.

.
Mostrando postagens com marcador Tour. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tour. Mostrar todas as postagens

08/04/2023

Mel Collins falou da turnê KAOS com Roger (Best of Roger Waters live at Colisee de Quebec - 1987 FLAC) entrevista Rolling Stone





Roger Waters Wembley FM Capital Radio Broadcast - Wembley Arena, London  November 21th 1987

1-Who Needs Information
2-Me or Him
3-Powers That Be
4-Sunset Strip

Radio K.A.O.S. Tour 1987 :
Roger Waters accoustic guitar, bass guitar, vocals
Andy Fairweather-Low bass guitar
Jay Stapley guitar
Paul Carrack keyboards, vocals
Mel Collins saxophone
Graham Broad drums
Katie Kissoon backing vocals
Doreen Chanter backing vocals
Jim Ladd radio DJ
* Claire Tory guest vocals on Great Gig In The Sky



Homenageado, Mel Collins em entrevista com a Rolling Stone:

Em outubro, dia 26, em 2021, uma longa entrevista do saxofonista Mel Collins intitulada "Mel Collins em seus anos com King Crimson, Rolling Stones e Roger Waters" foi publicada no site da Rolling Stone, que homenageou suas inúmeras estações musicais e carreira. 

De particular interesse para nós foram suas declarações e memórias de Roger Waters, com quem ele tratou na década de 1980. Collins fez uma turnê com Waters em 1984, 1985 e 1987. Ele participa do álbum Radio Kaos e da trilha sonora When The Wind Blows. (Werner, Pulse & Spirit)

Rolling Stone

Conte-me sobre ser contratado para a turnê Prós e Contras de Hitch Hiking com Roger Waters.

MEL COLLINS: Eu conhecia a esposa de Roger naquela época, Carolyn [Anne Christie]. Ela veio para a estrada como gerente de turnê do King Crimson anos antes, quando eu estava na banda. Eu a conhecia muito bem. Acho que ela disse a Roger: “Eu conheço esse cara, Mel Collins. Poderíamos usá-lo na banda.

Então fui questionado por Roger. É irônico desde quando eu estava no Kokomo, o gerente, Steve O'Rourke, foi informado em termos inequívocos que ou ele gerenciava o Pink Floyd ou gerenciava o Kokomo. E assim ficamos sem gerente. Tenho a sensação de que Roger teve algo a ver com isso. É irônico que acabei trabalhando para ele. Não sei se ele percebe isso. Nós nunca conversamos sobre isso.

Eu briguei com o Roger. Ele é outro que pode ser difícil. Curiosamente, na última turnê que fizemos na América com o King Crimson, estávamos no Sunset Marquis em Los Angeles e Roger estava lá. Ele fez o show na arena no dia anterior. Fomos ver o Roger e depois voltamos para o hotel, e o Roger estava lá no bar. Ele me convidou.

Lá estava eu ​​na mesa principal com Roger Waters. Ele basicamente me disse o quanto me ama, e nos tornamos melhores amigos depois daqueles momentos difíceis em que eu estava em turnê com ele. Eu bebia muito naquela época, então tenho certeza que foi minha culpa.

Não sabia que a então esposa de Waters, Carolyn, trabalhava como gerente de turnê do King Crimson. Carolyn então colocou os dois em contato. Interessante isso vem de Steve O'Rourke, que gerenciou a banda Kokomo, por um curto período de tempo (Eles lançaram três álbuns, e o segundo Rise & Shine foi descrito como "o melhor álbum de funk britânico da década de 1970). A colaboração entre Collins e Waters terminou em apuros.

Eu sei que Roger é muito particular sobre como ele quer que tudo soe no palco. Ele quer que todos os shows sejam idênticos.

MEL COLLINS: Sim. Acho que David Sanborn estava no disco, assim como Eric Clapton. Naquela época, Eric não estava realmente fazendo muito. Roger pediu que ele viesse conosco na turnê Estávamos fazendo um set que era em torno do álbum The Pros and Cons of Hitch Hiking, que era basicamente uma música longa. Isso caiu bem. Mas na segunda parte do set tocávamos os números do Pink Floyd. Isso geralmente funcionava. Essa é a natureza da besta, como dizem.

Era uma boa banda. Foi uma ótima escalação. Acho que Eric teve um problema com Roger e não gostou muito. Foi, como você disse, praticamente cobrindo as partes do disco. Tive que copiar David Sanborn na maior parte da apresentação. Ele é um músico fantástico. Eu não estou reclamando.

As músicas mais populares do Floyd foram tocadas no primeiro set e não no segundo, como lembra Collins. Legal de Waters por saber lidar com isso naquela época.

Eu falei com algumas pessoas de sua banda que disseram que chamavam Roger de “General Waters” já que ele era como um general do exército.

MEL COLLINS: Em sua defesa, devo dizer que ele estava fazendo sua primeira turnê solo. Seguimos em frente e formamos outra formação para outra turnê. Durante aquela turnê, o Floyd estava na estrada ao mesmo tempo. Eles estavam cerca de três semanas atrás de nós. Para Roger, foi muita pressão ter isso nas costas.

Ele estava tentando desesperadamente … Você sabe aquela coisa sobre fora do Pink Floyd ser anônimo? As pessoas realmente não os conheciam. E então quando estávamos na América as pessoas dizem: “Quem é Roger Waters?” As pessoas não o conheciam tão bem além dos fãs, então ele teve que construir isso até onde está agora. Claro, todo mundo sabe quem ele é agora.

"General Waters" diz algo sobre o estilo de liderança de Waters.

Não consigo imaginar a frustração quando o Pink Floyd está tocando em um estádio de futebol lotado e eles estão tocando principalmente suas músicas. Enquanto isso, ele está em uma arena meio vazia.

MEL COLLINS: Foi muito difícil. Eles tiveram que reagendar alguns dos shows, pois não estavam vendendo ingressos suficientes. Naqueles dias, era difícil. Havia tanta pressão sobre ele. Não foi fácil.

