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09/12/2019

Como Bob Geldof reuniu o Pink Floyd em 2005?





FLASHBACK: Como Bob Geldof reuniu o Pink Floyd em 2005?

Após a famosa polêmica dos anos 1980, Roger Waters e David Gilmour concordaram em se apresentar no Live 8 "para combater a pobreza"

Em 1985, o Pink Floyd entrou em declínio quando o baixista e vocalista Roger Waters abandonou a banda e processou o trio remanescente - David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason - por continuar usando o nome que eles haviam construído juntos. Quando ele perdeu a batalha legal, contudo, a hostilidade permaneceu.

Em 2005, o ex-vocalista e líder do The Boomtown Rats, Bob Geldof, decidiu que queria o Pink Floyd como headliner do Live 8 - uma série de shows beneficentes para combater a pobreza mundial.

Durante uma entrevista para o portal Louder Sound em 2015, os companheiros de banda explicaram como Geldof os convenceu a se apresentar no Hyde Park, em Londres, em julho de 2005.

O guitarrista e vocalista do Pink Floyd, David Gilmour, revelou: "Geldof me ligou e não mencionou Roger, só perguntou se eu toparia fazer o Live 8 com o Pink Floyd."

"E eu disse que não, pois estava no meio do meu álbum solo", ele continuou. "Geldof dizia: 'Vou visitar vocês', e entrou no trem. Eu pensava 'Não, não, não'. Quando eu liguei para o celular dele, ele estava em East Croydon. Eu disse: 'Bob, não faz sentido, saia do trem.' E ele disse: 'Eu estou indo mesmo assim'."

Enquanto isso, Geldof tentou convencer os outros membros da banda, e o baterista Nick Mason imediatamente respondeu que seria uma "ótima ideia".

Waters, a figura mais controversa do Pink Floyd, também concordou com a ideia e prontamente ligou para Gilmour - uma virada surpreendente do destino após a famosa polêmica dos anos 1980.

Os dois se entenderam e, depois de bastante insistência, Gilmour se juntou à banda para uma reunião. Assim, ele telefonou para Tim Renwick e lhe contou o que estava acontecendo.

"Eu fiquei completamente chocado, como nunca antes", disse Renwick. "Eu sempre pensei que Roger estava errado ao sair da banda e que eles nunca mais tocariam juntos."

Segundo Gilmour, a causa positiva por trás do show o fez abraçar a ideia de Geldof, pois ele tentaria de "tudo para convencer os líderes do G-8 a assumirem compromissos para o alívio da pobreza."

"Quaisquer brigas que tenhamos tido no passado são irrelevantes neste contexto", ele acrescentou. "Se chamarmos a atenção para o movimento, então terá valido a pena."

Durante os ensaios, Roger Waters foi um pouco perturbante, se atrasando todos os dias e "fazendo sugestões loucas sobre reorganizar as coisas", contou Renwick.

No palco, contudo, o músico fez um anúncio positivo e entusiasmado, dando a entender que as disputas haviam sido deixadas para trás: “É realmente muito emocionante ficar de pé aqui com esses caras depois de tantos anos."

Ao fim do Live 8, Gilmour concluiu: "O ódio e a amargura são sentimentos muito negativos. Foi muito bom colocar tudo em perspectiva e encerrar as coisas bem. E é isso - o Live 8 foi ótimo, mas foi um encerramento. Como dormir com uma ex-esposa. Não há futuro para o Pink Floyd."




30/11/2019

The Wall completa 40 anos, um muro nascido da alienação








De SAPO (Portugal)
Paulo André Cecílio
Pink Floyd: 40 anos de um muro nascido da alienação

O mundo parecia, aos olhos de Roger Waters, um imenso e inóspito vazio para onde fora atirado em nome do estrelato, onde em cada esquina uma sanguessuga se dispunha a deixá-lo apenas ossos, onde a verdade havia sido substituída por uma década de luzes e de trips psicodélicas, de histórias sobre loucura e morte, de saudades de amizades passadas, de governos maquiavélicos. O mundo, para Roger Waters, deixara de ser um conforto. Pior ainda: o mundo era-lhe agora desconhecido.

O culpado, o muro. Não um muro físico, mas um muro psicológico, mental, que o escondia numa tentativa de o fazer sobreviver, mesmo que essa perspetiva fosse, a cada dia, menos gloriosa. Waters, e o Pink Floyd, haviam chegado ao patamar que todas as bandas almejam; mas o resultado não veio sem os seus sacrifícios. A perda de Syd Barrett em 1968 fora a primeira. As dívidas excessivas vieram a seguir. O isolamento dos membros do grupo em razão de diretrizes conflitantes, Waters que tomou as rédeas do Pink Floyd na era pós-Barrett, mostrava-se cada vez menos disposto a abrir-se ao mundo, a abrir mão da sua criatividade para a juntar às dos outros.


