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22/12/2019

Nick Mason: Pink Floyd do psicodélico ao conceitual até o virtuosismo (BLITZ)


Nick Mason, David Gilmour, Richard Wright em 1994


Matéria da revista BLITZ

A colheita tardia do Pink Floyd poderá ser comparada aos vintages que lhes garantiram a eternidade? Provamos a nova edição especial, “The Later Years”, a caixa que reúne o que a banda inglesa fez após a saída de Roger Waters

Há três distintas versões do Pink Floyd – a de Syd Barrett, a de Roger Waters e a de David Gilmour – e discutir qual das três é a melhor tem sido ocupação de muito boa gente ao longo dos anos. Em dezembro de 2018, em vésperas de levar o projeto Nick Mason’s Saucerful of Secrets em digressão aos Estados Unidos, o eterno baterista do Pink Floyd oferecia, em entrevista à Rolling Stone, uma possível solução para resolver, pelo menos, parte do dilema. De acordo com Mason, Roger Waters acredita que a escrita foi sempre o elemento decisivo na arte do Pink Floyd ao passo que Gilmour valorizará muito mais a interpretação, a execução musical. E, de certa forma, essa é uma maneira possível para nos orientar o olhar para as diferentes fases do grupo: se em clássicos como Dark Side of the Moon e Wish You Were Here o grupo tinha aprimorado tanto o lado conceitual da escrita das canções como a melhor forma de as apresentar ao mundo, em registos mais tardios, correspondentes já ao período pós-Waters, como A Momentary Lapse of Reason, a notória cedência no controle de qualidade do material parece ter sido sempre compensada por produções grandiloquentes e demonstrações por vezes gratuitas de virtuosismo, sobretudo por parte de Gilmour (escute-se “Dogs of War” como possível prova...).

Nesta última década, a recatalogação intensiva da obra do Floyd, preparando-a em definitivo para a era do streaming, rendeu uma série de importantes edições destinadas ao mesmo mercado premium em que se encontram os suspeitos do costume, de David Bowie aos U2, de Prince ao Rolling Stones. Para lá de abordagens definitivas a trabalhos como Pulse e The Division Bell e da série Immersion , que motivou o tratamento de luxo a clássicos como The Wall, The Dark Side of The Moon e Wish You Were Here, e entre uma miríade de edições avulso em vinil e outros formatos, os fãs com maior poder de investimento puderam perder-se de amores pelas caixas Discovery (16 CDs a proporcionarem uma perspectiva panorâmica de toda a discografia) e The Early Years (10 CDs, 8 Blu-rays, 9 DVDs mais 5 singles em vinil). Agora, The Later Years, a nova caixa de luxo que aterrou no mercado mesmo a tempo desta época natalícia, oferece um olhar detalhado sobre o período em que David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright tiveram que carregar o peso da marca Pink Floyd depois da dissidência de Roger Waters. 

A nova caixa é pensada como um contraponto de The Early Years, e em termos de embalagem adota um formato completamente distinto, ligeiramente superior a um vinil de doze polegadas, parecendo, portanto, uma caixa desenhada para conter LPs. Ao invés, The Later Years abriga cinco CDs (A Momentary Lapse of Reason, Delicate Sound of Thunder, Live Recordings 1987 & 1994 e Knebworth Concert 1990); seis Blu-rays (com áudio de misturas surround de alta resolução para A Momentary Lapse of Reason, The Division Bell, Delicate Sound of Thunder, Pulse, Concertos em Veneza 1989 e Knebworth 1990 e uma série de filmes de concertos e documentários); cinco DVDS (com material vídeo igualmente disponível nos Blu-rays); dois singles de sete polegadas em vinil com a versão de “Arnold Layne” que os Pink Floyd tocaram num concerto de tributo a Syd Barrett em 2007 e “Lost For Words”, gravada nos ensaios da tour de Pulse; um livro de fotos de 60 páginas em capa dura; réplicas de programas de digressão, um livro de letras com o cuidado visual habitual nos produtos com design Hipgnosis e uma série de objectos de memorabilia, incluindo tour passes, posters e autocolantes. Chega? Chega certamente para fazer salivar os mais dedicados e completistas fãs dos Pink Floyd.