Deve ter sido uma experiência incrível para Waters em 1987. Ele teve que reconhecer que, além dos fãs, ninguém realmente sabia quem ele era, que não importava que ele estivesse em arenas menores enquanto seus ex-colegas do Pink Floyd tocavam duas ou três vezes seguidas em um mesmo estádio, lotando todos os dias, em cidade.

Conte-me sobre a criação de Radio KAOS

MEL COLLINS: Eu estava praticamente na banda na época. Estávamos tentando coisas diferentes. Eu estaria no estúdio com ele e ele tocaria a faixa. Mais uma vez, eu ouvia e via qual instrumento funcionaria melhor, o contralto ou o tenor ou às vezes o barítono. Fizemos assim, tentativa e erro.

Eventualmente nós levávamos isso para a turnê. Foi quando eu meio que briguei um pouco com Roger. Ele disse recentemente que adoraria contar comigo de novo, então talvez eu volte algum dia.







Live radio broadcast. Best of Roger Waters live at Colisee de Quebec, Quebec City, QC, Canada, November 7, 1987



ROGER WATERS
November 21, 1987
"Soundboard KAOS"
Label: Ayanami 058
Source: SILVER>FLAC
Quality: EX+

Roger Waters (vocals, bass, guitar)
Graham Broad (drums, percussion)
Paul Carrack (keyboards, vocals)
Mel Collins (saxophones)
Andy Fairweather Low (guitars, bass)
Jay Stapley (guitar)
Katie Kissoon (backing vocals)
Doreen Chanter (backing vocals)

01. Radio Waves (5:12)
02. Welcome To The Machine (8:36)
03. Who Needs Information? (6:5
04. Me Or Him? (5:1
05. The Powers That Be (4:04)
06. Sunset Strip (4:27)
07. If (3:47)
08. Every Stranger's Eyes (5:01)
09. Nobody Home (4:26)
10. Home (6:40) 11. Four Minutes (5:16)
12. The Tide Is Turning (6:41)





20/09/2019

King Crimson 2019-09-10 Auditorium Theatre, Chicago, IL (50th Anniversary) FLAC



KING CRIMSON 2019 TOUR - CELEBRATING 50 YEARS



King Crimson comemora os 50 anos mantendo as características e particularidades que sempre fizeram da banda um dos primeiros nomes a serem mencionados quando se fala em rock progressivo.

Tudo na banda evoca esse estilo, a começar pela formação incomum: o grupo conta com três bateristas, todos tocando ao mesmo tempo.

"Mas fazendo coisas diferentes", diz Levin. "Nossa abordagem musical sempre foi diferente e bem mais complexa. O nível dos músicos é elevado e, de várias maneiras, isso nos inspira. No fim, esse direcionamento da banda parte da cabeça de Robert [Fripp, guitarrista e líder do grupo]". 

"Mas é o melhor líder de banda que já conheci: ele nos diz onde temos que chegar, mas não nos fala como fazer, nem nos impõe nenhum caminho específico a ser seguido. Isso nos dá muita liberdade".

"É possível que apresentemos algo novo,é verdade. Mas, se tivesse que apostar, diria que boa parte do show será formada por clássicos da década de 1970. Nossas apresentações são longas, com cerca de três horas, dá para encaixar muita coisa. Estamos na nossa melhor forma como músicos e o público vai perceber isso", explica Levin.

"As apresentações e gravações da banda dependem da vontade de Robert – e isso pode demorar algum tempo para acontecer. Além disso, todos nós temos projetos paralelos que consomem muito do nosso tempo",

"É verdade. O King Crimson nunca mudou seu estilo, nunca fez concessões. Costumo dizer que somos a banda de rock progressivo por excelência. Por isso acredito que nossos fãs também são bastante particulares. São pessoas que, de fato, se importam com a música que fazemos". Conclui Levin.

A banda de rock progressivo comemora 50 anos de carreira no Brasil com apresentações no Espaço das Américas, Barra Funda, São Paulo, no dia 4 de outubro, e no Palco Sunset (Rock in Rio) dia 6 de outubro, data de encerramento do festival.

Pelos áudios aqui disponíveis é possível se ter uma boa ideia do peculiar altíssimo nível da banda, que nesta turnê especial não poderia ser diferente.

Abaixo uma resenha pela revista Illinois Entertainer sobre o show deste post, no Teatro Chicago, Illinois, ocorrido dia 10 de setembro último. Confira


Live Review: King Crimson at The Auditorium Theatre

Chicago Theatre
Tuesday, September 10, 2019


When progressive rock titans King Crimson last visited Chicago in 2017, the proceedings at Chicago Theatre went so well that the band released an officially sanctioned live album of the concert. On Tuesday night, the English septet stopped at the venerable Auditorium Theatre for its 2019 Celebration Tour. The group were clearly aiming for similar heights, delivering a three-hour performance that spanned 50 years of musical challenges and thrills since the release of 1969 debut album In the Court of the Crimson King.

Befitting its stature as the standard-bearer for prog-rock, the band left no song in its familiar form. Instrumental excursions during songs like 1970’s “Pictures of a City” and even recent fare like 2016’s “Suitable Grounds for the Blues” were deconstructed and rebuilt to suit the considerable strengths of the current Crim line-up. The band’s spartan stage dressing put emphasis squarely onto the music, without distraction. The only change in lighting was a dramatic shift to deep red light late in the concert, when the band shifted from the moody and moving verses of “Starless” into the song’s sinister-sounding instrumental passage.


Bandleader Robert Fripp was true to form as a reluctant and reticent but virtuosic guitar hero. His position was seated in the second line of players, the better to see the band’s front-line phalanx of thundering and dazzling percussionists. Although Fripp was no flamboyant showman, his performance during instrumentals like “Red” and the slashing, chopping “Larks’ Tongues in Aspic (Part IV)” was focused, meticulous, committed and intense.

