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01/09/11

Neuschwanstein (Germany) - Battlement, 1978


Neuschwanstein foi uma banda de altíssimo nível de rock progressivo oriunda da Alemanha formada em 1971. Ela é considerada como uma banda lendária pelos admiradores do estilo. O universo progressivo é muito interessante por inúmeras razões e uma delas é justamente a capacidade de criar bandas lendárias que fizeram um único trabalho, mas suficiente para mexer com o imaginário coletivo do estilo. Esse é um caso exemplar, numa produção de apenas dez dias em outubro de 1978, esta banda brindou os amantes do gênero com uma obra clássica, com os elementos fundamentais para atingir o apreço de todos que curtem um bom prog sinfônico.

A comparação com o Genesis em músicas como "Intruders And The Punishment", "Battlement" ou em "Midsummer Day" é inevitável, principalmente por conta da aura teatral e dos vocais a cargo do único não alemão do grupo - Frédéric Joos, francês, que ainda tocava violão de forma efetiva em todas as músicas do disco. A banda contava ainda com Thomas Neuroth, teclados, Klaus Mayer, flauta e sintetizadores, (Fundadores da banda), além de Roger Weiler, guitarras, Reiner Zimmer, baixo e voz, e Hans-Peter Schwarz, bateria.

O vocalista soa como Peter Gabriel; as letras são todas em inglês. A parte instrumental poderia ser descrita como uma fusão do Eloy do período do álbum "Planets" com o Camel do período "Moonmadness", com um toque da banda belga Machiavel. Embora tendo forte afinidade musical com o Genesis da era Gabriel, Neuschwanstein não bebeu dessa única fonte, a começar pela fonte inspiradora centrada na própria história romântica da Alemanha, já que Neuschwanstein é o nome do castelo do rei Ludwig II, localizado nos alpes da Bavária, servindo como escopo também para a arte gráfica, belíssima por sinal. Algumas letras também remontam a esse período medieval, tal como a contida na música que dá título ao álbum. 

Além da influência perceptível de Camel, teclado muito semelhante ao do Peter Bardens em diversas passagens, o tecladista Rick Wakeman foi outro personagem marcante em sua trajetória (do qual a banda fazia covers em seus primórdios, bem como de King Crimson)

Neuschwanstein chamou atenção pela primeira vez em 1974 quando venceu uma competição musical com uma adaptação musical de Alice no País das Maravilhas. Entre 1974 e 1978 ela conquistou uma certa fama em sua terra natal, o Sarre, ao ser o ato de abertura de bandas como o Novalis e o Lucifer's Friend.

A banda também fez diversos shows internacionais e em um de eles, em Moselle, na França, conheceram o francês Frédéric Joos, que passaria a ser seu vocalista.

Em 1978, com Joos, a banda alugou o estúdio em Colônia do renomado produtor Dieter Dierks, produtor de diversas bandas famosas, entre elas o Scorpions. O baterista Herman Rarebell, na época baterista do Scorpions, participou da gravação de uma música.

Em 1979, foi lançado o álbum, chamado Battlement. Ele foi lançado de maneira independente, e vendeu todas as 6.000 cópias prensadas em uma época em que o rock progressivo estava em decadência, sendo superado (?) por estilos como a new wave e o pós-punk. Além da boa recepção na época, o conceito sobre o álbum foi se fortalecendo com o tempo e atualmente ele é considerado um “disco mítico” do estilo. A música produzida pela banda é melódica com arranjos detalhados e uma orquestração interessante. 

Com o renascimento do progressivo a partir da década de 90, "Battlement" voltou a ser revisitado com intensidade, o que me permite afirmar que sua popularidade entre os admiradores do estilo é muito grande em todo mundo, inclusive com edição brasileira em cd. 

Em1992, Battlement foi relançado em CD com bônus pela gravadora francesa Musea. Em 2009, foi lançado em CD pelo selo Rock Symphony gravações feitas em 1976 da adaptação musical que a banda fez de Alice no País das Maravilhas, lançado com o título de Alice in Wonderland. Esse álbum conta com narrações em alemão.


Midsummer Day

Interessante que "Midsummer Day", originalmente gravada junto com as outras faixas tenha sido renegada no lançamento primário em vinil do "Battlement", surgindo como bônus na edição em cd da Musea, num trabalho de garimpagem louvável da gravadora francesa. Essa música é espetacular, iniciando-se com uma base de guitarra, sintetizador ao fundo e muito violão como sempre, para em seguida surgir os vocais emotivos de Frédéric Joos entoando midsummer day para rasgar a alma. Na segunda estrofe cantada, Klaus Mayer deixa o sintetizador de lado e faz o fundo com uma flauta belíssima. A partir desse momento a música ganha mais força, com um baixo vibrante e uma bateria totalmente quebrada e agora a flauta deixa de fazer o fundo para ser o elemento principal juntamente com os vocais. Essa força termina definitivamente com uma parada que não chega a ser abrupta, mas é total, voltando com um teclado que mais parece embalar o sono de uma criança num despertar suave e tenro, para o retorno dos violões e os vocais que parecem ressucitar um Peter Gabriel no Genesis que já não existia mais...

Esta foi uma das bandas pioneiras de um movimento que nos anos 80 conseguiu manter a chama acesa do progressivo, mesmo com a enxurrada de críticas dos fãs mais ortodoxos e exigentes e o abandono quase que completo da mídia. Nada mais, nada menos que o neo prog capitaneado pelo medalhão inglês Marillion.

Beyond the Bugle

Os caminhos geográficos trilhados por diversas bandas de rock é muito curioso, temos o caso dos Beatles que se afirmaram como banda de verdade em Hamburgo, na Alemanha, talvez o período mais importante do início da carreira do grupo. Com o Nektar também ocorrera o mesmo, atualmente temos o caso do Anekdoten que encontra no Japão sua segunda morada. A cena francesa de rock progressivo foi extremamente pulsante a partir da segunda metade da década de 70, e justamente nesse país que ocorreu a química dos integrantes do Neuschwanstein, numa turnê em Moselle onde encontraram Frédéric Joos e a partir dessa ocasião passaram a se revesar por shows em ambos os países, até a gravação dessa obra em Colônia. 

Por fim, uma curiosidade sobre a trajetória do grupo é que eles eram a banda de abertura do medalhão alemão Novalis e por muitas vezes acabavam roubando a cena, tamanha a qualidade musical dos componentes e após a produção do "Battlement" também chegaram a fazer shows abrindo para o Novalis no ano de 1980, infelizmente com a saída de Frédéric Joos e sem verba suficiente para novos projetos, decidiram encerrar a carreira prematuramente. .

Ice with Dwale
Battlement

1. Loafer Jack (4:42)
2. Ice with Dwale (6:21)
3. Intruders and the Punishment (7:34)
4. Beyond the Bugle (7:31)
5. Battlement (7:05)
6. Midsummer day (7:42)
7. Zärtlicher Abschied (5:42)

  • Frédéric Joos - vocals, acoustic guitars
  • Thomas Neuroth - keyboards
  • Klaus Mayer - flutes, synthesizers
  • Roger Weiler - guitars
  • Rainer Zimmer - bass, vocals on `Battlement´
  • Hans-Peter Schwarz - drums (except 1)

  •  Battlement
Este álbum é uma obrigação aos amantes dos clássicos do progressivo

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