De fora fica o derradeiro registo do grupo, Endless River, editado em 2014, mas, em compensação, boa parte do material foi novamente misturado e algum, como A Momentary Lapse of Reason foi mesmo alvo de mexidas mais sérias, com a adição de novas partes de bateria e de teclados, a partir dos multi-pistas das gravações originais. Em Portugal, esta caixa aproxima-se dos 400 euros, preço de retalho, com os valores nos diferentes retalhistas europeus a posicionar-se quase sempre acima dos 300 euros, valor em França, por exemplo, e a chegar mesmo às 350 libras no Reino Unido (cerca de 411 euros).

“É frustrante que estes dois cavalheiros de idade considerável [Gilmour e Waters] continuem de costas voltadas” Nick Mason

Nas já mencionadas declarações à Rolling Stone, Nick Mason – que é o único membro do Pink Floyd que toca em todos os álbuns da sua discografia oficial e que se manteve próximo tanto de Gilmour como de Waters – explica que o baixista e cérebro principal do mega-projeto 'The Wall' nunca pensou que o grupo pudesse ter um futuro depois de ter anunciado que iria sair, em 1985. “Penso que faz confusão a Roger ele ter cometido uma espécie de um erro quando saiu, assumindo que isso seria o fim da banda. É uma irritação constante, na verdade, que ele continue a implicar com isso. Tenho alguma hesitação em pensar demasiado no assunto, porque os problemas são entre eles os dois, não comigo. Na verdade, dou-me bem com ambos, e penso que é frustrante que estes dois cavalheiros de idade considerável continuem de costas voltadas”.

Depois da saída de Waters, os músicos voltaram a cruzar-se em palco para uma triunfante e muito celebrada apresentação no Live 8, em 2005, e para um evento de beneficência para crianças da Palestina no Verão de 2010. Um ano depois, foi Gilmour que cedeu e apareceu na O2 Arena, em Londres, para tocar “Confortably Numb” com Waters, subindo depois ao palco com Nick Mason para o encore final. Claro que o que muitos viram como sinais positivos de um eventual apaziguamento de relações que pudesse até levar a uma tão amplamente desejada reunião foi eliminado com o projeto 'Endless River', uma homenagem a Rick Wright pensada e conduzida sobretudo por Gilmour que não cedeu um milímetro no que à relação com Roger Waters diz respeito: “Porque que diabos alguém há de pensar que o que fazemos agora poderá ter alguma coisa a ver com ele é algo que não compreendo”, desabafou Gilmour à Rolling Stone. “O Roger estava cansado de fazer parte de um grupo pop. Ele está muito habituado a ser a única força por trás da sua carreira. Pensar que ele pudesse vir encaixar-se numa coisa que tem uma base democrática... ele não seria capaz disso. Além disso, eu estava nos meus trintas quando o Roger abandonou o grupo. Tenho 68 agora, já foi há meia vida atrás. Já não temos nada em comum, na verdade”

Pink Floyd em 1987: Nick Mason, David Gilmour, Richard Wright

Os dois álbuns de originais resultantes da fase pós-Waters que surgem na caixa The Later Years, A Momentay Lapse of Reason (1987) e The Division Bell (1994) são normalmente relegados para posições secundárias nas listas que procuram uma hierarquia coletiva para a discografia do Pink Foyd, quase sempre encimadas pelo tríptico The Wall (1979), Wish You Were Here (1975) e The Dark Side of The Moon (1973) (que, certamente não por acaso, foram os títulos celebrados nas edições de luxo da série Immersion). Em 2011, a BLITZ dedicou um número especial ao Pink Floyd que então assistiam ao arranque do programa de reedições Why Pink Floyd?. Na abordagem à discografia do grupo, André Gomes escreveu, a propósito de A Momentary Lapse of Reason, que para compensar a partida de Waters, “Gilmour tratou de recrutar as pessoas certas para colocar o dirigível Pink Floyd de volta no ar: Jon Carin, Phil Manzanera e Bob Ezrin foram chamados para trabalhar no álbum, Richard Wright foi readmitido na banda e Anthony Moore foi escolhido para dar palavra a algumas canções”. Trata-se, escreve ainda Gomes, de “um álbum composto essencialmente por temas instrumentais dados a divagações atmosféricas onde o virtuosismo de Gilmour encontra uma base segura e fértil”. E conclui: “Entre batalhas jurídicas e musicais, A Momentary Lapse of Reason acaba por ser um disco a solo de David Gilmour, apesar de ter ao seu lado Nick Mason e Richard Wright”.