The band’s front line was a percussion trio including longtime Crim drummer Pat Mastelotto, veteran member and former Porcupine Tree drummer Gavin Harrison, and 2016 recruit Jeremy Stacey. All three branched out from standard tools and techniques with stunning dexterity, splitting into controlled chaos and returning to fuse into rhythmic unison during percussive showpieces “Hell Hounds of Krim” and “Devil Dogs of Tessellation Row.” Stacey proved equally adept at piano for songs including “Islands” and “Easy Money.” Mastelloto integrated electronic instruments into his rhythms, and had a wall of dangling percussive toys surrounding a large gong behind his kit. Harrison hewed closer to his drum set, masterfully playing beats within beats. The drummers played a rhythmic game of hot potato during “Indiscipline” by tossing tricky shapes at one another in gleeful improvisation, and shared fills that traveled the line from Harrison to Stacey to Mastelotto and back again during “Radical Action II.”


Singer and guitarist Jakko Jakszyk was featured during the band’s most accessible fare, including the retooled “Frame by Frame” where he shared rich vocal harmony with Levin. Jakszyk’s swooning vocal melody during the verses traded space with Fripp’s frenetic guitar during instrumental passages. Jakszyk followed the gentle vocal melody of “Islands” by taking a deft guitar solo. Fripp shifted to mellotron for the song, while winds player Mel Collins took flight on tenor saxophone.

The melodic core of the band was anchored by bassist Tony Levin, who held the low frequencies (and then some) with instruments including electric bass and the 12-stringed Chapman Stick. Levin took a robust pizzicato-plucked solo during “Moonchild,” before bowing his sleek electric upright bass. Meanwhile, Fripp played gliding orchestral string lines with a tone like the one he deployed on David Bowie’s “Heroes.” Levin played slippery rhythms using the Stick during “EleKtriK” and “Indiscipline.” He joined Jakszyk for more vocal harmonies during “Cat Food.” Levin’s melodic bass grounded “Starless” and led into its pensive, clockwork instrumental section that paradoxically made time stand still.


Early bandmember Collins has provided grace and texture since returning to the lineup in 2013, adding saxophones and flute to songs like “Red” as if they’d always belonged there. Collins’ free-jazz baritone sax both heightened the chaos and counterbalance the jagged rhythm of “Neurotica.” His flute adorned Jakszyk’s baroque guitar and vocal during “In the Court of the Crimson King,” earning big cheers from fans of the band’s early albums. The most demonstrative of the players on stage, Collins responded to the ovation with a broad smile and by pumping his fist to his heart in salute. Collins’ baritone saxophone also underscored “Easy Money,” a song that demonstrated precisely how funky a prog band can get outside of 4/4 time.

The set list was a worthy primer for King Crimson’s catalog of 13 albums dating to 2003’s The Power to Believe. For songs like “Suitable Grounds for the Blues” the band exceeded its studio canon to play material heard only on live albums like Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind. In observance of its 50th birthday as a cornerstone of prog-rock, In The Court of the Crimson King was visited four times. Selections included the dramatic “Epitaph” and Fripp’s slashing, two-ton fretwork during a ferocious encore of “21st Century Schizoid Man.”

After fifty years of history and musical intuition, King Crimson’s imaginative improvisational sense and unparalleled technical acumen leave the band prepared to traverse as much uncharted territory as Fripp still wishes to explore. When the drum trio eventually synched up during that final blast of “20th Century Schizoid Man” for a simultaneous and flawless stick toss mid-song, it was finally acceptable to think for a moment, “Okay. Now, they’re just showing off.”

– Jeff Elbel





King Crimson
2019-09-10
Auditorium Theatre
Chicago, IL


Set 1:

01. Announcments/crowd
02. Hell Hounds of Krim
03. Pictures of a City
04. Neurotica
05. Suitable Grounds for the Blues
06. Red
07. Moonchild
08. Epitaph
09. Fairy Dust of the Drum Sons
10. Cat Food
11. EleKtriK
12. The Court of the Crimson King

Set 2:

01. Devil Dogs of Tessellation Row
02. Frame by Frame
03. Larks' Tongues in Aspic (Part IV)
04. Islands
05. Easy Money
06. Radical Action II
07. Level Five
08. Starless
09. Indiscipline
Encore:
10. 21st Century Schizoid Man
------------------
Total = 162:39
------------------




FLAC
ulozto.net (923 MB)
Torrent: King Crimson 2019-09-10 (880.28 MB) Yeeshkul




08/12/2018

Nick Mason convida Roger Waters para tocar em sua nova banda



MIV
The Music Journal Brazil 
Por Marcelo de Assis | dezembro 6, 2018


O baterista Nick Mason revelou que fez um convite para que Roger Waters participasse em um de seus próximos shows com a sua nova banda Saucerful of Secrets. Mason confirmou que realizará uma tour na América do Norte de 12 de março a 22 de abril de 2019.

Em uma recente entrevista para a revista Rolling Stone, Nick Mason consultou Roger Waters e David Gilmour, seus antigos colegas do Pink Floyd, antes de iniciar este novo projeto: “Eu pensei que seria uma boa maneira. Não achei que fosse uma questão de obter permissão ou algo assim, mas o que foi ótimo é que eles me encorajaram”, disse.

Quanto ao convite que fez a Waters, o lendário baterista ainda está reticente: “Disse que ele poderia vir e convidar para uma música ou duas, mas eu não estou prendendo a respiração sobre isso. Podemos nos preocupar com estrelas convidadas quando estivermos um pouco mais avançados”, explicou.

Mason tocou em alguns pontos importantes para esta sua nova fase: a ideia de se apresentar na América do Sul (crescendo as chances de uma apresentação no Brasil) e sobre a reedição de um álbum clássico de sua antiga banda, o Animals de 1977: “Enquanto alguém achar que poderíamos vender alguns ingressos nós iremos para lá. Para ir a lugares que nunca tocamos como Pink Floyd, em especial na America do Sul – existe uma base de fãs e eu realmente gostaria de ir lá e fazer alguns shows. De todos os nossos álbuns que foram relançados, esse é o que mais se beneficiaria de uma espécie de relançamento. Acho que acabará acontecendo”, disse.