A história começa com o muro e o muro começou a ser construído muito antes do Pink Floyd existir. Em 1944, com apenas cinco meses de idade, Waters perderia o pai na II Grande Guerra, durante a chamada Operação Shingle, na Itália, onde mais de 43 mil soldados Aliados perderam a vida. O trauma cresceria durante a infância e seria figura omnipresente ao longo de quase toda a sua vida. Um trauma que depressa se transformaria num sentimento de traição. Eric Fletcher Waters, o pai, tinha-se declarado objetor de consciência no período da Guerra, mudando as suas posições pacifistas mais tarde e juntando-se ao exército britânico. A traição sentida está precisamente nisso: no fato de Eric ter abandonado os seus ideais, apenas para, em última análise, morrer.

Não foi a única traição. No final dos anos 70, o Pink Floyd estava no topo do mundo – nem a explosão punk conseguiu tira-lo do pódio – mas o sucesso, como comprovado vezes sem conta, é uma faca de dois gumes. Mais discos e mais concertos esgotados significavam mais pessoas, mas não necessariamente uma compreensão da mensagem (filosófica, política) que o Pink Floyd e Waters tentavam passar. E o ponto de ebulição foi atingido em 1977, durante um concerto no Estádio Olímpico de Montreal, parte da digressão “In the Flesh”, na qual o Pink Floyd tocou pela primeira vez em estádios.

"Odiei, porque os concertos tinham se transformado numa espécie de evento social, e não numa relação normal e controlada entre músicos e o público. As filas da frente gritavam, gesticulavam, não prestavam de fato atenção ao que ouviam. Quem estava mais atrás, não conseguia ver nada..."


A alienação sentida entre Waters e público, derivada desta mesma ideia – que parece soar tão verdadeira ainda hoje... – levou o músico a fazer algo que até então seria impensável: cuspir num dos seus próprios fãs. E, ao contrário do que pensavam os punks de 1977, sempre dispostos a escarrar para o palco, a saliva não era de todo um elogio. Waters terminava a construção do seu muro, a antítese da ideia de humanidade: ela não existe se nos isolarmos dos humanos. Mas tinha que pô-lo abaixo, então voltar a superfície para respirar.


O primeiro passo, de forma algo paradoxal, foi o de reconstruir esse muro, musical e literalmente. “The Wall” é sobretudo a história de Roger Waters e de como ele foi sofrendo até não aguentar mais, ao longo da sua carreira. História essa que é personificada por Pink, artista rock que vê o pai morrer na Guerra, que sofre bullying por parte dos seus professores primários, que se torna numa estrela amante de todo o tipo de deboches e que se isola do mundo em agonia misantropa, imaginando-se fascista e genocida, até um julgamento criado na sua própria cabeça o levar a descobrir que (ainda) há esperança na Terra.


Já no Pink Floyd, havia o vermelho: em 1978, as finanças do grupo estavam de tal forma escassas que era necessário compor imediatamente um disco. Culpa do Norton Warburg Group, empresa de gestão financeira a quem os músicos haviam confiado o seu dinheiro e que o perdeu em diversos investimentos de risco. Não fosse por “The Wall” e o Pink Floyd poderia muito bem ter decretado falência e terminado ali, há 40 anos. Mas compô-lo poderia ser uma tarefa complicada sem alguém que lhes mostrasse o caminho. E esse alguém foi o produtor Bob Ezrin, que havia trabalhado com nomes como Alice Cooper ou Lou Reed e que ajudou a banda, e Waters, a encontrarem-se.

O resultado é uma das obras mais densas do Pink Floyd, e o disco a que comumente associamos a expressão “ópera rock” (mesmo que “Tommy”, do The Who, o preceda em dez anos). Uma hora e vinte minutos de magia e soberba musical, agrupando vários estilos distintos: rock espacial ('In the Flesh?'), pós-rock antes de o termo ser cunhado ('Another Brick in the Wall, Part 1'), pop ('Another Brick in the Wall, Part 2'), folk ('Mother'), ópera propriamente dita ('The Trial') e, claro, o tom melódico de 'Comfortably Numb', onde os solos de guitarra de David Gilmour tomam a dianteira e elevam todo “The Wall” ao status de culto.


Para além do som, a imagem – não só a que era criada em cada ouvinte com recurso aos poemas de Waters, mas também a que, em 1982, chegou aos cinemas pela mão de Alan Parker e Gerald Scarfe, com Bob Geldof no papel principal. “The Wall”, o filme, foi três anos após o disco um enorme sucesso a nível da crítica, tendo sem dúvida contribuído para ainda hoje falarmos da música com tanto respeito e carinho. A fusão perfeita entre todos os aspectos de criação. Uma obra de arte total.


