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20/05/2023

Guy Pratt, no Pink Floyd a partir de 1985, no podcast No Treble (Confira a integra da entrevista)

 



O músico Guy Pratt, lendário e habilidoso baixista, que cativou, e ainda continua cativando o público, agora em turnê com Nick Mason, além de inspirar tantos outros baixistas por décadas, concedeu entrevista ao podcast No Treble (acima)

Como membro central do Pink Floyd desde o final dos anos 80, Guy contribuiu significativamente para o som icônico da banda, mostrando suas habilidades excepcionais e versatilidade como baixista eclético.



Nascido em Londres em 1962, a paixão de Guy pela música o levou a dominar a arte de tocar baixo, tornando-se um dos músicos de sessão e de turnê mais requisitados da indústria musical

Seu talento notável e dedicação inabalável ao seu ofício contribuíram para sua impressionante, duradoura e impactante carreira no mundo do contrabaixo. 

Ao longo dos anos, Guy tocou e gravou com alguns dos maiores nomes da música, incluindo Pink Floyd (Delicate Sound of Thunder, Pulse, The Division Bell), David Gilmour, Madonna (“Like A Prayer”), Michael Jackson e com o Roxy Music (trabalho solo de Bryan Ferry também).  

Com uma extensa discografia, a influência de Guy Pratt pode ser ouvida em vários gêneros e épocas da música. Guy provou ser um compositor talentoso, co-escrevendo faixas para artistas como Robert Palmer, Bryan Ferry e David Gilmour. 

Ele também explorou o mundo da atuação e da comédia stand-up, demonstrando suas habilidades multifacetadas além do reino da música. 

Como um contador de histórias natural e músico apaixonado, Guy "co-apresenta" o popular podcast, ao lado do colega, também músico Gary Kemp (Spandau Ballet). Ele também é o autor de seu próprio livro de memórias, My Bass And Other Animals (publicado em 2009).




08/04/2023

Mel Collins falou da turnê KAOS com Roger (Best of Roger Waters live at Colisee de Quebec - 1987 FLAC) entrevista Rolling Stone





Roger Waters Wembley FM Capital Radio Broadcast - Wembley Arena, London  November 21th 1987

1-Who Needs Information
2-Me or Him
3-Powers That Be
4-Sunset Strip

Radio K.A.O.S. Tour 1987 :
Roger Waters accoustic guitar, bass guitar, vocals
Andy Fairweather-Low bass guitar
Jay Stapley guitar
Paul Carrack keyboards, vocals
Mel Collins saxophone
Graham Broad drums
Katie Kissoon backing vocals
Doreen Chanter backing vocals
Jim Ladd radio DJ
* Claire Tory guest vocals on Great Gig In The Sky



Homenageado, Mel Collins em entrevista com a Rolling Stone:

Em outubro, dia 26, em 2021, uma longa entrevista do saxofonista Mel Collins intitulada "Mel Collins em seus anos com King Crimson, Rolling Stones e Roger Waters" foi publicada no site da Rolling Stone, que homenageou suas inúmeras estações musicais e carreira. 

De particular interesse para nós foram suas declarações e memórias de Roger Waters, com quem ele tratou na década de 1980. Collins fez uma turnê com Waters em 1984, 1985 e 1987. Ele participa do álbum Radio Kaos e da trilha sonora When The Wind Blows. (Werner, Pulse & Spirit)

Rolling Stone

Conte-me sobre ser contratado para a turnê Prós e Contras de Hitch Hiking com Roger Waters.

MEL COLLINS: Eu conhecia a esposa de Roger naquela época, Carolyn [Anne Christie]. Ela veio para a estrada como gerente de turnê do King Crimson anos antes, quando eu estava na banda. Eu a conhecia muito bem. Acho que ela disse a Roger: “Eu conheço esse cara, Mel Collins. Poderíamos usá-lo na banda.

Então fui questionado por Roger. É irônico desde quando eu estava no Kokomo, o gerente, Steve O'Rourke, foi informado em termos inequívocos que ou ele gerenciava o Pink Floyd ou gerenciava o Kokomo. E assim ficamos sem gerente. Tenho a sensação de que Roger teve algo a ver com isso. É irônico que acabei trabalhando para ele. Não sei se ele percebe isso. Nós nunca conversamos sobre isso.

Eu briguei com o Roger. Ele é outro que pode ser difícil. Curiosamente, na última turnê que fizemos na América com o King Crimson, estávamos no Sunset Marquis em Los Angeles e Roger estava lá. Ele fez o show na arena no dia anterior. Fomos ver o Roger e depois voltamos para o hotel, e o Roger estava lá no bar. Ele me convidou.

Lá estava eu ​​na mesa principal com Roger Waters. Ele basicamente me disse o quanto me ama, e nos tornamos melhores amigos depois daqueles momentos difíceis em que eu estava em turnê com ele. Eu bebia muito naquela época, então tenho certeza que foi minha culpa.

Não sabia que a então esposa de Waters, Carolyn, trabalhava como gerente de turnê do King Crimson. Carolyn então colocou os dois em contato. Interessante isso vem de Steve O'Rourke, que gerenciou a banda Kokomo, por um curto período de tempo (Eles lançaram três álbuns, e o segundo Rise & Shine foi descrito como "o melhor álbum de funk britânico da década de 1970). A colaboração entre Collins e Waters terminou em apuros.

Eu sei que Roger é muito particular sobre como ele quer que tudo soe no palco. Ele quer que todos os shows sejam idênticos.

MEL COLLINS: Sim. Acho que David Sanborn estava no disco, assim como Eric Clapton. Naquela época, Eric não estava realmente fazendo muito. Roger pediu que ele viesse conosco na turnê Estávamos fazendo um set que era em torno do álbum The Pros and Cons of Hitch Hiking, que era basicamente uma música longa. Isso caiu bem. Mas na segunda parte do set tocávamos os números do Pink Floyd. Isso geralmente funcionava. Essa é a natureza da besta, como dizem.