Já sobre The Division Bell, o colaborador da revista BLITZ escrevia, alguns anos antes da edição de Endless River, que “o derradeiro grito dos Pink Floyd, já na década de 90, sete anos após A Momentary Lapse of Reason, resolvidos que estavam todos os problemas e contendas legais, é um disco sobre a comunicação e como o uso da palavra pode ser um fator decisivo de resolução de problemas, algo que muitos interpretaram como alusivo à relação tremida entre David Gilmour e Roger Waters”. E ainda se adianta que “ao contrário do álbum anterior, The Division Bell é um álbum escrito por uma banda e não apenas por David Gilmour, o que acaba por se refletir intensamente na cor das canções deste álbum”. Que o jornalista garante que mostra o Floyd “decididos em fazer as pazes com o passado e apostados em sinalizar o final da viagem com a honra que o momento pedia”.

Sobre Pulse, outro dos pilares de The Later Years, no mesmo número especial da BLITZ recordava-se que “quando entraram em digressão, o Pink Floyd não planeava lançar um disco ao vivo – tinham editado Delicate Sound of Thunder em 1988 – mas mudaram de opinião assim que perceberam que tinham trazido ao palco, quase sem perceberem, a interpretação integral de Dark Side of The Moon. E esse é precisamente um dos maiores atrativos de Pulse, editado em versão áudio e visual para quem deseja experienciar o que o Pink Floyd imaginou ao vivo aquando da edição de The Division Bell”.




















40 milhões de discos vendidos, duas digressões, a estréia em Portugal

São, de fato, marcos de um tempo em que o Pink Floyd poderia já contar atrás de si os seus melhores anos, mas, ainda assim, o período documentado em The Later Years traduziu-se em mais de 40 milhões de cópias de discos vendidos em todo o mundo e em duas memoráveis digressões, a A Momentary Lapse of Reason Tour que decorreu entre setembro de 1987 e julho de 1989, e a The Division Bell Tour que finalmente trouxe o grupo a Portugal para duas inesquecíveis noites no Estádio José de Alvalade, a 22 e 23 de julho de 1994, um espetáculo, de acordo com a reportagem BLITZ da época, “se fez de proezas técnicas que foram arrancando ‘ahhs’ à multidão”. E, claro, música que por essa altura já tinha conquistado um lugar único na história.

É para os fãs que possam eventualmente carregar até hoje, 25 anos depois, memórias especiais dessas noites de verão, que esta edição especial The Later Years é pensada. Mais uma pequena arca recheada de tesouros a pensar nos fãs fervorosos.



19/12/2019

Pink Floyd: WebAR Experience - Realidade aumentada (The Later Years)




Na semana passada, foi lançado o novo box set do Pink Floyd, The Later Years, reunindo o material da banda a partir de 1987.

Para promover a novidade, o estúdio Draw & Code resolveu proporcionar uma experiência incrível! Se você acessar o site do The Later Years Web AR Experience, terá acesso a uma seleção de imagens icônicas do Pink Floyd, graças à tecnologia AR, podendo explorar imagens do mais recente box da banda através da realidade aumentada.

O site oficial do experimento, que deve ser acessado em um dispositivo móvel (celular ou tablet), permite a visualização das capas de "A Momentary Lapse Of Reason" (1987) e "The Division Bell" (1994), além do ao vivo "Pulse" (1995). Basta apontar a câmera para algum ponto de onde você estiver para a representação das imagens, e você pode examiná-las bem de perto. Todas, claro, acompanhadas de belas músicas do disco em questão.

Além de visualizar, é possível fazer capturas de tela (print screens) e compartilhar o resultado usando a hashtag recomendada #TheLaterYears. E, claro, a experiência conta com reprodução automática de músicas do álbum selecionado.

