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26/08/2019

Roger Waters, “Another Brick in the Wall”, os jovens que subiram ao palco do Maracanã.


Roger Waters, ao fundo, com jovens atendidos na São Martinho, 
que subiram ao palco do Maracanã. 



Vidas transformadas
Fundação São Martinho

25 de agosto de 2019 


Em outubro do ano passado, 12 jovens colocaram em evidência, no Brasil e no mundo, o trabalho da Fundação São Martinho. Alunos de canto do Projeto Educagente, eles subiram ao palco do Maracanã, no Rio, para fazer coro com o músico Roger Waters em “Another brick in the wall” (“Outro tijolo no muro”, em tradução livre) – sucesso do Pink Floyd, banda da qual o músico fez parte nos anos 1970, quando os jovens que subiram ao palco nem sonhavam em nascer. Os 12 são tijolinhos não de um muro, mas de uma ponte que a São Martinho constrói há 35 anos entre jovens em situação de vulnerabilidade social e “uma sociedade mais justa, respeitosa, igualitária e acolhedora para todos”, como prega em seu site. “Onde houver uma criança ou adolescente com os seus direitos violados, ali estará a São Martinho para defender esses direitos que são fundamentais ao desenvolvimento humano”, anunciam.

Só no ano passado, foram 1.803 beneficiados e 5.476 atendimentos realizados por colaboradores e voluntários da instituição. O trabalho rendeu à São Martinho, que vive integralmente de doações, o Prêmio Prix Cáritas 2019, uma espécie de Oscar do setor de desenvolvimento social oferecido há 17 anos pela Cáritas Suíça a instituições em todo o mundo que se destacam na atuação no âmbito social, na cooperação voltada para o desenvolvimento ou na comunicação intercultural. A instituição concorreu com nove outras entidades. E, pela primeira vez, uma ONG brasileira foi premiada pela organização filantrópica, que é ligada à Igreja Católica, recebendo 10 mil francos suíços (cerca de R$ 38 mil) para ajudar a financiar seus projetos


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Frei Adailson e Lucimar Correa mostram 
o prêmio que a São Martinho recebeu na Suíça 

“Foi uma emoção muito grande! A coroação de um trabalho feito há mais de três décadas e o sinal de que estamos no caminho certo”, comemora o diretor da instituição, Frei Adailson dos Santos, que esteve em Lucerna, na Suíça, para receber o prêmio ao lado da coordenadora do Núcleo de Acompanhamento Interdisciplinar (NAI) da São Martinho, Lucimar Correa. “A transformação de crianças e jovens, principalmente dos que vivem em situação de rua no Rio de Janeiro é muito complexa, tanto para o trabalho social quanto para o de desenvolvimento. Precisamos impactar a vida deles. Só não ampliamos nossos projetos, com mais oficinas e unidades, porque existe uma limitação financeira”.

Nascida em 1984, quando um grupo de educadores sociais iniciou um trabalho de abordagem de crianças nas ruas, a São Martinho é uma organização sem fins lucrativos inspirada na Campanha da Fraternidade de 1984 (cujo lema foi “Para que todos tenham vida”). De lá para cá, mais de 90 mil crianças e jovens já passaram pela instituição, vinculada à Província Carmelitana de Santo Elias.

“Começamos o trabalho com crianças que viviam nas ruas, como engraxates. Era uma inciativa da Igreja, que contava com um grupo de voluntários. Chegamos a ter sete unidades socioeducativas só no Rio, além de uma casa de acolhida, que foi fechada em 2009 por falta de verbas. Hoje mantemos a sede, na Lapa, além da unidade de Vicente de Carvalho, onde atendemos crianças que têm famílias no contraturno, oferecendo oficinas para elas não se tornarem presas fáceis e seguirem por outros caminhos”, diz Frei Adailson. Hoje, a São Martinho conta com 87 colaboradores, entre educadores, psicólogos, pedagogos, advogados, assistentes sociais, fora o quadro de aproximadamente 15 voluntários.