Era uma boa banda. Foi uma ótima escalação. Acho que Eric teve um problema com Roger e não gostou muito. Foi, como você disse, praticamente cobrindo as partes do disco. Tive que copiar David Sanborn na maior parte da apresentação. Ele é um músico fantástico. Eu não estou reclamando.

As músicas mais populares do Floyd foram tocadas no primeiro set e não no segundo, como lembra Collins. Legal de Waters por saber lidar com isso naquela época.

Eu falei com algumas pessoas de sua banda que disseram que chamavam Roger de “General Waters” já que ele era como um general do exército.

MEL COLLINS: Em sua defesa, devo dizer que ele estava fazendo sua primeira turnê solo. Seguimos em frente e formamos outra formação para outra turnê. Durante aquela turnê, o Floyd estava na estrada ao mesmo tempo. Eles estavam cerca de três semanas atrás de nós. Para Roger, foi muita pressão ter isso nas costas.

Ele estava tentando desesperadamente … Você sabe aquela coisa sobre fora do Pink Floyd ser anônimo? As pessoas realmente não os conheciam. E então quando estávamos na América as pessoas dizem: “Quem é Roger Waters?” As pessoas não o conheciam tão bem além dos fãs, então ele teve que construir isso até onde está agora. Claro, todo mundo sabe quem ele é agora.

"General Waters" diz algo sobre o estilo de liderança de Waters.

Não consigo imaginar a frustração quando o Pink Floyd está tocando em um estádio de futebol lotado e eles estão tocando principalmente suas músicas. Enquanto isso, ele está em uma arena meio vazia.

MEL COLLINS: Foi muito difícil. Eles tiveram que reagendar alguns dos shows, pois não estavam vendendo ingressos suficientes. Naqueles dias, era difícil. Havia tanta pressão sobre ele. Não foi fácil.

Deve ter sido uma experiência incrível para Waters em 1987. Ele teve que reconhecer que, além dos fãs, ninguém realmente sabia quem ele era, que não importava que ele estivesse em arenas menores enquanto seus ex-colegas do Pink Floyd tocavam duas ou três vezes seguidas em um mesmo estádio, lotando todos os dias, em cidade.

Conte-me sobre a criação de Radio KAOS

MEL COLLINS: Eu estava praticamente na banda na época. Estávamos tentando coisas diferentes. Eu estaria no estúdio com ele e ele tocaria a faixa. Mais uma vez, eu ouvia e via qual instrumento funcionaria melhor, o contralto ou o tenor ou às vezes o barítono. Fizemos assim, tentativa e erro.

Eventualmente nós levávamos isso para a turnê. Foi quando eu meio que briguei um pouco com Roger. Ele disse recentemente que adoraria contar comigo de novo, então talvez eu volte algum dia.







Live radio broadcast. Best of Roger Waters live at Colisee de Quebec, Quebec City, QC, Canada, November 7, 1987



ROGER WATERS
November 21, 1987
"Soundboard KAOS"
Label: Ayanami 058
Source: SILVER>FLAC
Quality: EX+

Roger Waters (vocals, bass, guitar)
Graham Broad (drums, percussion)
Paul Carrack (keyboards, vocals)
Mel Collins (saxophones)
Andy Fairweather Low (guitars, bass)
Jay Stapley (guitar)
Katie Kissoon (backing vocals)
Doreen Chanter (backing vocals)

01. Radio Waves (5:12)
02. Welcome To The Machine (8:36)
03. Who Needs Information? (6:5
04. Me Or Him? (5:1
05. The Powers That Be (4:04)
06. Sunset Strip (4:27)
07. If (3:47)
08. Every Stranger's Eyes (5:01)
09. Nobody Home (4:26)
10. Home (6:40) 11. Four Minutes (5:16)
12. The Tide Is Turning (6:41)





04/07/2020

Roger Waters em entrevista ao Jornal da Globo (26/06/2020) Vídeo




Entre 2017 e 2018, quase 2,5 milhões de pessoas mundo afora assistiram o ex-membro do Pink Floyd na turnê "Us + Them" e os shows no Brasil causaram várias polêmicas.

Roger Waters isolado em uma casa em Nova York é Picasso sem tinta, Ferrari sem gasolina, mas em uma situação um pouco melhor. Hoje, pelo menos, a tecnologia permite gravar músicas à distância.

"Mother", originalmente no disco "The Wall" do Pink Floyd ganhou versão nova em maio.

Assim, o astro inglês mantém os músicos da banda em atividade e com pagamento em dia enquanto a Covid-19 não dá uma trégua.

'This Is Not A Drill' deveria ter começado no dia 8 de julho e foi adiada por causa da pandemia, mas deve passar pelo Brasil.

"Eu trabalho nesse show todo dia aqui no meu isolamento. Ele é desenhado para ginásios cobertos, com cenografia ao redor do público. Vai ser incrível", conta Waters.

Em outubro de 2018, ele veio ao Brasil para fazer oito shows. As apresentações do conhecido ativista social em meio às eleições presidenciais repercutiram. Roger Waters fez do palco plataforma de campanha contra o então candidato Jair Bolsonaro.

Naqueles shows, Roger Waters também cantou com crianças de projetos sociais e deu voz à viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, com quem se corresponde até hoje.

Tantas histórias transformaram a turnê "Us + Them" em um filme com trilha sonora de muitas gerações e fotografia de uma Inglaterra dos anos 70 afogada em toneladas de dióxido de carbono.

A Battersa Station era uma usina termoelétrica de carvão, mas hoje está virando um complexo gastronômico e residencial em Londres. Ela está na capa do álbum 'Animals' do Pink Floyd, no qual Roger Waters compara a crueldade dos homens aos instintos dos bichos. As letras fazem ainda mais sentido quase quatro décadas após terem sido escritas.

