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31/10/2018

Roger Waters divulga novo projeto, a adaptação da ópera História do Soldado




Novo álbum de Roger Waters é a adaptação da ópera História do Soldado, de Igor Stravinsky

Roger Waters lançou sua adaptação de História do Soldado, de Igor Stravinsky, junto com um trailer para matar a curiosidade. O ícone do Pink Floyd narra a composição de 46 faixas, performada originalmente na França em 1918.

Stravinsky descrevia seu trabalho como um teatro pra ser “lido, interpretado e dançado” com um elenco de três atores, dançarinos e instrumentos. A ópera conta a história de um soldado russo que volta para casa e encontra o diabo. Assim, o soldado troca seu violino por riqueza ilimitada.

“Estou extremamente orgulhoso com o trabalho e me sinto honrado por ter recebido essa oportunidade. É uma produção que eu considero não só um grande trabalho de Stravinsky, mas uma gravação maravilhosamente linda”, disse Waters.

Em nota, a assessoria divulgou: “Numa fantástica nova gravação dessa grande obra, Waters conta as origens do conto de fadas moderno. Além de interpretar o Soldado, o Diabo e o Narrador, também interpreta todos os outros personagens!”.


Confira o trailer:




Fonte: Wikimetal

08/11/2013

Noise for Syd - Ópera em memória ao gênio da psicodelia



icon / sonic tribute to Syd Barrett (Yuval Avital)

O grande "Richard Wright", quando recebeu a notícia de que "Syd" havia partido em 2006, comentou: "Syd foi a luz orientadora da banda quando tudo aconteceu, e deixa um legado que continua a inspirar". Sem dúvida uma luz seminal da psicodelia e do próprio progressivo. 

Yuval Avital, é músico, compositor, guitarrista, artista multimídia, surreal, e também responsável pela criação desta ópera, a qual ele comenta: "Noise for Syd, é dedicado à memória de 'Syd Barrett', é a minha homenagem a liberdade de som e de expressão, um tributo à uma época de fantasia, êxtase e criatividade."

Ele ainda acrescenta: "Syd Barrett, mais lembrado como o fundador do "Pink Floyd", foi uma figura de destaque no underground psicodélico de Londres na década de sessenta. Ele era um verdadeiro músico experimental, usando extensivamente feedbacks, distorções e dissonâncias em extremamente longos concertos da banda no clube UFO, muito antes de alcançar sua fama. A entrada para o "star system" da indústria da música, e a adição do uso pesado de drogas alucinógenas, esmagaram-no como um artista, e nos últimos 20 anos de sua vida, 'Barrett' escolheu viver em Cambridge num exílio do mundo musical."

"Noise for Syd" é descrito como um trabalho baseado no "conceito wagneriano de ópera total", (*Gesamtkunstwerk, que busca a integração inalcançável de todos os elementos em uma só obra), que atende a psicodelia em uma poesia de investigação dedicado à figura controversa de "Syd Barrett". Assim, o drama musical da ópera aspira a um estado imaginário, indiciado pelo vídeo, entre outros recursos sonoros e visuais, que melhor permite concretizar elementos simbólicos difíceis de transpor da obra para o palco. 


A obra iconográfica de Avital, "Noise for Syd", ao longo dos seus 77 minutos, não tem arranjos e ou citações de composições de Syd Barrett ou do Pink Floyd. No entanto, a pontuação psicodélica do artísta, um trabalho gráfico que mistura direções visionárias de palco, notação tradicional, imagens, desenhos, e citações icônicas - é um mapa de sinais, padrões, metáforas, sons, gestos, e símbolos que evocam aspectos íntimos, e histórico detalhado de "Syd": o desaparecimento precoce do cenário musical e o retiro em um auto-exílio de mais de 30 anos na casa de sua mãe em Cambridge, o mundo de alucinações em que Barrett foi perdido, o testemunho de seus companheiros de banda, sua família, e, acima de tudo, a ferida invocando lágrimas - como nas famosas canções: "Shine On You Crazy Diamond" e "Wish You Were Here" - animando uma longa lista de teorias e lendas sobre sua história que ainda hoje, quando questionado publicamente, conseguem provocar controvérsias.

