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08/04/2023

Mel Collins falou da turnê KAOS com Roger (Best of Roger Waters live at Colisee de Quebec - 1987 FLAC) entrevista Rolling Stone





Roger Waters Wembley FM Capital Radio Broadcast - Wembley Arena, London  November 21th 1987

1-Who Needs Information
2-Me or Him
3-Powers That Be
4-Sunset Strip

Radio K.A.O.S. Tour 1987 :
Roger Waters accoustic guitar, bass guitar, vocals
Andy Fairweather-Low bass guitar
Jay Stapley guitar
Paul Carrack keyboards, vocals
Mel Collins saxophone
Graham Broad drums
Katie Kissoon backing vocals
Doreen Chanter backing vocals
Jim Ladd radio DJ
* Claire Tory guest vocals on Great Gig In The Sky



Homenageado, Mel Collins em entrevista com a Rolling Stone:

Em outubro, dia 26, em 2021, uma longa entrevista do saxofonista Mel Collins intitulada "Mel Collins em seus anos com King Crimson, Rolling Stones e Roger Waters" foi publicada no site da Rolling Stone, que homenageou suas inúmeras estações musicais e carreira. 

De particular interesse para nós foram suas declarações e memórias de Roger Waters, com quem ele tratou na década de 1980. Collins fez uma turnê com Waters em 1984, 1985 e 1987. Ele participa do álbum Radio Kaos e da trilha sonora When The Wind Blows. (Werner, Pulse & Spirit)

Rolling Stone

Conte-me sobre ser contratado para a turnê Prós e Contras de Hitch Hiking com Roger Waters.

MEL COLLINS: Eu conhecia a esposa de Roger naquela época, Carolyn [Anne Christie]. Ela veio para a estrada como gerente de turnê do King Crimson anos antes, quando eu estava na banda. Eu a conhecia muito bem. Acho que ela disse a Roger: “Eu conheço esse cara, Mel Collins. Poderíamos usá-lo na banda.

Então fui questionado por Roger. É irônico desde quando eu estava no Kokomo, o gerente, Steve O'Rourke, foi informado em termos inequívocos que ou ele gerenciava o Pink Floyd ou gerenciava o Kokomo. E assim ficamos sem gerente. Tenho a sensação de que Roger teve algo a ver com isso. É irônico que acabei trabalhando para ele. Não sei se ele percebe isso. Nós nunca conversamos sobre isso.

Eu briguei com o Roger. Ele é outro que pode ser difícil. Curiosamente, na última turnê que fizemos na América com o King Crimson, estávamos no Sunset Marquis em Los Angeles e Roger estava lá. Ele fez o show na arena no dia anterior. Fomos ver o Roger e depois voltamos para o hotel, e o Roger estava lá no bar. Ele me convidou.

Lá estava eu ​​na mesa principal com Roger Waters. Ele basicamente me disse o quanto me ama, e nos tornamos melhores amigos depois daqueles momentos difíceis em que eu estava em turnê com ele. Eu bebia muito naquela época, então tenho certeza que foi minha culpa.

Não sabia que a então esposa de Waters, Carolyn, trabalhava como gerente de turnê do King Crimson. Carolyn então colocou os dois em contato. Interessante isso vem de Steve O'Rourke, que gerenciou a banda Kokomo, por um curto período de tempo (Eles lançaram três álbuns, e o segundo Rise & Shine foi descrito como "o melhor álbum de funk britânico da década de 1970). A colaboração entre Collins e Waters terminou em apuros.

Eu sei que Roger é muito particular sobre como ele quer que tudo soe no palco. Ele quer que todos os shows sejam idênticos.

MEL COLLINS: Sim. Acho que David Sanborn estava no disco, assim como Eric Clapton. Naquela época, Eric não estava realmente fazendo muito. Roger pediu que ele viesse conosco na turnê Estávamos fazendo um set que era em torno do álbum The Pros and Cons of Hitch Hiking, que era basicamente uma música longa. Isso caiu bem. Mas na segunda parte do set tocávamos os números do Pink Floyd. Isso geralmente funcionava. Essa é a natureza da besta, como dizem.

Era uma boa banda. Foi uma ótima escalação. Acho que Eric teve um problema com Roger e não gostou muito. Foi, como você disse, praticamente cobrindo as partes do disco. Tive que copiar David Sanborn na maior parte da apresentação. Ele é um músico fantástico. Eu não estou reclamando.

As músicas mais populares do Floyd foram tocadas no primeiro set e não no segundo, como lembra Collins. Legal de Waters por saber lidar com isso naquela época.

Eu falei com algumas pessoas de sua banda que disseram que chamavam Roger de “General Waters” já que ele era como um general do exército.

MEL COLLINS: Em sua defesa, devo dizer que ele estava fazendo sua primeira turnê solo. Seguimos em frente e formamos outra formação para outra turnê. Durante aquela turnê, o Floyd estava na estrada ao mesmo tempo. Eles estavam cerca de três semanas atrás de nós. Para Roger, foi muita pressão ter isso nas costas.

Ele estava tentando desesperadamente … Você sabe aquela coisa sobre fora do Pink Floyd ser anônimo? As pessoas realmente não os conheciam. E então quando estávamos na América as pessoas dizem: “Quem é Roger Waters?” As pessoas não o conheciam tão bem além dos fãs, então ele teve que construir isso até onde está agora. Claro, todo mundo sabe quem ele é agora.

"General Waters" diz algo sobre o estilo de liderança de Waters.

Não consigo imaginar a frustração quando o Pink Floyd está tocando em um estádio de futebol lotado e eles estão tocando principalmente suas músicas. Enquanto isso, ele está em uma arena meio vazia.

MEL COLLINS: Foi muito difícil. Eles tiveram que reagendar alguns dos shows, pois não estavam vendendo ingressos suficientes. Naqueles dias, era difícil. Havia tanta pressão sobre ele. Não foi fácil.

Deve ter sido uma experiência incrível para Waters em 1987. Ele teve que reconhecer que, além dos fãs, ninguém realmente sabia quem ele era, que não importava que ele estivesse em arenas menores enquanto seus ex-colegas do Pink Floyd tocavam duas ou três vezes seguidas em um mesmo estádio, lotando todos os dias, em cidade.

Conte-me sobre a criação de Radio KAOS

MEL COLLINS: Eu estava praticamente na banda na época. Estávamos tentando coisas diferentes. Eu estaria no estúdio com ele e ele tocaria a faixa. Mais uma vez, eu ouvia e via qual instrumento funcionaria melhor, o contralto ou o tenor ou às vezes o barítono. Fizemos assim, tentativa e erro.

