.

.
Mostrando postagens com marcador resenha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resenha. Mostrar todas as postagens

09/01/2020

Pink Floyd: The Wall, uma parábola sobre a alienação (vídeo)


Parte 1


Parte 2


Parte 3



Canal Rock pelo Rock

As visões de um fã comum do Pink Floyd sobre as motivações do disco The Wall. Como Waters produziu uma linda parábola sobre a alienação.




Fonte: Whiplash.Net | 08/01/20
Por Oscar Marcelo Paiva, Fonte: Canal Rock pelo Rock

31/10/2018

The Dark Side Of The Moon: O álbum sensorial da banda Pink Floyd





Fonte: Rota Principal
Por Isabelle Vasconcelos

A banda que surgiu em 1965 e provocou uma reviravolta musical ao lançar seu álbum experimental, filosófico e psicodélico The Dark Side Of The Moon, em 1973, mostrou sua vertente questionadora sobre a realidade e o propósito existencial humano. O grupo revolucionário psicodélico agrupou um total de 10 músicas que segue uma narrativa específica e por isso não deve ser escutada de forma aleatória, respeitando sua estrutura quase que cinematográfica, que nos dá um vislumbre sobre os questionamentos existenciais do homem, desde política, tempo, ambição, alienamento, sociedade e solidão. O grupo Pink Floyd era formado por Roger Waters, David Gilmour, Syd Barrett, Richard Wright e Nick Mason, que foram os principais em impulsionar divagações para o público hipster do auge da década de 1970.

O principal conceito da banda para a elaboração do projeto deve-se a alguns fatores, mas o principal dele é o ex-integrante do grupo Syd Barrett, que saiu do Pink Floyd por causa de seus problemas com a saúde mental, que se agravaram devido ao excesso do uso de drogas. Sua significativa contribuição artística para a banda foi revertida como uma homenagem dos outros integrantes para sua arte, que inquestionavelmente tem sua essência nos alicerces da banda. Procurando atribuir um valor pessoal e subjetivo para a obra, os músicos desenvolveram visionariamente de modo erudito e ao mesmo tempo acessível à compreensão para os fãs. Produzido no clássico estúdio inglês Abbey Road, seu sucesso foi imediato chegando ao topo da Billboard 200, nos Estados Unidos, e sendo considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos pela crítica especializada que reconhece a relevância sonora para o mundo da música.

Nós somos introduzidos ao álbum com a música prelúdio ‘Speak to Me’, que nos apresenta uma pequena mostra sobre os elementos do disco com duração de 1 minuto. De maneira contínua passa para a faixa seguinte, ‘Breath (in the air)’, trazendo arranjos experimentais numa letra que fala sobre a solidão, o desapego emocional, a brevidade da vida, com seus momentos de auge e decadência, e a busca interminável por êxito. Sem pausas a próxima faixa ‘ On the Run ‘ segue adiante na continuidade com instrumentos ou técnicas inéditas até então, mostrando sua singularidade musical. A quarta música ‘ Time ‘ nos bombardeia com inúmeros relógios tocando, a relatividade do temporal e as várias perspectivas de como o tempo afeta cada um e como estamos gastando ele, como estamos matando o tempo e a sua rapidez passa despercebida. As horas deslizam sob seus dedos, lembrando muito a inconsistência do tempo da obra surrealista de Salvador Dalí. Você foi colocado involuntariamente numa corrida tentando vencê-lo, mas o final parece inevitável.




“E eu não tenho medo de morrer, qualquer hora pode acontecer, sei lá. Por que eu deveria ter medo de morrer? Não há razão para isso, um dia você vai. Eu nunca disse que tinha medo de morrer”, toca ‘The Great Gig In The Sky‘, antes intitulada The Mortality sequence. O grande espetáculo no céu questiona os mistérios celestiais que todos já se perguntam, mas não se tem respostas concretas e totalmente verdadeiras. Temos essa introdução do vocal de Clare Torry “ lamentando”, o vocal desesperador da cantora exemplifica seu horror perante a morte que contrapõe a fala do áudio no início da música. Com ‘Money’ vemos a mais ácida do disco, com críticas ao status quo da sociedade de consumo, o exagero, a satisfação do ato da compra, o exibicionismo, a estabilidade social que o dinheiro pode lhe oferecer e assim como a instabilidade mental. Com mensagem direta sem muitas aberturas para outras interpretações, deixando claro o ponto crucial abordado pela banda.

Em ‘Us and Them’ temos mais uma vez o homem como personagem principal dos sofrimentos de se viver em grupo, da necessidade de se ter união. Somente homens comuns que estão em busca da realização. ‘Any Color You Like’ sucede com a parte instrumental com Dick Perry no saxofone e um coral pequeno de apoio. Logo após entra ‘Brain Damage’, que de forma lunática nos diz “tem alguém na minha cabeça, mas não sou eu “, iniciando a narrativa com a loucura que está em toda parte, fazendo relação ao Syd Barrett e seus problemas mentais. Concluindo a trajetória do enredo, a música ‘eclipse’ traz o desfecho perfeito para a história, resumindo todos os aspectos levantados ao longo da obra. Pink Floyd traz todos os mártires e hipóteses que fazemos ao pensarmos sobre as diretrizes da vida e todas as influências que temos ao longo dela. Com aspectos dignos de um roteiro de um filme de ficção cientifica, a banda sintetiza poeticamente as interrogações e as consequências do ser pensante.


05/10/2018

Roger Waters de volta ao Brasil com um dos shows mais incríveis do planeta




Tá chegando: lenda do Pink Floyd fará shows no Brasil nos próximos dias e você não pode perder


Por Tony Aiex 


O lendário músico britânico conhecido por alguns dos maiores clássicos do Rock And Roll vem ao Brasil com a turnê Us+Them naquela que pode ser a última do cara em toda sua carreira.

Aos 75 anos de idade e com o avançado custo de logística que uma turnê desse porte requer, é provável mesmo que outra viagem do cara não aconteça, pelo menos por aqui, e há uma série de outros motivos para que você garanta imediatamente o seu ingresso e não fique de fora dessa.

Um dos Maiores Palcos do Mundo

O palco que Roger Waters leva aos shows da sua turnê é um dos maiores do planeta, desbancando até mesmo estrelas do pop e suas mega apresentações.

A convite da produtora T4F, e como contamos recentemente nos Stories do nosso Instagram, nós vimos a montagem da estrutura do cara e é algo surreal, com cerca de 750 metros quadrados de área.

