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23/07/2020

Roger Waters: Há 30 anos, show "The Wall" celebrava Alemanha reunificada



Roger Waters fez história em 1990 ao levar "The Wall" como show beneficente à Berlim recém-reunificada. Mais do que um megaevento de rock, uma reencenação catártica da queda do Muro.

A Potsdamer Platz é um local de peso simbólico para a história alemã do século 20. Na metrópole em ascensão Berlim dos anos 1920, a praça evoluiu como polo não só para o tráfego cada vez mais intenso, mas também para uma cena cultural cosmopolita e inovadora.

Poucos anos mais tarde, pouco sobrava dela, a Segunda Guerra a destruíra quase completamente. O ditador Adolf Hitler escapou da justiça dos vencedores aliados cometendo suicídio no bunker subterrâneo próxima dela. Mas isso não foi tudo: também a subsequente divisão da Alemanha literalmente transcorreu na Potsdamer Platz, transformada em zona proibida na terra de ninguém do Muro de Berlim.

Assim, é quase impossível fazer jus ao significado do local e do momento, quando, em 21 de julho de 1990, o ano da reunificação alemã, Roger Waters, da banda Pink Floyd, encena o lendário show The Wall justamente na Potsdamer Platz.

Celebração da Alemanha reunificada

"Não é um comício do partido do Reich, tampouco uma convenção de fusão de dois partidos irmãos de Leste e Oeste", salientava em 1990 a revista Der Spiegel, ao anunciar o concerto, numa alusão aos grandes eventos típicos do século 20. Em vez disso, o que se realizou na icônica praça há exatamente 30 anos foi um concerto beneficente de dimensões gigantescas.


A construção do megapalco de 168 metros de largura e 41 metros de profundidade ocupou uns 600 trabalhadores durante mais de quatro semanas. Foram vendidos 220 mil ingressos com antecedência. De prontidão, estavam gruas para manipular colossais marionetes, assim como diversos helicópteros, uma banda de sopros do Exército Vermelho e participações musicais especiais do calibre de Bryan Adams, Cyndi Lauper ou a banda Scorpions.

E no entanto foram os sons mais suaves que ressoaram mais longamente. "What shall we use to fill the empty spaces where we used to talk" (O que vamos usar para encher os espaços vazios onde costumávamos conversar), pergunta, na canção Empty spaces, Pink, o protagonista do álbum estruturado como ópera-rock.

Como era sequer possível entender-se mutuamente, depois de tantos anos de separação e de confrontação de sistemas entre Leste e Oeste? A tentativa de resposta do show parece inequívoca, 30 anos mais tarde: apresentando o espaço de experiências recém-criado na Alemanha e aberto à vivência conjunta, como megaespetáculo de rock, a uma multidão estimada em 350 mil fãs – os portões haviam sido abertos por razões de segurança, devido à enorme afluência – e a centenas de milhões de espectadores diante da televisão.

Álbum icônico, show catártico

Antes de Berlim, o show The Wall já fora apresentado 31 vezes, nos Estados Unidos, Inglaterra e na cidade alemã de Dortmund, além de filmado em 1982, com Bob Geldof no papel principal. Mas sua origem foi o álbum homônimo, lançado em novembro de 1979. Ele marcara uma guinada estilística na música do Pink Floyd, o que não impediu uma duradoura trajetória de sucesso.

The Wall Live in Berlin von Roger Waters inszenierte Show und Konzert Performance 1990 in Berlin (Imago/Brigani-art)

Fãs mascarados no show de 1990

Com 19 milhões de cópias vendidas já em 1990, até hoje The Wall mantém o recorde de álbum duplo mais vendido, assim como de um dos 30 mais bem sucedidos no mundo. Por outro lado, esse sucesso acabou acarretando a saída de Roger Waters da banda em 1985.

O cantor e baixista, que também escrevera a maioria das canções, exigia o controle artístico exclusivo, o que resultou na briga e separação. Indagado numa entrevista se voltaria a apresentar a ópera-rock na íntegra, Waters respondeu com um decidido "não". Mas se o Muro de Berlim caísse, então se poderia pensar a respeito, acrescentou.

