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27/06/11

The Dark Side Of The Moon, 1000 semanas na Billboard

Os nossos parabéns para o álbum de Pink Floyd de 1973, The Dark Side Of The Moon, que esta semana oficialmente a "semana de 11 de junho de 2011" re-entrou na Billboard Album Catálogo, no número 47, e atingiu a marca muito especial de 1000 semanas em charts da Billboard. 
O álbum  mantém-se consistente nas paradas da Billboard ao longo dos anos, atingindo o número um em mais de uma ocasião. Olhando para a sua posição gráfica é como olhar através da história da banda e da atividade, com altos e baixos em momentos esperados no tempo (uma onda interessante durante a turnê de Roger do álbum entre 2006-2008, por exemplo).
Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. A obra de arte nasceu na cozinha da casa do baterista Nick Manson, eles ainda estavam meio abalados com as oscilações da banda desde a saida do principal compositor, Syd Barrett, "Atom heart mother" não passou do 70º lugar no maior mercado, os Estados Unidos, e "Meddle" do 55

Uma instrumental de Wright rejeitada por Antonioni para o filme "Zabriskie Point" foi o ponto de partida para "Us and them" . Outro fragmento de trilha de Waters e Ron Geesin para "The body" geraria ''Breathe'' , sobre a poluição atmosférica. "Time" nasceu do trabalho da banda sobre uma demo de Waters, "Money" começou com um improviso de Waters no baixo (veja vídeo) . Uma instrumental, "Mortality sequence", de Wright, viria a ser ''On the run'' , a instrumental que precede "Time" sobre as viagens constantes da banda, com direito a avisos de aeroportos e uma grande explosão no final, a suposta queda de um avião.

No meio dos trabalhos, Waters, que assumiu a direção do Pink Floyd a partir desse disco, teve a idéia de concentrar as músicas em torno de um tema: as diversas dimensões da vida contemporânea, incluindo relacionamento com o tempo, ambição, medo da morte, a loucura etc. "A vida moderna é baseada numa busca do sucesso individual a qualquer preço, daí a necessidade de meditar sobre isso. A questão é saber se nascemos com isso ou se é imposto pelo sistema. Fazemos escolhas influenciadas por considerações políticas, por dinheiro e pelo lado obscuro de nossa essência. Temos a chance, por menor que seja, de tornar o mundo um lugar mais alegre ou mais sombrio", definiu Waters em entrevistas. Os demais integrantes davam interpretações parecidas. Ou não. "As pressões da vida moderna e todos os elementos que conspiram para enlouquecer algumas pessoas" (Gilmour). "O conceito original era sobre as pressões da vida contemporânea, mas depois Roger o transformou numa meditação sobre a loucura" (Mason). Rick Wright achava que era um tratado sobre negócios, com referências à vida de uma banda de rock.  
A loucura passaria a ser um tema recorrente dali em diante devido ao fantasma de Syd Barrett. "Brain damage" , canção sobre a loucura, poderia ter o nome de Barrett como subtítulo. "O maluco está no gramado" é o primeiro verso e os dois últimos "se a sua banda começar a tocar canções diferentes/ Te vejo no lado escuro da lua".  
A risada maníaca usada em "Brain damage" e "Breathe", é do road manager Peter Watts, uma 
O guitarrista Henry McCullough faz uma das falas do disco/Reproduçãodas últimas idéias de Waters, pegar declarações de diversas pessoas sobre os temas do disco. Algumas delas. "Não tenho medo de morrer, qualquer hora serve, não me importo. Por que deveria ter medo de morrer? Não há motivo para isso. Você tem que ir um dia" (Gerry O'Driscoll, porteiro de Abbey Road, em "The great gig in the sky"). "Sempre fui louco. Sei que sou louco como a maioria de nós. É muito difícil explicar porque você enlouqueceu, mesmo que não seja louco" (O'Driscoll em "Speak to me"). "Não sei, eu estava muito bêbado na ocasião" (Henry McCullough, guitarrista do grupo Wings, no final de "Money"). "Sou louco há uma porrada de anos, absolutamente anos" (Chris Tomas, engenheiro de som, em "Speak to me"). "Quer dizer, eles podem até te matar. Então se você dá neles um choque rápido, curto e grosso, não voltam a fazer aquilo, sacou? Quer dizer, ele se safou numa boa, porque eu podia ter lhe dado uma surra e só acertei um soco. Boas maneiras não custam nada, custam? (o roadie Roger the hat em "Us and them") "Não existe o lado escuro da lua, na verdade. Se querem saber, lá tudo é escuro" (Driscoll no encerramento do disco).  
 Vozes femininas dão um toque poderoso de soul, gospel a diversas canções do álbum. São elas Barry St John, Liza Strike, Lesley Duncan e Doris Troy, parte de um seleto time de vocalistas que participavam de discos de todo mundo que precisasse de suporte vocal feminino na Inglaterra nos anos 70. Elas brilham em "Us and them" (com três dobras), 
"Brain damage", "Eclipse" e "Time" (com efeitos e dobras). O maior desafio foi entregue a uma quinta vocalista, "Clare Torry". A canção "The great gig in the sky" (veja vídeo) , sobre a mortalidade nossa de cada dia, era uma peça instrumental com falas religiosas, mas a banda achava que faltava alguma coisa, daí decidiram tentar um vocal feminino. O engenheiro de som Alan Parsons sugeriu Clare, que conhecia de um disco de covers e, por um cachê de 30 libras, ela ouviu da banda a instrução de pensar na morte e em coisas horrorosas e fazer um vocal em cima da base construída sobre o belo tema de Rick Wright. Clare fez uns "oh yeah" que não agradaram, pensou em desistir, mas teve a sacada de fingir que era um instrumento, daí fez três tomadas do vocal arrepiante que se ouve no disco e foi jantar com o namorado. Muitos anos depois, quando o disco adquiriu um status de lenda, ela reivindicou na justiça, e ganhou, uma parceria com Wright e Gilmour.