 

No site da TAIT, que fabricou o palco, é possível ter a noção exata do que você irá assistir indo a um dos shows de Roger Waters no Brasil, em turnê que começa já na semana que vem.

Porcos voadores, chaminés e um show de luzes, lasers e projeções fazem com que você se sinta em outro mundo enquanto Waters toca clássicos do Pink Floyd e músicas próprias.

Todos os detalhes e especificações, bem como os números grandiosos, também podem ser vistos no site da VYV, empresa canadense responsável pela parte das luzes.

São 17 projetores de 30k, cinco projetores de 7k para as chaminés e mais uma imensa tela LED de 6k alimentada por 6 feeds HD com resolução de 32 Mpixels.

Para o icônico porco voador, foram usadas 48 câmeras e 12 Copernics para rastrear e iluminar o dito cujo, que sobrevoa a plateia através de um drone, com uma surpresa em outro momento do show que recria a lendária capa do disco Animals.

Setlist

O setlist da turnê Us+Them é outro show à parte, já que pode ser a última vez que você terá a oportunidade de assistir a clássicos como “Another Brick In The Wall”, “Wish You Were Here”, “Money” e “Comfortably Numb” com Roger Waters.

Como exemplo, pegamos o setlist de um show recente dessa turnê que rolou na Rússia em 31 de Agosto. Dá uma sacada:
Breathe (Pink Floyd)
One of These Days (Pink Floyd)
Time (Pink Floyd)
Breathe (Reprise) (Pink Floyd)
The Great Gig in the Sky (Pink Floyd)
Welcome to the Machine (Pink Floyd)
Déjà Vu
The Last Refugee
Picture That
Wish You Were Here (Pink Floyd)
The Happiest Days of Our Lives (Pink Floyd)
Another Brick in the Wall Part 2 (Pink Floyd)
Another Brick in the Wall Part 3 (Pink Floyd)
Set 2:
Dogs (Pink Floyd)
Pigs (Three Different Ones) (Pink Floyd)
Money (Pink Floyd)
Us and Them (Pink Floyd)
Smell the Roses
Brain Damage (Pink Floyd)
Eclipse (Pink Floyd)
Bis:
The Bravery of Being Out of Range
Comfortably Numb (Pink Floyd)


Ingressos

Por aqui você ainda pode encontrar r ingressos para os shows de Roger Waters em São Paulo (incluindo data extra), Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.


Não deixe a oportunidade passar!

21/03/2018

Entenda Melhor “The Dark Side Of The Moon” (Homenagem aos 45 anos)



Em 01 de Março de 1973, há 45 anos, o Pink Floyd mudaria o rumo da música para sempre. Em seu oitavo álbum de estúdio, a banda trouxe ao mundo uma verdadeira revolução musical, conceitual e estética. Intitulado 'The Dark Side Of The Moon', o disco é não só o mais aclamado da carreira do grupo, mas também uma das mais aclamadas produções culturais do mundo. O álbum perene do Pink Floyd, continua a ter o recorde, de longe, na Billboard 200: 937 semanas (até agora) desde o seu lançamento.

O que faz deste álbum tão grandioso? Por que, mesmo após quatro décadas, este disco ainda é tão ovacionado e idolatrado? Para tentar descobrir, vamos embarcar em uma jornada através da história e das músicas deste grande e cultuado disco, buscando as inspirações e significados que ele tenta passar. (*Confira a ótima resenha abaixo)

*Dentre tantas resenhas a respeito desta obra prima, segue a matéria muito bem redigida por Handerson Ornelas, em 9 de agosto de 2014, no seu site intitulado Plano Crítico:


Entenda Melhor | “The Dark Side Of The Moon”


Em 1973 era lançado um certo álbum com um prisma na capa, me pergunto se os primeiros a escutarem a obra imaginavam que aquela imagem ia ser usada pelo resto da história. Aquilo viria a ser um símbolo não só do rock, mas da música.

The Dark Side Of The Moon foi responsável por mudar os parâmetros da música, alguns foram influenciados diretamente, outros indiretamente. Se for comparada com clássicos do cinema possivelmente suas melodias e arranjos seriam relacionados com o excelente roteiro de O Poderoso Chefão, enquanto sua temática com a complexidade de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Todo mundo sabe que a música é uma das maiores expressões artísticas, mas as melodias, letras e ambições daquele álbum não se limitavam à música. “O Lado Oculto da Lua”: o nome tinha uma justificativa. A obra nasceu com um tema sólido: o ser humano. O Pink Floyd queria falar da vida nas suas mais míseras partes. Queria falar dos problemas que persistem – e alguns que sempre vão persistir – na vida humana.

Inspirados no seu ex-vocalista, Syd Barret, que teve sua saúde mental abalada devido a drogas, a banda embarcou sério na mente humana. Os temas mais controversos estavam no The Dark Side Of The Moon. Os conceitos que escravizam e definem o ser humano: o tempo, o dinheiro, a cobiça; além de temas como a loucura e as drogas. A banda pegou a sociedade inglesa e mostrou seus podres como forma de exemplificar os podres do ser humano, estavam gritando a berros a forma de vida medíocre da sociedade.

A introdução com máquinas de escrever, risadas e barulhos aleatórios de Speak To Me chamam você para a loucura do disco. No entanto, tudo aquilo muda para a melancolia de Breathe, faixa que funciona quase como um poema sobre a miséria humana. A grande prova de como cada integrante era essencial para as composições, a excelente letra foi criada com a participação de quase todos os membros (assim como Time). O tema sobre o efeito da loucura e das drogas chega, seja em forma de efeitos eletrônicos ou de guitarras psicodélicas, em faixas como On The Run e Any Colour You Like.

Time é um dos maiores destaques do Pink Floyd, o clima tenso de sua introdução acumula até certo ponto e desaba em letra e melodia bem fortes. A faixa fala sobre o tempo, desde o simples ato de envelhecer evidenciado em versos como And you run and run/ To catch up with the sun/ But it’s sinking (E você corre e corre/ Pra alcançar o sol/ Mas ele está se pondo) até o medo da morte em versos como But you are older/ And shorter of breath/ And one day closer to death (Mas você está mais velho/ E com menos fôlego/ E a cada dia mais próximo da morte).

A capa virou um símbolo da arte, 
e passou a ser representado de diversas formas.