Quando, cinco anos mais tarde, o impensável aconteceu, o roqueiro foi imediatamente consultado: criada um ano antes com o fim de reunir doações para vítimas de catástrofes, a fundação britânica Memorial Fund for Disaster Relief planejava um concerto beneficente. Waters reuniu então uma banda para substituir musicalmente seus colegas do Pink Floyd.

O fato de que o lendário show ia além de "apenas" música fica claro, por exemplo, em Another brick in the wall, Part 1, "irmã mais nova" da canção mais famosa do álbum. O protagonista Pink pensa no paí que não retornou da guerra: "Daddy's flown across the ocean, leaving just a memory" (Papai voou através do oceano, só deixando uma lembrança). Essa memória é visualizada como um tijolo de isopor que, juntamente com outros traumas e vivências forma um muro crescente: "All in all it was just a brick in the wall" (No fim das contas, foi só um tijolo no muro).

Mais de 300 mil pessoas compareceram ao 
show histórico em 21 de julho de 1990

E mesmo que esse traumático muro simbólico se preste a diversas interpretações alternativas, para o concerto de 1990 em Berlim, a rigor, só existe uma: com 170 metros de largura e 25 metros de altura, o tremendo muro representava as lembranças dolorosas, biografias e realidades de vida dilaceradas da história alemã, assim como seu autoisolamento ideológico.

Nesse sentido, é também possível interpretar o fim do show como uma terapia de grupo histórica para a Alemanha reunificada. Quando, após duas horas de música e imagens, o muro cai ao som da palavra de ordem "Tear down the Wall" (Derrubem o muro), a multidão delirou: estavam esquecidas todas as panes técnicas, em parte graves, com quedas de energia e péssima qualidade de som.

Elas não passaram de acessórios incômodos de um espetáculo historicamente muito maior: a massa unida pelo evento, na Potsdamer Platz e diante dos monitores de TV, não apenas vivenciara um tremendo show de rock, mas fizera acontecer mais uma vez, numa catarse coletiva, a queda do Muro de Berlim.



Fonte: 2020 Deutsche Welle

10/06/2017

Pink Floyd - The Final Cut (1983) TOCP-71144 Japan Edition 2011 - FLAC




 The Final Cut


Roger Waters produziu uma obra conceitual que segue os passos do Pink Floyd, principalmente a partir de "The Dark Side of the Moon" onde se manifesta através de suas letras com o propósito de chamar a atenção sobre situações conflitantes que diariamente convivemos, expostos às organizações de toda sorte que não medem esforços para orquestrar os ditames da humanidade,  o que a consciência e a razão dizem que deve ser. É atemporal como todas as obras que sucedeu. Dotado de um teor crítico contundente, o álbum revê os vários temas discutidos em "The Wall, a partir do repúdio de Waters pela participação da Inglaterra na Guerra das Malvinas, expondo a culpa dos líderes políticos ("The Fletcher Memorial Home") e o sacrifício de várias vidas sem sentido algum, a não ser dos interesses escusos, implícitos nas conquistas destes governantes que buscam cultuar suas próprias imagens através do poder, trazendo sofrimento àqueles que governam e o consequente desvio da atenção aos problemas mais urgentes como melhor qualidade de vida e justiça social. Se olharmos para a constante devastação da natureza, a flagrante diferença dos tantos na pobreza, os poucos que manipulam ambas as situações degradantes através do poder e da riqueza, a opressão, guerras civis, o álbum parece ter sido concebido hoje em dia.

As pequenas faixas de tecido colorido da capa, tratam-se de condecorações de guerra. As distinções são quatro. A maior, branca com listras roxas inclinadas é ganha por atos de coragem e valor em combatentes aéreos. A dourada (com listras preta, vermelha e azul) bem como a verde (com listras preta e vermelha) são ganhas por tempo de serviço. A outra dourada (com listras vermelha, azul e preta) é ganha por serviços prestados na África. São todas medalhas da Segunda Guerra Mundial. No verso, um general com uma faca nas costas, intuí-se que embora condecorados, o destino daqueles que arriscaram suas vidas é o do abandono a própria sorte.