Eventualmente nós levávamos isso para a turnê. Foi quando eu meio que briguei um pouco com Roger. Ele disse recentemente que adoraria contar comigo de novo, então talvez eu volte algum dia.







Live radio broadcast. Best of Roger Waters live at Colisee de Quebec, Quebec City, QC, Canada, November 7, 1987



ROGER WATERS
November 21, 1987
"Soundboard KAOS"
Label: Ayanami 058
Source: SILVER>FLAC
Quality: EX+

Roger Waters (vocals, bass, guitar)
Graham Broad (drums, percussion)
Paul Carrack (keyboards, vocals)
Mel Collins (saxophones)
Andy Fairweather Low (guitars, bass)
Jay Stapley (guitar)
Katie Kissoon (backing vocals)
Doreen Chanter (backing vocals)

01. Radio Waves (5:12)
02. Welcome To The Machine (8:36)
03. Who Needs Information? (6:5
04. Me Or Him? (5:1
05. The Powers That Be (4:04)
06. Sunset Strip (4:27)
07. If (3:47)
08. Every Stranger's Eyes (5:01)
09. Nobody Home (4:26)
10. Home (6:40) 11. Four Minutes (5:16)
12. The Tide Is Turning (6:41)





23/07/2020

Pink Floyd vira trilha sonora de animação bizarra sobre a pintura 'O Grito' (Rolling Stone)


A junção das mensagens do cantor, do pintor e do diretor resultaram numa animação perturbadora

Sebastian Cosor, animador romeno, criou uma versão bizarra do quadro O Grito (1893), de Edward Munch. Não só a animação em si é bizarra, como a escolha para a trilha sonora: “The Great Gig in the Sky”, do disco Dark Side of the Moon, Pink Floyd.

Na imagem, dois homens - um jovem e um bem idoso - atravessam uma ponte. Conversam sobre a morte, e o medo (ou falta dele). O céu está vermelho, e passam por uma figura, aparentemente invisível, do personagem da pintura; ele dança e grita.  

É uma junção da visão que o Pink Floyd tinha sobre a música, e que Munch tinha da pintura. Para Cosor, diretor da animação, fazia sentido juntar ambas as visões: medo, desespero, grito e morte.

A explicação da obra, para o pintor - como escreveu num diário - era: “Um dia, andava numa trilha, a cidade de um lado e um fiorde do outro. Me sentia cansado e doente. Parei e olhei para o fiorde - o sol se punha, e as nuvens estavam vermelho-sangue. Senti um grito da natureza; parecia que eu o ouvia. Pintei isso, as nuvens e o sangue. Virou O Grito.”

A música do Pink Floyd também era um pouco desesperadora, como contou David Gilmour, de acordo com Far Out: “Queríamos uma garota gritando orgasmicamente. Não tinha letra. É sobre morrer - ‘cante isso, garota’.” lembrou de dizer a Clare Torry, cantora da música.

Para Cosor, então, é um pouco de tudo isso: "Reconheci-me no centro metafórico desse trabalho, que retrata uma pessoa alienada e oprimida por um mundo apocaliptico e opressor, que o desesperado e solitário indivíduo não consegue mais aguentar. A sociedade não o entende. Da mesma maneira, ele não entende a sociedade."


O Grito de Edward Munch

18/04/2020

Por que o Pink Floyd não quer uma reedição de ‘Animals’? (Rolling Stone)


O disco da banda foi lançado em 1977


Rolling Stone Brasil 
17/04/2020 

Em entrevista para a Rolling Stone EUA, Roger Waters relevou o motivo do Pink Floyd não querer uma reedição do disco Animals (1977).

Primeiro, o músico revelou que tentou marcar um encontro com os ex-colegas,  David Gilmour e Nick Mason. No entanto, o plano não se concretizou: "Escrevi uma espécie de plano... Mas meu plano não deu frutos".

O artista ainda revelou que uma reunião da banda não daria muito certo: "Não, [uma reunião] não seria legal. Seria horrível. Obviamente, se você é fã daqueles dias do Pink Floyd, então você tem um ponto de vista diferente. Tive que viver com isso. Essa foi a minha vida. E sei que depois disso, fui escalado como um vilão por quem quer que seja. Que assim seja. Posso viver com isso. Mas trocaria minha liberdade por essas correntes? De nenhuma maneira".

Enquanto David Gilmour não nega reunião com Pink Floyd,  também não menciona Roger Waters, como visto na reportagem desta revista em 18/06/2019, quando causou impacto com seu comentário ‘Nunca diga nunca’, ao ser questionado sobre um possível reencontro com os companheiros de banda durante o último episódio de The David Gilmour Podcast,

Sobre Animals, Waters revelou que foi exatamente sobre o álbum que a banda conversou. “[A conversa] foi que podemos lançar o vinil remasterizado de "Animals" sem que ele se transforme na terceira guerra mundial?".

O artista completou: "Na verdade, sugeri que fosse democrático. Disse: 'Por que simplesmente não temos uma votação? Somos apenas três. E então podemos decidir tudo isso'. E pelo menos podemos simplesmente seguir em frente. Mas eles não aceitaram isso. Eles não queriam".

Animals foi um sucesso de crítica e ficou em 3º lugar na Billboard, além de garantir uma certificação quádrupla de disco de platina. Roger Waters saiu do Pink Floyd em 1985.



Roger Waters diz em entrevista que uma reunião do Pink Floyd “seria horrível”




E nem mesmo o clima de solidariedade da quarentena fez Roger Waters repensar a situação complicada com os ex-colegas de Pink Floyd.

Em entrevista à Rolling Stone (via PROG), o músico foi perguntado se não parecia uma boa ideia deixar as diferenças de lado e reencontrar os amigos em meio à crise. A resposta mostrou que essa possibilidade ainda está bem distante:

Não, não seria legal. Seria uma porcaria. Obviamente se você é um fã daqueles dias do Pink Floyd, bom então você terá um ponto de vista diferente. Mas eu tive que viver isso. Essa era a minha vida. Eu sei que no final das contas eu fui colocado como meio que um vilão por sei lá quem… que seja! Eu posso viver com isso. Mas se eu trocaria a minha liberdade por essas correntes? Droga nenhuma.

