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02/05/13

No Brasil, Roger Waters concedeu entrevista sobre sua ópera Ça Ira


"Busquei no meu coração melodias e estruturas fáceis de compreender. A música erudita do século 20 é por vezes demasiadamente cerebral. Quis trabalhar no idioma de Berlioz, de Puccini"

"O mote é a liberdade", explica "Roger Waters" em entrevista coletiva. "A revolução francesa derrubou a ideia de que o poder está nas mãos de poucos, mas ainda não somos livres. Chegou a hora de nos desfazermos do extremismo religioso, de abolirmos estados controladores", completa, após frisar que Ça Ira não é uma ópera-rock, e sim um espetáculo construído nos moldes da tradição erudita.

A entrevista foi concedida um seleto grupo de jornalistas em um hotel de São Paulo. Ele veio mais uma vez ao Brasil para supervisionar a montagem nacional de sua ópera Ça Ira, agora acrescida do termo “Há Esperança”, que vai ser apresentada nos dias 2, 4, 7 e 9 de maio no Teatro Municipal, em São Paulo. Ao lado dele estavam o diretor cênico André Heller-Lopes e o maestro Rick Wentworth, que é o autor de trilhas de filmes como Piratas do Caribe e A Fantástica Fábrica de Chocolate, e é quem  elaborou a parte orquestral da obra.

Ele demonstrou estar muito bem humorado e como de costume, sarcástico, ao abordar como sendo pavorosa a versão cinematográfica de Os Miseráveis. Também fez questão de dizer que sua ópera não apenas nada tinha a ver com obra citada, como não tinha absolutamente nenhum elemento de rock.

Roger Waters - Marcio Fernandes/ Estadão"Waters" explicou que fez os esboços das canções usando uma série de teclados e sintetizadores, junto com uma bateria eletrônica. Quando estrutura estava pronta, ele convocou Wentworth para que criassem toda a parte orquestral e lírica com base nas “demos” elaboradas inicialmente.


A música foi composta nos anos 80, a partir de um libreto do letrista e roteirista francês Étienne Roda-Gil e de sua mulher Nadine, mas o trabalho foi engavetado após a morte de Nadine. Ganhou os palcos apenas em 2005, quando também foi lançada num CD duplo, (passou por Manaus, em 2008), e chega reformulado a São Paulo, com música nova e um cenário contemporâneo, desenvolvido por André Heller-Lopes. 

Quando finalmente estreou, em Roma, em 2005, não havia sido a primeira vez que grandes de sua geração se aventuraram pelo território erudito. Paul McCartney já havia composto para orquestra; Billy Joel peças para piano. Stuart Copeland, baterista do Police, já tinha composto a própria ópera, assim como Elvis Costello, que encenou seu trabalho acompanhado de um balé.

"Demorou para que chegássemos a um consenso sobre som e montagem. Mas aprendi muito durante o processo", conta o maestro Rick Wentworth. "Ça Ira diz muito sobre a visão conceitual de "Roger", assim como "The Wall". Ele estudou arquitetura antes de ser músico, e a ideia estrutural parece vir facilmente a ele", completa.

"Waters", fã da música erudita romântica,  fez questão de frisar que Ça Ira - Há Esperança, trata de um conceito universal - a liberdade –  e que vem acompanhando com atenção o que acontece no Brasil a respeito de questões sociais e da liberdade de expressão. Ele afirmou que escolheu o momento certo para apresentá-la aqui, tendo o cuidado de adaptá-la ao Brasil, acrescentou novas partes musicais e fez questão de que todo o elenco fosse formado por brasileiros.

Para ele, a revolução francesa foi a ruína da ideia de que o poder pode estar nas mãos de poucas pessoas, mas que ainda falta muito para que tenhamos a noção de total liberdade. E para que isto aconteça, é preciso acabar com extremismos, tanto religioso, quanto Estados controladores.

A escala épica em que "Roger Waters" costuma trabalhar faz de sua ópera Ça Ira - Há Esperança, um trabalho coerente. Que o diga os que assistiram à epopeia audiovisual The Wall, um clássico atestado do eficaz populismo artístico que Waters pratica como poucos, remontado no Morumbi, em 2012. Antecessor de Ça Ira, "The Wall" trouxe questões complexas sobre direitos humanos e a liberdade do indivíduo, resumidas ao espetáculo pop, falando às vísceras através do colossal. Coloque-a em um teatro, substitua as guitarras por violinos, adicione árias, e o resultado não será distante da ópera sobre a revolução francesa que "Waters" estreia no Teatro Municipal, por quatro noites, a partir desta quinta-feira.

A presente adaptação para o Brasil, além das partes musicais, inclui parte cênica, que é fundamentada na obra de Arthur Bispo do Rosário, o artista plástico brasileiro que viveu entre a loucura e genialidade no século passado. Heller-Lopes explicou que usou os elementos da obra que Rosário elaborou durante décadas de confinamento em um manicômio justamente para discutir a relação existente entre sanidade e liberdade, e que uma ópera escrita por um músico do "Pink Floyd" certamente vai tornar o gênero mais acessível a quem não tem o hábito de se interessar por isto. Tanto isto é verdade que os preços dos ingressos têm um valor relativamente baixo para eventos deste porte - de R$ 60 a R$ 100.

Ça Ira será encenada com um ótimo elenco nacional, que inclui a soprano Gabriella Pace, o tenor Giovanni Tristacci, o barítono Leonardo Neiva, além de Lina Mendes, também soprano. Roger Waters acompanhou todos os detalhes desta nova montagem.

Trailer

Fontes: Entre outras, Estadão, Regis Tadeu,Yahoo notícias

2 comentários:

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