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02/09/2019

Pink Floyd é capa da revista Planet Rock de setembro



A revista trás a visão "dos bastidores" da criação da obra-prima da banda em 1975, "Wish You Were Here", pelo biógrafo Mark Blake, autor do conceituado livro "Nos Bastidores do Pink Floyd"


A propósito, sobre *Mark Blake, abaixo uma ótima resenha do seu livro "Nos Bastidores do Pink Floyd":


Autor da resenha: Jeffa Koontz

Sinopse: O Pink Floyd tem uma história secreta, conturbada e fascinante, que começa em Cambridge, na Inglaterra, nos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando seus integrantes ainda eram crianças, e se estende até recentemente. A vida e a música de Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason, Richard Wright e Syd Barret, assim como seus conflitos, neuroses, medos, paixões e vitórias, são esmiuçados, em um relato que impressiona pela riqueza de detalhes. Contendo entrevistas com dezenas de pessoas próximas aos músicos - amigos, namoradas, parceiros de trabalho, testemunhas, críticos musicais -, bem como depoimentos dos próprios membros da banda. Nos Bastidores do Pink Floyd, acompanha passo a passo a gênese do Pink Floyd e toda a sua carreira.

Resenha: A história da banda Pink Floyd tem seu início na metade dos anos 60 quando um bando de amigos formaram uma banda que teve diversos nomes e formações, mas foi somente em 1965, quando ainda se chamavam "Tea Set", descobriram que precisavam mudar de nome, pois já existia uma banda com o mesmo nome. Foi então que Syd Barrett deu a ideia de se chamarem The Pink Floyd Sound, em uma clara homenagem aos músicos Pink Anderson e Floyd Council, ambos músicos de blues. Durante um tempo, ficaram usando aquele nome, mas logo mudaram para The Pink Floyd e logo depois apenas Pink Floyd.

Com o nome resolvido era hora de galgar novos caminhos no mundo da música e entre muitas dificuldades e até uma certa "oposição" de Syd Barrett, o Pink Floyd lança seu primeiro álbum em 05 de agosto de 1967. The Piper At the Gates Of Dawn teve críticas de todos os tipos, mas ao longo da história, o disco foi um marco do art rock e do rock psicodélico. Para a banda, chamou a atenção e deu um certo status no meio underground. Porém, se The Piper Gates of Dawn foi um bilhete de ingresso da banda no mundo da música comercial, para Syd Barrett, que capitaneou praticamente todo o disco, foi o começo de sua vertiginosa queda, da qual jamais se reergueu.

"Naquele verão, escutamos The Piper At The Gates Of Dawn na França, recorda-se Gilmour. Quando saímos de Cambridge no verão de 1966, o Floyd ainda não tinha um contrato com a gravadora. Então, ouvi o álbum. Achei maravilhoso e, sim, fiquei maluco de inveja." p. 122.

Se por um lado a saída de Syd Barret foi um baque para os fãs do Pink Floyd psicodélico, por outro deu a chance que Roger Waters estava esperando para tocar como bem entendesse a sonoridade da banda, o que por sua vez também deveu-se o mérito a David Gilmour, Richard Wright e Nick Manson. Começa alí a grade e meteórica subida ao estrelato da banda mais icônica do Rock Progressivo.


Opinião: O Pink Floyd foi e ainda é uma das maiores bandas de todos os tempos no meio do Rock Progressivo Mundial. Uma das bandas que mais influenciou outras bandas, sejam do mesmo gênero ou não, e que, mesmo com sua "parada", ainda continua influenciando dezenas, centenas e até milhares de pessoas pelo mundo afora. 

Nos Bastidores do Pink Floyd de Mark Blake, nos mostra como uma carreira de sucesso não é fácil; e mesmo quando se chega ao topo, as coisas ficam ainda mais difíceis. Blake disseca cada membro do Floyd em cada fase da banda através de seus lançamentos fonográficos. 

É, também, por meio de amigos, roadies e pessoas que foram intimamente ligadas à banda que o desenvolvimento do livro se desenrola nos mostrando a faceta de cada músico. Talvez para alguns a personalidade demonstrada no livro possa chocar, pois uma coisa é você ser um fã da plateia e outra é você adentrar na história de cada um e perceber que seus ídolos não eram, não foram e nunca serão os modelos de perfeição que, em nossa função de fã, pensávamos que eram.