Calma, Roger! Era só uma sugestão…

“Acordo de paz” de Roger Waters
O discurso de Waters, na verdade, não surpreende: o próprio David Gilmour já falou recentemente que a saída do vocalista e baixista da banda foi “libertadora”. No mesmo papo recente, Roger ainda explicou que tentou oferecer um “acordo de paz” aos colegas, mas não foi bem recebido:

Não tinha a nada ver com isso [reunião]. Era só tipo, ‘Será que podemos lançar uma versão remasterizada em vinil do ‘Animals’ sem que isso se torne a Terceira Guerra Mundial? Não seria legal?’. Eu na verdade sugeri que fôssemos democráticos. Eu disse, ‘Por que não fazemos uma votação? Só há três de nós e aí podemos decidir todas essas coisas tipo isso e pelo menos a gente pode seguir em frente.’ Mas eles não aceitaram isso. Sabe-se lá por quê.

Numa entrevista em dezembro de 2018, também à Rolling Stone, Mason disse que um box-set do álbum "Animals" provavelmente acontecerá em algum momento no futuro.

Enquanto isso, os caras estão pelo menos deixando as diferenças minimamente de lado para fazer transmissões ao vivo às sextas durante a quarentena. Saiba mais detalhes por aqui.


11/03/2020

Nick Mason: Pink Floyd quase chamou ‘Megadeaths’ - por que decidiram trocar de nome? (Rolling Stone)




O nome oficial da banda surgiu rapidamente antes de um show em 1965

Quando o Pink Floyd começou a se formar, um dos primeiros nomes usados pelo grupo, antes da estreia no mercado musical com The Piper at the Gates of Dawn (1967), foi The Megadeaths. Segundo o site CheatSheet, a banda ainda trocou de nome outras três vezes antes de decidir. 

Os primeiros nomes usados foram The Megadeaths, The Spectrum 5 e The Screaming Abdabs, posteriormente encurtado para The Abdabs. No livro Inside Out ‑ a Verdadeira História do Pink Floyd (2004), o baterista Nick Mason relembra as inúmeras mudanças no nome e na formação da banda. Após abandonar as ideias iniciais, o grupo, então liderado por Syd Barret, se tornou The Tea Set, “jogo de chá” em português. 



Segundo Mason, o nome The Tea Set se tornou um problema durante uma apresentação para a Força Aérea Real, em 1965, pois outro grupo com o mesmo nome se apresentaria naquele dia. A banda precisou mudar o nome às pressas e a ideia final foi de Barrett. Fã de blues, o guitarrista usou os nomes de Pink Anderson e Floyd Council para formar o nome The Pink Floyd Sound.

O novo título não foi bem recebido de cara e a banda ainda realizou mais um show com o nome de The Tea Set naquele ano, conta Mason. Algum tempo depois, a palavra “Sound” foi retirada e o nome Pink Floyd se tornou oficial. 


21/02/2020

Pink Floyd teve alguma música no topo das paradas dos EUA? (Rolling Stone)




Ainda que consagrados por produzirem alguns dos discos mais clássicos da história, o grupo não foi um nome comum no topo das paradas norte-americanas

Pink Floyd é uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. O grupo foi responsável por produzir dois dos discos mais clássicos da história: The Dark Side of the Moon e o The Wall.

Porém, independente de todo o sucesso e impacto, eles não foram o tipo de banda que liderou o topo das paradas norte-americanas. Isso se deve ao fato de que, diferentemente de outros clássicos do rock como os Rolling Stones e Queen, Pink Floyd criou vários álbuns que foram designados para serem consumidos na totalidade. 

The Wall, por exemplo, que completa 41 anos em 2020, não recebeu imediatamente a atenção que tem hoje. O diferencial é que, mesmo com a recepção mista, o disco foi responsável por gerar o único hit pop número um da história do Pink Floyd, "Another Brick in the Wall, Pt. 2".

É claro que "Another Brick in the Wall" está longe parecer com qualquer música que havia sido lançada na época. É uma faixa sombria, com vocais estridentes e assuntos incomuns. Mas ela possui elementos altamente comerciais. 

Com uma base incrível e divertida, a música tem bastante rock para torná-la interessante para os fãs do gênero clássico. Além disso, na década de 1970, existia uma forte divisão entre os fãs de rock e de disco, então, uma música que unia os dois gêneros - e agradava ambos os públicos - certamente seria um sucesso nas rádios. 

Um hit de rádio, porém não apenas isso, "Another Brick in the Wall" foi uma peça essencial do disco e que é frequentemente visto como o maior trabalho do Pink Floyd. Roger Waters, integrante da banda, disse que "The Wall é minha melhor conquista musical", e muitos fãs concordam. 

Diferente da maioria dos hits, a faixa - e o disco - também se destaca por ser amplamente reconhecido quatro décadas depois. O que é um ótimo teste para validar uma ótima obra.



Fonte: Rolling Stone

04/02/2020

Como o Pink Floyd inspirou Robert Plant no último show da história do Led Zeppelin?




Matéria: Rolling Stone


Última apresentação do Led Zeppelin aconteceu em Londres em 2007

Em entrevista para a revista Planet Rock, Robert Plant revelou que o Pink Floyd inspirou o último show da história do Led Zeppelin.

O músico explicou que a última apresentação do Led Zeppelin (sem a formação original) em Londres em 2007 trouxe referências da performance do Pink Floyd no Live Aid de 2005.

"Gostei do que Floyd fez no Live 8 - uma experiência única e vamos deixar por isso mesmo. Eles fizeram isso por uma boa causa. Foi o mesmo quando Zeppelin fez o show de caridade para Ahmet Ertegun. Tínhamos uma afinidade prolongada com Ahmet, então, se havia alguma razão para uma reunião acontecer, era isso", disse Plant.

Na mesma entrevista, o vocalista principal do Led Zeppelin disse que se arrepende um pouco das composições que fez para o grupo. "Minha geração estava cantando sobre críticas sociais, enquanto eu vagava nas fronteiras da Grã-Bretanha pensando no Gollum", conta. 

Apesar da declaração, o músico diz que gosta da clássica "Stairway to Heaven".

Formado em 1968, o Led Zeppelin chegou ao fim em dezembro de 1980, três meses após a morte de John Bonham. 


25/01/2020

Roger Waters diz que humanidade ‘muda’ ou ‘morre’ (Rolling Stone)




Por Rolling Stone
A nova turnê do músico será ainda mais política do que a anterior

Roger Waters lançou um vídeo nesta quinta, 23 de janeiro, para divulgar a nova turnê This is Not a Drill que começa no dia 8 de julho em Pittsburgh e termina em Dallas no dia 3 de outubro, exatamente um mês antes do dia das eleições nos Estados Unidos.

