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30/11/2019

The Wall completa 40 anos, um muro nascido da alienação








De SAPO (Portugal)
Paulo André Cecílio
Pink Floyd: 40 anos de um muro nascido da alienação

O mundo parecia, aos olhos de Roger Waters, um imenso e inóspito vazio para onde fora atirado em nome do estrelato, onde em cada esquina uma sanguessuga se dispunha a deixá-lo apenas ossos, onde a verdade havia sido substituída por uma década de luzes e de trips psicodélicas, de histórias sobre loucura e morte, de saudades de amizades passadas, de governos maquiavélicos. O mundo, para Roger Waters, deixara de ser um conforto. Pior ainda: o mundo era-lhe agora desconhecido.

O culpado, o muro. Não um muro físico, mas um muro psicológico, mental, que o escondia numa tentativa de o fazer sobreviver, mesmo que essa perspetiva fosse, a cada dia, menos gloriosa. Waters, e o Pink Floyd, haviam chegado ao patamar que todas as bandas almejam; mas o resultado não veio sem os seus sacrifícios. A perda de Syd Barrett em 1968 fora a primeira. As dívidas excessivas vieram a seguir. O isolamento dos membros do grupo em razão de diretrizes conflitantes, Waters que tomou as rédeas do Pink Floyd na era pós-Barrett, mostrava-se cada vez menos disposto a abrir-se ao mundo, a abrir mão da sua criatividade para a juntar às dos outros.


A história começa com o muro e o muro começou a ser construído muito antes do Pink Floyd existir. Em 1944, com apenas cinco meses de idade, Waters perderia o pai na II Grande Guerra, durante a chamada Operação Shingle, na Itália, onde mais de 43 mil soldados Aliados perderam a vida. O trauma cresceria durante a infância e seria figura omnipresente ao longo de quase toda a sua vida. Um trauma que depressa se transformaria num sentimento de traição. Eric Fletcher Waters, o pai, tinha-se declarado objetor de consciência no período da Guerra, mudando as suas posições pacifistas mais tarde e juntando-se ao exército britânico. A traição sentida está precisamente nisso: no fato de Eric ter abandonado os seus ideais, apenas para, em última análise, morrer.

Não foi a única traição. No final dos anos 70, o Pink Floyd estava no topo do mundo – nem a explosão punk conseguiu tira-lo do pódio – mas o sucesso, como comprovado vezes sem conta, é uma faca de dois gumes. Mais discos e mais concertos esgotados significavam mais pessoas, mas não necessariamente uma compreensão da mensagem (filosófica, política) que o Pink Floyd e Waters tentavam passar. E o ponto de ebulição foi atingido em 1977, durante um concerto no Estádio Olímpico de Montreal, parte da digressão “In the Flesh”, na qual o Pink Floyd tocou pela primeira vez em estádios.

"Odiei, porque os concertos tinham se transformado numa espécie de evento social, e não numa relação normal e controlada entre músicos e o público. As filas da frente gritavam, gesticulavam, não prestavam de fato atenção ao que ouviam. Quem estava mais atrás, não conseguia ver nada..."


A alienação sentida entre Waters e público, derivada desta mesma ideia – que parece soar tão verdadeira ainda hoje... – levou o músico a fazer algo que até então seria impensável: cuspir num dos seus próprios fãs. E, ao contrário do que pensavam os punks de 1977, sempre dispostos a escarrar para o palco, a saliva não era de todo um elogio. Waters terminava a construção do seu muro, a antítese da ideia de humanidade: ela não existe se nos isolarmos dos humanos. Mas tinha que pô-lo abaixo, então voltar a superfície para respirar.


O primeiro passo, de forma algo paradoxal, foi o de reconstruir esse muro, musical e literalmente. “The Wall” é sobretudo a história de Roger Waters e de como ele foi sofrendo até não aguentar mais, ao longo da sua carreira. História essa que é personificada por Pink, artista rock que vê o pai morrer na Guerra, que sofre bullying por parte dos seus professores primários, que se torna numa estrela amante de todo o tipo de deboches e que se isola do mundo em agonia misantropa, imaginando-se fascista e genocida, até um julgamento criado na sua própria cabeça o levar a descobrir que (ainda) há esperança na Terra.


Já no Pink Floyd, havia o vermelho: em 1978, as finanças do grupo estavam de tal forma escassas que era necessário compor imediatamente um disco. Culpa do Norton Warburg Group, empresa de gestão financeira a quem os músicos haviam confiado o seu dinheiro e que o perdeu em diversos investimentos de risco. Não fosse por “The Wall” e o Pink Floyd poderia muito bem ter decretado falência e terminado ali, há 40 anos. Mas compô-lo poderia ser uma tarefa complicada sem alguém que lhes mostrasse o caminho. E esse alguém foi o produtor Bob Ezrin, que havia trabalhado com nomes como Alice Cooper ou Lou Reed e que ajudou a banda, e Waters, a encontrarem-se.