Em "Pigs", ele diz: "Homem grande, homem porco, você é uma charada. Com a cabeça enfiada no prato de comida e dizendo ao outro: 'continue cavando'".

No show, enquanto o Roger canta isso, charges do presidente americano aparecem no telão.

Ao ser perguntado se esse é um personagem da sociedade que sempre esteve na cabeça do Roger enquanto ele escrevia as músicas, ele diz: "Bem, estava na cabeça do George Orwell quando ele escreveu 'A Revolução dos Bichos'. É um tipo genérico e o Trump é apenas um exemplo extremo disso."

Uma das guerras mais famosas do rock mundial tem o Roger Waters de um lado da trincheira. Em 1985, ele deixou o Pink Floyd e rompeu relações com aqueles amigos de infância. Nesses anos todos, a formação mais conhecida da banda tocou apenas uma vez, em 2005, em um festival beneficente em Londres.

David Gilmour e Nick Mason ainda estão vivos e ativos, mas reunir os três no futuro não é uma possibilidade.

"Você não pode jogar esses dois no mesmo saco, pelo menos para mim, porque Nick é meu amigo. Existe essa coisa também de que eu fui brigar na Justiça contra eles, mas eu nunca cheguei perto de um tribunal. Só fui me aconselhar legalmente para saber se eu poderia aposentar o nome da banda e me disseram categoricamente que não e aí eu disse que não quero o nome, não sou o Pink Floyd."

O nome da banda vem de dois artistas do blues americano: Pink Anderson e Floyd Council. Ele é a prova da paixão que aqueles jovens ingleses, brancos, tinham pela música afro-americana nos anos 1960. O amor existe até hoje e reforça a luta da vida do Roger Waters por igualdade.

"De alguma forma, o 'Black Lives Matter' reabriu essa discussão, porque o racismo é endêmico, é muito destrutivo e nojento, como também é no Brasil. Sabe, antes de começar a viajar para o Brasil com frequência, eu sempre tive aquela fantasia de que o Brasil era tipo a Meca da igualdade racial. Quando eu cheguei ao Brasil, percebi como o país era racista. Mal podia acreditar e fiquei profundamente deprimido e decepcionado."

Apesar dos gritos, dos gestos agressivos, das lutas intermináveis no palco e na vida, o que move Roger Waters é um ideal simples. Bucólico como a letra de uma de suas últimas músicas "Crystal Clear Brooks".

"A nossa missão é um riacho de águas cristalinas, sabe? Quando a hora chegar, no último dia, nós teremos nos saído bem se formos capazes de dizer, enquanto o sol se põe em seu caminho final, que nós nunca desistimos. Fizemos o possível para que os nossos filhos pudessem nadar em riachos de águas cristalinas." Confira a reportagem no vídeo acima.



Fonte: Globo

18/04/2020

Por que o Pink Floyd não quer uma reedição de ‘Animals’? (Rolling Stone)


O disco da banda foi lançado em 1977


Rolling Stone Brasil 
17/04/2020 

Em entrevista para a Rolling Stone EUA, Roger Waters relevou o motivo do Pink Floyd não querer uma reedição do disco Animals (1977).

Primeiro, o músico revelou que tentou marcar um encontro com os ex-colegas,  David Gilmour e Nick Mason. No entanto, o plano não se concretizou: "Escrevi uma espécie de plano... Mas meu plano não deu frutos".

O artista ainda revelou que uma reunião da banda não daria muito certo: "Não, [uma reunião] não seria legal. Seria horrível. Obviamente, se você é fã daqueles dias do Pink Floyd, então você tem um ponto de vista diferente. Tive que viver com isso. Essa foi a minha vida. E sei que depois disso, fui escalado como um vilão por quem quer que seja. Que assim seja. Posso viver com isso. Mas trocaria minha liberdade por essas correntes? De nenhuma maneira".

Enquanto David Gilmour não nega reunião com Pink Floyd,  também não menciona Roger Waters, como visto na reportagem desta revista em 18/06/2019, quando causou impacto com seu comentário ‘Nunca diga nunca’, ao ser questionado sobre um possível reencontro com os companheiros de banda durante o último episódio de The David Gilmour Podcast,

Sobre Animals, Waters revelou que foi exatamente sobre o álbum que a banda conversou. “[A conversa] foi que podemos lançar o vinil remasterizado de "Animals" sem que ele se transforme na terceira guerra mundial?".

O artista completou: "Na verdade, sugeri que fosse democrático. Disse: 'Por que simplesmente não temos uma votação? Somos apenas três. E então podemos decidir tudo isso'. E pelo menos podemos simplesmente seguir em frente. Mas eles não aceitaram isso. Eles não queriam".

Animals foi um sucesso de crítica e ficou em 3º lugar na Billboard, além de garantir uma certificação quádrupla de disco de platina. Roger Waters saiu do Pink Floyd em 1985.



Roger Waters diz em entrevista que uma reunião do Pink Floyd “seria horrível”




E nem mesmo o clima de solidariedade da quarentena fez Roger Waters repensar a situação complicada com os ex-colegas de Pink Floyd.

Em entrevista à Rolling Stone (via PROG), o músico foi perguntado se não parecia uma boa ideia deixar as diferenças de lado e reencontrar os amigos em meio à crise. A resposta mostrou que essa possibilidade ainda está bem distante:

Não, não seria legal. Seria uma porcaria. Obviamente se você é um fã daqueles dias do Pink Floyd, bom então você terá um ponto de vista diferente. Mas eu tive que viver isso. Essa era a minha vida. Eu sei que no final das contas eu fui colocado como meio que um vilão por sei lá quem… que seja! Eu posso viver com isso. Mas se eu trocaria a minha liberdade por essas correntes? Droga nenhuma.