Waters discutiu a turnê no anúncio: "A medida que o relógio corre mais rápido até a extinção, parecia uma boa ideia fazer barulho a respeito. Por isso, vou para a estrada. Sendo franco, precisamos mudar a forma como nos organizamos como humanidade - ou morreremos", afirmou o músico. 

"Esta turnê fará parte de um movimento global de pessoas que estão preocupadas com os outros para atingir a mudança necessária. É por isso que estamos indo para a estrada. É por isso que essa conversa deve estar na boca de todo mundo, constantemente, o tempo todo, porque é super importante. Espero que todos vocês venham aos shows", completou. 

A escolha da turnê próxima às eleições não é por acaso. A anterior, Us + Them, foi politicamente carregada, com imagens satirizando Donald Trump e com uma perigosa retórica marcada por músicas que ele escreveu para o Pink Floyd.

Canções como "Money" e "Us and Them" eram tocadas nos shows para demonstrar como o músico vê que os poderes estão separando as pessoas e lembrando que todos podem trabalhar juntos em direção ao futuro ideal.

 "[A nova turnê] será ainda mais política do que Us + Them era - política e humana", revelou Waters à Rolling Stone EUA em 2019. "Estávamos ouvindo músicas e vendo setlists hoje.  Estávamos conversando sobre como deveríamos chamá-la. Não deveria estar revelando isso, mas não ligo, porque provavelmente tudo mudará, mas imagine o helicóptero icônico que normalmente vem antes de 'Happiest Days' e 'Brick 2' - aquele barulho que todos conhecemos e eu amo - e imagine um megafone. [...] A classe dominante está nos matando", finalizou.



22/12/2019

Nick Mason: Pink Floyd do psicodélico ao conceitual até o virtuosismo (BLITZ)


Nick Mason, David Gilmour, Richard Wright em 1994


Matéria da revista BLITZ

A colheita tardia do Pink Floyd poderá ser comparada aos vintages que lhes garantiram a eternidade? Provamos a nova edição especial, “The Later Years”, a caixa que reúne o que a banda inglesa fez após a saída de Roger Waters

Há três distintas versões do Pink Floyd – a de Syd Barrett, a de Roger Waters e a de David Gilmour – e discutir qual das três é a melhor tem sido ocupação de muito boa gente ao longo dos anos. Em dezembro de 2018, em vésperas de levar o projeto Nick Mason’s Saucerful of Secrets em digressão aos Estados Unidos, o eterno baterista do Pink Floyd oferecia, em entrevista à Rolling Stone, uma possível solução para resolver, pelo menos, parte do dilema. De acordo com Mason, Roger Waters acredita que a escrita foi sempre o elemento decisivo na arte do Pink Floyd ao passo que Gilmour valorizará muito mais a interpretação, a execução musical. E, de certa forma, essa é uma maneira possível para nos orientar o olhar para as diferentes fases do grupo: se em clássicos como Dark Side of the Moon e Wish You Were Here o grupo tinha aprimorado tanto o lado conceitual da escrita das canções como a melhor forma de as apresentar ao mundo, em registos mais tardios, correspondentes já ao período pós-Waters, como A Momentary Lapse of Reason, a notória cedência no controle de qualidade do material parece ter sido sempre compensada por produções grandiloquentes e demonstrações por vezes gratuitas de virtuosismo, sobretudo por parte de Gilmour (escute-se “Dogs of War” como possível prova...).

Nesta última década, a recatalogação intensiva da obra do Floyd, preparando-a em definitivo para a era do streaming, rendeu uma série de importantes edições destinadas ao mesmo mercado premium em que se encontram os suspeitos do costume, de David Bowie aos U2, de Prince ao Rolling Stones. Para lá de abordagens definitivas a trabalhos como Pulse e The Division Bell e da série Immersion , que motivou o tratamento de luxo a clássicos como The Wall, The Dark Side of The Moon e Wish You Were Here, e entre uma miríade de edições avulso em vinil e outros formatos, os fãs com maior poder de investimento puderam perder-se de amores pelas caixas Discovery (16 CDs a proporcionarem uma perspectiva panorâmica de toda a discografia) e The Early Years (10 CDs, 8 Blu-rays, 9 DVDs mais 5 singles em vinil). Agora, The Later Years, a nova caixa de luxo que aterrou no mercado mesmo a tempo desta época natalícia, oferece um olhar detalhado sobre o período em que David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright tiveram que carregar o peso da marca Pink Floyd depois da dissidência de Roger Waters. 

A nova caixa é pensada como um contraponto de The Early Years, e em termos de embalagem adota um formato completamente distinto, ligeiramente superior a um vinil de doze polegadas, parecendo, portanto, uma caixa desenhada para conter LPs. Ao invés, The Later Years abriga cinco CDs (A Momentary Lapse of Reason, Delicate Sound of Thunder, Live Recordings 1987 & 1994 e Knebworth Concert 1990); seis Blu-rays (com áudio de misturas surround de alta resolução para A Momentary Lapse of Reason, The Division Bell, Delicate Sound of Thunder, Pulse, Concertos em Veneza 1989 e Knebworth 1990 e uma série de filmes de concertos e documentários); cinco DVDS (com material vídeo igualmente disponível nos Blu-rays); dois singles de sete polegadas em vinil com a versão de “Arnold Layne” que os Pink Floyd tocaram num concerto de tributo a Syd Barrett em 2007 e “Lost For Words”, gravada nos ensaios da tour de Pulse; um livro de fotos de 60 páginas em capa dura; réplicas de programas de digressão, um livro de letras com o cuidado visual habitual nos produtos com design Hipgnosis e uma série de objectos de memorabilia, incluindo tour passes, posters e autocolantes. Chega? Chega certamente para fazer salivar os mais dedicados e completistas fãs dos Pink Floyd.

De fora fica o derradeiro registo do grupo, Endless River, editado em 2014, mas, em compensação, boa parte do material foi novamente misturado e algum, como A Momentary Lapse of Reason foi mesmo alvo de mexidas mais sérias, com a adição de novas partes de bateria e de teclados, a partir dos multi-pistas das gravações originais. Em Portugal, esta caixa aproxima-se dos 400 euros, preço de retalho, com os valores nos diferentes retalhistas europeus a posicionar-se quase sempre acima dos 300 euros, valor em França, por exemplo, e a chegar mesmo às 350 libras no Reino Unido (cerca de 411 euros).

