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12/11/11

Trey Gunn - Modulator (2010)

Trey Gunn, Marco Minnemann – Modulator ( Ex : King Crimson ) (2010) [MP3]



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Guitarra International Magazine
Jazz Guitarist, Publisher and Music Educator


Para muitos músicos receber um material com um solo de bateria tendo mais de 50 minutos de audição,  onde sua missão seria implementar a sonoridade compatível com seus recursos e encontrar a harmonização ideal, tendo que dedicar dois anos da sua vida para tal projeto, certamente pareceria fora de questão... Se não um pouco de loucura. Mas esse é o cenário que Trey Gunn e seu Chapman Stick se encontraram quando ele se juntou com o percussionista Marco Minnemann em seu álbum duo "Modulator". O álbum apresenta uma faixa de bateria pré-gravada, que têm quase uma hora de duração. O resultado é não só instigante do ponto de vista composicional e musical, é um trabalho envolvente da arte de vanguarda que impulsiona nossas mentes para ultrapassar as expectativas e os limites de dois músicos de classe mundial que uniram-se para este épico passeio de uma hora de duração. Confira a entrevista.




  • A Guitar International entrevista o multi-talentoso Trey Gunn, para uma conversa em profundidade sobre seu trabalho com Marco Minnemann no álbum "Modulator".


Trey Gunn

Matt Warnock: Eu queria perguntar-lhe sobre este último disco "Modulator" com Marco Minnemann. O conceito por trás desse álbum é muito original, um conceito muito legal.

Trey Gunn: Um conceito ridículo! [ Risos ] 

Matt: Você pode começar por dizer-nos  qual foi sua reação inicial  quando Marco disse: "Eu vou enviar-lhe esta faixa de bateria e é só escrever sobre ela"?

Trey Gunn: Sim, eu posso lhe contar uma história. Vou tentar ser conciso, mas não é exatamente uma história concisa. Quando Marco me disse que ele tinha esse solo de bateria e as pessoas estavam escrevendo música para ele e se eu estaria interessado, eu disse: "Não. Absolutamente não. Eu te amo, eu amo sua música ... ". "Eu não sei se eu disse exatamente isso na época, mas basicamente eu realmente não me importo com solos extensos de bateria. Talvez dois minutos seja o suficiente para mim, mas solos de bateria simplesmente não me interessavam, e 50 minutos de solos de bateria soava ridículo para mim. Eu não tinha idéia de quanto trabalho significava, mas qualquer que fosse era mais do que eu queria fazer!"

Em seguida, cerca de 6 meses mais tarde, ele disse: "Vamos lá! Você deve verificá-la...  Lemme apenas lhe enviará os arquivos." Eu disse, "Ok,  não me custa nada verificar", então ele mandou os arquivos. Carreguei-los no Logic, e eu me sentei ali, apenas olhei para ele e pensei "Eu nem sei para onde começar, o que transferir para cá. Quero dizer, são literalmente 51 minutos com imagens alinhadas de bateria ininterrupta. Eu acho que só não respondi, mas a resposta para mim mesmo ainda era "Não!".

Mais tarde, eu estava em Los Angeles ensaiando com ele e Alex Machacek, e Marco então me disse: "Olhe, eu realmente gostaria que você pensasse a respeito. Mike Keneally já terminou a sua, e eu terminei o meu, além do mais, Alex já seria um terço do caminho andado." Então eu disse: "Mas que merda!!! Mike Keneally fez o dele e você fez o seu?"

Não sou este tipo de "senhor educado" vim de um porão de jazz... Ok, eu tenho uma licenciatura em composição. Tecnicamente eu sou educado, mas esses caras tem uma linguagem de cumplicidade que é tão refinada. Eu fiquei imaginando esse tipo de coisa, e Marco me disse que ele já havia realizado entrevistas, que ele tinha feito isto com pessoas de todo o mundo e baseado no material editado para a bateria. Era como "O quê?...  Isso não soava como se houvesse qualquer ligação com o mundo do jazz fusion..."