23/11/2018

Roger Waters em defesa da educação gratuita na Colômbia


"Precisamos de mais educação"



Roger Waters declarou apoio aos estudantes colombianos em greve há várias semanas em defesa da educação gratuita 



O Estado de S.Paulo
22 Novembro 2018


BOGOTÁ - O cantor britânico e fundador do grupo Pink Floyd Roger Waters expressou nesta quinta-feira, 22, seu apoio aos estudantes colombianos, atualmente em greve, depois de um show em Bogotá carregado de rock, luzes, cores e críticas sociais.

"Precisamos de mais educação", disse Waters ao se referir às manifestações protagonizadas pelos estudantes colombianos nas últimas semanas. O músico britânico disse que se reuniu com três líderes estudantis e ressaltou que na Colômbia é necessária educação gratuita e de qualidade.

Os estudantes, que protestam há várias semanas, pedem ao governo uma ampliação da verba para as universidades públicas já que, segundo dados de especialistas, a educação superior no país tem um déficit de 3,2 bilhões de pesos (cerca de R$ 3,8 milhões).
Música e críticas

Waters abriu o show na Colômbia com a música "Speak to me", do lendário álbum "The Dark Side of the Moon", enquanto o telão exibia imagens do espaço e de cidades. Na sequência, com "Breathe", estabeleceu uma conexão com o público que perdurou durante o resto da noite.

Mas sem dúvida o ponto alto da noite foi quando começou a tocar "The Happiest Days of Our Lives", prelúdio do clássico "Another Brick in Wall Part 2". 

rianças subiram ao palco com máscaras marrom e uma camiseta com a inscrição "resist" (resista, em tradução livre). Os jovens fazem parte do coletivo Movtómico, liderado pela artista Laura Zambrano e formado por jovens de baixa renda da capital colombiana.

Depois, o músico britânico fez uma pausa de 20 minutos no show e, durante esse intervalo, foram exibidas mensagens nos telões convidando os colombianos a "resistirem" e criticando vários líderes políticos como o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, e a ex-candidata à presidência da França Marine Le Pen.

Durante a música "Pigs (Three different ones)", o artista exibiu imagens ridicularizando o presidente dos EUA, Donald Trump, sob coro da plateia. A crítica ao republicano prosseguiu na canção seguinte, "Money".

Waters encerrou o show sob aplauso do público com o clássico "Comfortably Numb". / EFE

02/11/2018

BLITZ: Roger Waters retirou todas as referências a Bolsonaro no último concerto no Brasil



Roger Waters retirou todas as referências a Bolsonaro no último concerto no Brasil. “Cuidem uns dos outros!”



Chegou ao fim a digressão brasileira de Roger Waters

Waters deu na passada terça-feira o último concerto da sua digressão pelo Brasil, durante a qual foi bastante criticado pela sua oposição a Jair Bolsonaro, vencedor das eleições presidenciais recentes.

Neste concerto, que se realizou em Porto Alegre, e ao contrário dos demais Roger Waters não fez qualquer menção a Bolsonaro. Durante o espetáculo e ao enumerar políticos que considera "neofascistas", o músico tapou o nome de Jair Bolsonaro com a mensagem "ponto de vista político censurado".

A mensagem #EleNão, hashtag utilizada pelos opositores de Bolsonaro, também foi removida do espetáculo após ter sido utilizada em concertos em São Paulo e Curitiba. No Instagram, Waters partilhou ainda um vídeo deste último concerto com uma mensagem de agradecimento aos fãs e um pedido: "Cuidem uns dos outros!". Veja aqui:





Uma publicação compartilhada por Roger Waters (@rogerwaters) em


Fonte: BLITZ

16/10/2018

Fãs fazem Roger Waters chorar em Brasília




Roger Waters, em série de shows pelo Brasil, passou por um turbilhão de emoções. Depois de ser vaiado e dividir opiniões em show em SP ao exibir “Ele Não” no telão, em crítica ao candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, o líder do Pink Floyd voltou a fazer protestos políticos no Distrito Federal, no domingo (14).

O cantor e compositor exibiu novamente no telão os dizeres “ponto de vista político censurado” onde exibiu o nome de Bolsonaro em primeiro show e dividiu mais uma vez a plateia entre vaias e aplausos.

Mas Roger não arredou o pé de suas convicções, cuja motivação ele explicou em entrevista ao Fantástico, e manteve o nome "censurado" no telão onde exibe uma lista de nomes de políticos neofascistas, assim como também exibiu a mensagem "Nem Foden..." após perguntar ao público “Should I trust the government?” (“devo confiar no governo?”, em tradução livre). enquanto tocava "Mother"

A marca do show, no entanto, ficou para a emoção de Waters ao ser ovacionado pela plateia. Apesar dos anos de estrada, ele foi às lágrimas e agradeceu o carinho. 

Roger ainda fará cinco shows no Brasil com a turnê Us + Them: Salvador (17 de outubro), Belo Horizonte (21 de outubro), Rio de Janeiro (24 de outubro), Curitiba (27 de outubro) e Porto Alegre (30 de outubro).




Fonte: Jovem Pan

30/06/2018

"Through The Years - Tour 2018”, Ummagumma revisita cinco décadas do grupo Pink Floyd


Ummagumma - The Brazilian Pink Floyd


Teatro Riachuelo, em Natal/RN 29/06/2018


É a segunda vez que o grupo vem ao Recife. O show deste ano conta com a participação de Lorelei McBroom, cantora que acompanhou não somente o Pink Floyd, mas também The Rolling Stones e Rod Stewart.

São 16 anos de estrada interpretando uma das bandas mais representativas do rock mundial, a lendária Pink Floyd. Formada pelos mineiros, Bruno Morais (guitarra e vocal), Marcos Alexandre (baixo e vocal), Felipe Batiston (teclados e vocal) e Otávio Pieve (bateria), a Ummagumma chega neste sábado (30) ao Recifecom a turnê “Through The Years - Tour 2018”. 