O resultado é uma das obras mais densas do Pink Floyd, e o disco a que comumente associamos a expressão “ópera rock” (mesmo que “Tommy”, do The Who, o preceda em dez anos). Uma hora e vinte minutos de magia e soberba musical, agrupando vários estilos distintos: rock espacial ('In the Flesh?'), pós-rock antes de o termo ser cunhado ('Another Brick in the Wall, Part 1'), pop ('Another Brick in the Wall, Part 2'), folk ('Mother'), ópera propriamente dita ('The Trial') e, claro, o tom melódico de 'Comfortably Numb', onde os solos de guitarra de David Gilmour tomam a dianteira e elevam todo “The Wall” ao status de culto.


Para além do som, a imagem – não só a que era criada em cada ouvinte com recurso aos poemas de Waters, mas também a que, em 1982, chegou aos cinemas pela mão de Alan Parker e Gerald Scarfe, com Bob Geldof no papel principal. “The Wall”, o filme, foi três anos após o disco um enorme sucesso a nível da crítica, tendo sem dúvida contribuído para ainda hoje falarmos da música com tanto respeito e carinho. A fusão perfeita entre todos os aspectos de criação. Uma obra de arte total.


À altura, nem foi visto dessa forma: muitos críticos insurgiram-se contra o maximalismo e o pretensiosismo da obra (convenhamos que, no final dos anos 70, o punk olhava dessa forma para tudo o que não fosse feito a partir de três acordes), que só começou a ganhar um estatuto canônico nas décadas seguintes ao seu lançamento. Mas o que a crítica não via, via-o o público, que o levou ao número um no ranking de vendas durante várias semanas. Ao álbum, e à canção que com o passar do tempo alcançou um status ainda maior que o do álbum: 'Another Brick in the Wall, Part 2', que fora do seu contexto passou a ser cantada por milhões de gargantas ao redor do planeta como canção de protesto. We don't need no thoughts control... 


Para além de todo o existencialismo presente na obra, e talvez sua maior virtude, está o fato de também transmitir uma mensagem de esperança aliada a um conselho precioso: quanto mais nos isolamos do mundo, quantos mais muros construímos, mais abrimos espaço ao ódio quando deveríamos preenchê-lo com o amor. O disco termina e começa com uma frase cortada a meio – Não foi por aqui que viemos? – atestando à natureza cíclica dos muros, um loop imenso de depressão e apatia. Mas essas podem ser vencidas, e os muros podem ser derrubados, e as lutas podem ser constantes e eternas para nos lembrar de que estamos vivos. A grande lição de um disco como “The Wall”, relembrando sempre que um muro físico nos tolda o senso comum (seja em Berlim, seja em Israel, seja nos Estados Unidos), é a de que a fragilidade e o medo existem para serem vencidos. 40 anos depois, não olvidemos essa mensagem.




14 motivos para amar o disco do Pink Floyd


O álbum conta com um conceito complexo e profundo baseado no personagem fictício Pink. E apesar da recepção inicial mista, o disco ganhou 23 x platina desde 30 de novembro de 1979, e gerou o único hit pop número 1 da história do Pink Floyd, "Another Brick in the Wall, Pt. 2".

Uma obra de arte do rock. Assim, listamos 14 motivos para amar The Wall do Pink Floyd:

Abertura


1. A abertura oferece o primeiro leitmotiv do disco acompanhado das guitarras trovejantes de David Gilmour e o teclado de Fred Mandel. Esta é realmente uma ópera rock, uma peça singular criada por Roger Waters com precisão, profunda prudência e tato.

2. Waters começa o disco com a seguinte questão: "Então, você pensou que gostaria de ir ao show." Mas, nos adverte que a história a seguir não é uma opção alegre para esquecer problemas e ouvir rock and roll.


3. Os estrondosos motores de avião no final de "In the Flesh?" e o choro do bebê em "The Thin Ice" são uma viagem de abertura ao início da narrativa em The Wall, imergindo-nos totalmente não apenas na música, mas em todo conceito histórico do disco focado no personagem fictício Pink baseado em Waters.

4. A interação entre a voz suave de David Gilmour com a voz maníaca e às vezes dominadora de Waters é um tema ao longo do disco. "The Thin Ice" é uma letra emotiva sobre a relação de Pink com os pais.