The Great Gig In The Sky é uma metáfora para o desespero que se pode ter frente aos temas citados no disco, Clare Torry brilha com sua voz e sabe os momentos certos de causar desespero e de acalmar. O clima de melancolia é quebrado quando entra Money. Afinal, é preciso um clima animado pra falar do dinheiro e de todo seu poder, seja usando o excelente saxofonista, Dick Parry, ou com o solo espetacular de David Gilmour.

Us And Them sabe transpor o tema da solidão totalmente para a melodia. Difícil descrever o brilhante arranjo da canção, talvez, só afirmando que é uma melhores canções que a banda já fez. Nela tem tudo, Dick com sua extrema competência no saxofone, brilhantes notas ao piano, coral afinado e a calma essencial na voz de Gilmour e Wright. Brain Damage se caracteriza pelo tom apropriado pra falar de Syd Barret, as drogas e a loucura são o tema central aqui. Roger Waters parece escrever diretamente para seu amigo: “I will see you on the dark side of the moon”.

O fim de Brain Damage emenda na poesia chamada Eclipse. Digo isso pois é isso que ela é, claramente escrita com a métrica de uma poesia. Um resumo das ideias colocadas no disco, simplifica o ser humano com atos e metáforas em um arranjo que parece de fim de espetáculo. Até hoje, não achei uma faixa que terminasse um álbum tão bem quanto essa. Ainda procuro.

P.S.: Você está proibido de escutar o álbum no aleatório! A ordem possui toda uma importância nesse álbum.

A Capa

Provavelmente a capa mais famosa da história, junto da capa de Abbey Road dos The Beatles. A arte de um disco muitas vezes pode até ser isenta de significado, no entanto, não é o caso desse álbum. A arte criada pelo designer Storm Thorgerson foi feita pra corresponder completamente às ideias da banda para o álbum. Storm e a banda chegaram a visitar o Egito em busca de ideias para a capa. Eis que ela surge: um feixe de luz transpassando um prisma e se decompondo em um espectro de cores. Uma metáfora, não só para as dúvidas que a humanidade possui, mas para a própria humanidade. Todos sabemos que a ciência diz que a lua tem um lado oculto que ninguém foi capaz de ver. O título relaciona esse “lado oculto da lua” como o lado que todo ser humano possui e tenta esconder, nosso lado repleto de falhas, mas o mais humano. Além das inúmeras filosofias que você pode fazer, um mais simples e citada por Thorgerson é de como aquele simples som – representado pelo feixe – poderia significar uma complexidade de coisas que a banda queria tratar.

Onde, quando e porquê

The Dark Side Of The Moon foi o oitavo disco do Pink Floyd, lançado em 24 de março de 1973, correspondeu a uma pequena e importante mudança no som da banda, se caracterizou pela diminuição na duração das canções e a adaptação para uma sonoridade um pouco mais direta e com mensagens mais claras. O álbum, inicialmente, ia ser chamado de Eclipse, uma ideia que até combinaria com o disco, além de relacionar com a excelente faixa que fecha o disco. Gravado no lendário estúdio Abbey Road, em Londres, no período de junho de 1972 até janeiro de 1973, o álbum teve supervisão de mixagem de Chris Thomas e do excelente engenheiro de som, Alan Parsons. Apesar de não contar com o ex-vocalista, Syd Barret, este se mostra um personagem essencial para o disco. Syd saiu da banda devido a problemas graves com drogas. Só pra ter uma ideia do fundo do poço para Barret: a banda conta que, nas gravações de Wish You Were Here, o ex-membro apareceu nas gravações todo maltrapilho, gordo e com a aparência acabada. Apenas depois de algumas horas os integrantes o reconheceram.

O ex-vocalista foi a principal inspiração de Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright para o disco. Um ser humano falho e cheio de problemas, foi o plot twist para a banda falar do que mais queriam: o ser humano. Syd e seus problemas inspiraram o grupo, principalmente no que se refere à loucura, o obscuro, o lado falho e humano que é escondido dentro de cada um de nós. O famoso “lado escuro da lua”.

O álbum entrou pra história com títulos de causar inveja a muita gente:

Vendeu mais de quinze milhões de cópias, considerado o terceiro álbum mais vendido do mundo.

Segundo estatísticas, um em cada cinco lares em Londres possui o álbum.

É o único disco a constar no The Guiness Book of World Records como o álbum na indústria fonográfica a ficar por 591 semanas (11 anos e 4 meses) ininterruptos na lista dos 200 mais vendidos da revista Billboard, além de 741 semanas (15 anos e 4 meses) que passou oscilando entre entradas e saídas dessa lista.

A famosa capa já foi alvo de vários mashups…


The Dark Side Of The Rainbow – O álbum e O Mágico de Oz

Está aí uma das histórias mais bizarras do mundo da música. The Dark Side Of The Rainbow é o nome que se refere ao efeito de tocar The Dark Side Of The Moon com o filme de 1939, O Mágico de Oz

. Se ligar o disco do Pink Floyd exatamente após o terceiro rugido do leão da MGM, a sincronia entre filme e álbum será incrivelmente quase perfeita. A sincronia vai desde as melodias – que se encaixam muito bem nas cenas, parecendo trilha sonora – até frases que combinam com o que está acontecendo no filme. Esse efeito é realmente espetacular, e o pior é que a banda insiste que isso não foi proposital e que não passa de uma coincidência! Se o que eles dizem é verdade, essa é uma das maiores coincidências do universo. Existem muitos detalhes que podem ser observados, confira abaixo uma pequena amostra sobre esse efeito.

A duração da maioria das canções coincide exatamente com a duração das cenas no filme. O tom de suspense de On The Run começa exatamente quando Dorothy cai do cercado; a tensão de The Great Gig In The Sky termina assim que o furacão cessa, e quando inicia Money – a canção mais animada do álbum – aparece a primeira visão colorida do filme (Dorothy chega em Oz).

Quando Dorothy está na fazenda, ela olha para o céu no mesmo momento que toca um barulho de avião.

Os gritos e o clima de desespero de The Great Gig In The Sky (o nome da faixa também se encaixa com o fato) se sincronizam com os efeitos do tornado no filme.

No exato momento que surge a bruxa má do oeste, é cantado “Black!” em Us And Them.

Dorothy encontra o Espantalho quando toca Brain Damage. As coincidências aí são gigantescas. O que o espantalho queria? Um cérebro (Brain). Os versos “The lunatic is on the grass” (o lunático está no gramado) são cantados e adivinhe onde o espantalho lunático está? Além de tudo, os solos psicodélicos de Any Colour You Like formam a trilha sonora perfeita para o jeito desengonçado de andar e dançar do personagem.