A escolha do nome Ummagumma é uma homenagem ao quarto álbum de estúdio da banda inglesa, lançado em 1969. No show, os músicos revisitam mais de cinco décadas de história do Pink Floyd. A turnê, que estreou em São Paulo, apresenta um repertório que revisita fases importantes da banda inglesa: do começo psicodélico até a entrada de David Gilmour. 


Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre 2018

É a segunda vez que o grupo vem ao Recife. O show deste ano conta com a participação de Lorelei McBroom, cantora que acompanhou não somente o Pink Floyd, mas também The Rolling Stones e Rod Stewart. “É um trabalho muito sério e uma responsabilidade muito grande. Primeiro para com a obra fantástica criada pelo Pink Floyd e principalmente para com o público, que, na maioria das vezes, são aqueles fãs que sabem absolutamente tudo e conhecem detalhe por detalhe das canções”, conta o vocalista e idealizador do projeto, Bruno Morais.

Segundo ele, a banda vive o seu melhor momento até então. “O show está demais, com canções para agradar a todos os fãs, desde aqueles que gostam da parte mais pop aos fãs da fase psicodélica e progressiva da banda”, afirma. Como fãs autênticos de Pink Floyd, é claro que não poderiam faltar histórias curiosas entre os integrantes da Ummagumma e o grupo inglês. “Tem alguns bons casos. Desde a vez que ficamos esperando o Roger Waters no hotel das 11h30 até as 16h da tarde pra tentar uma foto ou um autógrafo, Roger nos atendeu, autografou discos, ingressos e pôsteres e ainda posou para fotos com a gente”, relembra Morais. 

Sobre músicas que não podem faltar de jeito nenhum no repertório do tributo, estão "Another brick in the wall”, "Time", "Wish you were here", "Comfortably numb" e "Shine on you crazy diamond".

Por: Folha de Pernambuco em 30/06/18

Serviço: 
Ummagumma The Brazilian Pink Floyd em “Through The Years - Tour 2018”
Quando: Neste sábado, às 20h
Onde: Teatro Guararapes (av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Olinda - Centro de Convenções de Pernambuco)
Ingressos: R$ 52 (meia-entrada no balcão) a R$ 164 (inteira da plateia especial)

27/05/2018

Nick Mason’s Saucerful of Secrets ao vivo em Londres (matéria) 2018-05-24 (FLAC)





A Saucerful Of Secrets (Celestial Voices)


Texto original: The Telegraph, UK

Nick Mason anunciou recentemente, como vimos aqui, a formação de uma nova banda para tocar o material mais antigo do Pink Floyd. Músicas de discos como 'The Piper At The Gates Of Dawn' e 'A Saucerful Of Secrets', serão tocados pelo Nick Mason’s Saucerful Of Secrets.

A formação da banda traz Gary Kemp (guitarra – Spandau Ballet), Lee Harris (guitarra – Blockheads), Guy Pratt (baixo – Pink Floyd), Dom Beken (tecladista) e Nick Mason na bateria.

Como membro fundador, Mason já tocou em todos os shows ao vivo do Floyd desde 1967, mas isso não foi exatamente um cronograma difícil. A banda fez seu último show no Live8 em 2005, que foi a última presença mais significativa de Mason no palco, além da breve aparição em 2011, 12 de maio, no segundo espetáculo na O2 Arena, em Londres na turnê The Wall de Roger Waters. Até agora.

  Set The Controls For The Heart Of The Sun

Em um clube londrino escuro e claustrofobicamente ocupado, cinco músicos de rock estabeleceram seus controles para o coração do sol. O baterista do Pink Floyd reuniu um grupo de músicos estelares para recriar um conjunto de rock psicodélico voltado ao início de sua banda original. Em sua estréia, diante de algumas centenas de convidados e dedicados fãs no Dingwalls em Londres, Saucerful of Secrets de Nick Mason festejou como se fosse 1969.

Uma deslumbrante de viagem musical no tempo da ficção científica. Não havia incensos queimando, não havia escorregadores psicodélicos e nem muito cabelo para ser visto nas cabeças dos fãs entusiasmados. Mas se você já se perguntou como seria o Pink Floyd quando interromperam a cena musical britânica, este era o lugar para se estar.

O som monumental, eletrizante, galvanizante, hipnotizante e ainda profundamente estranho, desdobrando os formatos do rock primitivo em todo tipo de interpretações obscuras e maravilhosas. Desde 'Interstellar Overdrive', 'Astronomy Dominie' e 'Lucifer Sam' ao encerramento arrebatador com 'One Of These Days' e a agitação musical de 'Point Me at the Sky', era um conjunto de intensidade tão surpreendente que parecia zombar da própria noção de nostalgia. Foi o suficiente para fazer você pensar se o rock de fato progrediu muito longe desde os anos sessenta.

One Of These Days

Mason em seus 74 anos de idade e de muita bagagem musical denotou por trás de sua bateria, com um ar de certa estranheza ao tocar efetivamente em sua própria banda tributo, e com seu característico bom humor, referia-se ao grupo como 'The Roger Waters Experience', o guitarrista Lee Harris, o tecladista Dom Beken), tendo como vocalista o baixista Guy Pratt (vocalista regular dos trabalhos do Pink Floyd e dos projetos solo de David Gilmour) e, um tanto incongruente, o guitarrista Gary Kemp do Spandau Ballet.

Kemp, em particular, foi uma revelação no papel de guitarrista. Não há nada no catálogo do New Romantic que pudesse sugerir um domínio tão selvagem de seu instrumento. Ele dispunha de mais unidades de efeito em seu pedal do que Floyd poderia contar, embora não tendo o toque sensível de Gilmour (bem, quem têm?), ele tocou com arrojo e brio, realmente trazendo todos os possíveis nuances de tom e distorção de seu instrumento.

A plateia era claramente devotada, aplaudindo tanto a criatividade dos integrantes, quanto o próprio desempenho em si, a cada execução.  