“No Centro, temos menos oficinas. Hoje atendemos aproximadamente 500 crianças em situação de rua lá. Já em Vicente de Carvalho estão cerca de 1.500 estudantes sendo atendidos antes ou depois da escola”, acrescenta o diretor.


 
Alunos e professores da São Martinho, instituição 
que atende, por anos, cerca de 2000 crianças e jovens. 

Em 2015, com a consultoria do Instituto Ekloos, o modelo de atendimento da São Martinho foi reestruturado e dividido em cinco eixos de atuação integrados e centrados nas crianças e jovens beneficiados. O primeiro eixo é a Abordagem, porta de entrada para a instituição: diariamente, uma equipe de assistentes sociais e educadores percorre diferentes espaços públicos, como comunidades, ocupações urbanas e praças, fazendo o primeiro contato com a garotada através de atividades lúdicas.

Fizemos um mapeamento de onde crianças e adolescentes que vivem em situação de rua estão. Os educadores convidam para a acolhida, que inclui banho e alimentação. Depois fazemos uma avaliação técnica com psicólogos e assistentes sociais para ver, por exemplo, interesses e aptidões de cada um
Frei Adailson diretor da instituição

“Fizemos um mapeamento de onde crianças e adolescentes que vivem em situação de rua estão. Os educadores convidam para a acolhida, que inclui banho e alimentação. Depois fazemos uma avaliação técnica com psicólogos e assistentes sociais para ver, por exemplo, interesses e aptidões de cada um”, explica Frei Adailson. Quem topa participar é encaminhado para oficinas como as de informática, capoeira, percussão, esporte, arte e educação, na unidade da Lapa.

Uma vez lá dentro, os beneficiados contam com o Núcleo de Acompanhamento Interdisciplinar (NAI), formado por pedagogos, assistentes sociais, psicólogos e advogados. A equipe de profissionais trabalham com as crianças, os jovens e as famílias intermediando situações de conflito. O objetivo é promover uma mudança gradual que assegure o bem-estar e minimize os problemas decorrentes da pobreza, do acesso a serviços públicos de má qualidade e da exposição aos mais diversos tipos de riscos, incluindo violência e drogas.

Há também o Núcleo Comunitário Educagente, que envolve atividades de esporte, lazer, cultura e educação, e onde são oferecidas oficinas de educação ambiental, judô, capoeira, gastronomia educativa, informática, jogos coletivos e música, muitas formas de fazer e tocar música. O Centro de Música Jim Capaldi, projeto iniciado pelo músico inglês, ex-baterista da banda Traffic, que tocou com artistas como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Goerge Harison (com este gravou uma versão, em inglês, de “Anna Júlia”, do Los Hermanos). Capaldi foi casado com uma brasileira, Ana Capaldi, morou no Brasil e, durante anos, o casal ajudou financeiramente o Educagente.

Assim, surgiram o Coral Jim Capaldi e oficinas de canto, cavaquinho, percussão, violão e prática de conjunto. “O Centro de Música teve início há mais de 15 anos, com Jim querendo apadrinhar uma iniciativa que trabalhasse as crianças na arte, no canto, nos instrumentos. O projeto, totalmente montado por ele e, sobretudo, pela Ana, sobrevive, há dois anos, com contribuições esporádicas. Mas as oficinas continuam acontecendo. Descobrimos muitos talentos lá”, conta Frei Adailson. Os alunos, de 7 a 17 anos, são moradores de comunidades como o Conjunto Residencial do Ipase, Morro do Juramento, Jardim do Saco, Morro do Trem, Jardim do Carmo e Morro da Fé. Todos têm família, estudam e frequentam as oficinas no contraturno escolar. No ano passado, as turmas somaram 203 participantes. Entre eles, estavam os 12 que cantaram com Waters, cuja filha Tabitha é amiga de uma das filhas de Jim e Ana. Assim nasceu a ideia da participação dos jovens no show, que exigiu uma preparação de quatro meses.