As brigas, intrigas e desavenças, são todas relatadas minuciosamente ao longo do livro, principalmente aquela relacionada a disputa jurídica entre Roger Waters e David Gilmour pelos direitos do uso do nome. As drogas também são largamente demonstradas ao longo da história e, como no caso de Barret, as suas consequências.

"Jamais tive uma conversa com Syd sobre ser um astro pop quando ele era um astro pop, conta Fields. Mas tivemos uma conversa significativa sobre isso depois. Syd me disse: Sou um astro pop fracassado. Então ele se voltou para mim: Mas o que você é? Você tem 23 anos e sequer é famoso. Pelo menos eu já fui." p. 161.

É extremamente interessante e muitas vezes frustrante, saber que músicos do quilate de Richard Wright e Nick Mason, muitas vezes eram relegados a segundo plano e em certas ocasiões sequer eram relegados a coisa alguma. Não que ambos não tiveram culpa pelos acontecimentos de cada um dentro e fora da banda, mas descobrir certas coisas que o livro relata, chega a ser frustrante.


Mark Blake conseguiu mostrar também a grande importância que a banda teve no mercado musical mundial, relatando como foram as sessões de gravações, criações, ensaios, shows e muito mais, de clássicos absolutos como Animals, Wish You Were Here, The Final Cut e dos gigantescos The Dark Side Of The Moon e The Wall.

"Sempre fuçavam no equipamento, tentando fazer com que as coisas soassem melhor. Roger e Dave eram, sem dúvida, os líderes. Eram os que diziam a todos o que queriam. Rick Wright sentava-se no fundo e não falava nada por dias, mas o seu piano, quando atacado, era sempre um ponto alto das sessões." p. 181.

Blake também nos mostra como Rogers Waters se tornou o grande compositor da banda e também o grande ditador dela. Sua fixação pela morte do pai na guerra, seus engajamentos políticos e seu desprezo pela imprensa são demonstrados incansavelmente em todo o seu "reinado", que devido a suas frustrações acabou resultando em sua ruptura com o Floyd e uma disputa jurídica cheia de picuinhas com David Gilmour.

O autor também traz à tona todas as dificuldades que Gilmour teve com a saída de Waters e da grande pressão que teve que enfrentar para mostrar que poderia ser o novo, e único, frontman do Floyd, o que ao longo da história se mostrou exatamente isso. Mas é muito interessante ver pelo que ele teve que passar para conseguir se firmar como o "chefe". 

Mas de qualquer forma o Pink Floyd conseguiu sobreviver após todos os percalços que a banda sofreu, deixando sua marca na história, hoje ainda capitaneada pelo simpático Gilmour, e trazendo muita emoção aos fãs, sejam eles antigos ou os novos que a cada dia ainda descobrem o poder dessa espetacular banda.


Sobre a Edição: A editora Generale apresenta uma edição lindíssima com uma capa muito bacana que retrata, principalmente, The Wall e Animals. O livro foi impresso em papel amarelado e fonte bastante agradável. Uma das cosias bacanas dessa biografia também são as fotos no final do livro, onde podemos ver até mesmo uma das últimas aparições de Syd Barret. Achei bem legal mesmo terminar uma grande história com fotos da banda em diversas épocas e situações como em estúdio, locais particulares e em cima do palco. Realmente, legal demais. Porém, vale lembrar que essa edição foi lançada originalmente em 2007 e no Brasil somente em 2012, o que deixou alguns acontecimentos de fora como a morte de Richard Wright em setembro de 2008 e o lançamento de The Endless River de 2014.  

Título: Nos Bastidores do Pink Floyd
Autora: Mark Blake
Editora: Generale
Páginas: 456
Ano: 2012
ISBN: 9788563993342
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Ainda sobre a revista Planet Rock:



 

Mais uma vez, o solo de David Gilmour eleito o melhor de todos os tempos.

Os leitores da revista "Planet Rock" elegeram o que consideram serem os melhores solos de guitarra da história do rock, com algumas canções que não costumam aparecer nas listas... e um português

A lista, de 40 solos, é liderada por David Gilmour e pelo seu solo em 'Comfortably Numb', um dos grandes temas clássicos do Pink Floyd.

Em segundo lugar está 'Free Bird', do Lynyrd Skynyrd, e em terceiro uma pequena surpresa: 'Blackbird', do Alter Bridge.

