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01/12/2019

Em entrevista, o engenheiro Andy Jackson fala sobre o lançamento de 'The Later Years'


"Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd"




Conversamos com Andy Jackson sobre a importância infindável dos britânicos para o mundo da música, e sobre o lançamento de The Later Years, box lançada para exaltar o trabalho da banda a partir de 1987

Na última sexta, 29, a Sony Music lançou uma coleção excepcional e essencial para os fãs de Pink Floyd. A box The Later Years, que conta com um total de 16 discos repletos de clássicos e material inédito, chega ao Brasil apenas parcialmente, no formato digital. O lançamento tem como objetivo contemplar e exaltar a maestria dos trabalhos lançados pela banda a partir dos anos 1987.

E para enaltecer ainda mais a genialidade dessas composições, conversamos com Andy Jackson - produtor e engenheiro de som que  contribuiu de perto para a criação da identidade sonora dessa época do grupo - sobre a importância infindável do Pink Floyd para o mundo da música, a contínua influência que os britânicos têm até hoje e sobre originalidade musical.

Para o lançamento atual, Jackson, que trabalhou originalmente em 'A Momentary Lapse Of Reason' lá em 1987, revisitou com David Gilmour o trabalho feito há mais de 30 anos, com o intuito de atualizar a sonoridade das composições. 

"Quando fizemos o disco, optamos por trabalhar de uma forma que soasse bem moderna. Mas o que acontece com o moderno, depois de um tempo, é que se torna datado. Você escuta ele dez anos depois, e realmente soa como algo feito nos anos 1980", relembrou.

"Olhamos para isso hoje em dia, e percebemos que não foi a melhor das escolhas. [Com o relançamento] tivemos a chance de alterar isso, e fazer de um jeito mais parecido com os outros álbuns, mais atemporais", já que com exceção desse disco em específico, os outros projetos soam como se pudessem ter sido lançados em qualquer ponto da carreira do Pink Floyd.

O produtor também falou sobre a experiência de mergulhar novamente nesse universo das composições de 'A Momentary Lapse Of Reason' que ajudou a dar forma, e como voltar o olhar para essa criação tanto tempo depois o fez admirar ainda mais essas canções: "Como por exemplo 'One Slip'. Mixar essa faixa de novo me fez perceber o quão boa é, e acho que [essa qualidade] tinha se perdido um pouco de baixo do que fizemos com ela nos anos 1980".

Outro disco presente no relançamento é 'The Division Bell', lançado originalmente em 1994 e, assim como o projeto discutido anteriormente, já não contava mais com a participação de Roger Waters no grupo. Sobre esse clássico que está próximo de comemorar três décadas de aniversário, Jackson lembrou da mudança, ou melhor, da retomada da dinâmica que o Pink Floyd usava para compor. 

"A banda decidiu voltar a trabalhar de um jeito que não trabalhava há tempos", contou. Ao invés de músicas compostas separada e parcialmente, "no Division Bell eles sentaram em uma sala e tocaram juntos. Boa parte do álbum surgiu assim, com jams. [...] Foi assim que eles fizeram, por exemplo, 'Dark Side of the Moon' e 'Wish You Were Here'".

E é claro que não dá para falar de Pink Floyd sem falar em experimentação e revolução musical. O legado dos britânicos está permanentemente impresso na história da indústria fonográfica, e com essa inovação da qual a banda foi protagonista em mente, Jackson olhou para o cenário atual para refletir: 

"A última coisa realmente nova que aconteceu à música foi o surgimento do hip-hop. Nada de verdadeiramente novo surgiu desde então. Quando o Pink Floyd surgiu, eles criaram algo novo. Fizeram algo que ninguém tinha escutado ainda, e não acho que dê pra fazer isso de novo. Não dá pra fazer algo que ninguém tenha ouvido. Tudo já foi feito. [...] Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd." 

26/11/2019

David Gilmour relembra a importância de "Sorrow" para o futuro do Pink Floyd (The Lost Art of Conversation)


The Lost Art of Conversation: 
A Pink Floyd Podcast (Episode 1: Studio)


David Gilmour relembrou a composição da música "Sorrow", lançada em 1987, em depoimento no podcast oficial do Pink Floyd, "The Lost Art of Conversation" (vídeo acima). O primeiro episódio do programa.

Gilmour destacou que a composição de "Sorrow" o convenceu a seguir com o Pink Floyd sem Roger Waters. O vocalista, baixista e principal compositor deixou a banda em 1985, em meio a diversos conflitos internos, mas não esperava que os demais integrantes optassem por seguir sem ele.

O grupo acabou lançando dois álbuns, "A Momentary Lapse Of Reason" (1987) e "The Division Bell" (1994), antes de encerrar em definitivo - "The Endless River" (2014) saiu bastante tempo depois, já com o grupo encerrado, com sobras de material gravado sem Waters. O antigo líder do Pink Floyd acabou processando os remanescentes por continuarem com a banda.

As músicas presentes em "A Momentary Lapse Of Reason" começaram a ser feitas antes mesmo de Roger Waters sair, segundo David Gilmour. "Comecei a trabalhar algumas músicas em estúdio, mas o que estava para acontecer já estava no ar há algum tempo, enquanto Roger decidia se iria se mandar, e o que faríamos sem ele. Apenas comecei a compor e torci para que as coisas progredissem", afirmou.

Gilmour comentou que o período era "alarmante". "Seguir com algo assim era algo grande. Com Roger fora, uma grande parte estava fora, obviamente - um enorme talento e nosso letrista principal. É difícil. Estávamos no meio de uma ação judicial e em meio a tudo o que fazia, eu estava no telefone com advogados e essas coisas devoravam a mim, a nós e ao nosso tempo", disse.

Foi daí que veio a música "Sorrow", cuja letra "surgiu como mágica, do nada", segundo Gilmour. "Sentei e fiz 5 versos para uma música que não tinha melodia. Nunca fiz desta forma, a música sempre vinha primeiro. Com 'Sorrow', a letra veio primeiro e compus a música para se encaixar. Fiz a demo e trabalhei em estúdio. Foi quando percebi que estávamos à vontade, era a direção que queríamos seguir e era uma boa música. Deu contexto às outras canções e confiança para o que fazíamos", afirmou.

David deu também mais detalhes a respeito do papel de sua mulher, Polly Samson, na banda. "Ela mudou minha vida e passou a fazer parte do Pink Floyd. Ela me provocava, extraía histórias de mim, e dizia para eu escrever sobre minha infância. Me fazia várias perguntas", disse ele. "Foi a principal responsável pelas letras que escrevi para o 'Division Bell' (1994)."

O músico ainda explicou que Polly "escolheu" o título desse álbum, sugerindo que "Division Bell", uma referência ao sino tocado no Parlamento britânico para sinalizar aos membros da câmara que uma votação está ocorrendo, ou que ela teve início, ou fim, entrasse em uma das letras. "Quando estávamos procurando um título para o disco, conversamos com Douglas Adams (autor de 'O Guia do Mochileiro das Galáxias'). Ele examinou a letra e disse: 'Aí está o seu título'. Foi assim que aconteceu", revelou David.

Confira a música "Sorrow" (2019 Remix):





Fonte: Ultimate Classic Rock
Por Igor Miranda,
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David Gilmour


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