Outro eixo de atuação da São Martinho é a Profissionalização, que acontece em duas etapas. A primeira, através do Curso de Formação Básica, que inclui oficinas e ciclo de palestras focados em dar aos jovens acesso a conteúdos e vivências capazes de desenvolver suas primeiras competências profissionais. Ao concluírem o curso, eles são encaminhados para processos seletivos nas 46 empresas públicas e privadas conveniadas à São Martinho. Entre as empresas, estão a Petrobras, Ipiranga e Prodigy Hotel.

Por fim, há o eixo de Desenvolvimento Institucional, que, entre outras atribuições, é responsável por mobilizar recursos financeiros. “Nosso objetivo é que essas crianças sejam inseridas no mercado de trabalho no futuro. Elas precisam estar matriculadas e ter um bom rendimento na escola para participar das oficinas e dos processos de profissionalização. Temos uma equipe para acompanhá-las. Muitas são incorporadas às empresas onde estagiam e outras tantas chegam à universidade”, orgulha-se o diretor da instituição.

Michelle dos Santos Pavão, da São Martinho, trabalha no IRB 

Michelle dos Santos Pavão, de 20 anos, trilhou este caminho de sucesso. Filha única de pai segurança e mãe dona de casa, morava com eles em uma quitinete na Lapa e estudava numa escola pública quando, aos 14 anos, ouviu falar na São Martinho. “Sempre quis ajudar meus pais e vi ali uma chance. Dos 14 aos 15 anos, ligava para lá insistentemente para perguntar se podia participar. Na época, havia vagas para quem tinha nascido de abril de 1999 em diante, e eu sou de fevereiro daquele ano”, relembra ela, que um dia, finalmente, conseguiu falar com um coordenador da instituição e foi submetida a uma entrevista. “Passei, e duas semanas depois estava fazendo um curso básico de três meses. Tive aulas de matemática, informática (nunca tinha mexido em um computador) e até de como me comportar no ambiente de trabalho”.

Logo, a menina começou como Jovem Aprendiz no setor administrativo do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), onde ficou por um ano e onze meses. Depois, tornou-se estagiária de nível médio lá mesmo. Fez o Enem e passou, pelo ProUni, para o curso de Direito da Universidade Veiga de Almeida, onde cursa o quinto período como bolsista. Também com uma bolsa, estuda inglês na Cultura Inglesa, faltando três anos para se formar. Há um ano, foi contratada no próprio IRB – Brasil Resseguros.

“Eu nem sabia sobre o que era a empresa quando cheguei lá. Na minha turma de Jovem Aprendiz, éramos 11 alunos da São Martinho. Sete de nós fomos efetivados no instituto”, conta Michelle. “Meus chefes são advogados. Eles me deram muita força e apoio. Lá, tenho um plano de carreira”.

A futura advogada não se esquece da instituição que ajudou a mudar seu destino: “Foi a melhor fase da minha vida. Não teria oportunidades se não fosse a São Martinho. Mantenho contato com a fundação, troco experiências com eles até hoje”. As mudanças influíram também nas vidas de seus pais. “Eles não queriam que eu trabalhasse, pois não têm ensino superior e queriam que eu estudasse para chegar à universidade. Hoje vivemos num dois quartos, também no Centro, bem melhor. Eles estão bem felizes”.

26/10/2018

Roger Waters faz show histórico no Maracanã


Roger Waters usa camisa com a frase "Lute como Marielle Franco"


Para o cantor, compositor e músico inglês Roger Waters, o show que apresentou na noite desta quarta-feira (24), no Maracanã, com aplausos e vaias ao posicionamento do artista contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), começou, na verdade, há cerca de seis meses. Em uma manhã cinza de Londres, ele olhou a edição daquele dia do jornal The Independent e soube da morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018.

"Ela acreditava em direitos humanos, assim como eu", ele diria mais tarde, já próximo ao fim das quase três horas de apresentação da etapa carioca da turnês "Us + Them". Antes disso, porém, o eterno baixista e principal compositor do Pink Floyd entregaria um show com 18 sucessos da carreira da banda inglesa e quatro canções de sua obra solo.