O box set "The Later Years" relança o álbum "A Momentary Lapse Of Reason" e o ao vivo "Delicate Sound Of Thunder", além de trazer gravações inéditas de 1987 e 1994, bem como um show no Knebworth, em 1990.

A caixa contempla os seguintes materiais:

5 CDs, cada um com encarte de 40 páginas e guia detalhado

- CD 1: "A Momentary Lapse Of Reason" remixado e atualizado;
- CDs 2 e 3: "Delicate Sound Of Thunder" remixado;
- CD 4: Gravações ao vivo e registros inéditos de estúdio de 1987 e 1994;
- CD 5: Show no Knebworth, 1990.

6 Blu-Rays, cada um em gatefold wallet com capa exclusiva, tracklist e créditos

- Blu-Ray 1: Surround & Hi-res Audio Mixes;
- Blu-Ray 2: "Delicate Sound Of Thunder" restaurado e remixado;
- Blu-Ray 3: "Pulse" restaurado e reeditado;
- Blu-Ray 4: Shows em Venice (1989) e Knebworth (1990);
- Blu-Ray 5: clipes ao vivo inéditos;
- Blu-Ray 6: documentários e materiais inéditos;

5 DVDs, cada um em gatefold wallet com capa exclusiva, tracklist e créditos

- DVD 1: "Delicate Sound Of Thunder" restaurado e remixado;
- DVD 2: "Pulse" restaurado e reeditado;
- DVD 3: Shows em Venice (1989) e Knebworth (1990);
- DVD 4: clipes ao vivo inéditos;
- DVD 5: documentários e materiais inéditos.

- Dois singles 7" com "Arnold Layne", em performance no tributo a Syd Barrett em 2007, e "Lost For Words" dos ensaios da turnê do "Pulse";

- Livro de fotos com 60 páginas, réplica do programa de turnê e livro de letras, coleção de memorabilia incluindo tour passes, adesivos e pôsteres, entre outros.

Veja a capa do material, uma imagem com todos os registros presentes no box e um vídeo de "Wish You Were Here" ao vivo no Knebworth, em 1990.

* Curiosamente, o álbum "The Division Bell" (1994) não está presente.



Fontes: Pink Floyd The Later Years, Revista Prog, Whiplash.Net


01/12/2019

Em entrevista, o engenheiro Andy Jackson fala sobre o lançamento de 'The Later Years'


"Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd"




Conversamos com Andy Jackson sobre a importância infindável dos britânicos para o mundo da música, e sobre o lançamento de The Later Years, box lançada para exaltar o trabalho da banda a partir de 1987

Na última sexta, 29, a Sony Music lançou uma coleção excepcional e essencial para os fãs de Pink Floyd. A box The Later Years, que conta com um total de 16 discos repletos de clássicos e material inédito, chega ao Brasil apenas parcialmente, no formato digital. O lançamento tem como objetivo contemplar e exaltar a maestria dos trabalhos lançados pela banda a partir dos anos 1987.

E para enaltecer ainda mais a genialidade dessas composições, conversamos com Andy Jackson - produtor e engenheiro de som que  contribuiu de perto para a criação da identidade sonora dessa época do grupo - sobre a importância infindável do Pink Floyd para o mundo da música, a contínua influência que os britânicos têm até hoje e sobre originalidade musical.

Para o lançamento atual, Jackson, que trabalhou originalmente em 'A Momentary Lapse Of Reason' lá em 1987, revisitou com David Gilmour o trabalho feito há mais de 30 anos, com o intuito de atualizar a sonoridade das composições. 

"Quando fizemos o disco, optamos por trabalhar de uma forma que soasse bem moderna. Mas o que acontece com o moderno, depois de um tempo, é que se torna datado. Você escuta ele dez anos depois, e realmente soa como algo feito nos anos 1980", relembrou.

"Olhamos para isso hoje em dia, e percebemos que não foi a melhor das escolhas. [Com o relançamento] tivemos a chance de alterar isso, e fazer de um jeito mais parecido com os outros álbuns, mais atemporais", já que com exceção desse disco em específico, os outros projetos soam como se pudessem ter sido lançados em qualquer ponto da carreira do Pink Floyd.

