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28/11/11

Genesis - The Lamb Lies Down On Broadway (1974) (Japanese Edition 2007)


Genesis - The Lamb Lies Down On Broadway (1974) (Japanese Edition 2007)

In the Cage


"The Lamb Lies Down On Broadway" de 1974 é simplesmente fabuloso. O disco confirma o talento do Genesis como espetáculo e a reputação de sua música. Também encerra o primeiro capítulo dessa história. É o som de um líder que deslocou-se radicalmente na direção oposta à sua banda e vice-versa, haja vista que posteriormente os integrantes remanescentes iriam destoar completamente da musica original do grupo. Um showman no palco e alguém bastante tímido fora. Peter Gabriel, durante a turnê do álbum, interpreta todos os personagens de sua obra no palco, mostrando sua grande versatilidade e performance vocal arrebatadora, possivelmente a melhor de toda sua carreira, interpretando com toda passionalidade as composições. Talvez tenha ajudado o fato dele estar na época a beira de uma síncope nervosa. Ele realmente incorpora todos os elementos da obra e canta com o emocional a flor da pele,.como em "In The Cage" , a faixa-título e "Back in N.Y.C" apenas para citar alguns exemplos. Os momentos mais suaves, como Carpet Crawlers também são brilhantes. Sua maneira singular de cantar, as variações vocais no desenrolar de cada canção ao sabor da história contida na letra, vive seu auge, mas paradoxalmente o início do seu fim. No final da turnê mundial para divulgar o álbum, Gabriel deixou a banda.


Ele fora abordado por William Friedkin diretor de "O Exorcista", impressionado com a breve história que Gabriel havia escrito no verso do álbum  ao vivo do Genesis, no que diz respeito a atmosfera em que a obra se desenvolveu. Gabriel isolou-se numa fazenda com o resto do grupo onde escreveu as músicas para o que viria a se tornar "The Lamb Lies Down On Broadway". Embora a idéia do filme não tenha evoluído, pois Friedkin afirmou temer tornar-se o possível pivô da separação do grupo, o álbum resultante é por vezes confundido, mas freqüentemente reconhecido brilhante. 

Muitos críticos entendem que este álbum foi um projeto de Peter Gabriel, mais do que do próprio grupo e a música era subserviente à letra. De fato sua saída sempre foi relacionada no mínimo como uma referência de caráter pontual a obra em questão. Creio que ficou patente que com sua ausência, Genesis se transfigurou.. De certa forma, vejo algumas semelhanças com caso de Waters e os demais integrantes do Pink Floyd, mais especificamente no que diz respeito ao teor e da importância relativa às letras e o entendimento coletivo de prioridades. Entretanto as semelhanças para por ai, porque ao meu ver ao passo que o Genesis foi transformando-se nos moldes do cenário Pop, o progressivo ganhou duas frentes excepcionais com Waters e o Pink Floyd.

Teoricamente a definição de uma ópera-rock, subentende uma história por trás das músicas, interligando-as de forma conceitual.  Este álbum têm como paradigma.análogo ao ser humano à conscientização crescente das dimensões arquetípicas da existência além do seu ego. Sua filosofia.define um modelo de ideal inteligível de libertação do indivíduo pelo auto-conhecimento, o que é dissecado através da história de Rael, cujo teor pude perceber em maior profundidade, lendo o belíssimo, (pelo menos eu achei), trabalho interpretativo que abaixo se segue, logo após os comentários de Phil Collins

  • Numa edição comemorativa de 35 anos do álbum, Phil Collins, quando entrevistado, comentou:
"Trinta e cinco anos se passaram e nos encontramos agora numa viajem de volta ao ano de 1974  para redescobrirmos The Lamb Lies Down On Broadway.... 
Eu me lembro como se fosse ontem o processo de composição no Headley Grange infestado de ratos perto de Guildford. Pete em uma sala com um piano e cítaras e um pedaço em branco de papel esperando para ser preenchido com notas musicais e de vez em quando juntado-se a nós para jams com músicas inacabadas flutuando ao nosso redor. O dia incrível em que escrevemos a música que viria a se tornar ‘The Waiting Room’... então intitulada ‘Evil Jam’, improvisando selvagemente através do nosso dicionário de barulhos mais sujos que pudemos encontrar e então, quando de repente, nosso humor mudou e o tempo do lado de fora passou de trovões e chuva a sol e arco-íris... Eu acho que vocês deveriam estar lá, mas aquilo foi muito especial!!! 
As gravações numa fazenda em algum lugar de Wales, nós montamos tudo num celeiro... Tendo mais material do que tempo para terminá-los, nós acabamos tendo 24 horas de sessões no Island Basing Street Studios, agora Sarm West. Correndo para finalizar as faixas do disco e então poderíamos empacotar tudo e voar para a América e tocar o disco duplo inteiro ante a uma platéia desnorteada que nunca tinha ouvido uma só nota do disco já que ele ainda não tinha sido lançado. Agora, aquilo FOI interessante!!! O que me faz lembrar porque estou escrevendo isso... The Lamb nunca foi filmado para a posterioridade. Existem algumas poucas filmagens caseiras que alguns fãs fizeram durante a turnê e com pouca qualidade..." - P. Collins