Kemp e Pratt pareciam estar se divertindo intensamente. Ambos londrinos, eles se aproximaram de linhas vocais com um vigor cockney (habitante do East End de Londres) muito distante das anunciações mais refinadas de Barrett (especialmente em tais peculiaridades da psicodelia inglesa como 'See Emily Play', 'Arnold Layne' e 'Bike'). Isso emprestou ao processo uma certa frescura e vitalidade, especialmente combinada com o toque sônico da amplificação moderna. Um pouco de aspereza na banda só ajudou a aproximar a intensidade energética juvenil do Floyd em seus primórdios.

See Emily Play

'Nick Mason’s Saucerful of Secrets' cavou fundo no underground da banda original. O resultado foi uma espécie de Punk Floyd, muito emocionante. Boa audição!



Fearless


Nick Mason's Saucerful of Secrets

Half Moon, Putney
London
May 24 2018

CD1
1.  Intro
2.  Interstellar Overdrive
3.  Astronomy Domine
4.  Lucifer Sam
5.  Band Introductions
6.  Fearless
7.  Obscured By Clouds->When You're In
8.  Banter
9.  Arnold Layne
10. The Nile Song
11. Banter

CD2
1.  Green Is The Colour
2.  Banter
3.  Let There Be More Light
4.  Set The Controls For The Heart Of The Sun
5.  Intro
6.  See Emily Play
7.  Bike
8.  One Of These Days
9.  Crowd
10. A Saucerful Of Secrets (Celestial Voices)
11. Point Me At The Sky
12. Outro


Nick Mason - Drums
Guy Pratt - Bass and vocals
Gary Kemp - Guitar and vocals
Dom Beken - Keyboards
Lee Harris - Guitar





FLAC
mega.nz  - (427.7 MB)



23/05/2018

Roger Waters em Lisboa – Concerto digno de um deus do Rock (Lisboa)




Pouco depois da festa no Jamor propiciada pela final da Taça de Portugal, houve festa na Altice Arena com Roger Waters a dar um concerto… não, um espetáculo de 3 horas em que se juntaram uma excelente qualidade musical, uma experiência visual grandiosa e algumas mensagens políticas poderosíssimas.

Foi um evento maravilhoso aquele com que Roger Waters nos brindou na primeira de duas atuações que veio protagonizar em Lisboa. A expetativa era grande, a afluência foi enorme e o espetáculo foi maior ainda, indo muito para além da música (que já por si é ótima) e deixando a sua marca pela forte posição de oposição a muitos dos atuais líderes políticos, usando para tal uma panóplia de recursos visuais e materiais que elevaram por completo a escala de todo o concerto.

No fundo, foram 3 tipos de performances congeminadas numa só espantosa prestação, mas que eu irei agora separar para mais facilmente percebermos como tudo se conjugou num resultado final épico, digno de um “deus do Rock” como é o ex-baixista dos Pink Floyd

O espetáculo visual:

Grandioso. Impactante. Transcendente. Como se a componente auditiva de tudo o que se relaciona com Pink Floyd ou Roger Waters não fosse suficientemente boa, eis que nos deparamos com o complemento visual perfeito. Toda a performance musical foi sincronizada ao detalhe com vídeos nos ecrãs gigantes da Altice Arena. Não tentando sequer descrever o quão difícil é obter esse nível de precisão ao fazer música, opto antes por tentar falar do efeito que esse suporte visual teve sobre o público. O espectáculo foi dividido em duas partes, com um intervalo de cerca de 20 minutos pelo meio. Na primeira parte, foi como se estivéssemos a assistir a um videoclip incrivelmente longo e hipnotizante. Um videoclip que começa antes da própria música e até da entrada em palco da banda em si. Ainda havia público a movimentar-se para o interior da sala quando as primeiras imagens surgem, revelando uma mulher sentada nas dunas de uma praia, balançando-se muito levemente ao sabor do vento. A imagem torna-se, vários minutos depois, mais vermelha e, com alguma distorção à mistura leva-nos para o espaço e começamos a respirar as primeiras notas do concerto com “Breathe”. Aí começa o filme, com o vídeo a adaptar-se a cada música, cada nota, cada momento. A primeira metade passa-se assim, culminando com “Another Brick in the Wall” num estilo mais teatral com várias crianças em palco, simbolizando e apelando à resistência de todos àquilo que se passa de mal no mundo. E é pegando nesse mote lançado pelo fim da primeira parte que se inicia a segunda, erguendo-se no meio da plateia mais ecrãs que aumentam exponencialmente as potencialidades visuais que Roger Waters nos presenteou. A lógica de um vídeo contínuo permanece a mesma, mas os vídeos multiplicam-se e o seu teor é muito mais crítico e político. A teatralidade continua, com destaque para a as máscaras de porco que Roger e os outros membros envergam antes de “Pigs (three different ones)” e uma nota para o hilariante uso de um porco gigante insuflável que nos desafiava a mantermo-nos humanos. A única coisa que me pergunto em relação a esta impressionante estrutura cénica é se os ecrãs no meio da plateia não terão cortado a visão a alguns dos presentes com menos sorte que eu nos seus lugares.

A posição Política:


Quem o conhece já estaria a espera de uma forte componente política presente na sua atuação. O grande visado foi, previsivelmente, Donald Trump. Fortemente criticado e satirizado durante todo o espetáculo pelo desrespeito que demonstra pela humanidade. Chegou a ver-se, em bom Português, “O Trump é um porco” nos ecrãs. Mas houve mais figuras públicas a serem alvo de duras críticas pelo músico britânico. Entre elas Mark Zuckerberg, devido aos recentes acontecimentos relativos à violação de dados pessoais; e Gina Haspel, nova diretora da CIA que chega ao cargo nomeada por Trump e após ter estado envolvida em operações de tortura e violações dos direitos humanos. Durante o intervalo, passaram nos ecrãs da arena diversas mensagens que alertavam, entre outras coisas, para o crescimento de uma cultura neo-fascista em todo o mundo e para as barbaridades que se passam na Palestina. Acerca deste último ponto, Roger Waters, já perto do fim do concerto, diz que não sentiu necessidade de fazer grandes discursos porque as atrocidades cometidas e publicitadas pela IDF falam por si e terão substancialmente mais impacto na criação de uma cultura de resistência do que quaisquer palavras que o mesmo pudesse proferir. Disso não tenho a certeza, mas sei que aquilo que Roger fez ao longo desta noite de Domingo teve impacto e é de louvar alguém que com 74 anos ainda tenha força para combater o que acha errado e apelar ao não comodismo de todos os seus ouvintes.