Another Brick in the Wall, Pt. 1



5. As duas primeiras faixas soam como um prólogo para a história que virá em "Another Brick in the Wall, Pt. 1" quando o pai de Pink morre na guerra. De agora em diante, não há como voltar atrás, é preciso ouvir o disco até o final, pois Pink, tomado pela dor, começa a se isolar da sociedade.


6. As guitarras pesadas com atraso de Gilmour são incríveis na "Parte 1", tocando com blues, funk e elementos de rock and roll nas linhas de sintetizador.

The Happiest Days of Our Lives

7. A linha de baixo de abertura é tão punitiva quanto os professores tirânicos da escola que causam mais sofrimento a Pink e fomentam a separação social.


Another Brick in the Wall, Pt. 2

8. Pink Floyd pegou uma batida de disco e transformou-a em um hino de angústia adolescente. É o único hit número 1 da banda, em grande parte devido à química rigorosa deles, com Nick Mason dando a batida, Waters a linha de baixo e Gilmour arranca acordes de funk como Nile Rodgers antes de sair para um inesquecível solo de blues.



Mother


9. Lembrando-nos dos hits acústicos do Pink Floyd, como "Wish You Were Here", "Mother" novamente explora os relacionamentos arrogantes e sufocantes de Pink, que o forçam a se afastar da realidade e se aprofundar mais em si mesmo.



10. A assinatura do tempo da música é engenhosamente complexa, espelhando a instabilidade de Pink neste momento da vida e o relacionamento não sincronizado com a mãe.

Goodbye Blue Sky




11. Gilmour se lembra do blitz e das "bombas caindo" sobre arpejos sombrios da guitarra. A música se torna mais pesada pela natureza semi-autobiográfica, pois o pai de Waters foi morto na Segunda Guerra Mundial.


Empty Spaces/Young Lust

12. A maneira como o diálogo interno espacial de "Empty Spaces" transforma-se em "Young Lust", um clássico dos anos 70, é dramático e perfeito. OPink Floyd emprega um som de rock mais comercial aqui para comentar a sexualização casual no rock and roll e impulsionar a narrativa do álbum para a frente, enquanto Pink usa o sexo para lidar com a ansiedade e depressão.




One of My Turns/Don’t Leave Me Now

13. As performances do sintetizador nessas duas faixas são tão tensas quanto Pink convida uma groupie a voltar para o quarto antes da música explodir em um frenesi maníaco e suicida.



Another Brick in the Wall, Pt. 3/Goodbye Cruel World

14. A maneira como as três partes de "Another Brick in the Wall" vão aumentando a intensidade é um dos desenvolvimentos geniais do disco. Contendo muitas das mesmas facetas melódicas e instrumentais das antecessores, a "Parte 3" viu Pink percorrer um buraco negro em espiral, entrando em loucura, ódio e descontentamento, levando-o a silenciar todas as vozes externas e mergulhar 'atrás da parede' em "Goodbye Cruel World".

Gerald Scarfe






18/08/2019

The Wall completará 40 anos em novembro


resenha do álbum


Existem muros, reais e fictícios, que separam a humanidade. Alguns de concreto — como os de Berlim ou o que pretende criar o presidente Donald Trump na fronteira dos EUA com o México. Outros como autodefesa, uma barreira ilusória para afastar o indesejado. Esses serviram até de inspiração para o universo das artes, como é o caso do clássico The Wall, do Pink Floyd que este ano completa 40 anos. O álbum narra a trajetória de Pink, um rockstar fatigado que se impõe um isolamento da sociedade simbolizado pela expressão que dá nome ao trabalho. São desse registro as emblemáticas composições ‘Another Brick in the Wall’ (partes 1, 2 e 3), ‘Mother’, ‘Hey You’ e ‘Comfortably Numb’.

The Wall é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda britânica. Lançado como álbum duplo em 30 de novembro de 1979 foi, posteriormente, tocado ao vivo com efeitos teatrais, além de ter sido adaptado para o cinema e a distribuição fonográfica se deu pela Harvest Records no Reino Unido e pela Columbia Records nos Estados Unidos.

Seguindo a tendência dos três álbuns de estúdio anteriores da banda, The Wall é um álbum conceitual, tratando de temas como abandono e isolamento pessoal. Foi concebido, inicialmente, durante a turnê In the Flesh, em 1977, quando a frustração do baixista e letrista Roger Waters para com seus espectadores tornou-se tão aguda que ele se imaginou construindo um muro entre o palco e o público. The Wall é uma ópera rock centrada em Pink, um personagem fictício baseado em Waters. As experiências de vida de Pink começam com a perda de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, e continuam com a ridicularização e o abuso de seus professores, com sua mãe superprotetora e, finalmente, com o fim de seu casamento. Tudo isso contribui para uma autoimposta isolação da sociedade, representada por uma parede metafórica.