Fiz uma pesquisa pela internet e encontrei  este texto que oferece uma ótima interpretação, bem redigida, bastante didática,  feito com muita seriedade e de grande sensibilidade em sua abordagem para um álbum complexo de rara beleza em sua expressão conceitual.. Não pude esclarecer a origem da matéria, porque a referência continha apenas as iniciais:: "Texto de G.F., adaptado e publicado por BMC", e escrito em inglês, (arquivo PDF). Bom, interpretei como um presente...  do tipo, "alguém lá em cima gosta de mim", e fiquei feliz em poder compartilha-lo junto a esta edição japonesa que impressiona por sua qualidade, acho incrível a quantidade de álbuns remasterizados no Japão e como eles sabem valorizar estes épicos. Creio que dentre os amigos, haverá quem concorde que  ganhamos um ótimo presente de natal. Por gentileza leiam o texto em sua integra e se assim o desejarem, comentem. Boa audição!

Interpretação de: 


Rael (anagrama de Real), numa manha de nevoeiro ao sair do Metro (sai da terra) é capturado por uma estranha densa nuvem que avança sobre as ruas. Nesse momento um cordeiro (Cristo) desce sobre a cidade. É o momento da Revelação segundo o Apocalipse, profetizado em «Supper’s Ready». 
The Lamb Lies Down On Broadway / Fly On A Windshield
No processo, Rael visualiza memórias da sua vida com num imenso palco, entrando numa nova realidade. Tudo lhe é mostrado como não tendo valor ("Fly on a Windshield" e "Broadway Melody of 1974"), mas sua viagem continuará, tal como na descida ao Duat. A iniciação de Rael começa. Há um regresso ao inicio da sua existência, ainda no útero de sua Mãe – Cuckoo Cocoon – processo essencial para a resolução completa da sua personalidade. De seguida revê seu nascimento e o útero é visto como uma caverna (“In the Cage”). Já no exterior observa nossa realidade mundana: bebés (anjos) em camas com grades e “já sem asas”, como ele diz. Aí reconhece seu irmão gémeo John, que nascera primeiro. A descida ao corpo completa-se no final da música: “down, down, down”.
A vida no mundo começa, mas como Rael vê tudo já de 'fora', este lhe é revelado como ele de facto é, neste final de ciclo decadente que é a Kali Yuga: "The Grand Parade of Lifeless Packaging". Ou seja, O Grande Desfile das Coisas/Embalagens sem Vida, que somos nós e tudo o resto, assim manipulados pelo mundo que criámos. Como num palco no final de um grande espectáculo que é este fim de ciclo, Rael teve a sorte de assistir na plateia ao que ele próprio ajudou a montar.
 In The Cage / Hairless Heart
Mas o tempo - não linear para Rael - mostra-lhe a sua infância em NY. Recordação essencial para o processo que ocorre no personagem: são os tempos da sua profana iniciação sexual, a sua primeira descoberta do potencial supra-humano através da descoberta da primeira paixão e do sexo. É o tempo do coração sem Amor mas loucamente apaixonado. É também o tempo de se iludir, mostrando a sua virilidade por pertencer a um gang de NY. São as músicas "Back in NYC", "Hairless Heart" e "Counting Out Time". 
 
The Carpet Crawlers / The Chamber Of 32 Doors
Terminou o tempo de recordar o passado profano. A primeira prova de Rael aproxima-se mas antes de esta começar, lhe é dada a primeira chave. Ele vê, claramente, toda a sua consciência naquela que foi a sua primeira célula, ainda em espermatozoide (solar), antes de se fundir com a célula receptáculo (lunar) na sua Mãe. Rael, com toda a sua consciência ainda no pai, apercebe-se que tem que entrar para poder sair. É a realidade de termos que ir para dentro de nós para nos libertarmos, assim expressa em "Carpet Crawlers" pela necessidade de todas as células-semente residentes no pai terem que entrar na mãe para poderem sair para a Luz... Ele vê um grande corredor, que sobe em espiral. Ele vê-se, à velocidade da luz, no seu ADN, que continua para além do físico, numa "staircase that spirals out of sight." - é Peter Gabriel invocando conceitos de Daniel Winter

"The Chamber of 32 Doors". É a Árvore da Vida. São as 10 séfiras e os 22 caminhos. É o número cabalístico ao fim do qual se atinge o Grau Maior - o grau Solar - aquele que todas as árvores procuram alcançar na sua verticalidade, assim como tudo neste universo. 
 