Ele tocou para mim duas das faixas que Alex tinha trabalhado, e quando ouvi as faixas de Alex, eu pensei: "Ok isso é de um "frikkin" incrível!" Eu não tenho o vocabulário musical harmônico de Alex. Eu não falo essa língua, mas eu tenho o meu próprio vocabulário. Gostaria de saber se eu consigo pelo meu vocabulário me  conectar com os tambores de Marco, então pensei "eu não posso adotar a abordagem técnica de Alex como ele o fez, mas posso dar algumas pinceladas ao meu modo e ver o que acontece."

Dai voltei para casa, apossei-me do material da bateria e comecei a botar coisas pra fora, brincando com a produção, tocando os ritmos, buscando me desbloquear, e eu encontrei algo que foi muito legal. Mas eu ainda não sabia exatamente o que era, mandei para o Marco só para ver sua reação e ele demonstrou-se muito feliz... Então naquele momento era como se uma voz me disse-se, "Ok, eu acho que você está dentro" O que eu fiz foi muito legal e realmente é a abertura do registro.

O que eu descobri foi que ter uma idéia musical não era tudo, então o que eu faria era essencialmente começar a atirar lama na parede. Gosto de improvisar, gosto de compor. Eu toquei teclado, usei uma amostragem de violino, toquei violão, toquei baixo, o que quer houvesse como uma alternativa, eu o faria. Eu tentei de tudo até que eu encontrei algo que se ajustou, pareceu ter uma estrutura definida, e quis trazer a tona. Foi ai que eu percebi que não era o suficiente para o que pretendia consumar. Eu tinha que chegar a um terceiro ângulo da mesma seção.

Eu teria que evoluir com alguma outra coisa, ou seja um som completamente diferente que tivesse um gesto musical de outra feição para fosse trabalhado simultaneamente com o que havia conseguido criar ou poderia ser outra seção que eu pudesse construir, tipo uma estrutura paralela. E se eu pudesse ter os dois simultaneamente, então eu saberia que  estaria definido.

Era como voltando à "velha escola" por um tempo, até que eu falei com o Alex e descobri que ele justamente estava manipulando completamente  nota por nota, quando é que elas mudavam de figura e quais passos seriam. Às vezes ele transcrevia partes ao Marco e, em seguida, executava-os  para perceber se realmente atingia algo ou não. Então eu pensei: "Bem a verdade é que Alex está viabilizando coisas incríveis, para que eu possa fazer o que quiser aqui."

Eu acabei fazendo a metade disso. Às vezes, eu improvisava um bassline e depois entrava e mostrava como se olhasse para uma pontuação e disse-se: "Bem, esta nota não se encaixa aqui. Essa nota está sobrando. Esta nota é possível, mas não funciona exatamente aqui, então eu vou movê-la para lá."

Trey Gunn

O verdadeiro desafio neste registro para mim foi que a bateria era consistente. Os sons da bateria e o baterista são consistentes. E eu não gosto de registros com  esta configuração. Para mim, os registros são como uma escultura ou como um filme, você não quer ver a mesma cena uma e outra vez. Você quer ver os personagens em cenas diferentes, em diferentes circunstâncias. Para mim, o desafio era de poder aproveitar estes 51 minutos e proporcionar-lhe alternativas constantes. Às vezes, os tambores são a base e é uma experiência atmosférica, e às vezes há um monte de merda soprando na sua cabeça. Outras vezes é bem composto.

Matt: À primeira vista, me parece que seria um projeto altamente restritivo para criação, porque você não pode mover a bateria. Você achou que talvez ter as restrições lhe obrigaram a ser mais criativo do que você normalmente se vê exigido?

Trey Gunn: Absolutamente, sem dúvida. Foi totalmente uma prova de que ter um monte de liberdade não é nenhuma ajuda. Assim como eu disse, você está preso por estes tambores, este baterista, e isso está acontecendo aqui e agora, algo têm que fluir em torno dele. É como um quebra-cabeças gigante, e encontrar as peças certas deste quebra-cabeças significava ter de tomar decisões criativas que eu nunca iria exigir de mim mesmo. Eu apenas diria: "Isso absorve muito tempo, eu estou cortando um bar fora disto" Mas não, não é apenas um bar, não há um bar... extras apenas no final. Farei esse trabalho.