Segundo a produção, "A obra é composta de sete quadros alegóricos em camadas paralelas, (confira descrição dos quadros: http://www.yuvalavital.com/noise-for-syd/), criados a partir de sons eletrônicos, gravações ao vivo, instrumentos clássicos e elétricos, objetos de arte, objetos sonoros analógicos, projeções, produções de vídeo e ação, e cuja fase varia desde a linguagem expressiva da dança clássica, até performances baseadas no conceito da artista sérvia Marina Abramovic (que recentemente em Nova York, no MoMA, ficou sentada, em silêncio, por mais de 700 horas, enquanto os visitantes da mostra revezavam-se em uma cadeira em frente à dela), a partir do modelo de Teatro Butoh (teatro japonês em forma de dança que mistura mímicas e expressão corporal onde bu = dança e toh = passo. Literalmente, dança compassada), para a “Dança-Teatro” contemporânea de Pina Bausch (A expressão "Dança-Teatro" ['Tanztheater', em alemão], tem como definição mais universal "a união genuína da dança com alguns elementos do teatro, criando uma nova e única forma de dança, na qual a maior referência é a realidade humana.")

syd

"Neste trabalho, o quadro não têm o formato extenso de uma 'ópera-rock', mas é uma experiência verdadeiramente multi-sensorial poética dedicada a 'Syd Barrett', fundador do 'Pink Floyd', sete anos depois de sua morte."

A estréia acontece no Aperto Festival em Reggio Emilia, Itália, em 13 de novembro. Os participantes são avisados ​​que o show contém "cenas de nudez, iluminação estroboscópica também por longos períodos, e música alta". Confira abaixo o preview: 

 

Noise for Syd - icon/sonic concert in memory of Syd Barrett
Yuval Avital - Composition, direction, video, electric guitar, noise effects Matteo Guarnaccia - slideshow, overhead projector, body painting Giovanni Cospito - electric bass & live-electronics Lorenzo Colombo - extended drum-set & percussions Paolo de Gaspari - bass-clarinet & ethnic reeds Riccardo Sinigaglia- MOOG, VCS, grand piano (to be played inside) Simone Beneventi - Noise objects, percussions Anna Kolesarova & Marta Mazzoleni - Dance Isabella Spinelli - Stage design & assistant director Paolo Latini - Light design with the artist Matteo Guarnaccia (visuals, stage design, projections, body painting).



Com o intuito de melhor exemplificar o trabalho deste artista, abaixo um vídeo de "OTOT", obra sinfônica definida pela imprensa como "o show mais surreal do ano" (Vanity Fair)," :


*Gesamtkunstwerk, ou em português, Obra de arte total, é um conceito estético oriundo do romantismo alemão do século XIX. Geralmente associado ao compositor alemão Richard Wagner, o termo refere-se à conjugação de música, teatro, canto, dança e artes plásticas, em uma única obra de arte. Wagner acreditava que, na antiga tragédia grega, esses elementos estavam unidos, mas, em algum momento, separaram-se. O compositor criticava o estado da ópera do seu tempo, em que toda ênfase era dada à música, em detrimento da qualidade do drama .

O termo é usado com freqüência, principalmente na Alemanha, para descrever qualquer integração de diferentes formas de expressão artística.

Na construção de seu teatro em Bayreuth, Wagner deu grande importância a elementos que proporcionassem ao público uma total imersão no mundo da ópera - como o escurecimento do teatro, efeitos sonoros, rebaixamento da orquestra e reposicionamento dos assentos para focar a atenção no palco. Esses conceitos foram revolucionários na época e hoje fazem parte da maioria das produções operísticas. (Wikipédia)

02/05/2013

No Brasil, Roger Waters concedeu entrevista sobre sua ópera Ça Ira


"Busquei no meu coração melodias e estruturas fáceis de compreender. A música erudita do século 20 é por vezes demasiadamente cerebral. Quis trabalhar no idioma de Berlioz, de Puccini"

"O mote é a liberdade", explica "Roger Waters" em entrevista coletiva. "A revolução francesa derrubou a ideia de que o poder está nas mãos de poucos, mas ainda não somos livres. Chegou a hora de nos desfazermos do extremismo religioso, de abolirmos estados controladores", completa, após frisar que Ça Ira não é uma ópera-rock, e sim um espetáculo construído nos moldes da tradição erudita.

A entrevista foi concedida um seleto grupo de jornalistas em um hotel de São Paulo. Ele veio mais uma vez ao Brasil para supervisionar a montagem nacional de sua ópera Ça Ira, agora acrescida do termo “Há Esperança”, que vai ser apresentada nos dias 2, 4, 7 e 9 de maio no Teatro Municipal, em São Paulo. Ao lado dele estavam o diretor cênico André Heller-Lopes e o maestro Rick Wentworth, que é o autor de trilhas de filmes como Piratas do Caribe e A Fantástica Fábrica de Chocolate, e é quem  elaborou a parte orquestral da obra.