O produtor também falou sobre a experiência de mergulhar novamente nesse universo das composições de 'A Momentary Lapse Of Reason' que ajudou a dar forma, e como voltar o olhar para essa criação tanto tempo depois o fez admirar ainda mais essas canções: "Como por exemplo 'One Slip'. Mixar essa faixa de novo me fez perceber o quão boa é, e acho que [essa qualidade] tinha se perdido um pouco de baixo do que fizemos com ela nos anos 1980".

Outro disco presente no relançamento é 'The Division Bell', lançado originalmente em 1994 e, assim como o projeto discutido anteriormente, já não contava mais com a participação de Roger Waters no grupo. Sobre esse clássico que está próximo de comemorar três décadas de aniversário, Jackson lembrou da mudança, ou melhor, da retomada da dinâmica que o Pink Floyd usava para compor. 

"A banda decidiu voltar a trabalhar de um jeito que não trabalhava há tempos", contou. Ao invés de músicas compostas separada e parcialmente, "no Division Bell eles sentaram em uma sala e tocaram juntos. Boa parte do álbum surgiu assim, com jams. [...] Foi assim que eles fizeram, por exemplo, 'Dark Side of the Moon' e 'Wish You Were Here'".

E é claro que não dá para falar de Pink Floyd sem falar em experimentação e revolução musical. O legado dos britânicos está permanentemente impresso na história da indústria fonográfica, e com essa inovação da qual a banda foi protagonista em mente, Jackson olhou para o cenário atual para refletir: 

"A última coisa realmente nova que aconteceu à música foi o surgimento do hip-hop. Nada de verdadeiramente novo surgiu desde então. Quando o Pink Floyd surgiu, eles criaram algo novo. Fizeram algo que ninguém tinha escutado ainda, e não acho que dê pra fazer isso de novo. Não dá pra fazer algo que ninguém tenha ouvido. Tudo já foi feito. [...] Não acho que haja espaço para uma banda ser o novo Pink Floyd." 

26/11/2019

David Gilmour relembra a importância de "Sorrow" para o futuro do Pink Floyd (The Lost Art of Conversation)


The Lost Art of Conversation: 
A Pink Floyd Podcast (Episode 1: Studio)


David Gilmour relembrou a composição da música "Sorrow", lançada em 1987, em depoimento no podcast oficial do Pink Floyd, "The Lost Art of Conversation" (vídeo acima). O primeiro episódio do programa.

Gilmour destacou que a composição de "Sorrow" o convenceu a seguir com o Pink Floyd sem Roger Waters. O vocalista, baixista e principal compositor deixou a banda em 1985, em meio a diversos conflitos internos, mas não esperava que os demais integrantes optassem por seguir sem ele.

O grupo acabou lançando dois álbuns, "A Momentary Lapse Of Reason" (1987) e "The Division Bell" (1994), antes de encerrar em definitivo - "The Endless River" (2014) saiu bastante tempo depois, já com o grupo encerrado, com sobras de material gravado sem Waters. O antigo líder do Pink Floyd acabou processando os remanescentes por continuarem com a banda.

As músicas presentes em "A Momentary Lapse Of Reason" começaram a ser feitas antes mesmo de Roger Waters sair, segundo David Gilmour. "Comecei a trabalhar algumas músicas em estúdio, mas o que estava para acontecer já estava no ar há algum tempo, enquanto Roger decidia se iria se mandar, e o que faríamos sem ele. Apenas comecei a compor e torci para que as coisas progredissem", afirmou.

Gilmour comentou que o período era "alarmante". "Seguir com algo assim era algo grande. Com Roger fora, uma grande parte estava fora, obviamente - um enorme talento e nosso letrista principal. É difícil. Estávamos no meio de uma ação judicial e em meio a tudo o que fazia, eu estava no telefone com advogados e essas coisas devoravam a mim, a nós e ao nosso tempo", disse.