O álbum contém um estilo mais duro e teatral do que os lançamentos anteriores do Pink Floyd. O tecladista Richard Wright deixou a banda durante a produção do álbum, embora tenha continuado no processo de gravação como um músico pago, apresentando-se com o grupo na turnê The Wall.

Comercialmente bem-sucedido desde o seu lançamento, o álbum foi um dos mais vendidos de 1980 e vendeu mais de 11,5 milhões de unidades nos Estados Unidos, atingindo a primeira posição da Billboard. Um dos singles lançados, “Another Brick in the Wall, Part 2”, esteve em várias paradas ao redor do mundo. Em 2003, a revista Rolling Stone listou The Wall na octogésima sétima posição em sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

The Wall segundo o site Discogs tem 551 versões, pode ser considerado um dos discos mais lançados no mundo. Sua prensagem original é de 1979 e é inglesa pelo selo Havest , nos EUA pela Columbia e no Brasil pela CBS Discos e no mesmo ano.

Da Iugoslávia à antiga Alemanha Oriental, de Portugal a Hong Kong, da Malásia á Colômbia e Equador, o The Wall rodou o mundo em várias versões, inicialmente em vinil e k7 e depois em CD e hoje está também nas principais plataformas de streaming.

Os vinis de prensagem originais são muito procurados e a brasileira de 1979 da CBS sobre os números 138.170 e 138.171 podem, se encontrados no mercado de usados e em bom estado, valer cerca de 100 dólares! É um disco para colecionador nenhum botar defeito!

Uma peculiaridade da edição inaugural brasileira é que ela é muito elogiada pelos seus aspectos técnicos na construção do disco e dizem os entendidos que não deixa nada a desejar em comparação com os vinis importados da época.

Em 2016, The Wall, foi reeditado em vinil nos EUA, Japão e Europa pelo selo Pink Floyd Records e no Brasil também em 2016 em CD pela Sony Music e Pink Floyd Records, porém aguarda-se a nova edição brasileira em vinil, visto que os discos do Pink Floyd estão aos poucos sendo relançados em vinil nacional pela referida gravadora.

The Wall é um álbum tão importante que ficou no topo das paradas da Billboard por quinze semanas e em 1999 foi certificado de platina 23x. Continua sendo um dos álbuns mais vendidos nos Estados Unidos e tem vendagem expressiva até os dias de hoje em todo o mundo.

Entre 1979 e 1990 vendeu mais de dezenove milhões de cópias mundialmente. É o segundo álbum mais vendido do Pink Floyd, apenas atrás de The Dark Side of the Moon (1973). O trabalho do engenheiro James Guthrie foi recompensado em 1980 com um Grammy de Melhor Gravação (não clássica) e The Wall está na 87.ª posição na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, publicada pela revista Rolling Stone no ano de 2003.

A formação do Pink Floyd para este disco era com: 
Roger Waters no vocal, baixo, guitarra rítmica, sintetizadores e efeitos sonoros
David Gilmour na guitarra solo, guitarra rítmica, vocal, baixo, sintetizadores
Nick Mason na bateria e na percussão e
Richard Wright no piano, órgão Hammond, piano elétrico, sintetizadores, e pedais

Não podemos deixar de mencionar o sucesso que o álbum fez nos cinemas.

Em 1982 o diretor britânico Alan Parker, fez o filme Pink Floy The Wall onde o roteiro foi escrito pelo vocalista e baixista da banda, Roger Waters,

Possuindo poucos diálogos e mais metafórico e movido pelas músicas como fundo para as interpretações e sequências de animação, dirigidas pelo cartunista político Gerald Scarfe, o músico e ator Bob Geldof, da banda punk The Boomtown Rats, fez o papel do roqueiro Pink.

E em 2009 Roger Waters iniciou uma turnê mundial com The Wall de Rogers Waters e que foi apresentada no Brasil em 2012. Foram apresentações apoteóticas que inclusive deram origem a um novo filme homônimo.


Texto oriundo do site Universo do Vinil

18/02/2017

Ummagumma – The Brazilian Pink Floyd no Metropolitan




Considerada o melhor cover do Pink Floyd, reconhecido por seus grandes espetáculos áudio visuais, a banda Ummagumma – The Brazilian Pink Floyd, está de volta ao Rio de Janeiro, e faz única apresentação no dia 19 de maio, no Metropolitan, com a turnê You Gotta Be Crazy.

A venda para o público em geral estará disponível a partir do dia 21 de fevereiro. Os ingressos poderão ser adquiridos pela internet (www.ticketsforfun.com.br), nos pontos de venda espalhados pelo Brasil e na bilheteria do Metropolitan.