A música:

Não foi por acaso que deixei aquilo que deve ser o foco de um concerto para o fim. Primeiro, realçar que notei uma Altice Arena com melhor qualidade de som que o normal (efeito Eurovisão?). Depois, e passando para a qualidade das músicas em si, essa é indiscutivelmente de topo, tanto as mais recentes e resultantes do seu trabalho a solo, como as mais antigas e conhecidas da icónica banda a qual pertenceu. Na primeira metade do concerto é inevitável destacar grandes êxitos dos Pink Floyd como “Wish you were here” ou “Another Brick in the Wall” (que contou com o apoio de dezenas de crianças em palco), mas também “Welcome to the Machine”, cujo suporte visual foi extremamente representativo da grande máquina capitalista que vai atropelando tudo e todos à sua frente. Se nesta primeira metade o cenário audiovisual já tomava grande protagonismo, após o intervalo, com o surgimento dos tais ecrãs no meio da plateia, parece que o espectáculo cénico passou a destacar-se por completo. Dei por mim muitas vezes de lado (e até de costas) para o palco a apreciar o que se passava nos ecrãs e em toda a Altice Arena. Dei por mim a tentar captar todos os detalhes e a interpretar todas as mensagens escritas que me sobrevoavam. Dei por mim e não estava a prestar a devida atenção à maravilhosa música proveniente daquele palco e daqueles prodigiosos intérpretes como Roger Waters e o já bem cotado na cena Indie e Prog Jonathan Wilson – que tão bem fez de David Gilmour durante toda a atuação –, tal como todos os restantes membros da banda que brilhavam cada um à sua maneira (até as cantoras de apoio tiveram o seu momento de solo e impressionaram todo o público). Se há algo que possa ser minimamente apontado de menos positivo a esta noite de domingo é isso: o facto de tanto estímulo visual presente ao mesmo tempo na arena por vezes retirar o foco à música em si (e aos músicos). O foco total e completo no palco viria, novamente, apenas no fim, coincidindo com o recolher dos ecrãs extra, com a apresentação da banda e com o discurso emotivo mas também de apelo à resistência e de sensibilização que Roger nos dirigiu. Ficámos então com “Wait for Her/Oceans Apart/Part of me died” e “Comfortably Numb” em tom de despedida de um espectáculo épico, que eleva a qualidade musical a patamares que não estão ao alcance de todos.

O facto de músicas que foram escritas há 40 anos serem tão atuais é representativo da intemporalidade de Roger Waters e da mensagem que tão alto reivindica. É, por isso, infrutífero tentar concluir a análise a algo que não tem conclusão e que, pelo contrário, nos inspira a todos, Us and Them, a sermos continuamente a Resistência e não ficarmos Confortably Numb com aquilo que nos rodeia.

Setlist (da 1ª noite) 
Speak to me / Breathe 
One of these days 
Time 
Breathe (Reprise) 
The Great Gig in the Sky 
Welcome to the Machine 
Deja vu 
Last refugee 
Picture That 
Wish you Were Here 
Happiest Days / Another Brick in the Wall Pt.2 

INTERVALO 
Dogs 
Pigs (three different ones) 
Money 
Us and Them 
Smell the Roses 
Brain Damage / Eclipse 
Wait for Her / Oceans Apart / Part of Me Died 
Comfortably Numb

21/05/2018

Nós e Roger Waters, aqui e agora (Lisboa)



Roger Waters (Full) Altice Arena,Lisboa,20 Mai 2018

O alinhamento foi composto na sua maioria por canções dos Pink Floyd da década de 1970, mas, no óptimo concerto que o seu antigo baixista deu domingo na Altice Arena (haverá um segundo esta segunda-feira), elas serviram para agir no presente. "Fuck the pigs!", exortou.

Fonte: Jornal Público - Ìpsilon
MÁRIO LOPES 21 de Maio de 2018,

Time (2018-05-20)


Foi logo no final da primeira canção que Roger Waters, 74 anos que o corpo seco e a altura imponente não denuncia, caminhou até a um dos extremos do palco. Acenou ao público e ergueu o punho em sinal de união, de comunhão, de vitória. Acabávamos de ouvir Breathe, em interpretação imaculada no seu onirismo e melancolia, pela extraordinária banda que acompanha Waters. Ouvimos nela os versos que servem de mote àquilo que leva o antigo baixista dos Pink Floyd a querer continuar em palco, a querer continuar a tocar a música que criou ao longo das últimas cinco décadas. Aquilo que o leva a erguer o punho, no início, a bater com a mão no peito, no final, agradecendo emocionado ao público que lotou a Altice Arena este domingo, no primeiro dos dois concertos portugueses da digressão Us + Them.

The Great Gig in The Sky


Roger Waters
Lisboa, Altice Arena
Domingo, 20 de Maio
Lotação esgotada


Os tais versos, então. Dizem assim: “Run, rabbit, run / dig that hole, forget the sun / And when at last the work is done / Don’t sit down, it’s time to dig another one” – presos na máquina, continuamos, dia após dia, prisioneiros de algo que nos ultrapassa. A música aponta uma fuga e Roger Waters, 74 anos, acredita que a música pode acordar-nos, despertar-nos. Quando tudo terminou duas horas e meia depois, às 0h10, os confetti que caíram sobre a multidão tinham uma palavra inscrita: “Resist” – sim, é por acreditar que a música pode ser isso, resistência, que Roger Waters continua. Ao longo do concerto, o passado fez-se presente e entre Dogs e Pigs (three different ones), as canções que abriram a segunda parte do concerto, ambas incluídas originalmente em Animals, álbum de 1977, viu-se o presidente americano travestido de meretriz, em corpo de porco, com capuz do Ku-Klux-Klan, como bebé irritadiço, como figura de intervenção pop art satírica. Enquanto aquele boogie rock, cow-bell incluído, fazia o seu caminho, levitava por cima de nós esse clássico Floydiano que é o gigantesco porco insuflável – no dorso, a frase “mantém-te humano”, escrita em português e em inglês.

