "De Natura Deorum" ("Sobre a Natureza dos Deuses"), se tornando famoso por fim na obra de 1802 "Natural Theology", do teólogo e filósofo britânico William Paley. No entanto, o ponto de vista do Rush é inspirado mais uma vez numa obra do cientista Richard Dawkins: "The Blind Watchmaker" ("O Relojoeiro Cego"), de 1986. Na escolha do título do seu livro, Dawkins faz referência à assertiva de Paley sobre a idéia da Teologia Natural conhecida como a "Analogia do Relojoeiro", onde Paley argumentava cinqüenta anos antes da publicação de "A Origem das Espécies" por Charles Darwin que a complexidade de organismos vivos era uma evidência da existência de um criador, fazendo uma analogia ao fato de que a existência de um relógio leva a acreditar na existência de um relojoeiro. Dawkins contrasta a diferença entre o projeto humano com seu potencial para planejar e o trabalho da seleção natural, surgindo daí o título "Relojoeiro Cego".

4. The Anarchist (6:52)

O Anarquismo é uma filosofia política que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório. De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita e, assim, preconizam os tipos de organizações libertárias. Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem.

5. Carnies (4:52)

O termo Carny (plural Carnies) refere-se a alguém que trabalha em um parque de diversões.

6. Halo Effect (3:14)

O Efeito Halo é a possibilidade de que a avaliação de um item possa interferir no julgamento sobre outros fatores, contaminando o resultado geral. É um tipo de erro de avaliação em que o avaliador utiliza o mesmo valor para o desempenho de uma pessoa em várias dimensões, embora só tenha certeza em um número limitado de dimensões de desempenho. O "Halo", neste caso, serve como uma tela que impede o percebedor de realmente ver o traço que está sendo avaliado. É a famosa 'primeira impressão'.

7. Seven Cities Of Gold (6:32)

Seven Cities of Gold, ao que tudo indica, foi inspirada na lenda das Sete Cidades de Ouro, um mito que motivou várias expedições de aventureiros e conquistadores no século 16, tendo sido utilizado em diversas obras da cultura popular. No século 16, os espanhóis na Nova Espanha (atual México) começaram a ouvir rumores sobre as sete cidades que ficavam localizadas do outro lado do deserto, centenas de quilômetros ao norte. É possível que as histórias tenham suas raízes em outra lenda anterior de origem portuguesa sobre a existência da lendária ilha das Sete Cidades, também denominada por Antilia, situada a ocidente da Europa, tendo inspirado durante muitos séculos a exploração marítima.

9. Headlong Flight (7:20)

Há rumores de que esta canção teve sua temática baseada por um poema chamado Mysteries, do escritor norte-americano John Lawson Stoddard (1850-1931). Neil é um fã ardente de literatura, e esse fato não é tão improvável, uma vez que o poema se encaixa perfeitamente em suas pretensões.


A história contada em “Clockwork Angel” deve virar também livro, um romance de ficção científica. O disco chegou ao Brasil dia 28 de junho e o Rush saiu em turnê em setembro. Muita gente vai torcer para que eles passem por aqui e façam apresentações inesquecíveis, como aconteceu em 2002 e 2010. Boa audição!



Clockwork Angels tour 2012, Consol Energy Center - 
Pittsburgh, Sept 11, 2012

Rush
Clockwork Angels - 2012


TrackList:


01. Caravan (5:40)
02. BU2B (5:10)
03. Clockwork Angels (7:31)
04. The Anarchist (6:52)
05. Carnies (4:52)
06. Halo Effect (3:14)
07. Seven Cities Of Gold (6:34)
08. The Wreckers (5:01)
09. Headlong Flight (7:20)
10. BU2B2 (1:28)
11. Wish Them Well (5:25)
12. The Garden (6:59)

  • Geddy Lee / vocals, bass and keyboards
  • Alex Lifeson / guitars
  • Neil Peart / drums and percussion



full album

Capa de 'Clockwork angels', novo álbum do Rush (Foto: Divulgação)
multiupload (150.39 MB /320 Kbps)



Entrevista com o The Wall Street



*http://rushfaclubebr.blogspot.com.br/

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