Calma, Roger! Era só uma sugestão…

“Acordo de paz” de Roger Waters
O discurso de Waters, na verdade, não surpreende: o próprio David Gilmour já falou recentemente que a saída do vocalista e baixista da banda foi “libertadora”. No mesmo papo recente, Roger ainda explicou que tentou oferecer um “acordo de paz” aos colegas, mas não foi bem recebido:

Não tinha a nada ver com isso [reunião]. Era só tipo, ‘Será que podemos lançar uma versão remasterizada em vinil do ‘Animals’ sem que isso se torne a Terceira Guerra Mundial? Não seria legal?’. Eu na verdade sugeri que fôssemos democráticos. Eu disse, ‘Por que não fazemos uma votação? Só há três de nós e aí podemos decidir todas essas coisas tipo isso e pelo menos a gente pode seguir em frente.’ Mas eles não aceitaram isso. Sabe-se lá por quê.

Numa entrevista em dezembro de 2018, também à Rolling Stone, Mason disse que um box-set do álbum "Animals" provavelmente acontecerá em algum momento no futuro.

Enquanto isso, os caras estão pelo menos deixando as diferenças minimamente de lado para fazer transmissões ao vivo às sextas durante a quarentena. Saiba mais detalhes por aqui.


07/04/2020

Nick Mason recorda Syd Barrett e diz que canções antigas do Pink Floyd são novas para público americano




Há dois anos, Nick Mason, o ex-baterista do Pink Floyd, reuniu amigos músicos e criou a Saucerful of Secrets. A ideia era gravar um material que remetesse aos primeiros anos do Pink Floyd, aproveitando uma demanda de novos fãs. "O público americano começou com o 'Dark Side Of The Moon'. Éramos muito menos conhecidos nos primeiros dias", afirma Nick em entrevista ao "Herald Scotland".

Nick, um dos membros fundadores do Pink Floyd, que também incluía o falecido Syd Barrett (1946-2006) e Richard Wright (1943-2008), diz que cansou de esperar por uma nova reunião. Já que Roger Waters e David Gilmour não se manifestaram, o baterista tratou de procurar um outro caminho: formar uma nova banda. "Sim, acho que é cada vez menos uma nova reunião provável, o que leva à desistência e a dizer: 'vamos fazer algo por conta própria'. Eu até poderia esperar até os 100 anos, tudo é possível", diz o músico.


Criada em 2018 por Nick, o guitarrista e vocalista Gary Kemp, do Spandau Ballet; o baixista Guy Pratt, músico de apoio do Floyd nas turnês "A Momentary Lapse Of Reason" e "Division Bell"; o guitarrista Lee Harris, ex-Blockheads; e o tecladista Dom Beken, do The Orb, a Saucerful of Secrets captura a energia psicodélica do período que antecede o "Dark Side Of The Moon". O nome da banda é o mesmo do segundo disco do Floyd, lançado em 1968.

A banda fez uma série de shows em maio de 2019 e registrou, ao vivo, a apresentação no Roundhouse, em Londres. Por conta da pandemia, o lançamento do CD, vinil e DVD foi adiado para setembro e a turnê, para outubro.

O "Live At The Roundhouse" registra Nick, que continua sendo o único músico a ter tocado em todos os álbuns do Pink Floyd, voltando ao cenário de uma apresentação precoce da banda. "A Roundhouse é um edifício muito estranho. Originalmente era um pátio ferroviário de manobras e depois virou um depósito de gim. Quando o Pink Floyd tocou lá pela primeira vez em 1966, o chão era de terra e eles tinham acabado de tirar o estoque de bebidas. Foi uma noite bastante selvagem", lembra Nick.

O álbum tem 22 músicas, incluindo músicas compostas por Syd, como "Astronomy Dominé", "Lucifer Sam", "Arnold Layne" e "See Emily Play", e também "Fearless" e "Set the Controls for the Heart of the Sun", os dois primeiros singles. Faixas que agora estão sendo "apresentadas" a um novo público. Isso porque o baterista diz que os americanos não conhecem bem o material antigo do Floyd. "Eles começaram com o 'Dark Side Of The Moon', éramos muito menos conhecidos do que no Reino Unido e na Europa", afirma.


Sobre Syd (1946-2006), que saiu da banda em 1968 por problemas com as drogas, Nick fala que ele era capaz de transitar facilmente entre dois ou três gêneros musicais com o mesmo talento. "Ele conseguia escrever algo folk bastante engenhoso como 'The Scarecrow', e também apresentar algo como 'Astronomy Dominé' (talvez a mais psicodélica da banda)", compara.

Syd é uma das figuras mais enigmáticas do rock. Ele lançou "Barrett", seu segundo álbum solo, em 1970 e daria sua última entrevista no ano seguinte. "Estou desaparecendo", disse à "Rolling Stone". "É um pouco como o James Dean. Acho que o mistério de Syd é que ainda não sabemos e provavelmente nunca saberemos o que deu errado para ele", diz Nick.

O baterista lembra das diferentes teorias para os surtos de Syd — esquizofrenia, por exemplo, que nunca foi confirmado pela família. "Existem algumas teorias diferentes sobre uma overdose de LSD ou algum elemento na saúde mental dele mesmo, que já estava mostrando alguns sinais de colapso. Também deve ser lembrado que ele realmente não queria estar em uma banda e, sim, pintar. Acho que éramos muito antipáticos em relação a isso, porque não podíamos imaginar alguém que não quisesse fazer parte de uma banda de rock”, lembra.

Um quadro que foi se agravando com o consumo cada vez maior de drogas, chegando ao ponto de não reconhecer mais os amigos e não saber onde estava. “Ele ficou extremamente retraído e deixou de ser uma pessoa alegre. Ele não queria mais tocar. Sua música tinha se tornado totalmente desestruturada, ele desafinava a guitarra durante as músicas", conta.