The Gunner’s Dream

Para Roger Waters, a entrada da Inglaterra em um novo conflito era uma punhalada, uma traição que ele via de forma bastante pessoal. Afinal, era o fim do "post war dream" (mencionado na faixa homônima), o sonho de que a ilha não se envolveria em um novo conflito bélico após o final da Segunda Grande Guerra. Um sonho que para "Waters" era bastante caro, uma vez que seu pai "Eric Fletcher Waters", segundo-tenente faleceu nas colinas de Anzio, na Itália, em 1944. É o Fletcher de "Eric Waters" que dá nome a "Fletcher Memorial Home", também do álbum "The Final Cut", onde mais uma vez cita "Maggie", Brejnev, Begin, entre outros, como polidores de medalhas, afiadores de sorrisos e jogadores de jogos de guerra. "Bum, Bum, Bang, Bang, deite-se, você morreu".

A Guerra das Malvinas é retratada em quase todas as suas canções, A tragédia da guerra é vista no disco sob a ótica inglesa de "Waters", mas não apoia um lado ou outro. Muito pelo contrário, retrata o descontentamento dos ingleses com a primeira ministra na época, Margareth Tatcher, chamada "carinhosamente" de Maggie, que estava com a popularidade seriamente debilitada devido a suas duras medidas econômicas. Galtieri, o outro personagem principal da guerra, um ditador bêbado e facista, é citado nominalmente, junto a outros líderes beligerantes, na música "Get Your Filthy Hands Off My Desert":
"Begin (nota: primeiro ministro israelense) tomou Beirute.
Brejnev (nota: presidente russo) tomou o Afeganistão.
Galtieri tomou a bandeira do Reino Unido.
E Maggie, na hora do almoço, um dia, pegou um cruzador, aparentemente para fazê-lo devolvê-la".
Gravado em vários estúdios ingleses entre julho e dezembro de 1982, o LP foi editado no Reino Unido em 21 de março de 1983 e nos Estados Unidos em 2 de abril. "The Final Cut", ainda em 83 chegou ao 1º lugar no Reino Unido, 6º nos Estados Unidos, conquistou disco de ouro e platina, e em 31 de janeiro de 1997 dupla platina, foi dedicado ao pai de "Roger Waters" (Eric Fletcher Waters).

The Final Cut
21º entre os melhores 
álbuns conceituais de sempre

Apesar de tecnicamente ser um álbum do Pink Floyd, o nome da banda não aparece escrito no encarte do LP, trás no verso a menção: "The Final Cut - Um réquiem para o sonho do pós-guerra por "Roger Waters", com performance do Pink Floyd. "Waters" disse que sugeriu lançar o álbum como um álbum solo, mas o resto da banda rejeitou a ideia. No entanto, no seu livro "Inside Out", "Nick Mason" diz que isso nunca aconteceu. "Gilmour" ainda declarou que pediu a "Roger" para adiar o lançamento do álbum, para que então pudesse escrever material suficiente para contribuir, mas esse pedido foi negado. O fato é que neste período "David Gilmour" estava focado em seu trabalho solo. Boa audição!







Pink Floyd
The Final Cut
1983 (2011)
Japan Edition (EMI)

Tracklist :

01. The Post War Dream
02. Your Possible Pasts
03. One Of The Few
04. When The Tigers Broke Free
05. The Hero’s Return
06. The Gunner’s Dream
07. Paranoid Eyes
08. Get Your Filthy Hands Off My Desert
09. The Fletcher Memorial Home
10. Southampton Dock
11. The Final Cut
12. Not Now John
13. Two Suns In The Sunset



FLAC
mega.nz - (377.30 MB)




14/08/2012

The Wall - Imagens inéditas celebram o 30º aniversário do filme

THE WALL RETROSPECTIVE
Foto: Setting up for The Wall exhibition, open from July 13th - July 18th
David Appleby 

As fotos inéditas em preto e branco, tiradas pelo fotógrafo David Appleby, foram descobertas no estúdio britânico Pinewood em Iver Heath , condado de Buckinghamshire, em Londres .

Uma exposição exclusiva de cenas dos bastidores da produção, após tantos anos, dispostas em mostra para comemorar o marco histórico, no Blackall Studios, em Shoreditch, Londres, entre 13 e 20 de julho de 2012, e continuam em exposição neste mês de agosto até setembroem Swanage, cidade costeira no sudeste de Dorset, Inglaterra.