Quando certa personagem aparece de bicicleta, começam os sinos de Time, barulho muito similar a de campainhas de bicicletas.

Quando Dorothy coloca o ouvido no peito do homem de lata, há uma ligação perfeita com a batida de coração no fim de Eclipse.

As frases ao fundo

A obra possui alguns momentos um tanto obscuros, se aprofundando no conceito de loucura (inspirada nos devaneios e situações de Syd) que o álbum tenta tocar. Durante quase todas as faixas podem ser ouvidas conversas e frases ao fundo, são vozes de pessoas selecionadas pela equipe de gravação, foram gravadas de forma descontraída, como se não soubessem que estavam a ser gravadas. Algumas vozes incluem risadas um tanto assustadoras, além de frases aleatórias.

Speak To Me
I’ve been mad for fucking years, absolutely years, been over the edge of yonks, been working me buns off for bands…
(Eu tenho estado louco por malditos anos, um longo tempo, tenho estado no limite, tenho trabalhado muito por bandas…)

I’ve always been mad, I know I’ve been mad, like the most of us… very hard to explain why you’re mad, even if you are not mad…
(Eu sei que fui louco, eu sempre fui louco, como a maioria de nós… muito difícil de explicar porque você está com raiva, mesmo se você não é louco…)

On The Run
Live for today, gone tomorrow, that’s me!
(Vive pra hoje, se vai amanhã, esse sou eu!)

Great Gig In The Sky
I never said I was frightened of dying.
(Eu nunca disse que estava com medo de morrer.)

Us And Them
I haven’t had a good thump in years, absolutely years.
(Eu não tive um bom baque em anos, absolutamente em anos.)

I don’t know! I was really drunk at the time.
(Eu não sei! Eu estava muito bêbado na hora.)

Brain Damage
I can’t think of anything to say except… ahahahahahaha! I think it’s marvellous!
(Eu não consigo pensar em nada, exceto… ahahahahahaha! Eu acho maravilhoso!)

Eclipse
There is no dark side of the moon, really… as a matter of fact it’s all dark.
(Não há lado escuro da lua, na verdade… ela é toda escura.)

Álbuns cover (tributos ao disco)

Como dito, o disco influenciou e revolucionou, o que levou a muitos artistas e bandas a criarem álbuns tributo ao disco, fazendo suas próprias versões e adaptações da obra. Confira a seguir, um pouco sobre alguns discos que prestaram homenagem ao The Dark Side of The Moon.

The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon:




Provavelmente um dos álbuns de maior nome que existe. O The Flaming Lips e toda essa galera resolveu fazer um álbum tributo ao disco do Pink Floyd, mas o resultado foi bastante fraco. Apesar do rock psicodélico ser uma característica muito presente em The Dark Side Of The Moon, o The Flaming Lips pegou isso e elevou à estratosfera. O álbum é extremamente psicodélico e experimental e, nesse caso, isso não é um elogio. O disco fiou cru, tirou todas as boas melodias do trabalho original, além de soar como um disco preocupado apenas com a sonoridade e não com a temática. Ainda que cheio de defeitos, ele possui algumas boas surpresas, como as versões de Any Colour You Like – um ótimo rock psicodélico – e Eclipse, que ficou com uma boa cara de rock alternativo.

Easy Star All Stars – “The Dub Side Of The Moon”:


Esse é um dos covers mais inovadores e sensacionais. Easy Star All Stars é uma banda de reggae que faz tributo a discos clássicos, um dos álbuns que eles lançaram se chama The Dub Side Of The Moon. Bem, acho que não preciso dizer a qual álbum era esse tributo. O fato é que se você é um cara preconceituoso com outros estilos de música, não vai gostar dessa obra. No entanto, se você tem a mente aberta e gosta de reggae, vai amar esse álbum. A banda já mostrou em sua discografia que é bastante competente, vale dizer que os grandes acertos do álbum são: manter uma aparente temática do original, além de manter as ótimas melodias, agora inseridas de uma forma diferente, em instrumentos característicos do reggae. É incrível como a versão de Money tira todo o elemento rock, substituindo pelo reggae, e ainda soa como a mesma canção. O álbum inteiro é excelente, mas as versões de Time e Us and Them são de explodir a cabeça de muita gente. Fantástico!

Dream Theater – “The Dark Side Of The Moon”


A maior banda de metal progressivo tem o Pink Floyd como uma de suas bandas preferidas, assim, não é surpresa ter um álbum cover do “Lado Escuro da Lua”. O álbum é ótimo, mas peca por não ser muito inovador, apresenta ser apenas um cover bem executado. Esse trabalho é o The Dark Side Of The Moon tocado com riffs de guitarra mais pesados, nada muito além disso. O respeito que se teve com as músicas originais, assim como a destreza com que os integrantes tocaram (o solo de Money que já era mítico, se tornou uma verdadeira lenda nessa versão) são qualidades que fazem dele um bom álbum.

As histórias sobre o álbum são quase infinitas, tamanho são os enigmas que o disco possui. E você? Conhece outras histórias desse álbum misterioso? Sinta-se livre para comentar. Caso não conheça o disco, espero que esse texto tenha te convencido a escutá-lo. Afinal, você está perdendo um dos maiores clássicos da música.

The Dark Side Of The Moon
Artista: Pink Floyd
País: Inglaterra
Lançamento: 23 de março de 1973
Gravadora: Harvest Records (UK) e Capitol Records (USA)
Estilo: Rock Progressivo, Rock Psicodélico


14/03/2018

Resenha do The Dark Side of The Moon (vídeo)



Neste interessante vídeo do canal "O Som de Peso", Bruno Ascari faz uma interessante resenha do lendário álbum do "Pink Floyd", "The Dark Side of The Moon", detalhando a história da banda e cada faixa desse LP que no dia primeiro de março completou 45 anos de lançamento.


06/12/2017

O que esperar dos shows de Roger Waters no Brasil em 2018





Por Jornal O Globo


RIO — Roger Waters encerrou, em setembro de 2013, em Paris, a turnê mais extensa de sua carreira, a superprodução "The wall live", que rendeu um registro ao vivo gravado em diversos shows. No giro, que teve início em 2010 e passou pelo Brasil em 2012, o baixista e compositor do Pink Floyd levava ao grandioso palco um muro de 137 metros de largura e 424 blocos, que formava um telão ao ar livre e reproduzia os efeitos especiais da turnê.