Entre os nomes habituais - Jimi Hendrix, Guns N' Roses, Led Zeppelin e Queen - está também o de um português: Nuno Bettencourt, cujo solo em 'Get the Funk Out', do Extreme, foi o 22º mais votado. 

Veja aqui a lista completa:

40. Jimi Hendrix - ‘All Along the Watchtower’ (1968)
39. AC/DC – ‘Whole Lotta Rosie’ (1977)
38. Y&T – ‘I Believe In You’ (1981)
37. Metallica - ‘Fade To Black’ (1984)
36. Wishbone Ash - ‘Everybody Needs A Friend’ (1973)
35. Guns N’ Roses - ‘Estranged’ (1991)
34. Judas Priest - ‘Beyond The Realms of Death’ (1978)
33. Slash ft. Myles Kennedy & The Conspirators - ‘Anastasia’ (2012)
32. Thin Lizzy - ‘The Rocker’ (1973)
31. Dire Straits – ‘Telegraph Road’ (1982)
30. Dire Straits – ‘Sultans of Swing’ (1978)
29. Alice Cooper – ‘I Am Made Of You’ (2011)
28. Cream - ‘Crossroads’ (1968)
27. Thin Lizzy - ‘Still In Love With You’ (1974)
26. Marillion – ‘Easter’ (1989)
25. Gary Moore – ‘Still Got The Blues’ (1990)
24. Pink Floyd – ‘Time’ (1973)
23. Joe Bonamassa – ‘India/Mountain Time’ (2002/2007)
22. Extreme – ‘Get The Funk Out’ (1990)
21. Rainbow – ‘Stargazer’ (1976)
20. Jethro Tull – ‘Aqualung’ (1971)
19. Megadeth – ‘Tornado of Souls’ (1990)
18. Rush – ‘La Villa Strangiato’ (1978)
17. Gary Moore - ‘Parisienne Walkways’ (1978)
16. Peter Frampton - ‘While My Guitar Gently Weeps’ (2003)
15. Led Zeppelin – ‘Since I’ve Been Loving You’ (1970)
14. Deep Purple - ‘Highway Star’ (1972)
13. Ozzy Osbourne - ‘Mr Crowley’ (1980)
12. Bon Jovi – ‘Dry County’ (1992)
11. Deep Purple - ‘Child In Time’ (1970)
10. Queen – ‘Brighton Rock’ (1974)
9. Guns N’ Roses – ‘Sweet Child O’ Mine’ (1987)
8. Van Halen – ‘Eruption’ (1978)
7. Eagles - ‘Hotel California’ (1976)
6. Led Zeppelin - ‘Stairway To Heaven’ (1971)
5. Guns N’ Roses – ‘November Rain’ (1991)
4. UFO – ‘Rock Bottom’ (1974)
3. Alter Bridge - ‘Blackbird’ (2007)
2. Lynyrd Skynyrd - ‘Free Bird’ (1973)
1. Pink Floyd – ‘Comfortably Numb’ (1979)



*Sobre o autor: Mark Blake é escritor, jornalista e crítico musical apaixonado pelo rock. Foi editor da revista Q, publicação de música mais vendida no Reino Unido, e atualmente é o editor-chefe das edições especiais das revistas Q e Mojo. Há anos escreve sobre as grandes bandas de rock para importantes revistas de música, e já entrevistou personalidades como Roger Waters, Paul McCartney, Kurt Cobain, Bono, Ozzy Osbourne e Robert Plant. O primeiro show que assistiu foi do Pink Floyd, em Londres, em 1980. [Bio retirada da orelha do livro Nos Bastidores do Pink Floyd].

10/02/2013

'Pigs Might Fly' ganha reedição especial e traz novidades


Livro da história da banda conhece nova edição

'Pigs Might Fly' da autoria de Mark Blake, conta a história do "Pink Floyd". Alçado pelos especialistas ao posto de potencial biografia definitiva do grupo, o livro será reeditado em edição especial totalmente revisada, celebrando o 40 º aniversário do clássico álbum "The Dark Side Of The Moon".