“É frustrante que estes dois cavalheiros de idade considerável [Gilmour e Waters] continuem de costas voltadas” Nick Mason

Nas já mencionadas declarações à Rolling Stone, Nick Mason – que é o único membro do Pink Floyd que toca em todos os álbuns da sua discografia oficial e que se manteve próximo tanto de Gilmour como de Waters – explica que o baixista e cérebro principal do mega-projeto 'The Wall' nunca pensou que o grupo pudesse ter um futuro depois de ter anunciado que iria sair, em 1985. “Penso que faz confusão a Roger ele ter cometido uma espécie de um erro quando saiu, assumindo que isso seria o fim da banda. É uma irritação constante, na verdade, que ele continue a implicar com isso. Tenho alguma hesitação em pensar demasiado no assunto, porque os problemas são entre eles os dois, não comigo. Na verdade, dou-me bem com ambos, e penso que é frustrante que estes dois cavalheiros de idade considerável continuem de costas voltadas”.

Depois da saída de Waters, os músicos voltaram a cruzar-se em palco para uma triunfante e muito celebrada apresentação no Live 8, em 2005, e para um evento de beneficência para crianças da Palestina no Verão de 2010. Um ano depois, foi Gilmour que cedeu e apareceu na O2 Arena, em Londres, para tocar “Confortably Numb” com Waters, subindo depois ao palco com Nick Mason para o encore final. Claro que o que muitos viram como sinais positivos de um eventual apaziguamento de relações que pudesse até levar a uma tão amplamente desejada reunião foi eliminado com o projeto 'Endless River', uma homenagem a Rick Wright pensada e conduzida sobretudo por Gilmour que não cedeu um milímetro no que à relação com Roger Waters diz respeito: “Porque que diabos alguém há de pensar que o que fazemos agora poderá ter alguma coisa a ver com ele é algo que não compreendo”, desabafou Gilmour à Rolling Stone. “O Roger estava cansado de fazer parte de um grupo pop. Ele está muito habituado a ser a única força por trás da sua carreira. Pensar que ele pudesse vir encaixar-se numa coisa que tem uma base democrática... ele não seria capaz disso. Além disso, eu estava nos meus trintas quando o Roger abandonou o grupo. Tenho 68 agora, já foi há meia vida atrás. Já não temos nada em comum, na verdade”

Pink Floyd em 1987: Nick Mason, David Gilmour, Richard Wright

Os dois álbuns de originais resultantes da fase pós-Waters que surgem na caixa The Later Years, A Momentay Lapse of Reason (1987) e The Division Bell (1994) são normalmente relegados para posições secundárias nas listas que procuram uma hierarquia coletiva para a discografia do Pink Foyd, quase sempre encimadas pelo tríptico The Wall (1979), Wish You Were Here (1975) e The Dark Side of The Moon (1973) (que, certamente não por acaso, foram os títulos celebrados nas edições de luxo da série Immersion). Em 2011, a BLITZ dedicou um número especial ao Pink Floyd que então assistiam ao arranque do programa de reedições Why Pink Floyd?. Na abordagem à discografia do grupo, André Gomes escreveu, a propósito de A Momentary Lapse of Reason, que para compensar a partida de Waters, “Gilmour tratou de recrutar as pessoas certas para colocar o dirigível Pink Floyd de volta no ar: Jon Carin, Phil Manzanera e Bob Ezrin foram chamados para trabalhar no álbum, Richard Wright foi readmitido na banda e Anthony Moore foi escolhido para dar palavra a algumas canções”. Trata-se, escreve ainda Gomes, de “um álbum composto essencialmente por temas instrumentais dados a divagações atmosféricas onde o virtuosismo de Gilmour encontra uma base segura e fértil”. E conclui: “Entre batalhas jurídicas e musicais, A Momentary Lapse of Reason acaba por ser um disco a solo de David Gilmour, apesar de ter ao seu lado Nick Mason e Richard Wright”.

Já sobre The Division Bell, o colaborador da revista BLITZ escrevia, alguns anos antes da edição de Endless River, que “o derradeiro grito dos Pink Floyd, já na década de 90, sete anos após A Momentary Lapse of Reason, resolvidos que estavam todos os problemas e contendas legais, é um disco sobre a comunicação e como o uso da palavra pode ser um fator decisivo de resolução de problemas, algo que muitos interpretaram como alusivo à relação tremida entre David Gilmour e Roger Waters”. E ainda se adianta que “ao contrário do álbum anterior, The Division Bell é um álbum escrito por uma banda e não apenas por David Gilmour, o que acaba por se refletir intensamente na cor das canções deste álbum”. Que o jornalista garante que mostra o Floyd “decididos em fazer as pazes com o passado e apostados em sinalizar o final da viagem com a honra que o momento pedia”.

Sobre Pulse, outro dos pilares de The Later Years, no mesmo número especial da BLITZ recordava-se que “quando entraram em digressão, o Pink Floyd não planeava lançar um disco ao vivo – tinham editado Delicate Sound of Thunder em 1988 – mas mudaram de opinião assim que perceberam que tinham trazido ao palco, quase sem perceberem, a interpretação integral de Dark Side of The Moon. E esse é precisamente um dos maiores atrativos de Pulse, editado em versão áudio e visual para quem deseja experienciar o que o Pink Floyd imaginou ao vivo aquando da edição de The Division Bell”.




















40 milhões de discos vendidos, duas digressões, a estréia em Portugal

São, de fato, marcos de um tempo em que o Pink Floyd poderia já contar atrás de si os seus melhores anos, mas, ainda assim, o período documentado em The Later Years traduziu-se em mais de 40 milhões de cópias de discos vendidos em todo o mundo e em duas memoráveis digressões, a A Momentary Lapse of Reason Tour que decorreu entre setembro de 1987 e julho de 1989, e a The Division Bell Tour que finalmente trouxe o grupo a Portugal para duas inesquecíveis noites no Estádio José de Alvalade, a 22 e 23 de julho de 1994, um espetáculo, de acordo com a reportagem BLITZ da época, “se fez de proezas técnicas que foram arrancando ‘ahhs’ à multidão”. E, claro, música que por essa altura já tinha conquistado um lugar único na história.

É para os fãs que possam eventualmente carregar até hoje, 25 anos depois, memórias especiais dessas noites de verão, que esta edição especial The Later Years é pensada. Mais uma pequena arca recheada de tesouros a pensar nos fãs fervorosos.