A turnê You Gotta Be Crazy é uma homenagem aos 40 anos do álbum “Animals” e, além deste disco, passará por outras fases da banda e também apresentará o clássico “Dark Side of The Moon”, na íntegra, com a participação especial de Lorelei McBroom, cantora americana que trabalhou com Pink Floyd no final dos anos 1980.

O UMMAGUMMA The Brazilian Pink Floyd, que se formou após a primeira vinda de Roger Waters ao Brasil, em 2002, é o fruto de um inspirado, primoroso e incansável trabalho de uma gente dedicada, que ao longo de mais de dez anos vem apresentando a obra dessa memorável banda inglesa, de maneira fidedigna, ao público brasileiro mais exigente. O grupo faz questão de passar ao público uma das maiores marcas do Pink Floyd: os ousados e irreverentes espetáculos ao vivo.


UMMAGUMMA – THE BRAZILIAN PINK FLOYD – YOU GOTTA BE CRAZY TOUR 2017

METROPOLITAN – RIO DE JANEIRO

Realização: TIME FOR FUN

Copatrocínio: Antárctica

Data: Sexta-feira, dia 19 de maio de 2017

Horários: 22h

Local: Metropolitan – Rio de Janeiro (RJ)
Av. Ayrton Senna, 3000 – Shopping Via Parque – Barra da Tijuca

Duração: Aproximadamente 2h20.

Capacidade: 3.120 lugares.
Ingressos: de R$ 30 a 150 (ver tabela completa).
Classificação etária: 12 a 14 anos: permitida a entrada acompanhados dos pais ou responsável legal. 15 anos em diante: permitida a entrada desacompanhados.

Fonte: Sopa Cultural

23/01/2017

Animals faz 40 anos




‘Animals’, álbum do Pink Floyd inspirado em ‘Animal Farm’, de George Orwell, faz hoje 40 anos

Na música, a década de 70 do século XX foi fortemente marcada pelo domínio de uma série de bandas que reinventaram o rock tornando-o progressivo, um estilo baseado no rock psicodélico mas algo mais sinfônico, tornando-se em alguns casos próximo de uma ópera (a chamada ópera rock). Se há banda que dominou por completo esta década, não só no modo como reinventou o rock mas também como atingiu um sucesso estrondoso que lhes valeu um reconhecimento universal e certamente eterno, o Pink Floyd. Depois de uma busca árdua pelo sucesso que apenas fora atingido com o seu oitavo álbum em 1973, Dark Side of The Moon, e que vendeu 45 milhões de cópias, sendo considerado por muitos o melhor álbum rock de todos os tempos, e em 1975 com o seu nono álbum, Wish You Were Here, uma espécie de homenagem depois do sucesso a Syd Barrett, fundador da banda que fora afastado em 1968 devido a problemas com o LSD e que desde aí se tornara quase que um líder espiritual, era altura de continuar o trabalho desenvolvido de forma a prolongar o sucesso. O décimo álbum do Pink Floyd não teria um nome tão poético e sublime como os anteriores e o título seria apenas e só uma palavra. Animals, seria assim o nome do álbum lançado a 23 de Janeiro de 1977 sob uma liderança cada vez mais notória por parte do baixista e também vocalista Roger Waters. Após dois trabalhos de sucesso, bastante cooperativos, e músicas onde os solos extraordinários e a voz de David Gilmour bem como as teclas e voz de Richard Wright e a percussão e bateria de Nick Mason eram essenciais, a hegemonia de Roger Waters sob o Pink Floyd era cada vez mais evidente. Isso foi demonstrado não só neste álbum, mas também no álbum seguinte, The Wall, uma ópera rock de dois discos lançada em 1979 que teria um impacto tão grande que valeria um filme baseado no conteúdo do próprio álbum e tours extremamente produtivas e rentáveis.