Antes de se apresentar com a Saucerful of Secrets, o show anterior de Nick tinha sido a performance "Live 8" do Floyd em 2005. “Esse foi um momento muito emocionante, o que foi ótimo, fomos capazes de nos unir e superar diferenças para o bem comum e não por dinheiro”, define, lembrando o reencontro da banda no Hyde Park, em Londres, com a formação clássica pela primeira vez desde 1981.



Fontes: Reverb, Herald Scotland

13/02/2020

Roger Waters: “A América não é o paraíso dos malucos, é o inferno dos tolos" (BLITZ)




Matéria Revista BLITZ


“Os botões da propaganda estão a ser premidos por gente realmente doente da cabeça”

Roger Waters esteve recentemente em Nova Iorque, para uma sessão de perguntas e respostas após a exibição do filme-concerto "Us + Them".

Durante essa mesma sessão, e citado pela revista Rolling Stone, Waters afirmou que gostaria de ver "os americanos mais chateados com o governo".

"Se assim fosse o Donald Trump não seria presidente, não haveria toda esta treta com as eleições primárias do Partido Democrata, em que estão a tentar destruir o único candidato que pode ganhar ao Trump, o Bernie Sanders", continuou.

"A América não é o paraíso dos malucos, é o inferno dos tolos. Ver o filme lembrou-me que a grande luta é aquela entre a propaganda e o amor. E a propaganda está a ganhar. E os botões da propaganda estão a ser premidos por gente realmente doente da cabeça".

Afirmando que Trump "é um homem que falhou em tudo na vida, exceto em tornar-se no maior ditador e assassino em série de tudo o que amamos ou gostamos no mundo, só porque tem esse poder", o músico não se mostrou esperançoso: "Ele tem o dedo no botão. E o botão funciona, por todo o mundo, assassinando pessoas de cor por dinheiro".


01/12/2019

Em entrevista, o engenheiro Andy Jackson fala sobre o lançamento de 'The Later Years'


"Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd"




Conversamos com Andy Jackson sobre a importância infindável dos britânicos para o mundo da música, e sobre o lançamento de The Later Years, box lançada para exaltar o trabalho da banda a partir de 1987

Na última sexta, 29, a Sony Music lançou uma coleção excepcional e essencial para os fãs de Pink Floyd. A box The Later Years, que conta com um total de 16 discos repletos de clássicos e material inédito, chega ao Brasil apenas parcialmente, no formato digital. O lançamento tem como objetivo contemplar e exaltar a maestria dos trabalhos lançados pela banda a partir dos anos 1987.

E para enaltecer ainda mais a genialidade dessas composições, conversamos com Andy Jackson - produtor e engenheiro de som que  contribuiu de perto para a criação da identidade sonora dessa época do grupo - sobre a importância infindável do Pink Floyd para o mundo da música, a contínua influência que os britânicos têm até hoje e sobre originalidade musical.

Para o lançamento atual, Jackson, que trabalhou originalmente em 'A Momentary Lapse Of Reason' lá em 1987, revisitou com David Gilmour o trabalho feito há mais de 30 anos, com o intuito de atualizar a sonoridade das composições. 

"Quando fizemos o disco, optamos por trabalhar de uma forma que soasse bem moderna. Mas o que acontece com o moderno, depois de um tempo, é que se torna datado. Você escuta ele dez anos depois, e realmente soa como algo feito nos anos 1980", relembrou.

"Olhamos para isso hoje em dia, e percebemos que não foi a melhor das escolhas. [Com o relançamento] tivemos a chance de alterar isso, e fazer de um jeito mais parecido com os outros álbuns, mais atemporais", já que com exceção desse disco em específico, os outros projetos soam como se pudessem ter sido lançados em qualquer ponto da carreira do Pink Floyd.

O produtor também falou sobre a experiência de mergulhar novamente nesse universo das composições de 'A Momentary Lapse Of Reason' que ajudou a dar forma, e como voltar o olhar para essa criação tanto tempo depois o fez admirar ainda mais essas canções: "Como por exemplo 'One Slip'. Mixar essa faixa de novo me fez perceber o quão boa é, e acho que [essa qualidade] tinha se perdido um pouco de baixo do que fizemos com ela nos anos 1980".

Outro disco presente no relançamento é 'The Division Bell', lançado originalmente em 1994 e, assim como o projeto discutido anteriormente, já não contava mais com a participação de Roger Waters no grupo. Sobre esse clássico que está próximo de comemorar três décadas de aniversário, Jackson lembrou da mudança, ou melhor, da retomada da dinâmica que o Pink Floyd usava para compor. 

"A banda decidiu voltar a trabalhar de um jeito que não trabalhava há tempos", contou. Ao invés de músicas compostas separada e parcialmente, "no Division Bell eles sentaram em uma sala e tocaram juntos. Boa parte do álbum surgiu assim, com jams. [...] Foi assim que eles fizeram, por exemplo, 'Dark Side of the Moon' e 'Wish You Were Here'".

E é claro que não dá para falar de Pink Floyd sem falar em experimentação e revolução musical. O legado dos britânicos está permanentemente impresso na história da indústria fonográfica, e com essa inovação da qual a banda foi protagonista em mente, Jackson olhou para o cenário atual para refletir: 

"A última coisa realmente nova que aconteceu à música foi o surgimento do hip-hop. Nada de verdadeiramente novo surgiu desde então. Quando o Pink Floyd surgiu, eles criaram algo novo. Fizeram algo que ninguém tinha escutado ainda, e não acho que dê pra fazer isso de novo. Não dá pra fazer algo que ninguém tenha ouvido. Tudo já foi feito. [...] Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd." 

28/11/2019

Versão renovada do clássico 'A Momentary Lapse of Reason' 32 anos depois (The Late Years)




Sorrow (Live, Delicate Sound Of Thunder) [2019 Remix]


O remix é um dos destaques do box The Late Years, uma coleção de álbuns, filmes e raridades que será lançada em 13 de dezembro


O Pink Floyd divulgou o remix de 2019 para a "Sorrow", do álbum A Momentary Lapse of Reason, de 1987. A versão estará no próximo box da banda, The Later Years.