The Waiting Room / The Supernatural Anaesthetist
Rael, depois de sair do Pai há que voltar para ele. E como? Através da Mãe. A Mãe é "Lilywhite Lillith", uma mulher cega que lhe mostra entre o caos existente na “Câmara das 32 Portas” o caminho para o exterior desta, levando-o para a Luz, mas depressa escurece. Rael fica sozinho, sentado ao escuro enfrentando novamente seus medos, esperando (“The Waiting Room”), conformado (“Anyway”) por aquele que sabe que lhe vai infligir o golpe final, o seu herói: a Morte. Ele já vê seu corpo debaixo de terra, devolvido ao Universo.
 
The Lamia / Slippermen / A Visit To The Doktor
Para que tal aconteça, três serpentes de aparência feminina (Lamias) limpam-no, degustando todas as suas impurezas e no fim, como se sempre o tivessem acompanhado, despedem-se saudosamente dele confessando terem amado-o desde o início. É assim que a primeira gota de sangue de Rael é ingerido por elas, as serpentes morrem e Rael compreende que para viver há que comer seus restos delas que ali ficam a flutuar. A luz é diminuída e o palco da iniciação - que continua - é de novo preparado e surge um novo cenário: "Silent Sorrow in Empty Boats".
O teste à Esperança de Rael continua. A solidão aumenta ainda mais e por fim, chega ao culminar do ritual. Vê aqueles que falharam mas que sempre pensaram que tinham conseguido. Aqueles que, apesar de iniciados, não percorreram o caminho pelos seus próprios pés e que viram o seu Ser estagnar e assumir em "The Colony of Slippermen" a forma mais hedionda que o Ser pode atingir: a daquele a quem lhe foram dadas todas as oportunidades mas que passou o tempo a 'escorregar', perdendo lutas atrás lutas contra o seu ego. 
Rael, horrorizado com tais seres ali materializados, decide avançar e a morte do seu ego é simbolizada pelo mítico sacrifício por que todos os grandes heróis passaram: amputa o seu pénis (com tudo o que isso significa). O pénis dentro de um tubo de ensaio é roubado das mãos de Rael por um corvo. Rael corre em perseguição ao corvo, mas seu Irmão john decide não se arriscar e fica para trás, Rael está de novo sozinho. 
O corvo passa por um túnel deixando cair o tubo logo a seguir a uma falésia e este caindo dentro de água (é a fecundação das águas, num novo Génesis, após o Espírito – em ave - ter também as sobrevoado). É um rio. 
 
The Light Dies Down On Broadway / Out Of The Rapids (It)
Rael acompanha o rio lá de cima, caminhando à beira do desfiladeiro. Subitamente, no céu, uma janela abre-se e revela-lhe a Broadway, já sem a luz de outroura, onde para se ser uma estrela os passos a dar eram outros. Nesse momento, para Rael, claro, tudo isso já não tem qualquer significado. Passado esse último teste de tentação, Rael entretanto vê que o seu irmão John está no fundo do desfiladeiro, sendo arrastado pela água (“Rapids”) que corre com imensa força e, sem hesitar, salta do precipício para o salvar. Rael, neste último ato de amor pelo próximo e de pura fraternidade, está prestes a demonstrar que é pela dádiva desinteressada que se alcança a Liberdade. 
Rael estica o braço conseguindo alcançar John e são dramaticamente arrastados pelos rápidos quase se afogando e, após um imenso esforço num local onde já estavam a salvo em águas calmas, se dá o climax da história, Rael olha para John e não vê seu irmão, mas sim a sua própria cara! 
O momento do choque corresponde à elevação última e exponencial da sua consciência. É a transição espectacular da música "In The Rapids" para "It". O "It" é a realização total do ser que agora já não é Rael mas sim verdadeiramente Real. O Todo é compreendido pela expressão "It". Não há distinção entre as coisas. A Matriz, tal como no filme Matrix, fica compreendida. Rael foi o escolhido, tal como o Neo, o "Novo

The Chamber of 32 Doors


Tracklist:

CD1:


  1. Fly On A Windshield
  2. Broadway Melody of 1974
  3. Cuckoo Cocoon
  4. In The Cage
  5. Back In N.Y.C.
  6. Hairless Heart
  7. Counting Out Time
  8. Carpet Crawlers
  9. The C
  10. Cold Wind
  11. Scarlet Flower Fields


CD2:
  1. Lilywhite Lilith
  2. The Waiting Room
  3. Anyway
  4. The Lamia
  5. Silent Sorrow In Empty boats
  6. Ravine
  7. The Light Dies Down On Broadway
  8. Riding The Scree
  9. In The Rapids
  10. It

Fly On A Windshield



(2007 Digital Remastered) [Japanese Edition ] [2CD]
EAC Rip | APE(Image)+CUE+LOG - 623 MB + 5% | 
MP3 320kbps - 230 Mb +5% | Scans | 45:36 + 48:49
Label: EMI Music Japan Inc | TOGP-15024 25 
FLAC
turbobit1 (333,79 MB)
turbobit2 (277,65 MB)
ou
fileserve1 (350.00 MB)
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Mp3
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