09/12/2019

Como Bob Geldof reuniu o Pink Floyd em 2005?





FLASHBACK: Como Bob Geldof reuniu o Pink Floyd em 2005?

Após a famosa polêmica dos anos 1980, Roger Waters e David Gilmour concordaram em se apresentar no Live 8 "para combater a pobreza"

Em 1985, o Pink Floyd entrou em declínio quando o baixista e vocalista Roger Waters abandonou a banda e processou o trio remanescente - David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason - por continuar usando o nome que eles haviam construído juntos. Quando ele perdeu a batalha legal, contudo, a hostilidade permaneceu.

Em 2005, o ex-vocalista e líder do The Boomtown Rats, Bob Geldof, decidiu que queria o Pink Floyd como headliner do Live 8 - uma série de shows beneficentes para combater a pobreza mundial.

Durante uma entrevista para o portal Louder Sound em 2015, os companheiros de banda explicaram como Geldof os convenceu a se apresentar no Hyde Park, em Londres, em julho de 2005.

O guitarrista e vocalista do Pink Floyd, David Gilmour, revelou: "Geldof me ligou e não mencionou Roger, só perguntou se eu toparia fazer o Live 8 com o Pink Floyd."

"E eu disse que não, pois estava no meio do meu álbum solo", ele continuou. "Geldof dizia: 'Vou visitar vocês', e entrou no trem. Eu pensava 'Não, não, não'. Quando eu liguei para o celular dele, ele estava em East Croydon. Eu disse: 'Bob, não faz sentido, saia do trem.' E ele disse: 'Eu estou indo mesmo assim'."

Enquanto isso, Geldof tentou convencer os outros membros da banda, e o baterista Nick Mason imediatamente respondeu que seria uma "ótima ideia".

Waters, a figura mais controversa do Pink Floyd, também concordou com a ideia e prontamente ligou para Gilmour - uma virada surpreendente do destino após a famosa polêmica dos anos 1980.

Os dois se entenderam e, depois de bastante insistência, Gilmour se juntou à banda para uma reunião. Assim, ele telefonou para Tim Renwick e lhe contou o que estava acontecendo.

"Eu fiquei completamente chocado, como nunca antes", disse Renwick. "Eu sempre pensei que Roger estava errado ao sair da banda e que eles nunca mais tocariam juntos."

Segundo Gilmour, a causa positiva por trás do show o fez abraçar a ideia de Geldof, pois ele tentaria de "tudo para convencer os líderes do G-8 a assumirem compromissos para o alívio da pobreza."

"Quaisquer brigas que tenhamos tido no passado são irrelevantes neste contexto", ele acrescentou. "Se chamarmos a atenção para o movimento, então terá valido a pena."

Durante os ensaios, Roger Waters foi um pouco perturbante, se atrasando todos os dias e "fazendo sugestões loucas sobre reorganizar as coisas", contou Renwick.

No palco, contudo, o músico fez um anúncio positivo e entusiasmado, dando a entender que as disputas haviam sido deixadas para trás: “É realmente muito emocionante ficar de pé aqui com esses caras depois de tantos anos."

Ao fim do Live 8, Gilmour concluiu: "O ódio e a amargura são sentimentos muito negativos. Foi muito bom colocar tudo em perspectiva e encerrar as coisas bem. E é isso - o Live 8 foi ótimo, mas foi um encerramento. Como dormir com uma ex-esposa. Não há futuro para o Pink Floyd."




01/12/2019

Em entrevista, o engenheiro Andy Jackson fala sobre o lançamento de 'The Later Years'


"Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd"




Conversamos com Andy Jackson sobre a importância infindável dos britânicos para o mundo da música, e sobre o lançamento de The Later Years, box lançada para exaltar o trabalho da banda a partir de 1987

Na última sexta, 29, a Sony Music lançou uma coleção excepcional e essencial para os fãs de Pink Floyd. A box The Later Years, que conta com um total de 16 discos repletos de clássicos e material inédito, chega ao Brasil apenas parcialmente, no formato digital. O lançamento tem como objetivo contemplar e exaltar a maestria dos trabalhos lançados pela banda a partir dos anos 1987.

E para enaltecer ainda mais a genialidade dessas composições, conversamos com Andy Jackson - produtor e engenheiro de som que  contribuiu de perto para a criação da identidade sonora dessa época do grupo - sobre a importância infindável do Pink Floyd para o mundo da música, a contínua influência que os britânicos têm até hoje e sobre originalidade musical.

Para o lançamento atual, Jackson, que trabalhou originalmente em 'A Momentary Lapse Of Reason' lá em 1987, revisitou com David Gilmour o trabalho feito há mais de 30 anos, com o intuito de atualizar a sonoridade das composições. 

"Quando fizemos o disco, optamos por trabalhar de uma forma que soasse bem moderna. Mas o que acontece com o moderno, depois de um tempo, é que se torna datado. Você escuta ele dez anos depois, e realmente soa como algo feito nos anos 1980", relembrou.

"Olhamos para isso hoje em dia, e percebemos que não foi a melhor das escolhas. [Com o relançamento] tivemos a chance de alterar isso, e fazer de um jeito mais parecido com os outros álbuns, mais atemporais", já que com exceção desse disco em específico, os outros projetos soam como se pudessem ter sido lançados em qualquer ponto da carreira do Pink Floyd.

O produtor também falou sobre a experiência de mergulhar novamente nesse universo das composições de 'A Momentary Lapse Of Reason' que ajudou a dar forma, e como voltar o olhar para essa criação tanto tempo depois o fez admirar ainda mais essas canções: "Como por exemplo 'One Slip'. Mixar essa faixa de novo me fez perceber o quão boa é, e acho que [essa qualidade] tinha se perdido um pouco de baixo do que fizemos com ela nos anos 1980".

Outro disco presente no relançamento é 'The Division Bell', lançado originalmente em 1994 e, assim como o projeto discutido anteriormente, já não contava mais com a participação de Roger Waters no grupo. Sobre esse clássico que está próximo de comemorar três décadas de aniversário, Jackson lembrou da mudança, ou melhor, da retomada da dinâmica que o Pink Floyd usava para compor. 

"A banda decidiu voltar a trabalhar de um jeito que não trabalhava há tempos", contou. Ao invés de músicas compostas separada e parcialmente, "no Division Bell eles sentaram em uma sala e tocaram juntos. Boa parte do álbum surgiu assim, com jams. [...] Foi assim que eles fizeram, por exemplo, 'Dark Side of the Moon' e 'Wish You Were Here'".