Animals é inspirado na famosa obra de George Orwell Animal Farm (O triunfo dos porcos) e tal como o álbum anterior, Wish You Were Here, é apenas composto por cinco faixas embora algumas de grande duração: “Pigs on The Wing (Part One)”, “Dogs”, “Pigs (The Three Different Ones)”, “Sheep”, “Pigs on The Wing (Part Two)”. A obra de George Orwell escrita em 1945, que é uma crítica ao modo como Stalin liderava a União Soviética e ao próprio Estalinismo, retrata uma quinta onde os animais expulsam o ser humano e gerem a sua quinta por si sós, impondo uma série de princípios quase utópicos. Os porcos, animais descritos como os mais inteligentes, lideram a quinta e existe uma alusão de cada personagem/animal a uma identidade real do contexto retratado. O porco que acaba por liderar a quinta, Napoleão, representa Stalin, líder da União Soviética; Snowball, o porco expulso da quinta devido aos seus ideais antagônicos a Napoleão, representa Leon Trotsky, o adversário de Estaline na disputa pela liderança da União Soviética após a morte de Lenine e que após a derrota exilou-se no México; Mr. Jones, o dono da quinta, expulso pelos animais, representa o Czar Nicolau II que abdicou durante a revolução bolchevique em 1917; os cães representam a polícia política da União Soviética; as ovelhas, que repetem tudo aquilo que lhes dizem, representam o povo dominado pela propaganda, e por aí adiante. Acontece que em 1977 a União Soviética, já sem Estaline, ainda existia mas outras transformações e consequências chamavam mais a atenção no mundo ocidental. Na Grã-Bretanha, durante meados dos anos 70, os acontecimentos inspirariam Roger Waters em adaptar este livro à época, à semelhança do que Aldoux Huxley fez com Brave New World tendo publicado 26 anos depois Brave New World Revisited. Só que George Orwell não teve tempo de o fazer pois falecera em 1950 vítima de tuberculose, mas Roger Waters estaria apto para adaptar a obra ao momento atual através de um álbum de rock progressivo bastante cativante e acima de tudo crítico e pertinente. As analogias a cada animal diferenciavam-se mas estes seriam os mesmos, embora relacionados com diferentes elementos e seres humanos na sociedade. O desemprego, o maior foco na industrialização, os contrastes sociais bem como o surgimento de ideais neoliberais que viriam a ter uma enorme influência no mundo durante os anos seguintes, inspiraram Roger Waters na adaptação desta obra ao contexto da época. Outro fator importante que inspirou o músico foi também o aparecimento, devido essencialmente a questões de cariz social, dos movimentos punk que teriam como principal alvo abater o rock até à altura desenvolvido (desde o rock n’ roll até ao então rock progressivo) impingindo o Punk Rock que, mais do que um movimento musical, seria um movimento cultural. Daí que o rock, que até à altura se teria desenvolvido a partir das suas raízes originais, tivesse sentido necessidade de se defender em relação a um movimento que parecia ter necessidade de acabar com este. Os Pink Floyd souberam defender-se, e bem, com Animals, que apesar de não ter tido um sucesso tão grande como os álbuns anteriores, teve um impacto notório e um nível de vendas bastante considerável.

Sendo todas as letras do álbum escritas por Roger Waters, embora “Dogs” com a ajuda do companheiro David Gilmour, a ideia logo na primeira canção de meter porcos a voar fez com que o porco se tornasse um símbolo dos próprios Pink Floyd, sendo lançado em muitos dos seus concertos (e em grande parte dos concertos de Roger Waters após a sua saída em 1984) um porco gigante, por norma insuflável, de modo a sobrevoar sobre os espectadores provocando a histeria total. Sendo os porcos o principal animal do livro e a capa do álbum consistir num porco a sobrevoar a Battersea Power Station em Londres, o toque dos Pink Floyd foi importantíssimo para mistificar uma espécie de suínos que nos é bastante familiar: o porco. A primeira e última faixas do álbum, “Pigs On The Wing”, são canções em forma de balada dedicadas a Carolyn, mulher de Roger Waters na altura. A ideia de colocar os porcos a voar (que é romântica por si só) surge associada à expressão popular que remete para uma hipótese improvável: “Isso só quando as galinhas tiverem dentes e os porcos tiverem asas”, o que torna esta noção, no que toca aos porcos, bem verdadeira.

Segue-se então “Dogs”, segunda faixa com uns esplendorosos 17 minutos em que o ritmo de balada se mistura instantaneamente com o rock progressivo. A música é inspirada no cão enquanto animal e no modo como determinada classe de seres humanos se poderia associar aos cães, à semelhança da metáfora de George Orwell no seu livro. Porém, os cães de George Orwell não serão iguais aos cães de Roger Waters, pelo menos na analogia. Estes cães assemelhavam-se a homens de negócios obcecados pelo dinheiro, que eram vistos como sabujos e que ganhavam terreno na sociedade dos anos 70. Isto é notório logo no primeiro verso da canção: “You got to be crazy, gotta have a real need”, e em outros tantos ao longo da música, como: “And when you lose control you’ll reap the harvest you have sown”. Sendo o Homem comparado ao cão, animal condicionado pelo próprio ser humano, significa que este se deixa condicionar por si só, arrastado por algo mais forte como a música evidencia: “Dragged down by the stone”. Existem fortes frases dentro da música que envolve uma sinfonia progressiva deslumbrante onde todos os instrumentos são facilmente identificados.