A Revista Classic Rock definiu seu conteúdo como sendo "escrito numa forma de leitura fácil e cativante - dentre as melhores existentes sobre o Pink Floyd"

Além “Pigs might fly” (2007) por Mark Blake, de todo o material escrito envolvendo a história da banda, destacam-se os livros “Saucerful of secrets” (1992) de Nicholas Schaffner, “Inside out” (2004) de "Nick Mason", e “The Dark Side Of The Moon” (2006) de John Harris. Ainda recentemente o livro original de Blake teve seu lançamento no Brasil, intitulado como "Nos bastidores do Pink Floyd".

O autor que têm sido um jornalista de música desde 1989, acrescentou um novo capítulo que traz a obra até aos dias de hoje, uma vez que inclui as turnês mundiais de "Roger Waters". Além disso, o livro conta com novas entrevistas de "David Gilmour" e "Nick Mason". 

Segundo Mark Blake, "O que faz com que sucessivas novas gerações descubram o apelo de sua música, ("Pink Floyd"), é o fato de ela lidar com temas universais: medo de crescer, medo de envelhecer, sentimentos de não pertencimento, de ser um "outsider". Esse tipo de assunto faz parte do cotidiano de cada um de nós".

A Rolling Stone comentou,  "O Pink Floyd é aquele tipo de banda que conseguiu ir além dos limites do gênero musical que abraçou, conquistando fãs até mesmo entre gente que odeia rock, embora também seja odiado por muitos roqueiros por aí, especialmente quem teve a cabeça feita pelo punk. O experiente Mark Blake conseguiu a façanha de mergulhar na história do popularíssimo do grupo sem cair em idolatria exacerbada. A história começa na década de 1960 em Cambridge, Inglaterra chegando até seus últimos dias de atividade".

Mojo Março de 2013 - Pink Floyd artigoApenas para ilustrar a importância da obra,  a revista MOJO,  como dito outro dia aqui no blog, que vai trazer "Pink Floyd" como principal novidade em sua edição de março, "from a 'Saucerful Of Secrets' to 'Meddle'...", terá sua matéria orientada na obra de Mark Blake, que no livro conta a historia de superação e sobrevivência da banda através de "Echoes".


Esta edição de 'Pigs Might Fly' vai será lançada pela editora Aurum no Reino Unido, a partir do dia 7 de março, ao preço de £ 12. 


Sobre o original:

O jornalista fez um trabalho detalhado e cuidadoso. Para produzir o texto, o autor entrevistou membros do grupo, além de conversar com amigos, produtores, críticos musicais, namoradas e um exército de testemunhas que acompanharam de perto o desenvolvimento da banda.

O volume aborda desde a infância dos integrantes, mostrando o impacto que a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) teria tido sobre eles e sobre as obras-primas que produziram, até os anos mais recentes.

Além das histórias e curiosidades factuais, o autor fornece detalhes sobre a personalidade, os sonhos, os medos e as frustrações de "Roger Waters", "David Gilmour", "Nick Mason", "Richard Wright" (1943-2008) e Syd Barrett (1946-2006).

O livro, soberbo, incrivelmente detalhado, e essencial considerando a história da banda, (conhecido como "Comfortably Numb" nos EUA), foi lançado originalmente em 2007, e tornou-se um grande sucesso de crítica e dos fãs. 

01/07/2012

Trecho do cap. 5 do livro "Nos bastidores do Pink Floyd"


Aprecie um pedacinho do livro!

Anos depois, Mason admitiu para a imprensa que os relacionamentos dentro da banda eram parecidos com "fazer parte de uma pequena unidade do exército ou escola preparatória, porque podíamos oscilar facilmente do amor ao ódio".

"Nunca era dois contra dois. Era sempre três contra um", ele disse ao repórter da revista Sounds, Steve Peacock. "Às vezes era algo absurdo de se assistir. Brincadeiras se tornavam provocações e bullying. Podíamos ser bem desprezíveis."

Para Mason, havia menos a ser disputado. Além de ser o amigo mais próximo de Waters na banda, ele escreveu poucas músicas de sua autoria e, portanto, nunca precisou lutar contra Roger e os demais para ter seu material nos álbuns do Floyd. Para Gilmour e Wright, o baixista era mais que um problema. Wright, que chegou a ser visto pelo gerenciamento do Floyd como o compositor mais forte da banda após a saída de Syd Barrett, havia sido completamente eclipsado pelo prolífico Waters. Some-se a isso o fato de que os dois nunca se deram bem de verdade. "Eu tinha um choque de personalidade com Roger Waters mesmo na Regent Street Poly", diz Wright. "Não escolhemos ser amigos, mesmo naquela época. Sendo o tipo de pessoa que é, Roger tentava te irritar e fazer com que você ruísse."