A tecnologia dos sintetizadores ainda não decolara quando o Pink Floyd gravou o disco nos estúdios da EMI em Abbey Road, equipados tardiamente com 16 canais. No disco, o PF usou os sintetizadores Synthi A e VCS3 da empresa Electronic Music Studios do cientista inglês de ascendência russa Peter Zinovieff. O VCS3 foi usado em ''Brain damage'', ''Any colour you like'', ''Breath'' e ''The great gig in the sky''. O Synthi A dá o peso na introdução de ''Time'' e faz os efeitos de ''On the run'' colocados na mixagem com efeito de pan que pode ser melhor apreciado com fones de ouvido ou surround na versão 5.1 comemorativa dos 30 anos do LP, lançada em 2003.
A capa de "The dark side of the moon" foi adaptada por Storm Thorgeson e Aubrey Powell de um velho livro de imagens dos anos 40 ou 50 que mostrava um prisma sobre uma partitura sendo atingido por um raio de luz. Eles pensaram num fundo preto com o triângulo que receberia a luz branca de um lado e projetaria um prisma colorido do outro. Eles fizerem mais de 10 opções de capa, nenhuma com a lua, daí mostraram para a banda que escolheu o triângulo. Como o disco teria capa dupla, a luz colorida se projetaria para dentro com uma reprodução gráfica da batida de coração que abre e fecha o disco, feita pelo bumbo de Mason. Para o encarte, foram ao Egito (!!!) fotografar as pirâmides, o que conseguiram com muito sacrifício, incluindo uma diarréia que Powell, muito singelamente, definiu como "o Rio Nilo escorria pelo meu rabo".
Antes da tecnologia digital, afzer efetos era um trabalho braçal. Tinha-se que gravar o que se queria em fita, fazer loops na base da gilette e fita gomada e gravar. Os relógios de "Time", por exemplo, foram colocados um a um em diversos loops de fitas, cada um num gravador, operado por uma pessoa e todos tinham que soltar ao mesmo tempo. Alguns loops muito grandes eram esticados na sala do estúdio apoiados em pedestais de microfone que alguém ficava segurando e rezando para que não embolasse. As moedas na abertura de "Money" foram gravadas por Waters em casa em um gravador com o microfone colocado sobre um grande vasilhame de cobre que a mulher dele, escultora, usava para misturar massa. Ele jogou várias moedas lá dentro e gravou, depois montou um loop que foi combinado com efeitos de caixa registradora da audioteca de efeitos da gravadora EMI.
O material dessas matérias saiu de pesquisas na internet e dos livros "The dark side of the moon - Os bastidores da obra prima do PInk Floyd", de John Harris, lançado há pouco em português pela Jorge Zahar e altamente recomendável para quem quiser se aprofundar no tema. E ainda biografia "Saucerful of secrets - The Pink Floyd Odissey", de Nicholas Schaffner (Dell Publishing). 
PINK FLOYD 1973 DARK SIDE TOUR UNUSED CONCERT TICKETDark Side é o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos, foi o disco que ficou por mais tempo na Billboard 140, tendo permanecido 741 semanas consecutivas, pouco mais de 14 anos. O álbum chegou a Nº 1 nos EUA, Bélgica e França, até em 2002, 30 anos após o seu lançamento, foram vendidas nos EUA mais de 400.000 cópias, fazendo do álbum o 200º mais vendido desse ano. Em 2003 mais de 800.000 cópias do híbrido "Super Áudio CD" de Dark Side of the Moon foram vendidas apenas nos EUA. Estima-se que 1 em cada 14 pessoas com menos de 50 anos, nos EUA tenha uma cópia deste álbum.

Set-list

Speak to Me
Breathe
On the Run
Time
The Great Gig in the Sky
Money
Us and Them
Any Colour You Like
Brain Damage
Eclipse

Us and Them

senha: hmc
mediafire.com

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