Cantor Roger Waters homenageia vereadora Marielle Franco durante show


Com atraso incomum para um artista britânico – o show estava marcado para as 21h mas começou às 21h20, retardo causado pela chuva que cairia sem parar ao longo de toda a apresentação –, o espetáculo teve início com a colagem sonora de "Speak to me", faixa inicial de "The dark side of the moon", álbum de 1973 que é pedra fundamental do Rock e quarto disco mais vendido da história da música. O artista seguiria no mesmo álbum com "Breath".

Logo em seguida, foi a vez da instrumental "One of theses days", solitária incursão do repertório do show no álbum "Meddle", de 1971, quando o Floyd estava no auge de sua fase progressiva.


Os relógios no telão marcam o início da execução de 
"Time", terceira canção do show.


Na sequência, mais três faixas de "The dark side of the moon": o hino "Time", "Breath (reprise)" e "The great gig in the sky", esta última com as vocalizações feitas pelas cantoras Jess Wolfe e Holly Laessig – vocalistas do grupo indie americano Lucius, que acompanham Waters na turnê.

"Welcome to the machine" – comentário ácido do Pink Floyd sobre a desilução da banda com a indústria musical e segunda faixa do álbum "Wish you were here", de 1975 – chegou em seguida. No telão, a animação original assinada pelo artista inglês Gerald Scarfe feita para a canção à época do lançamento garantia o pano de fundo.

A obra abriu caminho para um momento pouco menos amigável da apresentação – da mesma forma como já fizera nos shows anteriores desta turnê, Waters tocou três canções de seu álbum solo mais recente, "Is this the life we really want?", de 2017: "Déjà vu", "The last refugee" e "Picture that".

Por serem novas e ainda pouco conhecidas, esse momento marcou o único instante do show no qual pareceu haver algum distanciamento entre público e artista. Ainda assim, a plateia ouviu as faixas com atenção respeitosa.

Mas não demorou muito para Waters voltar a pegar nas mãos das 47 mil pessoas que estavam no Maracanã. "Wish you were here" foi cantada em coro pela plateia, já familizarizada com a canção cuja letra é um lamento pelo afastamento e progressiva deterioração mental de Syd Barrett, membro fundador do Floyd.

Neste momento, o show enfim entrou no repertório de "The wall", álbum de 1979 que é um dos maiores sucessos comerciais e artísticos da história da banda. O som de helicópeteros que marca o início de "The happiest days of our lives" tomou conta dos auto-falantes – cuja potência já havia impressionado a plateia durante a execução de "Welcome to the machine".


Crianças da Associação Beneficente São Martinho participam de 
"Another brick in the wall - Part 2"


Em seguida, um dos momentos mais emocionais da apresentação: "Another brick in the wall - Part 2", de longe a canção mais popular do Floyd, foi apresentada com o coral de crianças da Associação Beneficente São Martinho. Todas usavam camisas com a palavra "Resist". Elas ainda permaneceriam no palco para cantar "Another brick in the wall - Part 3".

Diante de uma plateia eufórica, Waters anunciou o intervalo de 20 minutos que divide as duas partes do show.

O show do artista é, durante quase todo o tempo, um ato de manifestação política. Isso fica ainda mais claro na pausa, quando o telão apresenta uma série de mensagens. Os alvos são variados: misoginia, fascismo, militarização, antissemitismo e racismo estão entre eles.

O músico também apresenta, ainda por meio do telão, uma lista de políticos de vários países do mundo apontados por ele como fascistas – é neste momento que a frase "Ponto de vista político censurado" surge para cobrir o nome do candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro.


Telão reproduz fachada da Usina de Energia Battersea, 
capa do álbum "Animals", de 1977

A pausa chegou ao fim quando, no telão, uma reprodução visual da hoje desativada Usina de Energia de Battersea – presente na capa do álbum "Animals", do Pink Floyd, 1977 – irrompeu em direção ao céu nublado do Rio de Janeiro, com suas quatro chaminés gigantes. Sobre elas, pairava o porco que é marca registrada da obra.