Foi daí que veio a música "Sorrow", cuja letra "surgiu como mágica, do nada", segundo Gilmour. "Sentei e fiz 5 versos para uma música que não tinha melodia. Nunca fiz desta forma, a música sempre vinha primeiro. Com 'Sorrow', a letra veio primeiro e compus a música para se encaixar. Fiz a demo e trabalhei em estúdio. Foi quando percebi que estávamos à vontade, era a direção que queríamos seguir e era uma boa música. Deu contexto às outras canções e confiança para o que fazíamos", afirmou.

David deu também mais detalhes a respeito do papel de sua mulher, Polly Samson, na banda. "Ela mudou minha vida e passou a fazer parte do Pink Floyd. Ela me provocava, extraía histórias de mim, e dizia para eu escrever sobre minha infância. Me fazia várias perguntas", disse ele. "Foi a principal responsável pelas letras que escrevi para o 'Division Bell' (1994)."

O músico ainda explicou que Polly "escolheu" o título desse álbum, sugerindo que "Division Bell", uma referência ao sino tocado no Parlamento britânico para sinalizar aos membros da câmara que uma votação está ocorrendo, ou que ela teve início, ou fim, entrasse em uma das letras. "Quando estávamos procurando um título para o disco, conversamos com Douglas Adams (autor de 'O Guia do Mochileiro das Galáxias'). Ele examinou a letra e disse: 'Aí está o seu título'. Foi assim que aconteceu", revelou David.

Confira a música "Sorrow" (2019 Remix):





Fonte: Ultimate Classic Rock
Por Igor Miranda,

22/11/2019

David Gilmour diz que saída de Roger Waters do Pink Floyd foi de certa forma libertadora (The Later Years)


Pink Floyd - The Later Years (About A Momentary Lapse Of Reason)



Rolling Stones Brasil
Em entrevista, Gilmour explicou a sensação de seguir com a banda sem Waters


Em 1985, o Pink Floyd surpreendeu o público quando, de certa forma, optou em seguir as atividades sem o principal vocalista, baixista e compositor, Roger Waters. 

Sem ele, foram lançados dois álbuns - A Momentary Lapse Of Reason e The Division Bell - entre as décadas de 1980 e 1990. Logo depois, o grupo entrou em hiato e apenas em 2014 foi divulgado um último projeto com esboços de algumas canções. 

Mas agora, em um box set liberado recentemente, diversos materiais relacionados ao período inicial de Waters na banda foram compilados. Intitulado de The Later Years, o projeto relança o álbum A Momentary Lapse Of Reason e o ao vivo Delicate Sound Of Thunder, além de apresentar gravações inéditas de 1987 e 1994. 

Para promover a novidade, algumas entrevistas estão sendo divulgadas e em um desses registros (vídeo acima), David Gilmour explicou a sensação de seguir com o Pink Floyd sem Waters e que para todos foi algo "libertador". 

"Todos sabíamos que Roger iria sair. Ele não estava feliz, nós também não. Eu sempre soube que queria seguir em frente, Nick parecia desejar isso também. Falei com Rick durante uma folga, na Grécia, e conversamos sobre seguir em frente e ele também queria". 

Gilmour contou sobre as brigas em que se envolveram nos últimos anos de Waters no Pink Floyd. "Eu me sentia confiante de que as gravadoras gostariam de lançar um álbum nosso. Obviamente, não ter Roger foi algo diferente, mas em algumas formas, nos sentíamos livres." 

Ele acrescenta: "As tensões dos dois álbuns anteriores, especialmente em 'The Final Cut', já não estavam mais ali. Éramos apenas nós juntos, compondo e gravando. Havia um senso de liberdade e otimismo."


21/10/2019

Pink Floyd divulga vídeo raro de “Money”, confira





Matéria por BLITZ


O Pink Floyd divulgou um curta metragem que, na sua digressão de 1994, era exibido nos ecrãs de palco sempre que interpretavam 'Money'. A mesma que o Estádio de Alvalade, em Lisboa, viu nos dias 22 e 23 de julho desse ano.

O curta faz parte da caixa de 18 discos, "The Later Years", que será lançada a 29 de novembro, e da qual farão parte 16 discos compreendendo material gravado de 1987 em diante.