Em maio deste ano, Waters deu início à "Us + them tour" (referência à faixa homônima do disco "The dark side of the moon", do Pink Floyd, de 1973), que já teve 64 apresentações entre Estados Unidos e Canadá, e chegará ao Brasil em outubro de 2018, com shows em sete estádios do país.

Por onde passou, a turnê recebeu avaliações positivas dos críticos. Segundo o jornal "Montreal Gazette", o show do cantor, compositor e baixista prova ser "mais contemporâneo do que nostálgico": "o ex-comandante do Pink Floyd levou um número generoso de canções do grupo e algumas amostras de seu primeiro álbum solo em 25 anos ("Is this the life we really want?", lançado em junho), tocadas por uma grande e impecável banda diante de telões panorâmicos de última geração".

A "impecável banda" é formada por Dave Kilminster (guitarra, baixo), Gus Seyffert (guitarra, baixo e teclados), Jonathan Wilson (guitarra, baixo e vocais), Bo Koster (piano, teclados), Jon Carin (piano, teclados, programações, guitarra, vocais), Ian Ritchie (saxofone), Joey Waronker (bateria), Jess Wolfe (vocais de apoio, percussão) e Holly Laessig (vocais de apoio, percussão).



'MÚSICA E ARTE PERFORMÁTICA'

O site "The Star" lembrou que Waters tem aproveitado os shows para fazer, como era de se esperar diante de sua famosa inquietude política, diversos posicionamentos contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: "em uma exibição de duas horas e meia que foi tão sobre arte performática quanto sobre música, Waters e sua banda de dez pessoas alcançaram todas as maiores notas em termos de despertar a multidão ao desabafar sua frustração sobre a atual situação política americana".

Nos shows, o britânico de 74 anos apresenta grandes sucessos de "The Dark Side of the Moon", "The Wall", "Animals" e "Wish You Were Here", álbuns lendários do Pink Floyd, a maior banda de rock psicodélico e progressivo da história, cujas atividades foram oficialmente encerradas em 2014, após diversas idas e vindas.

As apresentações, que contam com diversos efeitos visuais usando painéis de LED, laser e projeções, são divididas em dois sets: o primeiro, de cerca de 13 músicas, costuma abrir com "Breathe" e terminar com a sequência "Another Brick in the Wall Part 2" e "Part 3", enquanto o segundo, de onze faixas, começa com "Dogs" e despede-se com "Comfortably Numb" — música que fez os fãs de Pink Floyd chorarem quando o guitarrista David Gilmour estreou no Brasil em 2015, passando por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Com "Us + Them Tour" , Roger Waters passará por São Paulo (dia 9/10, no Allianz Parque), Brasília (13/10, no Mané Garrincha), Salvador (17/10, na Itaipava Arena Fonte Nova), Belo Horizonte (21/10, no Mineirão), Rio (24/10, no Maracanã), Curitiba (27/10, no Couto Pereira) e Porto Alegre (30/10, no Beira-Rio).

A pré-venda de ingressos reservada para clientes do cartão Elo será aberta na próxima segunda-feira, dia 11, às 21h, no site "Tickets for Fun", e segue até quarta. Na quinta-feira, dia 14, às 0h01, começa a venda para o público geral. 

Confira a programação da turnê de Roger Waters no Brasil:

São Paulo (09/10) – Allianz Parque
Ingressos variam de R$ 165 a R$ 810
Brasília (13/10) – Estádio Mané Garrincha
Ingressos variam de R$ 120 a R$ 720
Salvador (17/10) – Arena Fonte Nova
Ingressos variam de R$ 90 a R$ 710
Belo Horizonte (21/10) – Estádio do Mineirão
Ingressos variam de R$ 150 a R$ 720
Rio de Janeiro (24/10) – Estádio do Maracanã
Ingressos variam de R$ 110 a R$ 720
Curitiba (27/10) – Estádio Couto Pereira
Ingressos variam de R$ 110 a R$ 720
Porto Alegre (30/10) – Estádio Beira-Rio
Ingressos variam de R$ 110 a R$ 720

15/09/2017

“David Gilmour Live at Pompeii” é o filme do ano e nem há discussão possível (NiT - Portugal)




Excelente matéria, que achei bacana compartilhar aqui no blog, porque não foi feita somente por um jornalista, um crítico, mas também por um indiscutível fã do Pink Floyd, confira:


Por NiT - Lisboa - Portugal

texto
Nuno Bento


Foi como a passagem de um cometa – efémera e espetacular. O melhor filme do ano esteve nos cinemas esta semana e quem não estava avisado, nem deu por ele. Como um cometa fulgurante, “David Gilmour Live at Pompeii” também foi visto apenas por uma só noite, numa única exibição nos cinemas um pouco por todo o mundo. Quem viu, saiu da sala deslumbrado; quem não viu, tem que esperar pelo DVD/Blu-Ray. Mas já não vai ser a mesma coisa.

Ver o “David Gilmour Live at Pompeii” no cinema, imerso num sistema de som pomposamente batizado de ‘Dolby Atmos’ (um sem-número de colunas espalhadas por toda a sala), sentiu-se como um privilégio. Um espetáculo para os sentidos e uma experiência quase-religiosa. Foi certamente o mais próximo que poderia estar de regressar àquela noite mágica em Pompeia. Não me odeiem, mas sim, eu estive “lá” há um ano e foi “só” a melhor noite da minha vida. Na altura, contei aqui na NiT a história da minha imensa expectativa para o concerto e, na ressaca, o sentimento que depois daquilo não havia mais nada para ver. Sorte a minha que o David decidiu gravar aquela noite para a eternidade. 

O filme começa com um pequeno documentário a contar a história de como David chegou a Pompeia e conseguiu autorização para o primeiro espetáculo com público no anfiteatro romano desde o tempo dos gladiadores (79 d.C., para ser mais preciso). David já ali tinha atuado com os Pink Floyd em Outubro de 1971, mas sem público, para a gravação do filme “Pink Floyd Live At Pompeii” de Adrien Maben. No seu regresso, David tocou para uma audiência de apenas duas mil pessoas em duas noites, com o filme a documentar quase exclusivamente a segunda noite (a melhor das duas, mas sou suspeito – foi a minha!). Das imagens dos ensaios em Brighton com a nova banda – devidamente vigiados pelo lindíssimo Kahn (o pastor-alemão do David) – saltamos para Pompeia e para a recepção heroica de David por parte do presidente da cidade, que o distinguiu como cidadão honorário. E assim chegamos à noite do concerto e ao prato principal do filme.