A versão "atualizada e remixada" da faixa de A Momentary Lapse of Reason está entre os destaques do set de 5 CDs/6Blu-rays/5DVDs, com o guitarrista David Gilmour e o engenheiro Andy Jackson apresentando o álbum em qualidade de áudio 5.1 pela primeira vez.

Gilmour e Jackson também fizeram um trabalho de restauração de contribuições adicionais do tecladista Richard Wright, morto em 15 de setembro de 2008, assim como das novas faixas de bateria, cortesia de Nick Mason, a fim de "restabelecer o equilíbrio criativo entre os três membros do Pink Floyd."


Enquanto a guitarra teatral de Gilmour ainda ocupa o centro do palco nos nove minutos de “Sorrow”, a atmosfera cintilante de Wright é uma adição bem-vinda ao remix de 2019, com Mason - que não apareceu na faixa de Momentary - adicionando alguns toques leves à versão original de 1987.


Em entrevista ao jornal O Globo, Andy Jackson explicou: "Eles ficaram muito focados em 'A Momentary Lapse of Reason'. Tudo ficara diferente sem Waters, ele era uma força criativa muito grande e tínhamos que pensar em algo diferente. E foi por isso que o álbum saiu daquele jeito. Havia uma ideia de que deveríamos fazer um disco com sonoridade moderna. E ele tinha mesmo uma sonoridade moderna naquela época, só que hoje ele soa velho. Por isso que decidimos mexer ali, ele não se encaixava com todo o resto, ele parecia um disco feito nos anos 1980."


Ele explica ainda que o trabalho começou há mais de uma década, com Nick Mason refazendo as partes de bateria. Mas a doença e posterior morte de Richard Wright adiou o projeto por alguns anos até que, ao retomar o andamento dos trabalhos, a banda decidiu usar teclados de Wright extraídos de gravações ao vivo. "Não refizemos tantas coisas assim, foram só alguns pequenos pedaços, mas que fizeram uma grande diferença para o clima do disco", garante Andy.


The Later Years, centrado na produção pós-Roger Waters do Pink Floyd, é uma coleção de 16 discos que possui o LP do estúdio da banda liderada por Gilmour e álbuns ao vivo, filmes de concerto, raridades não lançadas, performances ao vivo e 13 horas de material inédito, incluindo uma versão inicial de "High Hopes", do disco The Division Bell.

O box, inicialmente com data de estreia prevista para 29 de novembro, agora será lançado em 13 de dezembro. A versão de dois LPs, destaques da coleção, estará disponível em 29 de novembro.





Pink Floyd - Sorrow (2019 Remix)



22/11/2019

David Gilmour diz que saída de Roger Waters do Pink Floyd foi de certa forma libertadora (The Later Years)


Pink Floyd - The Later Years (About A Momentary Lapse Of Reason)



Rolling Stones Brasil
Em entrevista, Gilmour explicou a sensação de seguir com a banda sem Waters


Em 1985, o Pink Floyd surpreendeu o público quando, de certa forma, optou em seguir as atividades sem o principal vocalista, baixista e compositor, Roger Waters. 

Sem ele, foram lançados dois álbuns - A Momentary Lapse Of Reason e The Division Bell - entre as décadas de 1980 e 1990. Logo depois, o grupo entrou em hiato e apenas em 2014 foi divulgado um último projeto com esboços de algumas canções. 

Mas agora, em um box set liberado recentemente, diversos materiais relacionados ao período inicial de Waters na banda foram compilados. Intitulado de The Later Years, o projeto relança o álbum A Momentary Lapse Of Reason e o ao vivo Delicate Sound Of Thunder, além de apresentar gravações inéditas de 1987 e 1994. 

Para promover a novidade, algumas entrevistas estão sendo divulgadas e em um desses registros (vídeo acima), David Gilmour explicou a sensação de seguir com o Pink Floyd sem Waters e que para todos foi algo "libertador". 

"Todos sabíamos que Roger iria sair. Ele não estava feliz, nós também não. Eu sempre soube que queria seguir em frente, Nick parecia desejar isso também. Falei com Rick durante uma folga, na Grécia, e conversamos sobre seguir em frente e ele também queria". 

Gilmour contou sobre as brigas em que se envolveram nos últimos anos de Waters no Pink Floyd. "Eu me sentia confiante de que as gravadoras gostariam de lançar um álbum nosso. Obviamente, não ter Roger foi algo diferente, mas em algumas formas, nos sentíamos livres." 

Ele acrescenta: "As tensões dos dois álbuns anteriores, especialmente em 'The Final Cut', já não estavam mais ali. Éramos apenas nós juntos, compondo e gravando. Havia um senso de liberdade e otimismo."


24/10/2019

Nick Mason conta como foi quando conheceu Roger Waters e Rick Wright (vídeo)





O convidado mais recente do programa de Brian Johnson (AC/DC) é Nick Mason, que contou uma história bem curiosa sobre o início da banda, quando relembrou como foi quando conheceu Roger Waters e Rick Wright.

De acordo com Mason no programa Life On The Road (vídeo acima), o grupo se uniu por conta de seu carro em 1964.  

O trio se conheceu no colégio em Londres em 1964. “Regent Street Plytechnic – foi onde os conheci”, disse Mason a Brian Johnson. “Todos nós estudávamos para sermos arquitetos. Foi no fim da arquitetura que a música decolou… ou não!”