E é claro que não dá para falar de Pink Floyd sem falar em experimentação e revolução musical. O legado dos britânicos está permanentemente impresso na história da indústria fonográfica, e com essa inovação da qual a banda foi protagonista em mente, Jackson olhou para o cenário atual para refletir: 

"A última coisa realmente nova que aconteceu à música foi o surgimento do hip-hop. Nada de verdadeiramente novo surgiu desde então. Quando o Pink Floyd surgiu, eles criaram algo novo. Fizeram algo que ninguém tinha escutado ainda, e não acho que dê pra fazer isso de novo. Não dá pra fazer algo que ninguém tenha ouvido. Tudo já foi feito. [...] Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd." 

30/11/2019

The Wall completa 40 anos, um muro nascido da alienação








De SAPO (Portugal)
Paulo André Cecílio
Pink Floyd: 40 anos de um muro nascido da alienação

O mundo parecia, aos olhos de Roger Waters, um imenso e inóspito vazio para onde fora atirado em nome do estrelato, onde em cada esquina uma sanguessuga se dispunha a deixá-lo apenas ossos, onde a verdade havia sido substituída por uma década de luzes e de trips psicodélicas, de histórias sobre loucura e morte, de saudades de amizades passadas, de governos maquiavélicos. O mundo, para Roger Waters, deixara de ser um conforto. Pior ainda: o mundo era-lhe agora desconhecido.

O culpado, o muro. Não um muro físico, mas um muro psicológico, mental, que o escondia numa tentativa de o fazer sobreviver, mesmo que essa perspetiva fosse, a cada dia, menos gloriosa. Waters, e o Pink Floyd, haviam chegado ao patamar que todas as bandas almejam; mas o resultado não veio sem os seus sacrifícios. A perda de Syd Barrett em 1968 fora a primeira. As dívidas excessivas vieram a seguir. O isolamento dos membros do grupo em razão de diretrizes conflitantes, Waters que tomou as rédeas do Pink Floyd na era pós-Barrett, mostrava-se cada vez menos disposto a abrir-se ao mundo, a abrir mão da sua criatividade para a juntar às dos outros.


A história começa com o muro e o muro começou a ser construído muito antes do Pink Floyd existir. Em 1944, com apenas cinco meses de idade, Waters perderia o pai na II Grande Guerra, durante a chamada Operação Shingle, na Itália, onde mais de 43 mil soldados Aliados perderam a vida. O trauma cresceria durante a infância e seria figura omnipresente ao longo de quase toda a sua vida. Um trauma que depressa se transformaria num sentimento de traição. Eric Fletcher Waters, o pai, tinha-se declarado objetor de consciência no período da Guerra, mudando as suas posições pacifistas mais tarde e juntando-se ao exército britânico. A traição sentida está precisamente nisso: no fato de Eric ter abandonado os seus ideais, apenas para, em última análise, morrer.

Não foi a única traição. No final dos anos 70, o Pink Floyd estava no topo do mundo – nem a explosão punk conseguiu tira-lo do pódio – mas o sucesso, como comprovado vezes sem conta, é uma faca de dois gumes. Mais discos e mais concertos esgotados significavam mais pessoas, mas não necessariamente uma compreensão da mensagem (filosófica, política) que o Pink Floyd e Waters tentavam passar. E o ponto de ebulição foi atingido em 1977, durante um concerto no Estádio Olímpico de Montreal, parte da digressão “In the Flesh”, na qual o Pink Floyd tocou pela primeira vez em estádios.

"Odiei, porque os concertos tinham se transformado numa espécie de evento social, e não numa relação normal e controlada entre músicos e o público. As filas da frente gritavam, gesticulavam, não prestavam de fato atenção ao que ouviam. Quem estava mais atrás, não conseguia ver nada..."


A alienação sentida entre Waters e público, derivada desta mesma ideia – que parece soar tão verdadeira ainda hoje... – levou o músico a fazer algo que até então seria impensável: cuspir num dos seus próprios fãs. E, ao contrário do que pensavam os punks de 1977, sempre dispostos a escarrar para o palco, a saliva não era de todo um elogio. Waters terminava a construção do seu muro, a antítese da ideia de humanidade: ela não existe se nos isolarmos dos humanos. Mas tinha que pô-lo abaixo, então voltar a superfície para respirar.


O primeiro passo, de forma algo paradoxal, foi o de reconstruir esse muro, musical e literalmente. “The Wall” é sobretudo a história de Roger Waters e de como ele foi sofrendo até não aguentar mais, ao longo da sua carreira. História essa que é personificada por Pink, artista rock que vê o pai morrer na Guerra, que sofre bullying por parte dos seus professores primários, que se torna numa estrela amante de todo o tipo de deboches e que se isola do mundo em agonia misantropa, imaginando-se fascista e genocida, até um julgamento criado na sua própria cabeça o levar a descobrir que (ainda) há esperança na Terra.


Já no Pink Floyd, havia o vermelho: em 1978, as finanças do grupo estavam de tal forma escassas que era necessário compor imediatamente um disco. Culpa do Norton Warburg Group, empresa de gestão financeira a quem os músicos haviam confiado o seu dinheiro e que o perdeu em diversos investimentos de risco. Não fosse por “The Wall” e o Pink Floyd poderia muito bem ter decretado falência e terminado ali, há 40 anos. Mas compô-lo poderia ser uma tarefa complicada sem alguém que lhes mostrasse o caminho. E esse alguém foi o produtor Bob Ezrin, que havia trabalhado com nomes como Alice Cooper ou Lou Reed e que ajudou a banda, e Waters, a encontrarem-se.

O resultado é uma das obras mais densas do Pink Floyd, e o disco a que comumente associamos a expressão “ópera rock” (mesmo que “Tommy”, do The Who, o preceda em dez anos). Uma hora e vinte minutos de magia e soberba musical, agrupando vários estilos distintos: rock espacial ('In the Flesh?'), pós-rock antes de o termo ser cunhado ('Another Brick in the Wall, Part 1'), pop ('Another Brick in the Wall, Part 2'), folk ('Mother'), ópera propriamente dita ('The Trial') e, claro, o tom melódico de 'Comfortably Numb', onde os solos de guitarra de David Gilmour tomam a dianteira e elevam todo “The Wall” ao status de culto.