O concerto abre com o instrumental “5 A.M.” (que também dá início ao último álbum “Rattle That Lock”), num magnífico plano de um drone a cobrir o anfiteatro em ruínas, sob o olhar ameaçador do Vesúvio ao fundo. O vulcão esteve tranquilo nessa noite e não se importou de assumir os papéis de cenário e personagem-chave no filme; também ele queria ver o David, aposto.

É muito difícil apontar momentos altos no orgasmo contínuo de duas horas que se seguiu. Talvez “High Hopes”, porque é só a melhor música de sempre; talvez “Sorrow”, porque estremeceu todo o complexo do Almada Fórum (a única sala na zona de Lisboa com o sistema ‘Dolby Atmos’); talvez “One Of These Days”, porque foi o único tema repetido de 1971 e o momento mais puro Floyd da noite; talvez “Comfortably Numb”, porque tem o melhor solo de guitarra do universo e mais além.

Mas houve muito mais além do já esperado brilhantismo da épica música dos Floyd (e do David a solo). Perdidas no filme, houve diversas pequenas pérolas que fizeram brilhar o filme-concerto: por exemplo, o momento em que David é surpreendido pelo arsenal descarregado no fogo-de-artifício em “Run Like Hell” e tem uma visível reacção de “qué esta merda?”a olhar para o céu (acreditem, eu também fiquei estúpido a ver aquilo); quando Roger Waters faz uma aparição especial neste tema, com o seu grito maníaco a rebentar nas colunas traseiras da sala; ou quando David abre o coração e fala sobre “fantasmas do passado” em Pompeia, referindo-se a Richard Wright, seu amigo e colega dos Floyd, falecido em 2008.

Senãos? Houve poucos. O maior terá sido a realização demasiadamente esquizofrénica, sinal dos tempos que correm. Não há tempo para apreciar um plano, porque o realizador salta logo para o seguinte. Saudades dos planos longos e contemplativos da guitarra de David no filme original dos Floyd. Aqui cada plano não dura mais que 3 a 4 segundos, o que não casa muito bem com o tom melancólico de grande parte da música ali tocada. Materializar um momento tão superlativo numa fita de filme não era tarefa fácil, admito-o. Gavin Elder – o realizador – fê-lo de forma fenomenal, mas entusiasmou-se um bocadinho demais. Não o condeno.


A nível sonoro, para quem está a obsessivamente ouvir o bootleg do concerto desde há um ano, também tenho umas coisas a dizer: de positivo, a pós-produção de bom gosto a que certos temas foram sujeitos, com a introdução de alguns efeitos sonoros que ouvimos nos álbuns, nomeadamente o já referido grito do Roger no “Run Like Hell”, o rádio em “Wish You Were Here”, ou os relógios em “Time”; de negativo, o inexplicável afogamento das partes do baixista Guy Pratt na mistura. Guy é uma besta do baixo e gosta de introduzir aqui e ali várias licks de improviso que dão um toque de imprevisibilidade aos espectáculos de David; é um espectáculo dentro do espectáculo. Foi uma pena perceber que as suas licks foram suprimidas, ou ficaram indissociavelmente perdidas na mistura. 


Note-se que o concerto foi fortemente editado para a versão de cinema. Tive pena, porque a sala anunciava um filme de 180 minutos e a sessão acabou por durar pouco mais de duas horas, já contando com o documentário. Mas compreendo que nem todo o público tenha estômago para uma sessão de 3 horas e meia. Os temas cortados na versão de cinema foram: “Faces Of Stone”, “The Blue”, “Money”, “Fat Old Sun”, “Coming Back to Life”, “On An Island”, “The Girl In The Yellow Dress” (esta felizmente nem no DVD estará) e “Today”. Aproximadamente uma hora de concerto que fica em exclusivo para o lançamento DVD / Blu-Ray do filme do ano.


05/08/2017

‘The Piper at the Gates of Dawn’ completou 50 anos (EMI Japan TOCP-8412) - 1995, FLAC




Texto
Por Alexandre Matias (Blog do Matias)

Há 50 anos, o Pink Floyd levava a cultura pop à outra dimensão com sua estreia 'The Piper at the Gates of Dawn'

Quando o Pink Floyd lançou seu disco de estreia, The Piper at the Gates of Dawn, há exatos cinquenta anos, no dia 5 de agosto de 1967, a cultura mundial estava em pleno processo de transformação. O amadurecimento da primeira geração das bandas de rock e a consolidação da indústria fonográfica e da cultura pop coincidiu com a afirmação de diversas tendências comportamentais que corriam mundialmente no underground – os beats norte-americanos, a nouvelle vague francesa, a ascensão do feminismo e dos movimentos pelos direitos civis em todo o mundo, o uso recreativo de drogas alucinógenas, a causa hippie, o orgulho negro, o free jazz e a pop art. O mágico ano de 1967 prenunciava uma era de renovação, uma revolução cultural que nos levaria a um novo estágio – um novo nível de consciência, a idade espacial ou a era de Aquário. E o Pink Floyd apontava os rumos a serem seguidos. 

Em apenas dois anos, o grupo inglês formado por três ex-estudantes de arquitetura e um estudante de arte ultrapassou a fase de blues elétrico que dominava a Londres do meio dos anos 60 em busca de horizontes que nunca haviam sido explorados pela música pop. Liderados pelo único não-arquiteto da banda, o carismático Roger “Syd” Barrett, que pouco a pouco se transformava em guru de uma geração, o grupo formado pelo baixista Roger Waters, o tecladista Rick Wright e o baterista Nick Mason aos poucos abandonou a estrutura básica do rhythm’n’blues norte-americano para usar e abusar de novos formatos de composição. 