A parte mais interessante do projeto foi para mim o que eu penso de como o projeto foi reescrito, que é o que você sabe como jornalista que os autores fazem o tempo todo. Músicos não fazem isso. Pelo menos nenhum dos que eu conheço. Nós escrevemos a música, e é bom ou ruim. Se é bom, você continuara usando sua criação, e se é ruim você se desfaz  e escreve algo novo.

O que aconteceu em pelo menos três ocasiões, talvez começara com um gap de 30 ou 60 segundos e eu principiei a brincar naquele espaço, que poderia ser apenas looping na tentativa de rearranjar algumas idéias, vendo o que funcionaria. Então eu encontrei algo que foi muito legal, e eu parecia estar em desenvolvimento,  começou a crescer à frente e para trás, cresceu até a borda das outras peças e em si mesmo, porém não foi desenvolvido o caminho de conexões necessário.

Agora eu tinha três peças uma ao lado da outra, uma sem um fim,  a outra sem um começo, e eu tinha essa outra num emaranhado de idéias, o que não é o suficiente  para o que a música têm de ser. Me via num terrível imbróglio criativo. Isso é um exemplo perfeito dessa constrição intensa: buscando encontrar uma solução. Você nunca faria isso consigo mesmo.

Matt: Quanto tempo você gastou com a faixa de bateria, meditando sobre ela, e recebendo idéias, acontecendo antes que você se senta-se e que realmente começou a compor?

Trey Gunn: OK, antes de tudo, este solo de bateria é uma composição. Ele é tocado todos os dias, muitas vezes por semana. E esta foi apenas uma vez ele pensou, ele estava no estúdio, "Vamos fazer isso". É improvisada dentro de seções, mas existem seções, existem idéias.

Já vi ele no palco fazer versões menores deste solo, então vamos colocá-lo assim: Eu meio que o sigo. Se eu tivesse que sentar e ouvir a coisa toda eu iria me matar. Principalmente o que eu faria seria pegar a seção que eu sentisse  como se fosse de fato uma seção em si mesmo e gostaria de ter uma idéia geral. Se há uma forma para ela, o que é esta forma, e às vezes eu nem sequer tento descobrir o que estou fazendo. Às vezes eu só começo a tocar junto e pronto. Então penso que seria algo como me encaixar no lugar, ou não, eu deveria sair atrás de uma calculadora e tentar descobrir o que diabos ele está fazendo.

Por exemplo seu 9/16, bem, há uma série de 9/16s, mas há um em particular, onde ele está fazendo essas polirritmias graduadas em cima da seção. Para mim em primeiro lugar aquilo soava como um ruído funky e então eu fui com a régua conferir e na verdade, a capacidade é sobre-humana . É como 8 over 9, 7 over 9, 6 over 9, 5 over 9, 4 over 9.

Matt: Uau... (???)

Trey Gunn: Yeah...

Matt: Você toca vários instrumentos no álbum. O que determinou quais instrumentos você decidiu utilizar? Seria a bateria,  um certo som ou timbre que iria inspirá-lo a usar um determinado instrumento?

Trey Gunn

Trey Gunn: Não foi realmente por causa da bateria, porque a bateria apresenta o mesmo som por toda parte. Por exemplo, eu tinha alguns trechos de efeitos de pedal  que eu havia feito em separado do registro, e gostaria de colocá-los na pista para ter um controle mais eficiente da audição de um tambor em relação ao outro de forma direcionada, na eminência de acrescentar alguma outra qualidade característica à música, e para tanto, seria necessário estar super sincronizado.

Principalmente na medida em tivéssemos todos os  instrumentos e sons diferentes dispostos entre si ... Eu não quero dizer que foi aleatório, mas eu sabia que com este disco você correria o risco de desgastar o ouvinte. Por isso era apenas uma questão de: "Vamos tentar algumas coisas misturando a percussão com rítimos árabes e eu vou tocar minha guitarra fretless com ela" Era uma espécie de implementação mais incrementada do que apenas pegar seu kit de ferramentas e jogá-lo contra a parede e ficar vendo no que iria dar.

Matt: Você mencionou que não poderia realmente alterar a bateria. Quais foram as instruções dadas a você por Marco, estava lá uma lista de coisas que você poderia e que não poderia fazer, ou foi um lance aberto?