Para além do som, a imagem – não só a que era criada em cada ouvinte com recurso aos poemas de Waters, mas também a que, em 1982, chegou aos cinemas pela mão de Alan Parker e Gerald Scarfe, com Bob Geldof no papel principal. “The Wall”, o filme, foi três anos após o disco um enorme sucesso a nível da crítica, tendo sem dúvida contribuído para ainda hoje falarmos da música com tanto respeito e carinho. A fusão perfeita entre todos os aspectos de criação. Uma obra de arte total.


À altura, nem foi visto dessa forma: muitos críticos insurgiram-se contra o maximalismo e o pretensiosismo da obra (convenhamos que, no final dos anos 70, o punk olhava dessa forma para tudo o que não fosse feito a partir de três acordes), que só começou a ganhar um estatuto canônico nas décadas seguintes ao seu lançamento. Mas o que a crítica não via, via-o o público, que o levou ao número um no ranking de vendas durante várias semanas. Ao álbum, e à canção que com o passar do tempo alcançou um status ainda maior que o do álbum: 'Another Brick in the Wall, Part 2', que fora do seu contexto passou a ser cantada por milhões de gargantas ao redor do planeta como canção de protesto. We don't need no thoughts control... 


Para além de todo o existencialismo presente na obra, e talvez sua maior virtude, está o fato de também transmitir uma mensagem de esperança aliada a um conselho precioso: quanto mais nos isolamos do mundo, quantos mais muros construímos, mais abrimos espaço ao ódio quando deveríamos preenchê-lo com o amor. O disco termina e começa com uma frase cortada a meio – Não foi por aqui que viemos? – atestando à natureza cíclica dos muros, um loop imenso de depressão e apatia. Mas essas podem ser vencidas, e os muros podem ser derrubados, e as lutas podem ser constantes e eternas para nos lembrar de que estamos vivos. A grande lição de um disco como “The Wall”, relembrando sempre que um muro físico nos tolda o senso comum (seja em Berlim, seja em Israel, seja nos Estados Unidos), é a de que a fragilidade e o medo existem para serem vencidos. 40 anos depois, não olvidemos essa mensagem.




14 motivos para amar o disco do Pink Floyd


O álbum conta com um conceito complexo e profundo baseado no personagem fictício Pink. E apesar da recepção inicial mista, o disco ganhou 23 x platina desde 30 de novembro de 1979, e gerou o único hit pop número 1 da história do Pink Floyd, "Another Brick in the Wall, Pt. 2".

Uma obra de arte do rock. Assim, listamos 14 motivos para amar The Wall do Pink Floyd:

Abertura


1. A abertura oferece o primeiro leitmotiv do disco acompanhado das guitarras trovejantes de David Gilmour e o teclado de Fred Mandel. Esta é realmente uma ópera rock, uma peça singular criada por Roger Waters com precisão, profunda prudência e tato.

2. Waters começa o disco com a seguinte questão: "Então, você pensou que gostaria de ir ao show." Mas, nos adverte que a história a seguir não é uma opção alegre para esquecer problemas e ouvir rock and roll.


3. Os estrondosos motores de avião no final de "In the Flesh?" e o choro do bebê em "The Thin Ice" são uma viagem de abertura ao início da narrativa em The Wall, imergindo-nos totalmente não apenas na música, mas em todo conceito histórico do disco focado no personagem fictício Pink baseado em Waters.

4. A interação entre a voz suave de David Gilmour com a voz maníaca e às vezes dominadora de Waters é um tema ao longo do disco. "The Thin Ice" é uma letra emotiva sobre a relação de Pink com os pais.

Another Brick in the Wall, Pt. 1



5. As duas primeiras faixas soam como um prólogo para a história que virá em "Another Brick in the Wall, Pt. 1" quando o pai de Pink morre na guerra. De agora em diante, não há como voltar atrás, é preciso ouvir o disco até o final, pois Pink, tomado pela dor, começa a se isolar da sociedade.


6. As guitarras pesadas com atraso de Gilmour são incríveis na "Parte 1", tocando com blues, funk e elementos de rock and roll nas linhas de sintetizador.

The Happiest Days of Our Lives

7. A linha de baixo de abertura é tão punitiva quanto os professores tirânicos da escola que causam mais sofrimento a Pink e fomentam a separação social.


Another Brick in the Wall, Pt. 2

8. Pink Floyd pegou uma batida de disco e transformou-a em um hino de angústia adolescente. É o único hit número 1 da banda, em grande parte devido à química rigorosa deles, com Nick Mason dando a batida, Waters a linha de baixo e Gilmour arranca acordes de funk como Nile Rodgers antes de sair para um inesquecível solo de blues.



Mother


9. Lembrando-nos dos hits acústicos do Pink Floyd, como "Wish You Were Here", "Mother" novamente explora os relacionamentos arrogantes e sufocantes de Pink, que o forçam a se afastar da realidade e se aprofundar mais em si mesmo.



10. A assinatura do tempo da música é engenhosamente complexa, espelhando a instabilidade de Pink neste momento da vida e o relacionamento não sincronizado com a mãe.

Goodbye Blue Sky




11. Gilmour se lembra do blitz e das "bombas caindo" sobre arpejos sombrios da guitarra. A música se torna mais pesada pela natureza semi-autobiográfica, pois o pai de Waters foi morto na Segunda Guerra Mundial.


Empty Spaces/Young Lust

12. A maneira como o diálogo interno espacial de "Empty Spaces" transforma-se em "Young Lust", um clássico dos anos 70, é dramático e perfeito. OPink Floyd emprega um som de rock mais comercial aqui para comentar a sexualização casual no rock and roll e impulsionar a narrativa do álbum para a frente, enquanto Pink usa o sexo para lidar com a ansiedade e depressão.




One of My Turns/Don’t Leave Me Now

13. As performances do sintetizador nessas duas faixas são tão tensas quanto Pink convida uma groupie a voltar para o quarto antes da música explodir em um frenesi maníaco e suicida.



Another Brick in the Wall, Pt. 3/Goodbye Cruel World

14. A maneira como as três partes de "Another Brick in the Wall" vão aumentando a intensidade é um dos desenvolvimentos geniais do disco. Contendo muitas das mesmas facetas melódicas e instrumentais das antecessores, a "Parte 3" viu Pink percorrer um buraco negro em espiral, entrando em loucura, ódio e descontentamento, levando-o a silenciar todas as vozes externas e mergulhar 'atrás da parede' em "Goodbye Cruel World".

Gerald Scarfe






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