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09/05/11

Buckethead, Fernando Pessoa, TAO


 
Eles podem estar em qualquer canto do universo, em todas as direções, não existe direção, 360º do todo 

Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe. Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja certo. Para viajar basta existir. Eu não tenho filosofia; tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso. Porque quem ama nunca sabe o que ama. Nem sabe por que ama, nem o que é amar... Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens. As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais.
Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não, do tamanho da minha altura. O mais alto de nós não é mais que um conhecedor mais próximo do oco e do incerto de tudo. Para sêr grande, sêr inteiro; nada teu exagera ou exclui; sêr todo em cada coisa; põe quanto és no mínimo que fazes; assim em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive. Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso. E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis.
O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Porque o vejo. Mas não penso nele. Porque pensar é não compreender... Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias. Viver não é necessário; o que é necessário é criar. A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova. Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que possa dizer - eu sou eu?

A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são. A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. Eu não escrevo em português.
Escrevo eu mesmo. O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar. A renúncia é a libertação. Não querer é poder. Eu sou aquilo que perdi.

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