Fazem 30 anos desde que a versão do clássico álbum do "Pink Floyd" foi visto nos cinemas retratado em "The Wall" que estreou oficialmente no cinema londrino Empire em 14 de Julho de 1982. A premiere teve muitos famosos, dentre eles, três dos quatro membros do "Pink Floyd", "Roger Waters", "David Gilmour" e "Nick Mason" - à exceção de "Richard Wright" que havia sido demitido por "Waters". As críticas de "The Wall" foram positivas, e o filme recuperou seu orçamento de US$12 milhões arrecadando $22 milhões somente nos Estados Unidos.

Roger Waters com Christine Hargreaves e Kevin McKeon
Roger Waters, Christine Hargreaves e Kevin McKeon que interpretou Pink jovem,
 capturados pelas lentes de David Appleby

A sombra Bob Hoskins joga-se a seu papel como a rocha e gerente rolo
Bob Hoskins, manager do músico num dos momentos mais dramáticos do filme

John Stanier filmes semi-nua Bob Geldof
O cameraman John Stanier tem Bob Geldof contra uma parede durante a filmagem do filme

"Roger Waters" não gostou muito do filme, definindo as filmagens como "uma experiência enervante e desagradável", e disse que não conseguiu se envolver com a produção ao assistí-la, mas elogiou a performance de Geldof.

Parker teve diversos conflitos com Waters e Scarfe durante a produção, descrevendo as filmagens como "uma das experiências mais miseráveis da minha vida", e mais tarde se referiu a "The Wall" como "o mais caro filme de estudante já produzido". "David Gilmour" disse que seus conflitos com "Waters" começaram na produção do filme.

 Alan Parker, Brian Morris e Gerald Scarfe, em conversa
Diretor Alan Parker conversa com o desenhista de produção Brian Morris,
 e o cartunista Gerald Scarfe em uma sala de reuniões no Pinewood Studios

Locals em Devon se juntou ao elenco como extras para as filmagens de cenas de guerra
Moradores de Devon juntaram-se ao elenco como extras para as filmagens de cenas de guerra

Alan Parker dirige Bob Geldof em conjunto
O diretor Alan Parker parece absorto em pensamentos ao lado de Bob Geldof 

David Appleby começou sua carreira como fotógrafo de publicidade e mais tarde foi introduzido na indústria cinematográfica por Lord David Puttnam e o próprio Alan Parker, com quem formou estreitas relações de trabalho, em obras-primas cinematográficas como: "The Killing Fields", (Os Gritos do Silêncio), "The Mission" (A Missão), "Mississippi Burning", (Mississípi em Chamas) e "Evita".

O boneco assustadora usado para descrever o pai-de-rosa no filme
O boneco usado no filme para representar o pai do músico problemático.

Alan Parker depois acabou descrevendo a produção como "uma das experiências mais miseráveis​" de trabalho em sua vida, em um livro comemorativo.

Alan Parker e Bob Geldof em Sihouette
O diretor e o protagonista Geldof  são retratados em silhueta nesta imagem previamente invisível

 por David Appleby

O filme estrelado por um jovem Bob Geldof em seu auge no Boomtown Rats, como Pink, retrata um músico em meio à um colapso.

As fotos certamente emocionaram os fãs que puderam estar presentes. Um olhar exclusivo sobre o "making of" do filme dirigido por Alan Parker e que contou com 15 minutos de animação, desenhados pelo renomado  ilustrador político, Gerald Scarfe.

Imagens espontâneas que registraram tanto sequências chocantes das cenas do filme, quanto icônicas:

 por David Appleby

 by David Appleby

 por David Appleby

 por David Appleby

 por David Appleby

 por David Appleby

Roger Waters liberou o filme na íntegra no YouTube:

1:35:07



*Fato relevante sobre o protagonista do filme:

Em 13 de julho de 1985 Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou o show de rock mundialmente conhecido, o Live Aid, que teve a participação de artistas lendários do pop music e do rock mundial reunidos por uma causa comum: arrecadar fundos para combater a fome e a pobreza no continente africano, especialmente motivado pelo drama vivido pela Etiópia.

Foram realizados dois shows, um no já lendário Wembley Stadium de Londres, na Inglaterra e o outro no JFK Stadium na Filadélfia, nos EUA.

O evento Live Aid conseguiu em 16 horas de show acumular cerca de US$ 100 milhões, totalmente destinados ao povo da África. Todo este processo culminou como uma referência histórica na música, tornando a data 13 de julho o dia mundial do rock.
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David Gilmour


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