Trey Gunn: Não, na verdade ele nunca disse que não poderia editar a bateria. Era apenas uma espécie de consenso geral, um tipo de coisa não teria sentido fazer. Apesar de que Alex e eu chegamos a falar sobre isso, como: "Eu gostaria que o Marco apenas pudesse parar  por um segundo por aqui para que isso pudesse ter um fim." Quero dizer, as transições são muito difíceis porque os tambores geralmente não param.

Marco não diz nada. A única coisa que ele disse foi: "Divirta-se",  geralmente isso era um privilégio dele. Ele realmente a fez. Essa foi a única instrução a respeito de qualquer edição, nunca veio nada realmente da parte de Marco durante todo o processo

Matt: Quanto tempo você levou do início ao fim, a partir do momento que você realmente concordou em fazê-lo até o tempo que estava pronto para ser dominado e impresso?

Trey Gunn: Demorou dois anos.

Matt: Uau... Passando por esse processo todo, como você se sentiu quando o projeto ficou pronto? Era artisticamente satisfatório? Foi frustrante?

Trey Gunn: Seria meio tipo, "Graças a Deus que isso acabou", mas não, eu estava muito feliz com tudo isso. Uma vez que a coisa toda foi montada, e eu podia ver que ela funcionou ouvindo peça à peça, sabendo que eu tinha abrangido tudo... Para ser franco comigo mesmo, há algumas coisas que não são grandes, mas há algumas coisas que realmente são muito legais e espero que as pessoas também achem, porque é tão denso. É como uma semana de comida em uma hora. [ Risos ]

Matt: Eu fico curioso imaginando se o Marco liga-se para você esta manhã, e lhe disse-se: "Hei, eu tenho esta faixa nova. Você está a bordo para trabalhar de novo com isso? "O que você diria?

Trey Gunn: Absolutamente não! [ risos ] Na verdade, este baterista Morgan Ågren, ele é um baterista sueco. Um baterista de metal maluco, especialista em velocidade. Escreveu-me assim que liberei o Modulator, e disse que ele realmente queria fazer alguma coisa comigo. Eu não poderia mesmo escrever-lhe de volta. Eu não queria ouvir os tambores por seis meses, e realmente a ironia agora é que eu estou fazendo um show com Morgan em março, na Suécia. Estou apoiado nele agora, porque desde que eu terminei, passaram-se mais ou menos nove meses... Mas não, eu não queria ouvir todos aqueles tambores e, certamente, não assim. E Alex ainda estava me dizendo que o seu próximo registro será apenas duos, apenas ele e um baixista. [ Risos ]


"Estamos nos  aproximando lenta  mas seguramente"


Matt: É isso mesmo!? Bateria não mais? [ Rindo ]

Trey Gunn: Eu ainda toco com bateristas. Eu gosto deles. [ Risos ]

Eu não preciso fazer isso de novo. Estaria mais interessado em fazê-lo com  novos elementos. Como eu disse a respeito de toda a emoção desta estrutura ou de viver outra estrutura harmônica. Tomar parte dela foi muito legal! Lidar com este quebra-cabeças e tornando-o parte de mim mesmo, trazendo o meu próprio vocabulário para esta estrutura, tornando-se musical... Eu também cresci com este desenvolvimento, isto é gratificante.

  • Boa audição!

Trey Gunn & Marco Minnemann – Modulator
( Ex : King Crimson ) (2010)

Tracklist: 

01 - Contact
02 - Flood
03 - Spray I
04 - Fall Time +-
05 - Fall Time -+
06 - Lumen
07 - Switch
08 - Daughter
09 - Pole
10 - Scatter
11 - Up Spin
12 - Down Spin
13 - Spectra
14 - Superstish-A-Tron
15 - Californ-A-Tron
16 - Spray II
17 - Mono-Punkte
18 - Coupling
19 - Incantation
20 - Slingcharm
21 - Twisted Pair
22 - Hymn


Genre: Prog Rock
 MP3 - 320Kbps
 44,1kHz  - 115 Mb

Spray II

crocko (116.9 MB) 
ou
filesonic1 (100.00 MB) / filesonic2 (13.74 MB)

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