Se são os porcos que começam e acabam o álbum, estes têm que também estar presentes no meio. Daí que a terceira faixa seja “Pigs (The Three Different Ones)”, onde uma série de grunhidos acompanham a música e cuja letra se inicia logo com uma frase que remete para o final de Animal Farm, onde o porco e o ser humano são impossíveis de se distinguirem um do outro: “Big man, pig man/ Ha ha charade you are”. Não remetida para aqueles que dominavam a União Soviética, mas sim para outro tipo de políticos que surgiram no mundo ocidental entretanto. A música faz alusão a Mary Whitehouse, uma política conservadora dos anos 70 na Grã-Bretanha especialista na propaganda cristã e acusada de vários actos de manipulação e censura políticas e também à própria Casa Branca dos Estados Unidos, nomeadamente ao presidente Gerald Ford (embora Roger Waters tenha desmentido tal analogia com este último numa entrevista anos mais tarde). A música contém versos com críticas muito descaradas à política inglesa e que podem ter diferentes interpretações: “Hey you, White House/ Ha, ha, charade you are (…) “Mary you’re nearly a treat/ Mary you’re nearly a treat/ But you’re really a cry”, pois, tal como na obra de Orwell, os porcos são análogos à classe política. As novas políticas e os métodos de propaganda assentariam que nem uma luva em Animal Farm, muitos seriam aqueles que facilmente entrariam no sistema de maneira quase cega com escassa informação, tal como outro animal também presente na obra.

Como tal surgem as ovelhas, “Sheep”, seres que na fábula de Orwell repetem o que lhes é dito constantemente, nomeadamente, e de uma maneira simplificada, que o ser humano é um animal a evitar e que tudo o que não tenha duas pernas é confiável “Four legs good, two legs bad”. Em Animals representam aqueles que seguem cegamente um líder, dominados pela propaganda repetitiva que viria a prevalecer no final dos anos 70. O balir das ovelhas acompanha esta canção que se assemelha a um rebanho a andar a grande velocidade devido ao ritmo da música. O rebanho, que muitas vezes é associado figurativamente a uma religião onde os fiéis são as ovelhas que seguem aquele que é o seu pastor, a principal figura da sua religião (embora esta analogia esteja mais relacionada com o Cristianismo), está presente também no meio da música com a citação bíblica do “Salmo 23” enunciada por meio de uma voz transfigurada (nos concertos essa voz é feita pelo baterista Nick Mason) e com algumas alterações satíricas. Tal como “Pigs (The Three Different Ones)”, a canção ultrapassa os 10 minutos de duração, em que a qualidade se consegue sobrepor à quantidade.

Hoje, 40 anos depois de Animals dos Pink Floyd e mais de 70 de Animal Farm de George Orwell, a quinta mantém-se com os mesmos animais mas com diferentes seres humanos a representá-la. Embora a obra tenha tido uma crítica dirigida a uma política específica, a analogia pode ser feita a outras políticas e políticos. Os cães podem ser outros mas continuam à caça, as ovelhas podem ser outras mas continuam a seguir sem pensar aquilo que os slogans e os media dizem, e os porcos podem ser outros… mas continuam a triunfar. Tal animal simpático e até ilustre na nossa gastronomia pelos melhores motivos, não merecia esta cruel comparação. Ainda assim seria bom terminar uma crônica sobre este álbum que hoje celebra 40 anos com uma das últimas performances de “Pigs (The Three Different Ones)”. Durante Setembro e Outubro de 2016, Roger Waters atuou no México onde fez questão de dedicar a canção àquela que é a figura política do momento, com imagens a acompanham a música e frases que surgem durante o solo final, terminando com uma evidente conclusão.

Fonte: Comunidade, Cultura e Arte - Portugal

24/03/2013

Hoje "The Dark Side of the Moon" comemora 40 anos sem envelhcer


 (Reprodução)

O que são 4 décadas para algo atemporal?

Intuitivo e racional, misterioso, original, lírico, pretensioso, orgânico e místico. Não são poucas as tentativas de se definir o disco 'The dark side of the moon', obra-prima da banda inglesa Pink Floyd. Ao completar neste mês 40 anos de “viagem”, o álbum parece rejuvenescer a cada ano, ao ganhar novos fãs e ratificar sua mensagem aos admiradores mais antigos. Concebido pelas mentes estratosféricas de Roger Waters, David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason, o famoso disco do prisma já nasceu grande ao propor um novo conceito musical, que explorava sons, imagens, abusava da tecnologia e propunha discussões políticas e filosóficas. Com o lançamento de seu oitavo trabalho, a banda atingiu a maturidade.