Gilmour podia parecer reservado, mas era incrivelmente teimoso, um traço que se manifestaria em sua plenitude quando Waters lutou para dividir a banda nos anos 1980. Em 1970, entretanto, o guitarrista ainda dava de ombros ao seu "status de novato" e lutava para se estabelecer como compositor.

"Roger não faz mais em termos de música do que o resto de nós", ele afirmou em uma entrevista na época do Atom Heart Mother. Mas anos depois, ele diria que "Roger era o homem das ideias e o motivador, e ajudava a empurrar as coisas para a frente."

Para Waters, os outros eram o problema. "Havia sempre uma grande briga entre os músicos e os arquitetos", admitiu. "Nick e eu éramos relegados a esta posição inferior de sermos arquitetos, olhados com desdém por Rick e Dave, que eram os músicos."

Ron Geesin lembra-se com vivacidade das brigas de seu antido amigo: "Roger resmungava a maior parte do tempo quando o conheci. Ele expressava insatisfação frequente por causa da acomodação do grupo quanto à manifestação de suas ideias. Eu só dizia 'Deixe para lá!'. Mas, claro, ele estava preso a isso. Sabia quais eram seus interesses. Por isso, Roger só saiu do Pink Floyd quando teve condições para se manter."

Nos bastidores do Pink Floyd

22/06/2012

Biografia inédita: "Nos bastidores do Pink Floyd" - Mark Blake

 


Chega ao Brasil biografia inédita do Pink Floyd


A tradução em português de "Pigs Might Fly: The Inside Story Of Pink Floyd" por Mark Blake foi recentemente publicada no Brasil. O livro, agora intitulado "Nos Bastidores do Pink Floyd", é promovido pela editora Évora e seu lançamento coincidiu com a presença "Roger Waters" na Argentina e no Brasil.

O livro é coerente, claro e conciso. "Nos Bastidores do Pink Floyd", a narrativa, de cunho documental e realista, aborda a banda mostrando em fotos e relatos, como esse álbum se confunde com a biografia de "Roger Waters", e é atualizado para postar a morte prematura de "Syd Barrett". É uma leitura agradável e dispõe de opiniões colhidas por meio de mais de 100 entrevistas com pessoas que fizeram parte da história do Pink Floyd e tiveram amizade com o grupo ao longo dos anos.

Mark Blake já entrevistou "David Gilmour" e "Roger Waters" diversas vezes em matérias à varias revistas onde escreveu, e utilizou esse precioso conhecimento em primeira mão para o livro. Existem mais de 100 livros publicados sobre a história da banda, e este certamente se situa entre os melhores

Em uma entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, o autor comenta suas impressões:



À altura de Beatles e Stones

Por e-mail, de Londres, onde mora, o jornalista Mark Blake comenta ao Estado o lançamento no Brasil de "Nos Bastidores do Pink Floyd".

O que diferencia seu livro das muitas biografias?

Meu livro atualiza a história do "Pink Floyd". Há nele uma infinidade de pessoas que nunca haviam sido entrevistadas antes para falar de sua relação com a banda.

"Syd Barret" emerge na obra como um dandy, cujo carisma influenciava todos ao seu redor, não?

"Barrett" era um jovem com um imenso e estranho carisma. Quando saiu da banda, inicialmente seus amigos acharam muito difícil continuar sem ele.
O que faz do legado do "Pink Floyd" tão influente hoje, se comparado aos demais grupos de sua geração?

É tão importante, mas não maior, que o dos "Beatles" e dos "Rolling Stones". É verdade que nunca se tornou um monstro sagrado como esses, mas o que faz com que sucessivas novas gerações descubram o apelo de sua música é o fato de ela lidar com temas universais: medo de crescer, medo de envelhecer, sentimentos de não pertencimento, de ser um outsider. Esse tipo de assunto nunca sai de moda.

The Wall até o último tijolo

Música em profusão, e ainda filmes, documentários, livros de fotos, figurinhas e objetos customizados, como canecas e bolinhas de gude. Difícil imaginar um projeto que saciasse mais a sede de fãs de bolsos, digamos, confortáveis, do que Why Pink Floyd?.