Ele relembra: “Nós meio que nos conhecemos porque Roger sabia que eu tinha um carro — não sei se ele sabia qual era o carro, porque na verdade era um Austin 7 Chummy com uma velocidade máxima de 5 km/h e não tinha freios! Mas quando ele perguntou se eu poderia emprestá-lo, eu disse: ‘Não’, mas ele também tentou pegar um cigarro de Rick e, famosamente, Rick disse: ‘Não’, o que definiu o padrão nos próximos 50 anos.

Foi um momento importante porque, se não fosse por isso, talvez não estivéssemos sentados aqui agora.”, refletiu.

11/10/2019

Como a obra-prima de King Crimson liderou uma geração ao 'The Dark Side of the Moon' do Pink Floyd


 'In the Court of Crimson King'  


Lançado há 50 anos, em 10 de outubro de 1969, o álbum ‘In the Court of the Crimson King’ inspirou bandas como Yes e Pink Floyd.


Show da banda King Crimson no Rock in Rio 2019 


Resultado de imagem para Ian Macdonald, membro fundador do King CrimsonIan Macdonald, membro fundador do King Crimson e multi-instrumentista (tocou flauta, sax e teclados no disco de estreia do grupo), contou ao jornal "The Independent" que o álbum "mudou completamente o jogo" da época. "Eu sequer conseguia definir o que havíamos acabado de criar", disse ele, que compôs boa parte das oito faixas de "In the Court of the Crimson King". "Nunca pensamos nesse disco como rock progressivo. Esse termo me faz rir, porque ele sequer estava sendo usado na época."

LONDRES — Cinquenta anos atrás, em Londres, todo mundo que se interessava em música estava falando sobre uma extraordinária banda nova. Eles ainda não haviam lançado um álbum, mas apresentavam sua mistura inovadora de rock, jazz, música clássica e psicodélica em shows ao vivo. Um desses shows foi para meio milhão de pessoas, abrindo para os Rolling Stones no Hyde Park. Outro fez um ilustre membro da plateia, Jimi Hendrix, chamá-los de melhor banda do mundo.

King Crimson - Hyde Park 1969

As revistas de música (bíblias para os fãs no período pré-digital) destacavam algumas características e as gravadoras disputavam seu contrato. A banda se chamava King Crimson e seu primeiro álbum foi “In the court of the Crimson King”, lançado há 50 anos, em 10 de outubro de 1969. Assim como “Nevermind”, do Nirvana, “Ziggy Stardust”, de David Bowie, e a estreia homônima do Run DMC, foi definidor de um gênero.

As cinco canções eram pastorais, pesadas, extravagantes e até simples, com riffs apocalípticos se misturando a influências do hard rock, do jazz clássico e moderno até canções da Idade Média.

Fripp, Michael Giles, Greg Lake, Ian McDonald, Peter Sinfield

— Foi um divisor de águas — diz Ian McDonald fundador da banda e um dos co-autores das canções do  álbum. — Lembro de ouvir e pensar: “O que é isso?”. As bandas voltavam para repensar suas músicas quando ouviram. Eu sei que o Yes fez isso quando ouviu.

Isso pode não ter sido completamente bom. Apenas quatro anos depois, o Yes lançou seu álbum “Tales from Topographic Oceans”, uma composição única dividida em quatro lados do vinil e inspirada em uma nota de rodapé na autobiografia de um místico indiano. Na turnê, o palco trazia casulos de fibra de vidro que em um show não se abriram, deixando o baixista preso. As canções eram tão longas que uma vez o tecladista Rick Wakeman pediu uma refeição no palco e comeu enquanto os outros membros da banda tocavam. Mas isso dificilmente poderia ter sido previsto quando “In the Court of the Crimson King” foi lançado.

— Nunca pensamos nisso como rock progressivo — diz McDonald, que tocava flauta, saxofone e teclado. — É até engraçado, esse termo não era usado. Só fizemos o que achávamos que a música precisava.

Robert Fripp, Ian McDonald, Greg Lake, Michael Giles 

A transição do blues ao jazz

O King Crimson não foi a única banda britânica em 1969 a abandonar o elemento blues do rock e buscar a complexidade e virtuosismo do clássico e do jazz. Em setembro daquele ano, o Deep Purple se apresentaria para grupos e orquestras com a Royal Philarmonic no Albert Hall; álbuns de referência de The Moody Blues, Procol Harum, Genesis, Yes, Pink Floyd e outros foram lançados; e bandas da futura realeza do prog-rock, como Wishbone Ash, Hawkwind e Supertramp, estavam sendo formadas. Mas “In the Court of the Crimson King” foi o momento decisivo, “uma obra-prima misteriosa”, de acordo com Pete Townshend, do The Who.

Greg Lake

O grupo era (e ainda é) liderado pelo mago da guitarra Robert Fripp, um mestre em afinações incomuns e acordes e vozes complexas, diz McDonald. Fripp é o único membro permanente do King Crimson nesses 50 anos. O baixista e vocalista principal era Greg Lake, que mais tarde iria se transferir para a superbanda Emerson Lake & Palmer.

Peter Sinfield e Robert Fripp

McDonald, co-fundador da Foreigner, gigante do final da década de 1970 ("I want to know what love is”), trouxe uma série de influências — “banda de exército, coros de vozes masculinas, trios de jazz...”. Um solo de flauta que ele toca na faixa-título “é um aceno direto a Scheherazade [de Rimsky-Korsakov] ”. As letras do poeta Peter Sinfield, sem querer, estabeleceram um modelo para grande parte do rock progressivo, admite McDonald.

— Algumas pareciam medievais. Infelizmente, isso significa que as pessoas pensam que o rock progressivo precisa ter dragões e fadas.
As capas viram obras de arte

Outro elemento que virou modelo para o rock progressivo foi a capa do álbum: um pesadelo de cores vivas pintado por um amigo de Sinfield, Barry Godber. Aquela capa parecia ter transcendido a simples embalagem para se tornar arte, da mesma forma que a música ia além das formas simplistas do pop da época. Os lançamentos seguintes aprenderam essa lição — as paisagens alienígenas de Roger Dean alavancaram a popularidade do Yes quanto as letras místicas.