Ele demonstrou estar muito bem humorado e como de costume, sarcástico, ao abordar como sendo pavorosa a versão cinematográfica de Os Miseráveis. Também fez questão de dizer que sua ópera não apenas nada tinha a ver com obra citada, como não tinha absolutamente nenhum elemento de rock.

Roger Waters - Marcio Fernandes/ Estadão"Waters" explicou que fez os esboços das canções usando uma série de teclados e sintetizadores, junto com uma bateria eletrônica. Quando estrutura estava pronta, ele convocou Wentworth para que criassem toda a parte orquestral e lírica com base nas “demos” elaboradas inicialmente.


A música foi composta nos anos 80, a partir de um libreto do letrista e roteirista francês Étienne Roda-Gil e de sua mulher Nadine, mas o trabalho foi engavetado após a morte de Nadine. Ganhou os palcos apenas em 2005, quando também foi lançada num CD duplo, (passou por Manaus, em 2008), e chega reformulado a São Paulo, com música nova e um cenário contemporâneo, desenvolvido por André Heller-Lopes. 

Quando finalmente estreou, em Roma, em 2005, não havia sido a primeira vez que grandes de sua geração se aventuraram pelo território erudito. Paul McCartney já havia composto para orquestra; Billy Joel peças para piano. Stuart Copeland, baterista do Police, já tinha composto a própria ópera, assim como Elvis Costello, que encenou seu trabalho acompanhado de um balé.

"Demorou para que chegássemos a um consenso sobre som e montagem. Mas aprendi muito durante o processo", conta o maestro Rick Wentworth. "Ça Ira diz muito sobre a visão conceitual de "Roger", assim como "The Wall". Ele estudou arquitetura antes de ser músico, e a ideia estrutural parece vir facilmente a ele", completa.

"Waters", fã da música erudita romântica,  fez questão de frisar que Ça Ira - Há Esperança, trata de um conceito universal - a liberdade –  e que vem acompanhando com atenção o que acontece no Brasil a respeito de questões sociais e da liberdade de expressão. Ele afirmou que escolheu o momento certo para apresentá-la aqui, tendo o cuidado de adaptá-la ao Brasil, acrescentou novas partes musicais e fez questão de que todo o elenco fosse formado por brasileiros.

Para ele, a revolução francesa foi a ruína da ideia de que o poder pode estar nas mãos de poucas pessoas, mas que ainda falta muito para que tenhamos a noção de total liberdade. E para que isto aconteça, é preciso acabar com extremismos, tanto religioso, quanto Estados controladores.

A escala épica em que "Roger Waters" costuma trabalhar faz de sua ópera Ça Ira - Há Esperança, um trabalho coerente. Que o diga os que assistiram à epopeia audiovisual The Wall, um clássico atestado do eficaz populismo artístico que Waters pratica como poucos, remontado no Morumbi, em 2012. Antecessor de Ça Ira, "The Wall" trouxe questões complexas sobre direitos humanos e a liberdade do indivíduo, resumidas ao espetáculo pop, falando às vísceras através do colossal. Coloque-a em um teatro, substitua as guitarras por violinos, adicione árias, e o resultado não será distante da ópera sobre a revolução francesa que "Waters" estreia no Teatro Municipal, por quatro noites, a partir desta quinta-feira.

A presente adaptação para o Brasil, além das partes musicais, inclui parte cênica, que é fundamentada na obra de Arthur Bispo do Rosário, o artista plástico brasileiro que viveu entre a loucura e genialidade no século passado. Heller-Lopes explicou que usou os elementos da obra que Rosário elaborou durante décadas de confinamento em um manicômio justamente para discutir a relação existente entre sanidade e liberdade, e que uma ópera escrita por um músico do "Pink Floyd" certamente vai tornar o gênero mais acessível a quem não tem o hábito de se interessar por isto. Tanto isto é verdade que os preços dos ingressos têm um valor relativamente baixo para eventos deste porte - de R$ 60 a R$ 100.

Ça Ira será encenada com um ótimo elenco nacional, que inclui a soprano Gabriella Pace, o tenor Giovanni Tristacci, o barítono Leonardo Neiva, além de Lina Mendes, também soprano. Roger Waters acompanhou todos os detalhes desta nova montagem.

Trailer

Fontes: Entre outras, Estadão, Regis Tadeu,Yahoo notícias
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