O álbum seria o canal perfeito para promover sua catarse de amplitude universal. Tempo, violência, morte, ganância, medo e loucura eram apenas algumas das questões que o letrista exorcizou, jogando luz nas trevas da lua. “O disco trata de temas particulares de cada integrante do Pink, mas que são universais.

Bandas como Radiohead – do clássico “Ok Computer” desenvolve o mesmo conceito de “The Dark Side Of The Moon”, a perda da capacidade do indivíduo de funcionar no mundo moderno – ao dub e à música eletrônica, quase tudo o foi feito de mais cerebral e criativo na música pop reaproveitou idéias desenvolvidas pelo Pink Floyd há 40 anos.

Todos se identificam, pois as angústias ali colocadas são sentidas por toda a humanidade. Isso fez com que Dark side… não ficasse datado. Ele foi criado há 40 anos e continuará atual daqui a 100. O disco provou também que é possível fazer música de qualidade, com conteúdo e ainda vender muito”, analisa o jornalista e admirador do Pink Floyd Gustavo Miranda.

"The Dark Side of the Moon" vendeu 50 milhões de cópias e ficou 803 semanas entre os 200 mais vendidos nos EUA

Gravado no lendário estúdio Abbey Road e lançado em março de 1973, em Londres, o disco – que teve o nome emprestado do verso da canção 'Brain damage', “I'll see you on ‘the dark side of the moon” – tornou-se um clássico de forma instantânea. Elogios de crítica e público atestaram que os músicos acertaram na forma e no conteúdo. Se por um lado o álbum revolucionava com o uso de sintetizadores e efeitos sonoros incomuns, por outro as letras disparavam impetuosas rajadas filosóficas. O vulcão sonoro que acabara de eclodir deu ao Pink Floyd o primeiro lugar nas paradas, vendas inimagináveis e a certeza de que a banda entrara com estilo no panteão do rock. “Lembro-me de que na primeira vez em que escutei o disco falei: ‘Nossa, isso é forte, é diferente.’ Este foi o disco que mudou a vida do Pink Floyd definitivamente. Eles saíram do underground para se transformar em estrelas do rock mundial”, acredita Bruno Morais, vocalista, guitarrista e diretor musical do Ummagumma The Brazilian Pink Floyd, grupo cover dos ingleses e que tem show marcado para o dia 16 em BH, no Palácio das Artes.

Muito além de um marco comercial, “The Dark Side Of The Moon” é um dos trabalhos mais importantes do rock. Os métodos de gravação e efeitos sonoros desenvolvidos ali revolucionaram as técnicas de estúdio, ajudando a moldar o som da música pop das décadas seguintes.

O aniversário do álbum do Pink Floyd, têm um motivo a mais para festa. Na última quinta-feira, o disco  passou a integrar o acervo da gigantesca e relevante Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Mais um reconhecimento ao álbum com a famosa capa do feixe de luz que atravessa um prisma e vira arco-íris, repleto de clássicos como “Money”, “Time” e “The Great Gig In The Sky”, é o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos, de acordo com a RIAA (recording industry association of America – associação americana da indústria fonográfica).

Por trás da vendagem astronômica está o approach mais direto em relação aos trabalhos anteriores. Sem abandonar a experimentação e os climas psicodélicos, o disco apresenta composições mais acessíveis, com uma dose menor das viagens instrumentais que marcaram a fase anterior do Pink Floyd.

O oitavo disco do Pink Floyd traz letras que falam de amor, dor, ambição e demência - referências diretas a Syd Barrett (1946-2006), cantor nos dois primeiros álbuns do Pink Floyd que deixou a banda em 1968.

A intrincada sonoridade, que a cada audição parece revelar nuances ainda não percebidas, foi construída com ajuda de muitos shows. Na época, o Pink Floyd cumpria turnês na Europa que arrebatavam cada vez mais fãs.

O grupo tratava a experiência no palco como uma coisa quase sacra, e a plateia comungava com o quarteto. Fez shows antes, durante e depois das gravações, chegando a tocar faixas inéditas, que depois entrariam em "The Dark Side of the Moon".

VÁRIAS VERSÕES

Já foram lançadas 18 edições diferentes de "The Dark Side of the Moon", variando formatos e qualidade técnica de reprodução. A mais audaciosa é "The Dark Side of the Moon - Immersion Box Set", com seis discos (entre CDs e DVDs) de remasterizações, demos, documentários e shows. 

O álbum gerou tanto culto que há produtos no mercado brasileiro que tentam decifrá-lo: o livro "The Dark Side of the Moon", de John Harris (Zahar, 224 págs.) e o documentário em DVD "Classic Albums: Pink Floyd and the Making of The Dark of the Moon" (importado).

Uma simpática homenagem 

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