Syd foi um dos primeiros entusiastas do LSD na Inglaterra, substância descoberta por acaso pelo cientista suíço Albert Hoffmann em uma tarde de 1943 que ficou restrita ao círculo farmacêutico até ser descoberta e utilizada pelo cientista norte-americano Timothy Leary no início dos anos 60. Os efeitos da dietilamida do ácido lisérgico, que ainda era uma droga legal, na mente criativa de Syd fez que ele levasse o rock para outra dimensão em todos os sentidos: não só a estrutura das canções mudava drasticamente (bebendo de fontes alternativas – e inglesas) bem como o tema e suas apresentações ao vivo. E embora os outros integrantes da banda não fosse usuários aficionados como Syd, todos eles deixavam-se levar pela onda alucinógena que o vocalista e guitarrista emanava. O próprio nome da banda era uma prova de como estes limites poderiam ser explorados. Syd sugeriu batizá-los de Pink Floyd a partir de uma explicação lisérgica, mas ele apenas reuniu o prenome de dois de seus bluesmen favoritos, Pink Anderson e Floyd Council.

Ao vivo, a banda, vestidas com roupas coloridas, camisas bufantes, chapéus, franjas e botas, entregava-se ao improviso e às divagações musicais de Syd, que graças às inéditas fórmulas de iluminação no palco, quando projeções gelatinosas eram miradas sobre a banda, parecia tornar-se um sacerdote místico. Exímio guitarrista, ele também levava seu instrumento a paisagens distantes da primeira geração do rock ou do movimento mod que dominava a Londres do período. Em shows que duravam horas, o Pink Floyd aos poucos foi construindo sua reputação como um dos principais faróis de um novo movimento: a psicodelia.

Era uma transformação comportamental que inevitavelmente caía sobre o rock. Os ecos destas mudanças aconteciam em vários lugares do mundo, principalmente na Califórnia e na Inglaterra, e o Pink Floyd era o principal motor deste movimento, que contava com outros ícones bem próximos, como o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix (que foi criar seu Experience em Londres) e, claro, os Beatles.   

O grupo de Liverpool estava trancado no estúdio 2 de Abbey Road desde o início de 1967 e já haviam lançado o compacto com as faixas “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” quando o Pink Floyd assinou com a EMI para gravar seu disco de estreia no estúdio 1, vizinho ao que os Beatles gravaram Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. O disco do Pink Floyd foi produzido pelo engenheiro Norman Smith., que já vinha trabalhando com os Beatles há tempos. A troca de informações entre os dois discos e as duas bandas ainda são um assunto intocado, bem como quem influenciou quem. O disco dos Beatles foi lançado dois meses antes da estreia do Pink Floyd, mas os dois discos ficaram prontos praticamente ao mesmo tempo.  


E o disco do Pink Floyd era muito mais ousado que o dos Beatles. Embora Sgt. Pepper’s tenha causado ao reunir uma orquestra inteira para tocar o crescendo de “A Day in the Life”, costurado o carrossel de colagens de “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, citado a sigla de LSD em “Lucy in the Sky with Diamonds” e posto oriente e ocidente para duelar em “Within You Without You”, The Piper at the Gates of Dawn (título tirado de um capítulo do clássico infantil Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame, sobre o deus grego pan) ia além.    

Talvez não tivessem os recursos que os Beatles tinham, mas isso não tornava suas viagens mais tímidas. Ia do espaço sideral (com a faixa de abertura “Astronomy Domine” e o longo improviso instrumental de “Interstellar Overdrive”) ao I Ching (“Chapter 24”), da visita de seres míticos (“The Gnome”) à infância (“Bike”), sempre ao som de progressões de acordes incomuns, solos melancólicos, riffs destrambelhados, fractais em teclados elétricos, bateria desenfreada, baixo melódico e duro, efeitos eletrônicos e sonoplastia. The Piper at the Gates of Dawn é quase um OVNI que pousa no meio daquilo que hoje conhecemos como rock clássico, acendendo luzes que apontam para rumos que nunca haviam sido cogitados.  

Parte de seu brilho talvez venha de sua velocidade. Do mesmo jeito que ascendeu, Syd Barrett pifou. O mesmo LSD que o fez visionário, o cegou de forma brutal, transformando-o em um Ícaro psicodélico, a primeira vítima séria da era hippie, que mesmo que não tivesse sido fatal, transformou-se em um peso morto que constrangia a banda ao vivo. Por diversas vezes ficava imóvel no palco, não dublava a própria voz em programas de TV e o grupo teve de chamar um quinto músico para que a banda pudesse funcionar – e em pouco tempo David Gilmour o substituiu, levando a banda para um limbo estético que durou vários discos – e que forjou uma das principais lendas da história do rock.  


Mas a influência de Syd sempre esteve presente. O próprio clássico Dark Side of the Moon é uma ode à loucura e funciona como um questionamento em relação ao que aconteceu com o amigo do grupo – que batizou o álbum de forma que a palavra “Side” ecoasse o nome do fundador da banda. O disco seguinte, Wish You Were Here, foi mais direto – e além da descarada declaração de amizade da faixa-título (“Queria que você estivesse aqui”) dedicava a longa suíte “Shine On You Crazy Diamond” ao pai da psicodelia inglesa. Mas seu recado já estava dado em The Piper at the Gates of Dawn – e ecoa firme até hoje. Brilha muito.

Nick Mason, Rick Wright, Roger Waters e Syd Barrett  

Pink Floyd
The Piper At The Gates Of Dawn - 1967 
(EMI Japan TOCP-8412) - 1995, FLAC
Info: Discogs

Tracklist
1 Astronomy Domine
2 Lucifer Sam
3 Matilda Mother
4 Flaming
5 Pow R. Toc H.
6 Take Up Thy Stethoscope And Walk
7 Interstellar Overdrive
8 The Gnome
9 Chapter 24
10 Scarecrow
11 Bike



FLAC
ulozto  - (403 MB)
ou
nitroflare - (384,64 MB)



Fonte: UOL.com.br

30/07/2017

Roger Waters: novo álbum resgata um pouco da magia do Pink Floyd (Resenha - CBN)




Fabricio Carareto* – especial para o Combate Rock

Começo metendo a mão em um vespeiro: pode dizer o que quiserem, mas Roger Waters é o herdeiro legítimo do legado Pink Floyd. Ponto final. “Is this the Life We Really Want?” (2017) é prova disto. 
 
O novo álbum mistura “Animals” (1977) com pitadas de “The Final Cut” (1983) – se bem que esse último já é quase um solo de Waters dentro do Pink Floyd. 

Os temas envolvendo política, crítica social e religião são o que o de melhor Waters faz e já fazia nos tempos de Floyd. É só comparar esse trabalho com outros os outros três de inéditas lançados pelos seus ex-companheiros David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright sob a marca Pink Floyd: “A Momentary Lapse of Reason” (1987), “The Division Bell” (1994) e “The Endless River” (2015). “Division”, sem dúvida, é o melhor dos três, mas longe de ser comparado musicalmente e liricamente ao Floyd que brilhou nos anos 70. 