Pigs (Three Different Ones) 2018-05-20

O concerto de Roger Waters foi um concerto que aliou o impacto directo de uma banda em palco com a ambição cénica que desde muito cedo norteou a criatividade do músico. Enquanto o porco insuflável levitava sobre o público, já tinha descido alguns metros acima dele uma estrutura replicando a fábrica da capa de Animals, em cuja fachada foram, a partir de então, projectadas imagens da banda, as imagens de Trump, imagens de cenários de guerra, palavras de ordem incitando à acção. Exemplar, neste concerto, foi a forma como se conjugaram as duas vertentes, harmonizando-se sem que uma subjugasse a outra. Sentimo-lo desde o início.

A esmagadora maioria do concerto compôs-se de clássicos dos Pink Floyd, mas ouvi-los e, principalmente, ouvi-los interpretados daquela forma, com intenção, bom gosto e uma fidelidade aos originais que não diminuía o seu impacto, não foi apenas homenagem a uma obra fulcral na história da música popular urbana. Aqui voltamos ao início do texto, ao Roger Waters de punho erguido, ou ao Roger Waters que cantou Welcome to the machine, a canção distópica de Wish You Were Here, com esgar dramático, ameaçador, adequadíssimo àquele pedaço rock cyborg apocalíptico que soa ainda mais profético em 2018. É tudo uma questão de contexto: e estas canções, escolhidas para dar corpo ao tema da digressão – a necessidade de união, empatia entre todos e reacção perante a barbárie da guerra, da finança, dos crimes de Estado, da xenofobia —, cresceram imponentes perante nós (mesmo se, por vezes, de forma paradoxal, Waters parece agir como líder a comandar as massas num comício, o que é contraditório com a ideia de liberdade de pensamento e liberdade individual que conduz o concerto).

Dogs (2018-05-20)


Roger Waters alternou entre os momentos em que agarrou o baixo e aqueles em que, de microfone na mão, percorria o palco cantando, mimando o que o guitarrista Jonathan Wilson cantava (coube-lhe as partes originalmente cantadas por David Gilmour) ou incitando o público a reagir. O líder foi acompanhado por uma banda onde se destacava o baterista Joey Waronker, de um virtuosismo justo para as canções, nunca exibicionista, o guitarrista Dave Kilminster, fidelíssimo à escola Gilmour, ou o coro formado por Holly Laessig e Jess Wolfe, membros da banda americana Lucious e que, entre o dueto em The great gig in the sky ou os momentos em que pegaram em baquetas e, com dois timbalões de chão, acentuaram o tom marcial de um par de canções, nunca foram personagens secundárias em palco. Com este Roger Waters determinado e uma banda hábil e entusiasta, o concerto fez sobressair o melhor que tem esta música.

Dividido em duas partes, com um intervalo de vinte minutos a separá-las, o concerto de foi uma extraordinária prova de vida. Ouvimos o space-rock tumultuoso de One of these days, guiado por aquela titânica linha de baixo, ouvimos a cristalina Time e The last refugee, uma das canções do recente álbum de originais de Waters, Is This The Life We Really Want? (2017), e vimos os jovens do Centro Social Comunitário da Flamenga, em Lisboa, acompanharem Another brick in the Wall. Primeiro de cabeça tapada por capuz e vestindo fatos laranja de prisioneiros, depois de rosto destapado, dançando livres nas t-shirts negras onde se lia a palavra-chave: “Resist”.



No início da segunda parte do concerto, a banda, onde se inclui também, por exemplo, Bo Koster, teclista dos My Morning Jacket, reuniu-se em volta de uma mesa onde eram servidas flutes de champanhe. Vestiam máscaras de porcos com várias expressões, suínos demasiado humanos como no Triunfo dos Porcos de Orwell. Grunhiam e brindavam e um deles (Waters) ergueu um cartaz – “Pigs rule the world”. Acto contínuo, libertou-se da máscara e, rosto humano encarando-nos de frente, ergueu outra palavra de ordem: “Fuck the pigs!”. O mote sugerido desde início concretizava-se. Do diagnóstico ao combate.

Wish You Were Here (2018-05-20)

Viriam então depois as longas suites de Dogs e Pigs (three different ones), chegaria a intemporal Money e a obrigatória Us and them.The lunatic is on the grass, frase inicial de Brain damage, anunciou a caminhada para o final com Eclipse, enquanto se formava no ar, em laser, o icónico prisma de Dark Side of the Moon. O encore chegaria, depois da apresentação da banda, depois das vénias, com palavras contra a intervenção e política israelita na questão palestiniana. Depois, discursou sobre como apenas o acto de amar pode abrir brechas na barreira erguida entre nós e os outros. Wait for her, Oceans apart, Part of my died, pedaços de folk acústica que encerram o último álbum a solo, serviram de antecâmara para a despedida com Confortably numb, cantada por Jonathan Wilson, dono de uma muito respeitável carreira a solo (“o hippie da banda”, como apresentado por Waters). Como aconteceu mais vezes ao longo do concerto, foi acompanhada em coro pelo público.

Já toda a banda abandonara o palco e Roger Waters lá continuava. Punho erguido, mão batendo no peito. É por isto que ele, 74 anos, continua em palco. Acredita que tem razão. Acredita que a sua música faz acreditar. Acredita nela. Us + Them, verdadeiramente.

Welcome to the Machine (2018-05-20)

Another Brick in the Wall (2018-05-20)




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

David Gilmour


Por gentileza informe links quebrados - Please report broken links

Nome

E-mail *

Mensagem *