Podem ver-se alguns momentos bizarros, como um disco voador e uma piscina cheia de dinheiro, estando implícita a mesma crítica ao capitalismo que é feita na canção.

Intitulada "The Later Years", a nova caixa incluirá os três LPs de estúdio lançados desde então ("A Momentary Lapse of Reason", de 1987, "The Division Bell", de 1994, e "The Endless River", de 2014), gravações de concertos, álbuns ao vivo e alguns inéditos, divididos por 5 CDs, 6 Blu-Rays e 5 DVDs.

"A Momentary Lapse of Reason", de 1987, será alvo de uma reedição 'atualizada', com trechos gravados pelo teclista Richard Wright, falecido em 2008, e com novos instrumentais de bateria a cargo de Nick Mason.

Entre os concertos incluídos estão os que o Pink Floyd deu em Veneza, Itália, em 1989, e em Knebworth, Inglaterra, no ano seguinte, que assim terão edição pela primeira vez.


Uma raridade vista na última digressão 
do Pink Floyd, que passou por Portugal



Ainda sobre a canção "Money", o Pink Floyd também divulgou no seu canal do YouTube a versão oficial gravada no Live 8 no Hyde Park em 2005. Confira abaixo: 




09/09/2019

Pink Floyd divulga cenas inéditas de bastidores da capa de "A Momentary Lapse Of Reason", confira




O post a seguir, feito na conta oficial do twitter do Pink Floyd, mostra os bastidores da produção do que viria a ser a icônica imagem da capa do álbum "A Momentary Lapse Of Reason", realizado em Saunton Sands, North Devon, Inglaterra, em julho de 1987.

O álbum, primeiro da banda sem a participação de Roger Waters, foi lançado no dia 8 de setembro de 1987. E a imagem, como explicado no post, foi inspirada na letra de uma das músicas do disco, "Yet Another Movie". Além disto, o vídeo traz o logotipo do "The Later Years", box set com 16 discos trazendo material registrado deste ano em diante, época em que a banda contava com David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, além de músicos contratados






: Whiplash 
Por Bruce William, Fonte: Pink Floyd @ twitter

30/08/2019

Pink Floyd anuncia box gigantesco com material da fase pós-Roger Waters






A caixa será lançada em 29 de novembro


Pink Floyd anunciou o novo box The Later Years com 18 discos da banda. É o primeiro lançamento da banda desde o box The Early Years 1965–1972 (2016). A coleção contará com o material do icônico grupo após a saída de Roger Waters em 1985.

A caixa inédita trará vídeos e discos. Entre eles estão gravações, três álbuns de estúdio e mais de 13 horas de conteúdo audiovisual nunca lançados. The Later Years contará com A Momentary Lapse of Reason (1987), o álbum ao vivo Delicate Sound of Thunder (1988) em CD duplo, a primeira versão oficial de Knebworth Concert (1990) e uma compilação de 65 minutos com gravações ao vivo de 1987 a 1994, além de sete faixas de estúdio nunca lançadas antes.


O box mostra projetos do Pink Floyd com foco nos trabalhos do grupo a partir de 1987. Momentary Lapse of Reason foi “atualizado e remixado” com colaborações restauradas do tecladista Richard Wright e do baterista Nick Mason. O áudio novo tem o objetivo de “restaurar o balanço criativo entre os integrantes do Pink Floyd”, segundo uma declaração divulgada à imprensa.






A coleção contendo 5 CDs, 6 Blu-Rays, 5 DVDs, um livro de fotos com 60 páginas, réplicas das programações das turnês, um livro com as letras do grupo e um conjunto de objetos - ingressos, figurinhas e pôsteres, terá versões Blu-ray de Delicate Sound of Thunder, Pulse, o controverso show em Veneza que aconteceu em 1989 e mais. “Arnold Layne” ganhará um vinil de sete polegadas na versão ao vivo que o grupo apresentou no tributo à Syd Barrett em 2007, junto com uma gravação do ensaio de “Lost for Words” durante uma turnê.

O box de The Later Years será lançado em 29 de novembro deste ano. The Later Years já está disponível na pré-venda, assista o vídeo de divulgação de Pink Floyd apresentando “Wish You Were Here”:




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David Gilmour


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