Primeira pergunta a se fazer sobre “Is this the Life”: por que Waters ficou tanto tempo sem lançar nada inédito? As músicas são inspiradas, as letras idem, com o velho e bom Roger de volta à antiga forma. E com a mira apontada para a mente e o coração de Donald Trump.

 “When We Were Young” é uma introdução de um minuto e meio, nem dá para ser considerada uma música propriamente – lembra “On the Run”, do “Dark Side of the Moon” (1973). 

A segunda canção é “Déjà Vu”, com uma bela melodia e bons arranjos. Aqui Waters já expõe a crítica religiosa – “If I had been God/With my staff and my rod/If I had been given the nod/I believe I could have done a better job” – e social – “The temple’s in ruins/The bankers get fat/The buffalo’s gone/And the mountain top’s flat/The trout in the streams are all hermaphrodites/You lean to the left but you walk to the right”. (“Se eu tivesse sido Deus/Com a minha equipe e minha vara/Se tivessem me dado a chance/Eu acredito que poderia ter feito um trabalho melhor” – e social – “O templo está em ruínas/Os banqueiros estão gordos/Os búfalos se foram/E os topos das montanhas são planos/A truta nas correntes são todas hermafroditas/Você tende para a esquerda, mas anda para a direita”). A voz de Waters, já envelhecida, não perde o brilho. 

Em seguida, “The Last Refugee”, canção sensível que toca em outro tema caro a Waters: a questão dos refugiados. Nos últimos anos, ele se tornou uma das vozes mais potentes em favor da questão palestina. 

Não é surpresa então sua posição pró-refugiados. Em “The Last Refugee”, Waters destila sua crítica com delicadeza e poesia, lembrando inclusive a imagem comovente de um menino sírio que foi encontrado morto em uma praia da Turquia em 2015 – “And search the horizon/And you’ll find my child/Down by the shore/Digging around for a chain or a boné/Searching the sand for a relic washed up by the sea” (“E procure no horizonte/E você encontrará minha criança/Pela praia/Cavando em busca de uma corrente ou um osso/Procurando na areia por uma relíquia levada pelo mar”). Mas incomoda um pouco o que parece ser uma bateria eletrônica marcando o compasso. Uma sensação que, infelizmente, surge em outras músicas. 

“Picture That” é quase um clone de “Sheep”, música de “Animals” (1977). Tanto na sonoridade quanto na crítica social. Waters puxa o gatilho e dispara para todo lado: “Picture a courthouse with no fucking laws/Picture a cathouse with no fucking whores/Picture a shithouse with no fucking drains/Picture a leader with no fucking brains” ( “Imagine um tribunal sem leis de merda/Imagine uma igreja sem uma prostituta/Imagine um líder sem uma merda de cérebro”.). Musicalmente, muda um pouco o astral que corria melancólico no álbum. 

Voz e violão para “Broken Bones”, outra uma bela canção. Mas não se engane com a melodia assobiável e os celos: Waters não quer falar de romance neste álbum. A música poderia tranquilamente estar em “The Final Cut”, álbum que esculhamba os líderes da Guerra Fria da década de 80: “When World War II was over/Though the slate was never wiped clean/We could have picked over them broken bones/We could have been free/But we chose to adhere to abundance/We chose the American Dream” (“Quando a Segunda Guerra Mundial acabou/Nós poderíamos ter sido livres/Mas nós escolhemos aderir à abundância/Nós escolhemos o sonho americano”). 

E por falar em American Dream… a cereja do bolo é a música que dá título ao álbum “Is this the Life We Really Want?”. Ela começa com um discurso do mais novo inimigo número um de Waters, Donald Trump. O som cadenciado vai crescendo para que o ex-Pink Floyd dispare novamente contra tudo e contra todos, em um ataque à sociedade movida pelo medo, pela falsa sensação de democracia e com menção direta ao atual presidente dos EUA: “And every time a nincompoop becomes the president” (“E cada vez que um idiota se torna o presidente”). Destaque à hilária e perspicaz comparação do ser humano com as formigas: ao mesmo tempo em que estamos presos às realidades virtuais dos realities show na TV, permanecemos indiferentes e silenciosos à miséria dos outros. Um soco na boca do estômago.  

“A Bird in a Gale” é a música mais pesada do álbum. A distorção, aliada aos ecos e à voz gritada de Waters, relembra ainda que vagamente trechos de “Dogs”, também do “Animals” (1977). “The Most Beautiful Girl” volta mais com a linha balada, mas sem romantismo na letra. Músicas ok.  

 “Smell the Roses” tem sonoridade muito semelhante a “Have a Cigar”, do “Wish You Were Here” (1975). Aqui, o tema é também o terrorismo: “This is the room where they make the explosives/Where they put your name on the bomb/Here’s where they bury the buts and the ifs/And scratch out words like right and wrong” (“Este é o quarto onde eles fazem os explosivos/Onde eles colocam seu nome na bomba/Aqui é onde eles enterram os ‘poréns’ e os ‘e se’/E rabiscam palavras como certo e errado”). Outra boa canção, com um raro solo – ainda por cima tímido – de guitarra.  

As três últimas canções – “Wait for Her”, “Oceans Apart” e “Part of Me Died” – são, na verdade, uma só. Novamente Waters investe num tom mais intimista para detonar a indiferença, a cobiça e a belicosidade humanas.  

Waters usa “Is this the life” como um panfleto da sua mensagem política e sua ideologia. Com isso, apesar das belas melodias, o álbum às vezes sofre com a ausência de uma sonoridade um pouco mais profunda em alguns pontos. Faltam guitarras e solos mais vigorosos, que certamente deixariam o álbum melhor. E irrita aquela sensação de que Waters optou por uma bateria eletrônica em várias canções – como na já citada “The Last Refugee”.  

De resto, um excelente álbum que vale ser ouvido e absorvido na íntegra. O Pink Floyd, aquele velho Pink Floyd, ainda pulsa com Roger Waters.  

* Fabricio Carareto é jornalista da CBN Grandes Lagos, de São José do Rio Preto (SP) e guitarrista nas horas vagas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

David Gilmour


Por gentileza informe links quebrados - Please report broken links

Nome

E-mail *

Mensagem *