Para marcar de forma clara a entrada no repertório de "Animals", duas músicas do álbum foram tocadas em sequência: "Dogs", com seus 17 minutos de duração, e "Pigs (Three different ones)".

Na primeira, os integrantes da banda usaram máscaras de porcos para simular um jantar entre corruptos. Neste momento, o próprio Waters, também utilizando uma máscara suína, levantou dois cartazes - o primeiro dizia "O mundo é governado por porcos". Já no segundo, a mensagem foi bem menos sutil": "F...-se os porcos".


O porco inflável sobrevoa a plateia durante
a execução de "Pigs (Three different ones 


Em "Pigs", um gigantesco porco inflável – em mais uma referência direta a "Animals", álbum livremente inspirado em "A revolução dos bichos", de George Orwell – pairou sobre a plateia. No corpo do animal, uma frase: "Stay human" – "Continue humano". É durante esta canção que Waters despeja toda sua crítica sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma série de ilustrações irônicas relativas ao chefe do executivo americano aparecem no telão.

O show retorna ao repertório de "The dark side of the moon" com dois clássicos: "Money" e "Us & Them" – esta última, canção que batiza a turnê.


Raios laser reproduziram de forma tridimensional o prisma da capa do álbum 
"The dark side of the moon".

"Smell the roses", outra passagem pela carreira solo de Waters, é seguida por mais duas faixas de "The dark side of the moon": "Brain damage" e "Eclipse". Neste momento, uma sequência de raios laser reproduz em forma tridimensional o prisma que está na capa do álbum. O efeito é impressionante e compreendido de forma imediata pelos fãs mais atentos.

É neste momento que o show de Roger Waters e a história de Marielle Franco se encontram.

Justiça


Filha, irmã e viúva de Marielle Franco subiram ao palco


O cantor pediu que a filha, Luyara Santos, a irmã, Anielle Franco, e viúva de Mariella Franco, Mônica Benício, subissem ao palco.

Juntas, elas protestaram contra a demora no esclarecimento do assassinato da vereadora e exigiram justiça. O pedido foi acolhido pelo público na forma de gritos de "Justiça!"

"O problema é que nem todo mundo acredita em direios humanos", lamentou Waters, já vestido com uma camisa onde estava escrita a frase "Lute como Marielle Franco".

Após o protesto, a apresentação foi retomada como "Mother". Na canção que explora a relação do filho inseguro com a mãe dominadora – uma das composições mais poderosas de "The wall" –, Waters repetiu um artifício que já havia utilizado em 2011, durante a turnê na qual tocava as faixas do álbum.

Para responder a pergunta de um dos versos da canção - "Mother, should I trust the government?" (Mãe, devo acreditar no governo?") -, a resposta é dada no telão: "Nem f...".

"Comfortably numb", também de "The wall", encerrou o show em momento inspirado do guitarrista Dave Kilminster, improvisando com liberdade criativa sobre o solo original de David Gilmour.


Ao fim do show, Waters agradece a presença do público.

Desde antes do início da apresentação até depois do fim do espetáculo, quando a plateia já saía da Maracanã, uma situação se repetiu várias vezes: parte do público griatava "Ele não!", grito que se tornou símbolo da crítica ao candidato ao candidato Jair Bolsonaro.

Na maioria das vezes, no entanto, os gritos eram confrontados com vaias de outra parte do público, favoráveis ao candidato – situação semelhante às ocorridas nos shows anteriores desta turnê no Brasil.

Diferenças políticas à parte, o que se viu durante a maior parte do tempo na noite de quarta-feira (24), no Maracanã, bem mais que embates e desentendimentos, foram pessoas que pensam de maneiras opostas cantando juntas, em uma única voz.

Situação resumida nas duas primeiras frases de "Us and them", canção que dá nome à turnê: "Us and them. And after all, we're only ordinary men". ("Nós e eles. E depois tudo, somos apenas homens comuns"). 


Roger Waters - Comfortably Numb





Fonte: G1
Por Carlos Brito, G1 Rio
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David Gilmour


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