À altura, nem foi visto dessa forma: muitos críticos insurgiram-se contra o maximalismo e o pretensiosismo da obra (convenhamos que, no final dos anos 70, o punk olhava dessa forma para tudo o que não fosse feito a partir de três acordes), que só começou a ganhar um estatuto canônico nas décadas seguintes ao seu lançamento. Mas o que a crítica não via, via-o o público, que o levou ao número um no ranking de vendas durante várias semanas. Ao álbum, e à canção que com o passar do tempo alcançou um status ainda maior que o do álbum: 'Another Brick in the Wall, Part 2', que fora do seu contexto passou a ser cantada por milhões de gargantas ao redor do planeta como canção de protesto. We don't need no thoughts control... 


Para além de todo o existencialismo presente na obra, e talvez sua maior virtude, está o fato de também transmitir uma mensagem de esperança aliada a um conselho precioso: quanto mais nos isolamos do mundo, quantos mais muros construímos, mais abrimos espaço ao ódio quando deveríamos preenchê-lo com o amor. O disco termina e começa com uma frase cortada a meio – Não foi por aqui que viemos? – atestando à natureza cíclica dos muros, um loop imenso de depressão e apatia. Mas essas podem ser vencidas, e os muros podem ser derrubados, e as lutas podem ser constantes e eternas para nos lembrar de que estamos vivos. A grande lição de um disco como “The Wall”, relembrando sempre que um muro físico nos tolda o senso comum (seja em Berlim, seja em Israel, seja nos Estados Unidos), é a de que a fragilidade e o medo existem para serem vencidos. 40 anos depois, não olvidemos essa mensagem.




14 motivos para amar o disco do Pink Floyd


O álbum conta com um conceito complexo e profundo baseado no personagem fictício Pink. E apesar da recepção inicial mista, o disco ganhou 23 x platina desde 30 de novembro de 1979, e gerou o único hit pop número 1 da história do Pink Floyd, "Another Brick in the Wall, Pt. 2".

Uma obra de arte do rock. Assim, listamos 14 motivos para amar The Wall do Pink Floyd:

Abertura


1. A abertura oferece o primeiro leitmotiv do disco acompanhado das guitarras trovejantes de David Gilmour e o teclado de Fred Mandel. Esta é realmente uma ópera rock, uma peça singular criada por Roger Waters com precisão, profunda prudência e tato.

2. Waters começa o disco com a seguinte questão: "Então, você pensou que gostaria de ir ao show." Mas, nos adverte que a história a seguir não é uma opção alegre para esquecer problemas e ouvir rock and roll.


3. Os estrondosos motores de avião no final de "In the Flesh?" e o choro do bebê em "The Thin Ice" são uma viagem de abertura ao início da narrativa em The Wall, imergindo-nos totalmente não apenas na música, mas em todo conceito histórico do disco focado no personagem fictício Pink baseado em Waters.

4. A interação entre a voz suave de David Gilmour com a voz maníaca e às vezes dominadora de Waters é um tema ao longo do disco. "The Thin Ice" é uma letra emotiva sobre a relação de Pink com os pais.

Another Brick in the Wall, Pt. 1



5. As duas primeiras faixas soam como um prólogo para a história que virá em "Another Brick in the Wall, Pt. 1" quando o pai de Pink morre na guerra. De agora em diante, não há como voltar atrás, é preciso ouvir o disco até o final, pois Pink, tomado pela dor, começa a se isolar da sociedade.


6. As guitarras pesadas com atraso de Gilmour são incríveis na "Parte 1", tocando com blues, funk e elementos de rock and roll nas linhas de sintetizador.

The Happiest Days of Our Lives

7. A linha de baixo de abertura é tão punitiva quanto os professores tirânicos da escola que causam mais sofrimento a Pink e fomentam a separação social.


Another Brick in the Wall, Pt. 2

8. Pink Floyd pegou uma batida de disco e transformou-a em um hino de angústia adolescente. É o único hit número 1 da banda, em grande parte devido à química rigorosa deles, com Nick Mason dando a batida, Waters a linha de baixo e Gilmour arranca acordes de funk como Nile Rodgers antes de sair para um inesquecível solo de blues.



Mother


9. Lembrando-nos dos hits acústicos do Pink Floyd, como "Wish You Were Here", "Mother" novamente explora os relacionamentos arrogantes e sufocantes de Pink, que o forçam a se afastar da realidade e se aprofundar mais em si mesmo.