Com sua narrativa revolucionária, o show foi além de uma experiência musical, atingindo vários níveis de percepção no expectador. A intenção do músico sempre foi explorar diferentes mídias, misturando som e imagem em seus inúmeros trabalhos. No livro é possível conhecer o processo de produção da banda durante a realização do "The Wall", incluindo inúmeros atritos entre seus integrantes. Um momento curioso é o relato sobre Waters, em 1979, forçar a saída de "Richard Wright", tecladista e fundador da banda, sob a alegação de que não estava contribuindo o bastante para a gravação do álbum The Wall.

"Nos Bastidores do Pink Floyd" também conta sobre shows memoráveis da banda e do Roger Waters. Em julho de 1990, por exemplo, "Waters" fez uma performance do "The Wall", em Berlim, nas ruínas do muro que dividia a cidade. Segundo o livro, "Roger" tinha prometido, dois anos antes desse show histórico, nunca mais retomar a produção do "The Wall", mas citou que “poderia fazer a céu aberto se um dia eles tirarem o muro de Berlim”. O interessante é que "Roger", na época, pensava ser improvável que o muro caísse.

O livro também relata sobre como a morte do pai de "Waters" durante a segunda guerra mundial influenciou a produção artística do músico, principalmente na produção do "The Wall". Em um trecho extraído do livro, o autor relata sobre como os membros da banda sentaram para apreciar um “roteiro” que "Waters" fez para a produção da obra:

"A primeira parte foi inspirada na própria vida de "Waters", começando com a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial (efetivamente, o primeiro “tijolo no muro”), antes de passar para outros "tijolos" de seus relacionamentos, com uma mãe super-protetora e professores que praticavam bullying”.

Em muitos aspectos, a história do "Pink Floyd" é tão interessante quanto à obra da banda, e o livro "Nos Bastidores do Pink Floyd" se aprofunda na vida de seus integrantes, suas relações, tragédias e triunfos, sendo o "The Wall" uma de seus maiores realizações. O livro não é só um acompanhamento para entender melhor essa obra, mas leitura obrigatória para todos os amentes dessa banda.

Blake detalha a trajetória do "Pink Floyd" desde as primeiras reuniões em pubs de Cambridge até a última apresentação no "Live 8", em 2005. O autor se concentra “nas personalidades das pessoas que fazem a música, nas memórias e nas impressões daqueles que estão ao seu redor” e dessa maneira relata os primeiros dias do grupo, os maiores sucessos e explica causas e consequências das brigas entre os integrantes da banda.




“Leitura imperdível para quem curte rock e é amante do Pink Floyd.” — Wallace Van Loon. Proprietário do The Wall Café, fundador e baterista da banda Columbia Rock.

Sobre o livro:

Título: "Nos Bastidores do Pink Floyd".
Autor: Mark Blake
Tradutor: Alexandre Callari
Preço: R$ 59,90
Páginas: 456
Edição: 1ª

Sobre o autor:


*Mark Blake é jornalista, escritor e também o autor da biografia musical de 2007, "Pigs Might Fly: The Inside Story de Pink Floyd", publicado pela Aurum Press (disponível sob o título "Comfortably Numb: The Inside Story de Pink Floyd", nos Estados Unidos). Conta orgulhoso, que o primeiro show que assistiu foi do "Pink Floyd", em Londres, em 1980. Seu trabalho tem sido publicado em vários jornais, revistas de música e de estilo de vida desde 1988, incluindo Q , The Times , Mojo , e Music Week.

Ele é editor-chefe das revistas Q e Mojo, edições especiais e livros. Especialista, escreve sobre bandas de rock para as mais importantes revistas de música, e já entrevistou personalidades como Roger Waters, Paul McCartney, Kurt Cobain, Bono, Ozzy Osbourne e Robert Plant.

Editou o livro Dylan: Visions, Portraits and Back Pages and Punk: The Whole Story , publicado pela Dorling Kindersley em 2004 e 2005. "Stone Me: The Wit & Wisdom Of Keith Richards", foi publicado pela Aurum Press em 2008.

Seu livro mais recente foi: "Is This The Real Life: The Untold Story of Queen", também pela  Aurum Press, em outubro de 2010.

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David Gilmour


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