“In the Court of the Crimson King” abriu muitas portas. Yes, ELP, Pink Floyd e outros venderam dezenas de milhões de álbuns de rock progressivo — só “Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, já vendeu quase 50 milhões de cópias desde seu lançamento, em 1973.

Robert Fripp

Mas então veio o punk rock com seu minimalismo “faça você mesmo” e ética de lo-fi que quase instantaneamente fizeram qualquer esforço progressivo parecer ridículo. Robert Fripp não ficou surpreso — muitas bandas progressivas saíram “tragicamente do caminho”, disse ele, acrescentando: “O King Crimson teve a inteligência de deixar de existir em 1974; o que torna aqueles que associam a banda aos ‘excessos bombásticos do rock progressivo’ no mínimo idiotas”.

No entanto, o rock progressivo se recusa a morrer. Annie Clark (St Vincent) descreve como aprendeu na adolescência a tocar Jethro Tull, uma das bandas que mudou seu som por causa de “In the Court of the Crimson King” — numa sala de prática com um pôster do King Crimson. Ao mesmo tempo, bandas como Marillion, Radiohead, Mars Volta e Muse usam, abusam ou reinventam o rock progressivo (mesmo que, como o Radiohead, eles se recusem veementemente a admiti-lo). E Fripp reformou o King Crimson várias vezes, com várias formações – este mês, a última encarnação encerra uma turnê mundial, com direito a passagem pelo Rock in Rio .

Michael Giles, Robert Fripp, Ian McDonald

Enquanto isso, como diz McDonald, “50 anos depois, o álbum ainda se mantém”. Ele está certo. E isso é muito mais do que se pode dizer sobre “Tales of Topographic Oceans”.




Fonte: Jornal O Globo

10/10/2019

Mason não acreditava no fim da banda, mesmo depois de show de despedida


Nick Mason. A banda se reuniu no evento da Live 8 em 2005


Em entrevista para o site britânico Eon Music, Nick Mason comentou sobre o show de despedida do Pink Floyd em 2 de julho de 2005. O baterista não acreditava no fim da banda, mesmo depois da última apresentação no evento da Live 8, em Londres.

Questionado se sabia que aquele era o fim, Mason disse que “na verdade não. Porque você nunca sabe o que vai acontecer”. O evento da Live 8 marcou a reunião dos integrantes Waters, Gilmour, Mason and Wright.

O último show da banda de rock marcou também a última vez que todos os integrantes originais do Pink Floyd se apresentaram juntos, já que o tecladista Richard Wright morreu em 2008.

“Eu sempre disse que, de certa forma, esse foi um dos melhores shows que já fizemos. Todo mundo sabia do fato de que havia um conflito [entre Roger Waters e David Gilmour], e, mesmo assim, todos puderam ir ao dizer 'você sabe o que? Isso é mais importante do que as diferenças de opinião, banda, música, ou qualquer outra coisa’. E acho que foi uma espécie de exemplo admirável de ser adulto”, disse Mason.

Em fevereiro deste ano, durante uma entrevista ao programa de rádio Meltdown, Nick Mason falou sobre as chances de se encontrar de novo com Roger Waters e David Gilmour para uma tão requisitada reunião do Pink Floyd.

Quando questionado sobre a probabilidade de um retorno da banda, ele admite que acha bem difícil: "Essa é a pergunta que todo mundo quer saber qual a resposta, mas não acho que vá acontecer. Roger e David estão muito felizes com seus projetos pessoais e sem precisarem trabalhar juntos".

"Seria ótimo se eles aceitassem. Eu estou pronto, mas com certeza não vou ficar parado esperando", acrescentou.

Abaixo o show do Pink Floyd no Live 8 - Hyde Park, Londres, Inglaterra - 02-07-2005:


O evento foi transmitido ao vivo para o mundo inteiro através da internet e o setlist da apresentação consistiu nas músicas “Speake To Me”, “Breathe”, “Money”, “Wish You Were Here” e “Comfortably Numb”.

A BBC Brasil na época escreveu uma matéria intitulada 'Pink Floyd reunido é milagre de Bob Geldof', você pode conferir aqui




03/04/2019

Gilmour: 'Pessoas que tocam Fender são mais reconhecíveis'




O britânico David Gilmour é um guitarrista que dispensa qualquer tipo de apresentação. Ao longo de seus mais de 55 anos de carreira, o cara elaborou solos, riffs, bases e arranjos memoráveis.

Durante os tempos de Pink Floyd, bem como em sua carreira solo, Gilmour ficou conhecido por usar guitarras da Fender, sobretudo os modelos Stratocaster e Telecaster. Em uma recente entrevista à Guitarist Magazine, o músico falou sobre a sua devoção pelas guitarras criadas pelo saudoso Leo Fender, especialmente a Strato.

"A Stratocaster tende a acentuar a personalidade da pessoa que a toca. As pessoas que tocam Fender são mais reconhecíveis do que as pessoas que tocam outras guitarras de marcas conhecidas"

Num outro trecho da entrevista compartilhado pela publicação, no entanto, Gilmour revelou seu amor por uma Les Paul que usou para gravar um dos hinos “floydianos”. Segundo ele, durante a gravação, a guitar foi plugada diretamente na mesa de som, ou seja, não rolou uso de amplificadores, algo que é bastante incomum.

“Havia um vendedor de guitarras em Nova Jersey que tinha uma 1955 Les Paul. Era toda dourada. Comprei e mandei para Los Angeles, onde trabalhávamos no álbum ‘The Wall’. Não muito tempo depois, eu a usei para o solo de ‘Another Brick In The Wall (Part 2)’. Nós a colocamos diretamente na mesa para gravar, não em um amplificador. Sempre amei aquela guitarra”, disse.

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David Gilmour


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