10. A assinatura do tempo da música é engenhosamente complexa, espelhando a instabilidade de Pink neste momento da vida e o relacionamento não sincronizado com a mãe.

Goodbye Blue Sky




11. Gilmour se lembra do blitz e das "bombas caindo" sobre arpejos sombrios da guitarra. A música se torna mais pesada pela natureza semi-autobiográfica, pois o pai de Waters foi morto na Segunda Guerra Mundial.


Empty Spaces/Young Lust

12. A maneira como o diálogo interno espacial de "Empty Spaces" transforma-se em "Young Lust", um clássico dos anos 70, é dramático e perfeito. OPink Floyd emprega um som de rock mais comercial aqui para comentar a sexualização casual no rock and roll e impulsionar a narrativa do álbum para a frente, enquanto Pink usa o sexo para lidar com a ansiedade e depressão.




One of My Turns/Don’t Leave Me Now

13. As performances do sintetizador nessas duas faixas são tão tensas quanto Pink convida uma groupie a voltar para o quarto antes da música explodir em um frenesi maníaco e suicida.



Another Brick in the Wall, Pt. 3/Goodbye Cruel World

14. A maneira como as três partes de "Another Brick in the Wall" vão aumentando a intensidade é um dos desenvolvimentos geniais do disco. Contendo muitas das mesmas facetas melódicas e instrumentais das antecessores, a "Parte 3" viu Pink percorrer um buraco negro em espiral, entrando em loucura, ódio e descontentamento, levando-o a silenciar todas as vozes externas e mergulhar 'atrás da parede' em "Goodbye Cruel World".

Gerald Scarfe






28/11/2019

Versão renovada do clássico 'A Momentary Lapse of Reason' 32 anos depois (The Late Years)




Sorrow (Live, Delicate Sound Of Thunder) [2019 Remix]


O remix é um dos destaques do box The Late Years, uma coleção de álbuns, filmes e raridades que será lançada em 13 de dezembro


O Pink Floyd divulgou o remix de 2019 para a "Sorrow", do álbum A Momentary Lapse of Reason, de 1987. A versão estará no próximo box da banda, The Later Years.

A versão "atualizada e remixada" da faixa de A Momentary Lapse of Reason está entre os destaques do set de 5 CDs/6Blu-rays/5DVDs, com o guitarrista David Gilmour e o engenheiro Andy Jackson apresentando o álbum em qualidade de áudio 5.1 pela primeira vez.

Gilmour e Jackson também fizeram um trabalho de restauração de contribuições adicionais do tecladista Richard Wright, morto em 15 de setembro de 2008, assim como das novas faixas de bateria, cortesia de Nick Mason, a fim de "restabelecer o equilíbrio criativo entre os três membros do Pink Floyd."


Enquanto a guitarra teatral de Gilmour ainda ocupa o centro do palco nos nove minutos de “Sorrow”, a atmosfera cintilante de Wright é uma adição bem-vinda ao remix de 2019, com Mason - que não apareceu na faixa de Momentary - adicionando alguns toques leves à versão original de 1987.


Em entrevista ao jornal O Globo, Andy Jackson explicou: "Eles ficaram muito focados em 'A Momentary Lapse of Reason'. Tudo ficara diferente sem Waters, ele era uma força criativa muito grande e tínhamos que pensar em algo diferente. E foi por isso que o álbum saiu daquele jeito. Havia uma ideia de que deveríamos fazer um disco com sonoridade moderna. E ele tinha mesmo uma sonoridade moderna naquela época, só que hoje ele soa velho. Por isso que decidimos mexer ali, ele não se encaixava com todo o resto, ele parecia um disco feito nos anos 1980."


Ele explica ainda que o trabalho começou há mais de uma década, com Nick Mason refazendo as partes de bateria. Mas a doença e posterior morte de Richard Wright adiou o projeto por alguns anos até que, ao retomar o andamento dos trabalhos, a banda decidiu usar teclados de Wright extraídos de gravações ao vivo. "Não refizemos tantas coisas assim, foram só alguns pequenos pedaços, mas que fizeram uma grande diferença para o clima do disco", garante Andy.


The Later Years, centrado na produção pós-Roger Waters do Pink Floyd, é uma coleção de 16 discos que possui o LP do estúdio da banda liderada por Gilmour e álbuns ao vivo, filmes de concerto, raridades não lançadas, performances ao vivo e 13 horas de material inédito, incluindo uma versão inicial de "High Hopes", do disco The Division Bell.

O box, inicialmente com data de estreia prevista para 29 de novembro, agora será lançado em 13 de dezembro. A versão de dois LPs, destaques da coleção, estará disponível em 29 de novembro.





Pink Floyd - Sorrow (2019 Remix)



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David Gilmour


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